Se há coisa que me irrita é ver passar-me ao lado bicicletas conduzidas por fedelhos atrevidos, que fazem dos passeios para os peões autênticas pistas de ciclismo, fazendo perigar quem caminha sossegado.

Ventura ReisAté simpatizo com essa ideia de voltar a andar preferencialmente a pé, de bicicleta, ou de trotineta, pondo de lado o automóvel poluidor. Porém incomoda-me sobremaneira a falta de civismo dos moços que andam de bicicleta na cidade, que se nos atravessam à frente a todo o instante ou nos fazem razias que colocam em perigo a nossa integridade física.
Ele há limites para tudo e, no que me toca, não suporto esse susto permanente que sinto quando caminho pelo passeio. O que antes deveria ser um percurso calmo e seguro, transformou-se numa aventura medonha. Ao que isto chegou!
Ainda há dias assisti ao atropelamento de um pobre cão que seguia no passeio, livrando-se por muito pouco o dono de também ser atingido por um ciclista tresloucado que seguia a alta velocidade. O acidente foi aliás de consequências também nefastas para o jovem ciclista que se estatelou no solo, tendo ali recebido assistência.
Verifiquei estupefacto que a bicicleta não tinha chapa de matrícula, nem tampouco campainha ou buzina, acreditando até que o famigerado moço que atropelou o canídeo nem sequer possuísse o respectivo livrete. Pois queiram acreditar que os polícias que acorreram ao local, não só não lhe pediram o documento, como ainda nada fizeram devido ao facto de circular pelo passeio e de ter em falta os apetrechos de segurança obrigatórios.
No tempo antigo havia outro civismo e as leis eram de cumprimento obrigatório. Quem viesse à rua com a bicicleta sem chapa de matrícula, sem instrumento sonoro (audível à distância de 50 metros), sem os travões em excelente estado e sem os documentos obrigatórios, via o velocípede apreendido, sem apelo nem agravo. Sim, porque as leis eram rigorosas e, sobretudo, eram para cumprir, deparando-se os infractores com a pronta e firme actuação das autoridades.
As câmaras municipais tinham um registo das bicicletas existentes no concelho, bem como das moradas dos seus proprietários, estando prevista a aplicação de multas aos que não procedessem aos registos e não comunicassem as alterações.
Hoje é moderno andar de bicicleta e até há quem defenda o seu retorno em substituição do carro ligeiro. Pois eu acho isso muito bem, mas então circulem na estrada, ou seja, na via destinada aos veículos e nunca pelos passeios. Circulem pela direita, como manda o Código da Estrada e não usem as passadeiras para atravessar as ruas, montados nas bicicletas, ou com elas de rédea, como se de peões se tratassem.
Eu, que felizmente não dirijo, imagino os sustos que os condutores dos automóveis apanham quando as bicicletas se lhe atravessam à frente!
«Tornadoiro», crónica de Ventura Reis

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