O marechal André Massena, que comandou as tropas francesas na terceira invasão de Portugal fez-se acompanhar de uma amante, que esteve sempre a seu lado, e a quem os seus soldados chamavam jocosamente a «Galinha de Massena».

Era algo comum entre os oficiais generais de Napoleão fazerem-se acompanhar pelas respectivas mulheres durante as campanhas. Junot é disso exemplo, pois a esposa, Laura, veio com ele na terceira invasão, em parte para evitar o escândalo muito falado do tempo em que o marido estivera em Lisboa na primeira invasão, onde se deu a excessos com as mulheres portuguesas, nomeadamente com a condessa da Ega, a sua amante preferida.
Porém Massena trouxe consigo uma amante, de nome Henriette Lebreton, jovem mulher de um oficial de artilharia que servira Massena como ajudante-de-campo. A senhora tinha lugar nos aposentos do grande quartel-general, e era temida pelos restantes oficiais do estado-maior do marechal, pois tinha um enorme ascendente sobre ele.
Henriette, rapariga de apenas 18 anos, acompanhava o marechal para todo o lado, montando um fogoso cavalo e envergando um belo e sempre lustroso uniforme de dragão do exército imperial. Essa presença contínua da amante junto do marechal irritava sobremaneira os restantes oficiais generais, mormente os outros comandantes dos corpos. O marechal Ney, grande rival de Massena, que nunca aceitou bem o papel secundário que detinha no Exército de Portugal, ao estar submetido às ordem de outro marechal, reagia especialmente mal à presença da senhora.
Entre a tropa comentava-se a abusiva ingerência de Henriette nos assuntos militares, a pontos de começar a ser dada como a grande responsável pela fraca prestação de Massena. Conhecido por «Filho Querido da Vitória», apodo que lhe fora conferido pelo próprio Napoleão Bonaparte, que o tinha como o melhor dos seus lugar-tenentes, todos se questionavam acerca da real manutenção das suas capacidades de comando.
Ney considerava Massena uma sombra do passado. Com 52 anos, cego da vista esquerda, com uma perna estropiada e com fortes dores de coluna, Massena não era de facto o mesmo. Longe iam as campanhas gloriosas da Áustria e de Itália, onde se cobrira de glória. Em Portugal enfrentava Wellington, o mais astuto dos comandantes inimigos, que não dava combate sem ter garantias de que tudo jogava a seu favor. Porém, o fracasso dos movimentos das tropas francesas face ás linhas defensivas de Lisboa, a falta constante de mantimentos e a ausência de boas perspectivas de futuro, colocavam o exército apreensivo e a confiança no grande marechal Massena ia diminuindo, muito contribuindo para isso a presença da jovem francesa junto dele.
Paulo Leitão Batista

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