Teresa Duarte Reis - O Cheiro das Palavras - Capeia ArraianaA adesão em força à cerimónia do II Capítulo de Entronização na Confraria do Bucho Raiano prova que a Raia está viva, mesmo que extravase para lá das suas fronteiras físicas. Podemos entender como o povo raiano, mesmo estando longe, tem o coração na sua terra. Não há dúvida que um evento colorido, rico em convívio e degustação, anima as gentes e os povos que, pela distância, estão ávidos de receber. O contacto com elementos das várias Confrarias traz-nos a riqueza da partilha, a alegria da festa. E, como vou fazendo sempre, trago em poema o pulsar dos participantes, o desenrolar dos acontecimentos.

FESTA DO BUCHO RAIANO


No Auditório Municipal
Teve início o evento
O duo das concertinas
Tocando Eugénia Lima
Chamou-nos para a festa
Que descontrai e anima.

O Grão-mestre dava o toque
Em cada momento o fez
Para que tudo corresse
Sem haver grande paragem
E distinguem individualidades
Em merecida homenagem.

O Presidente Robalo
Com título de cavaleiro
Lembra como a gastronomia
Revela os hábitos locais  
Alia os produtos agrícolas
Com as heranças culturais.

Falou com viva emoção
E declarou aos presentes
Que a Câmara tudo fará
Para que o bucho do Sabugal
Fique entre as 7 maravilhas
Gastronómicas de Portugal.

As Confrarias gastronómicas
São elemento importante
Na defesa dos produtos
Ou na sua projecção
E a Câmara apoia produtores
Que promovam região.

O Padre Manuel Dinis
Fez um estudo bem completo
Sobre Confrarias / Irmandades
Que da Idade Média viriam
Promovem o culto católico
E os pobres protegiam.

As festas e procissões
Que faziam os confrades
Eram o momento único
De convívio social
Pelos trajes e estandartes
E por todo o ritual.

Hoje são consideradas
Património Nacional
Com os benefícios do encontro  
Cultura viva de tradições
E saberes acumulados
Ao longo de gerações.

E antes que todos jurassem
Proteger o Bucho Raiano
Felicitou a Confraria
A Deus pediu protecção
«Aquilo que é bem feito»
Tem que ter de Deus sua bênção.

João Luís Vaz, orador
Recorda espectáculo da matança,
Mas vai mais longe na história
P´ra ler Lição de Sapiência
«O porco é tesouro»
Às Senhorias, pede licença.

Fala de ritual colectivo
De prazer individual.  
Chamuscado o animal
Aberto o porco, vês teu corpo
«É mesmo como a gente,
Tirada a alma», diz o povo

Recordou que a festa da mesa
É algo de mágico / religioso
Ali se invocam os deuses
Onde o principal desse rito
É a comunhão do pão e vinho
Como Jesus tinha dito.

Ainda hoje se reza à mesa
Recordando a Grécia antiga
Comer juntos vem dos romanos
E a todos convidar
Em muitos banquetes festivos
Para comer, comemorar.

Mais nos disse que na zona
Cabeço das Fragas ou Lamas de Moledo
Era sacrificado às divindades
Um porco de cobrição
Isso mostra a importância
Que teria esta função.

Morcelas, farinheiras, chouriço
Salgadeiras recordar
A defender identidade raiana
E o bucho a defender
Será tão antigo como o fumeiro,
Produtos de colectivo prazer.  

E o Senhor Governador Civil
Que tem divulgado estas terras
Seus costumes, suas gentes
Está feliz como é dever
Honrado pela Confraria  
E foi por bem merecer.

Doutor Leal Freire, poeta
E douto homem de letras
Disse sem papas na língua
E falando lá do fundo
Que o nosso Bucho Raiano
É o melhor de todo o mundo.


Falámos com mais confrarias
Que nos honraram nesse dia
E diz Alexandra Cardoso
Da Confraria do Medronho
Que Sabugal é terra airosa
E o seu traje? Era de sonho!

Da Confraria Cão da Serra (da Estrela)
Foi Chanceler que afirmou
Estamos em começo, a aprender
Para definir, organizar
E assim poder com beleza
O 1.º Capítulo realizar.

Vinha esta confraria
Muito bem representada
Ouvido o Nelson de oito anos
Que anda na escola da Bendada
Diz que seu pai é pastor
Rebelhos, sua morada.

Também esteve a Chanfana
E o representante gostou
O mesmo para o Baronário de Avintes
Que assim reforçou
A Confraria promove o Sabugal
E o evento elogiou.

Confraria da Cereja
Tenta sempre estar presente
Em todas as confrarias
Para defender região
O bucho é quase vizinho
Da cereja do Fundão.

Diz a Telma entusiasmada
Em procurar novos mercados
Dar a conhecer as riquezas
Defender estes valores
Objectivos das Confrarias
Em apoiar produtores.

Filomena Pinheiro
É a primeira vez que vem
P´ra zona do Sabugal
E fê-lo com muito gosto
Foi muito bem acolhida
E feliz por estar connosco

É Santa Maria da Feira
Que vem com sua fogaça
E traje bem pitoresco
Gostaram da recepção
Por gente muito simpática
Como é o povo beirão.

Nuno Alegria do Azeite
Disse de sua justiça
Desta vez calhou-lhe a ele
A vir ao Sabugal
Terra de gente simpática
Sentiu-se bem, afinal.

Madeira também aqui esteve
Ivo Caldeira falou
Gente amiga, paisagem magnífica
Foi assim que ele afirmou
Num sorriso bem-disposto
Foi o que comunicou.

Local Visão sempre connosco
Faça chuva ou faça sol
Sempre que vá promover
Riquezas do Sabugal
Do Interior ou outros pontos
Das gentes de Portugal.

O Chanceler da Confraria
Está feliz por apostar
Num Projecto que está vivo
E aqui se pode afirmar
Pela adesão de Confrades
Que o vieram confirmar.

«Vamos pelo bom caminho»
Neste momento está provado
Contra ventos e marés
Não temos hesitações
Pela defesa do bucho
E das nossas tradições.

Para fechar com balanço
Quisemos ouvir o Zé Carlos
Que serviu de moderador
Em cada ponto de partida
Apesar da responsabilidade
Estava feliz à saída.

«Foi bom virmos ao Soito
Terra igualmente importante
Que devemos privilegiar»
E a Raia promover
Alargar os horizontes
P´ras Confrarias receber.

Considera muito importante
Levar a Raia mais longe
E esta é a altura certa
Trazer gente ao Sabugal
P´rós roteiros gastronómicos
Na altura do Carnaval.

…E deixo os parabéns a todos quantos trabalharam para que o Sábado Gordo fosse um dia especial, de encontro e boa disposição.

«O Cheiro das Palavras», poesia de Teresa Duarte Reis
netitas19@gmail.com