A Divisão Ligeira do exército britânico teve um papel fundamental na luta contra a invasão francesa de Portugal, tendo actuado em diversos cenários com grande heroicidade, incluindo na Batalha do Sabugal em 3 de Abril de 1811.

Face à previsão de uma terceira invasão francesa, Arthur Wellesley, então visconde de Wellington, reestruturou o exército britânico em divisões, nas quais integrou unidades portuguesas, que passariam a actuar em conjunto.
Em 22 de Fevereiro de 1810, criou a Divisão Ligeira, sucedânea da Brigada de Infantaria Ligeira, considerada uma tropa versátil e composta por militares de elite.
Entrega o comendo desta divisão ao general Robert Craufurd, um jovem promissor em cujo valor Wellington acreditava. Isso não foi pacífico, uma vez que tinha com ele outros generais mais antigos que ambicionavam a atribuição desse comando.
A divisão Ligeira estava equipada com a espingarda Baker, mais evoluída do que o musquete que equipava o resto da infantaria britânica. Essa espingarda tinha o cano estriado e era mais leve, tendo maior alcance e maior precisão no tiro. Além disso os homens que a constituíam eram escolhidos entre os melhores atiradores e era-lhes incutido um espírito de corpo e de sacrifício, que os tornavam capazes de efectuar missões descentralizadas, desgarradas do corpo principal do exército, em acções de reconhecimento e de retardamento onde a versatilidade e a velocidade de movimentação eram essenciais.
A nova divisão foi constituída pelos regimentos britânicos 42º, 53º e 95º, a que se juntaram os batalhões de caçadores portugueses números 1 e 3. A divisão foi ainda reforçada pelo 1º regimento de Hussardos da Legião Alemã do Rei, um corpo de cavalaria do exército alemão, que servia os ingleses em Portugal.
Wellington sabia que estava em posição de desvantagem face à excelente cavalaria de Massena, e decide colmatar a sua insuficiência de cavaleiros com o serviço da Divisão Ligeira, cuja versatilidade usou para constituir uma força de observação e de contenção. Assim, encarregou o general Craufurd de estabelecer a linha avançada do dispositivo de defesa de Portugal, dispondo as suas tropas entre os rios Côa e Águeda, com postos avançados muito próximos das tropas de Massena, que começaram por tomar Ciudad Rodrigo, antes de avançarem para Portugal.
Foi a Divisão Ligeira que retardou a invasão, envolvendo-se em refregas com a vanguarda francesa e movimentando-se com rapidez, procurando dar a entender que o grosso do exército estava próximo e pronto a enfrentar a força invasora. Contrariando as indicações de Wellington, Craufurd envolveu-se na batalha do Côa, junto à ponte de Almeida, onde se bateu valorosamente com as hordas do 6º Corpo do exército francês, que, sob o comando do marechal Ney, iniciou a terceira invasão de Portugal. Depois, perante o avanço do dispositivo francês em direcção a Lisboa, a Divisão Ligeira formou a retaguarda do exército anglo-português, procurando observar de perto a evolução da vanguarda da força invasora.
No Buçaco formou no flanco direito do dispositivo de Wellington, em missão de protecção, que cumpriu com denodo. Já nas linhas de Torres Vedras, ocupou um sector da defesa de Lisboa, em igualdade com as demais divisões do exército.
De volta ao Côa, a divisão ligeira, sob o comando interino do general Erskine, por ausência de Craufurd, de licença em Inglaterra, bateu-se na Batalha do Sabugal. Teve aqui uma acção decisiva, actuando com coragem quando apanhada numa situação desfavorável, o que lhe valeu rasgados elogios de Wellington.
Entretanto, já com Craufurd de volta ao comando, a Divisão Ligeira voltou a destacar-se no assalto à praça de Ciudad Rodrigo, em 8 de Janeiro de 1812, onde o seu mítico comandante é gravemente ferido, morrendo após quatro dias de sofrimento, sendo enterrado na brecha.
Paulo Leitão Batista

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