Para comemorar o lançamento de uma caixa de DVD dedicada à obra de Koji Wakamatsu, um veterano realizador japonês inédito comercialmente em Portugal, a distribuidora Medeia estreou em sala os seus dois últimos filmes.

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia Arraiana«Exército Vermelho Unido», a par de «O Bom Soldado», foi um desses filmes. Os dois são filmes históricos, mas passados em períodos distintos. Neste caso «Exército Vermelho Unido decorre no final da década de 1960 e início da década seguinte. O filme relata um episódio pouco conhecido, penso eu, mas com alguns pontos de contacto com episódios semelhantes ocorridos na mesma altura noutras áreas do globo.
«Exército Vermelho Unido» começa por ser um documentário sobre as manifestações estudantis contra o aumento das propinas e os acordos entre o Governo do Japão e os EUA, que permitiam ao exército norte-americano utilizar bases em território nipónico. Estas, por sua vez, eram utilizadas para apoiar as tropas no Vietname. É neste barril de pólvora que começam a emergir facções mais radicais que defendem a violência e a revolução armada para levar ao comunismo.
Exército Vermelho UnidoKoji Wakamatsu faz um excelente retrato deste período atribulado da história do Japão recorrendo na primeira parte a imagens de arquivo, onde um narrador vai explicando o que se passou nas manifestações e apresenta as figuras chave do movimento. Numa segunda parte, já depois das manifestações, o realizador passa a ficcionar o que se passou quando estes jovens, na sua maioria com idades na casa dos 20 anos, partem para as montanhas. Nesta altura já as várias facções se tinham reunido numa só e estão nas montanhas para preparar a guerra generalizada. Só que como todas as utopias, as coisas acabam por não correr muito bem. E quando os líderes da revolução vêem que as suas ‘tropas’ não estão à altura começam a incentivá-las torturando os mais fracos. O episódio terminou na morte de alguns deles e num cerco feito pelas autoridades aos últimos quatro resistentes do grupo.
Apesar dos elementos mais documentais, este é um filme que pode bem ser visto como complemento de «O Complexo Baader Meinhof», do alemão Uli Edel, que estreou em 2008 (o filme de Koji Wakamatsu é de 2007) , pois retrata o mesmo período e os mesmos problemas, mas numa região diferente. E para quem não conhecia, não deixa de ser uma boa oportunidade para aprofundar um tema que marcou o século passado. O filme só peca por ser demasiado longo: mais de três horas. Mas compensa para quem gosta de um bom filme e de História.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

pedrompfernandes@sapo.pt

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