É conhecida a preocupação de muitos de nós com o facto de as nossas aldeias estarem a morrer aos poucos sobretudo nas últimas duas décadas. A maioria da população é sénior. Há poucos casais novos. Poucos nascimentos. E isso é de facto preocupante.

De há uns dez anos para cá, de cada vez que vou ao Casteleiro para ver a família e os amigos, dou comigo a tentar descortinar sinais de inversão. Mas não têm sido muitos. No entanto, parece-me que desde há uns tempos recentes vejo notas de algum redinamismo que podem ser um sinal. Não é só o facto de alguns jovens se terem instalado como empresários criando postos de trabalho e riqueza em áreas que não eram habituais por estas bandas: venda de materiais de construção, obras de construção civil, aluguer de máquinas pesadas, venda de lenha…
São poucos os casos mas são um bom indicador.
Mas não é só isso.
É também outro fenómeno que me anima: o facto de se estar a presenciar ciclicamente no Casteleiro, nos vários órgãos e instituições, uma renovação de pessoas e de métodos: da Junta e Assembleia de Freguesia ao Clube de Caça, do Lar (ver foto) ao Centro Cultural: mais pessoas interessadas, mais dinâmica, mais actividades, mais luta contra o imobilismo que já se tinha instalado – sem crítica para aqueles que deram o que souberam e puderam, todos sem excepção cheios de boa vontade, mas que, de tanta repetição de mandatos, já se tinham esgotado em sacrifício sem saída. Honra a todos.
Agora entrámos noutro ciclo e estamos todos encantados com a coisa. E todos os anos em cada nova iniciativa me surpreendem…

Mudanças são muito visíveis
Alguns exemplos.
As festas tradicionais ganharam outra dinâmica. Até já há novamente uma equipa de futebol (neste caso, de futsal). Criaram-se novos pontos altos de atracção, como a Festa da Caça ou a leitura do Testamento do Galo (ver foto).
Mas há outros factores de optimismo. Ele é o Lar que se renova e promete mais. É o Clube de Caça, é o Centro Cultural que procura novos laços com as pessoas. Ele é a Junta de Freguesia que procura estabelecer os laços entre todos e dinamizar umas quantas potencialidades de animação e de melhoria: desde caminhos e ruas a projectos novos como o das novas instalações autárquicas ou a criação da Casa da Memória – oxalá não falte a verba prometida, mesmo que venha a bochechos que a vida não está fácil para os órgãos do Estado nem para ninguém, não é?
Se os conto bem, são hoje cerca de 40 pessoas que dinamizam estas estruturas.
Todos prometem ajudar nestas frentes.
Cada um à medida da sua capacidade e disponibilidade, penso que é sempre bem-vindo.
Os emigrantes, lá de longe, sejam os «da» França, sejam da Suíça ou do Canadá, voltaram a ligar-se ao Casteleiro.
Nós outros, imigrantes espalhados pelas quatro partidas do País mas sobretudo por Lisboa e arredores, voltámos a sentir a falta da aldeia como tal, e não «apenas» da família, o que já era muito…
Bom sinal, meus amigos.
Assim se possa continuar.
«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes