O trilho (ou trilha) era uma alfaia agrícola usada para debulhar o trigo, puxada por animais, composta por um estrado de madeira que tinha incrustados pedaços de pedras e ferros cortantes.

Puxado sobre o trigo espalhado na eira, sempre com um homem em cima, os pedaços de pedras e as lâminas desgranavam o cereal e cortavam a palha. Era um sistema alternativo ao do uso do mangual, cujo uso se reservava para a malha do centeio.

Nas terras sabugalenses o centeio era a principal produção cerealífera e o mais usual eram as malhas com o mangual, em que vários homens se colocam em duas alas, malhando o cereal espalhado na eira. Porém em algumas terras raianas, como em Aldeia da Ponte, onde o trigo tinha condições propícias de cultivo, o trilho era comummente utilizado.
José Prata, no seu livro «Marcos do Passado – Aldeia da Ponte – Terra do Riba Côa», descreve a trilha como engenho de madeira em forma de estrado com a parte da frente ligeiramente encurvada para cima, cuja superfície inferior era cravejada com pequenas pedras e sílex de arestas cortantes, e por duas lâminas metálicas serrilhadas, fixas ao longo das juntas das tábuas.
A trilha era atrelada à junta de vacas para a debulha do trigo, colocando-se sobre ela uma criança que se encarregava de dirigir as vacas em círculos sucessivos sobre o trigo espalhado na eira. Para além desta tarefa, o garoto tinha ainda outra missão singular, que era a de, munido com um recipiente, apanhar as eventuais fezes dos animais, para que não conspurcassem o cereal.
A espiga do trigo era desgranada e a palha triturada pelas vezes sucessivas que o engenho lhe passava por cima. Depois era tempo de joeirar o trigo. Os restos triturados eram lançados ao ar e o vento encarregava-se de separar o trigo do joio, assim se arranjando o cereal para o fabrico do pão.
Paulo Leitão Batista

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