Esta fotografia foi tirada pelo, já falecido, fotógrafo Viriato Louro, no dia 2 de Dezembro de 1978, no Cinema D. Dinis, no Sabugal. Viriato Louro era, digamos assim, o fotógrafo «oficial» de todos os Bailes de Finalistas que se realizavam no Sabugal ou na Guarda. Tinha estabelecimentos de fotografia na Guarda e no Sabugal (a Foto Império). Nesse dia era o Baile de Finalistas do Colégio do Sabugal e eu era finalista.

João Aristides Duarte - «Memória, Memórias...»O retratado é o meu irmão, Luís Carlos Duarte, que foi jogador do Sporting do Sabugal durante muitos anos. Posteriormente, foi treinador do Jarmelo, Desportiva do Soito e Sporting do Sabugal.
Nesse dia o meu irmão foi jogar, integrado no Sporting do Sabugal, a Pinhel, num jogo a contar para o Campeonato Distrital da 1.ª Divisão.
Os adeptos do Pinhel, porque estavam descontentes com o resultado ou com a arbitragem, queriam vingar-se nos jogadores do Sabugal.
O meu irmão foi prevenido para Pinhel. Entrou no campo do adversário vestido com um fato de treino e, como já estava preparado para ir para o Baile de Finalistas sem passar pelo Soito (onde residia), levou a roupa de «sair à noite» para Pinhel. Certo é que, no final do encontro, conseguiu sair completamente ileso do campo do Pinhel, já que ninguém o reconheceu e não foi incomodado por nenhum adepto do clube adversário.
A fotografia foi tirada logo no início do Baile de Finalistas, «abrilhantado» pelo grupo de Rock, muito famoso na época, a nível nacional, chamado Hosanna (visível no lado direito a coluna de som pintada com a letra H, de Hosanna, e ainda o projector de «slides» que provocava efeitos no palco onde actuavam).
Para além do meu irmão, reconhecem-se, do lado direito, mais dois soitenses: o Jé Leal e o Paulo Roque.
Punks - Clique na imagem para ampliarA indumentária que o Duarte usou era típica da atitude «punk» que andava muito em voga na época. Acrescente-se que essa atitude cresceu com o concerto dos Faíscas, considerada a primeira banda «punk» portuguesa, no mesmo local, em Maio de 1978 e que deu muito brado.
Como se pode ver há uma gravatinha muito fininha e pequenina, numa camisa sem colarinho. Imagem de marca dos «punks» era os óculos escuros (neste caso só com uma lente). Para rematar tudo há o chapéu de explorador africano, feito de cortiça e forrado a pano, que a minha tia Luísa lhe tinha oferecido. Tinha sido do seu marido (o ti João Loto) que esteve em Angola durante uns anos.
Há, ainda, o casaco e as calças largas, outra imagem icónica dos “punks” dos anos 70, que usavam roupa usada, comprada em lojas especializadas.
Na lapela do casaco, do lado esquerdo, há uma mancha que era de «patchouli», o perfume mais ligado à malta do Rock. Esse perfume deixava um odor intenso, mesmo só com uma gotinha. A mancha que se vê na fotografia exalava tal intensidade que, passados vários meses, ainda não tinha desaparecido do casaco o cheiro intenso a «patchouli».
Resta acrescentar que o chapéu de explorador africano fez um sucesso tal que me lembro bem de muitos dos presentes no Baile de Finalistas o quererem colocar na cabeça, de tal maneira que, quando aquilo terminou, estava todo estragado.
«Good Old Times!!!»
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

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