Vou transcrever umas palavras que vinham no Diário Económico em Outubro do ano passado, e que foram escritas por um tipo chamado Pinto Castro. Nelas está contida a verdadeira e pura ideologia Neoliberal.

António Emidio«A Democracia é a suprema superstição contemporânea (…) Estou seguro que se estivermos governados por sábios insensíveis aos gritos da rua, um futuro brilhante nos espera. O Mundo é demasiado complexo para admitir que as empresas dependam dos caprichos dos ignorantes eleitores, em grande medida os parasitas do Estado de Bem Estar. Talvez haja trabalho para todos, mas a verdade é que nem todos querem trabalhar. Talvez alguns se sintam ofendidos com as desigualdades económicas, mas temos de recompensar o mérito. Os que estão a mais ver-se-ão obrigados a aceitar que, como o reverendo Malthus proclamou de maneira sucinta “ não há lugar para eles no banquete da natureza».
O que acabou de ler querido leitor(a) é uma apologia à escravatura, é uma violência psicológica própria de um nazi. Dirão os politicamente correctos que isto não passa de uma diatribe a que ninguém passa importância. O grande problema é que esta diatribe nos tempos que correm torna-se auto-reprodutiva e vírica. Os portugueses e, não só, já sofrem no corpo e na alma a prática deste teórico nazi. Vejamos: Em Portugal, o salário mínimo REAL no ano de 2010 foi aproximadamente 15% mais baixo do que em 1974. Um em cada três portugueses ganha menos de 500 euros mensais, um milhão de trabalhadores. Aproximadamente 85% dos pensionistas portugueses vivem com 360 euros mensais, ou seja, 1 milhão e 900 mil portugueses. Cerca de 50.000 pessoas passam fome em Portugal. A pobreza, segundo o INE, atinge 20% dos portugueses, haverá portanto em Portugal 2 milhões de pobres, cifra esta que irá aumentar, porque em 2011 teremos os 200.000 desempregados sem protecção social.
Na Inglaterra, a velha Albion, poderosa e rica, exemplo de modernidade e progresso, o governo irá retirar uns 9 mil milhões de euros da protecção social, o que vai dar origem a mais de 1 milhão de novos pobres nos próximos três anos. Como será numa Grécia? Numa Roménia? Numa Irlanda ? E noutros…
Os povos europeus têm de rebelar-se contra estas oligarquias financeiras, económicas e, também contra os políticos que as seguem cegamente. É inadmissível que as bolsas de valores, os bancos e as grandes empresas decidam quem deve viver e quem deve morrer. Zapatero em Espanha retirou 460 euros mensais aos desempregados de longa duração (os mais idosos que têm dificuldade em encontrar trabalho) só por essa medida, a Bolsa de Madrid subiu!!! Esses mesmos especuladores estão a atacar presentemente as colheitas e reservas de trigo e milho a nível mundial, irão jogar o seu valor na bolsa, e decidirão o preço a que deve ser vendido o trigo e o milho, ou seja, só comerá quem eles quiserem, como? Basta aumentar os preços, e os povos do terceiro mundo, e não só, deixarão de comer o trigo, o milho e seus derivados, em suma, o pão!
Temos de lutar contra estes totalitarismos. Há políticos, mercados (banqueiros e grandes empresários) que deviam ser julgados em tribunais especiais. Não se criou o tribunal de Nuremberga para julgar os crimes nazis? Não é crime lançar seres humanos no desemprego, na pobreza e na fome? Sem trabalho e sem pão não há futuro.
Há uma coisa que não convém esquecer, a violência é a parteira da história.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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