Porque é Natal…

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Neste período de festas, onde as pessoas, as que o podem fazer, se reúnem em família, não posso deixar de desejar a todos os que me lêem as maiores felicidades.
Mas não posso também deixar passar esta época para lembrar a todos que esta é, ou era?, a festa da solidariedade.
Este ano as televisões encheram-nos de «popotas», de «arredondas» e outras tontas, muitas, acções ditas de solidariedade que mais não são, desculpem-me as Instituições de Solidariedade, uma forma encapotada de nos chamar ao gasto e ao desperdício, isto é, e como diz o meu amigo António Emídio, uma forma de nos envolver nesta sociedade neo-liberal, em que até uma chamada telefónica de valor acrescentado é uma acto de solidariedade!
Mas talvez fosse bom, em vez de ir no canto da sereia e agarrarmo-nos ao telefone e gastarmos «70 cêntimos mais IVA», dos quais, 20 mais IVA nem sabemos nos bolsos de quem ficam, olharmos à nossa volta e percebermos que o vizinho do lado, se calhar, é o que mais precisa da nossa solidariedade.
E não falo só de ajudar uma pessoa ou uma família em dificuldades financeiras, sabendo que as há e muitas no Concelho do Sabugal.
Falo, por exemplo, de actos de solidariedade que podem ser feitos na cidade do Sabugal, sem custar nada a quem o faz, mas de grande significado para quem o recebe.
Soube que, pelo menos, um agente de gás comunicou aos sus clientes que, a partir deste mês, deixaria de levar as bilhas a casa dos clientes.
Para quem tem carro tal medida não tem significado, pois muitos até já iam buscar a bilha ao agente. Mas para as centenas de idosos que não têm carro, ou não têm ninguém que lhes traga a bilha, este é um problema grave.
E nada custa, se temos um vizinho nessa situação, oferecermo-nos para lhe trazer o gás. Não virá nas televisões, mas ficará no coração de quem recebe esta tão simples ajuda…
Mas há mais ajudas deste tipo.
Um idoso que viva no centro do Sabugal, que tenha dificuldades de locomoção por motivos de saúde ou de idade, e que queira ir ao Centro de Saúde, só tem uma forma, ir de taxi.
Mas, se para uns esta despesa de vários euros, é suportável, quantos idosos conhecemos que não têm essa disponibilidade financeira? E custará muito oferecermo-nos ao vizinho para o levarmos ao Centro de Saúde?
E quem diz ao Centro de Saúde, diz às simples compras na mercearia. Custará muito perguntarmos ao vizinho ou à vizinha que mal se consegue mexer, se precisa de alguma coisa?

E assim, ganhava sentido aquele refrão da canção «Natal é quando um homem quiser…»
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

(Presidente da Assembleia Municipal do Sabugal)
rmlmatos@gmail.com

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