As confrarias têm sido, nos últimos tempos, verdadeiros bastiões de defesa do património gastronómico. Criadas pelos amantes da gastronomia, têm servido como instrumento de promoção e valorização das artes culinárias, muitas vezes, esquecidas com o desaparecimento de quem as praticava.

Olga Cavaleiro - Vice-Presidente FPCGA perda de muitos dos hábitos alimentares levou a que a sociedade civil se organizasse de forma a resgatar ao esquecimento tudo aquilo que, gastronomicamente, caracterizava as nossas vilas e aldeias.
Foi assim que, paulatinamente, as sociedades locais se organizaram e deram corpo ao conjunto de intenções subjacentes à criação das confrarias.
No entanto, se no início era a defesa da gastronomia na mais pura acepção da palavra que movia os dirigentes das confrarias, rapidamente às confrarias começou a ser solicitado que desempenhassem o papel de promotores do desenvolvimento local.
Muitas fizeram milagres e transformaram locais esquecidos em sítios obrigatórios de turismo gastronómico e cultural.
As confrarias gastronómicas souberam aceitar o desafio exigido pelas próprias comunidades e de forma fraterna e responsável criaram redes de desenvolvimento local. No entanto, pergunto: E agora? O caminho percorrido é de extenso orgulho para todos. Muitas das nossas organizações souberam estar à altura e defender os seus símbolos e crenças locais, mas qual o caminho a seguir? Num momento em que a gastronomia está tão na moda como vencer os próximos desafios?
Não interessa apenas atingir a meta, é preciso manter o título. E isso implica superar desafios que vão de encontro a uma perspectiva integradora daquilo que é o trabalho parceiro e imprescindível das confrarias. O 1.º Festival das Confrarias que decorreu em Lisboa nos dias 4 e 5 de Setembro mostra que às confrarias é solicitado capacidade de acção.
Por detrás de uma confraria gastronómica está um produto e este não pode ser defendido, promovido ou valorizado apenas com a realização de capítulos e algumas outras actividades de promoção. Ele tem de ser provado, degustado, tem que se impor pelo seu sabor genuíno. E, neste capítulo, as confrarias têm que saber responder com alguma eficácia.
De uma forma esforçada, as confrarias presentes no referido Festival souberam responder ao desafio que alguns pensavam não conseguir vencer.
As confrarias souberam organizar um verdadeiro festival gastronómico onde os sabores se misturaram com as cores garridas e apetitosas dos produtos. Para quem esteve foi um desafio vencido, foram momentos de verdadeira fraternidade e amizade, e de aproximação de laços deste Portugal gastronómico que é o nosso.
O 1.º Festival das Confrarias no Mercado da Ribeira foi uma lição para todos, aprendemos muito na forma de «mostrar» o nosso produto e as nossas regiões. Sabendo de antemão que muito temos ainda a percorrer, esperamos sinceramente que esta tenha sido mais uma etapa na evolução do movimento das confrarias e que esta possa ser feita com a partilha de ideias e troca de impressões que nos conduzam a um mundo melhor e mais unido.
Olga Cavaleiro
Vice-Presidente da Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas

Anúncios