«West Side Story» é ainda hoje um dos musicais com mais Óscares no currículo. Nada mais, nada menos do que 10.

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia ArraianaAdaptado pela dupla Robert Wise e Jerome Robbins a partir de um musical homónimo da Broadway, esta é a história de amor entre dois jovens pertencentes a meios diferentes, neste caso ligados a dois gangues rivais de Nova Iorque. De um lado temos os Sharks, oriundos da comunidade porto-riquenha, do outro os Jets, filhos dos imigrantes europeus que vêem os EUA como o seu território.
É no meio deste barril de pólvora que nasce o amor entre Tony (Richard Beymer) e Maria (Natalie Wood). O primeiro é o melhor amigo de Riff (Russ Tamblyn), o líder dos Jets, e a segunda a irmã de Bernardo, o líder dos Sharks (George Chakiris). Mas West Side Story vai muito para além de uma simples história de amor, tão ao gosto dos amantes de um bom romance. Mostra-nos também, através dos dois grupos rivais, a história dos conflitos que sempre fizeram parte de Nova Iorque. Mais tarde Martin Scorcese filmou esta realidade, mas num período histórico muito anterior, em «Gangues de Nova Iorque». Não é à toa que num dos conflitos entre os dois grupos, Bernardo chama nativos aos Jets, expressão que define um dos grupos no filme de Scorcese citado.
West Side StoryAs sequências musicais são bastante boas, muitas ainda hoje são conhecidas e fazem parte de qualquer boa antologia do género, e algumas conseguem mesmo aprofundar os temas que à partida dificilmente pensaríamos encontrar num musical, género conotado com o amor e romance. A tal rivalidade é apenas uma delas. Mas por exemplo numa das cenas mais famosas, com a música «America», encontramos um excelente retrato do sonho americano visto pelos olhos de quem o procura: as mulheres vêem os EUA como a terra das oportunidades, enquanto que os homens a vêem como uma terra de oportunidades. Mas no fundo ninguém quer deixar o país.
Apesar de ter já quase 50 anos, «West Side Story» é um filme que nos apresenta uma Nova Iorque que ainda permanece no ideal de quem sonha com a cidade que nunca dorme. É um bocado datado, é certo, mas aquela a Manhattan onde decorre a acção ainda hoje é possível encontrar em muitos filmes passados em Nova Iorque. E curiosamente, apesar do sucesso que teve na altura da estreia, é um filme que tem um final triste (ou menos feliz), o que acaba por ser de certa forma surpreendente se pensarmos que muitos realizadores são obrigados a filmar um final feliz para agradar às plateias.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

pedrompfernandes@sapo.pt

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