Se por acaso eu explorar uma mulher sexualmente e disso ganhar dinheiro, perante a sociedade e a lei, não passo de um sórdido proxeneta. Como se chamam então aqueles que nos seus jornais privados publicitam centenas de mulheres que se prostituem, e disso arrecadam milhares e milhares de euros de lucro? Empresários da comunicação social, nem mais…

António EmidioHá um bom par de anos, ao beber uma cerveja num café aqui da nossa cidade, acompanhado de um amigo, cuja profissão está relacionada com a justiça, e que faz parte da diáspora concelhia, abri um jornal diário que estava no balcão e mostrei-lhe as páginas da publicidade referentes à prostituição. Fiz-lhe a pergunta com a qual começo este artigo. Ele respondeu-me tecnicamente e não moralmente, ou seja, segundo a justiça a diferença é abissal. Retorqui que não, com toda a delicadeza disse-me que eu estava a ser radical.
Acontece que presentemente a União Europeia está a tomar medidas para terminar com os anúncios de contactos (publicidade à prostituição), considerando isso proxenetismo. Empresários da imprensa privada, através dos seus lobbys, já conseguiram que governantes nos seus países tenham afirmado que ao eliminar os anúncios de prostituição não vai ajudar em nada a imprensa no actual momento de crise. O negócio dos anúncios de prostituição movimenta em alguns países europeus 40 milhões de euros anualmente.
Os anúncios também têm a sua parte dramática, há mulheres que são fotografadas pelos proxenetas e pelas máfias que as traficam, enviando depois tudo para jornais e revistas, acontece que os familiares delas ao terem acesso a esses meios de comunicação apercebem-se da vida que elas levam e, outras são chantageadas por tipos sem escrúpulos que as ameaçam que mostrarão tudo a familiares e amigos se por acaso não trabalharem também para eles.
Para terminar, querido leitor(a), aqui ficam alguns números referentes a sexo nas páginas da Internet: há 23 milhões de páginas de conteúdo pornográfico. Por segundo, acedem a elas perto de 30 mil internautas. Mas a pornografia infantil é a mais procurada, uma média diária de 120 mil procuras.
O negócio do sexo cada vez movimenta mais gente e dinheiro.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

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