Os congressistas da área do turismo do 1.º Festival Internacional da Memória Sefardita que decorreu na Guarda defenderam a criação de uma rede nacional de judiarias. A iniciativa, onde participou o historiador Jorge Martins, foi promovida pela entidade regional de Turismo Serra da Estrela juntou no TMG judeus e especialistas nacionais e estrangeiros.

Jorge Martins - TMG - Festival Sefardita

Os especialistas e operadores turísticos que participaram no painel «O impacto da herança judaica no turismo», reconheceram que Portugal poderá tirar partido das potencialidades de uma futura rede nacional de judiarias poderá atrair turistas no âmbito do denominado turismo religioso.
«A criação de uma rede de judiarias em Portugal é, sem dúvida, uma mola dinamizadora para o turismo, a economia e a investigação, e para a valorização da memória de Portugal», defendeu Isaac Assor, da Alegretur-Viagens e Turismo.
O operador turístico referiu que «o turismo é, nos dias de hoje, uma das molas impulsionadoras do desenvolvimento económico do país», reconhecendo que uma rede de judiarias criará um novo atrativo turístico para o país.
O historiador Jorge Martins, investigador do Instituto Universitário de Lisboa, foi moderador (3.º painel) e orador (4.º painel) onde apresentou dados que indicam a presença judaica em «todos os concelhos» da região que integram a TSE e considerou que «as Beiras são um altíssimo laboratório para os estudos judaicos». O estudo apresentado sobre a presença de judeus no concelho do Sabugal entre o século XVI e os nossos dias surpreendeu a plateia que acompanhou com muito interesse toda a exposição. Jorge Martins é autor de vários livros sobre a temática judaica e colaborador do «Capeia Arraiana».
«A rede de judiarias de Portugal vai ser muito importante para os turistas poderem conhecer o património judaico existente nas várias localidades», reconheceu o espanhol Antonio Amil, da rede nacional de judiarias de Espanha.
Carolino Tapadejo, coordenador da rede de turismo social da União das Misericórdias, exortou os autarcas e entidades com responsabilidade na área para que «apostem» neste segmento turístico.
O consultor internacional Jack Soifer anotou que o país possui «um grande potencial e uma riqueza cultural fantástica» e afirmou que só a região da Serra da Estrela poderá ganhar «300 milhões de euros a curto prazo», apostando, em força, no turismo dirigido aos judeus.
António Padeira, do Instituto de Turismo de Portugal, a herança judaica «é um produto que tem um público-alvo mas também pode interessar a outras pessoas, não como motivação principal da viagem mas como motivação complementar e que deve ser ainda mais desenvolvido em Portugal», admitiu, reconhecendo como aspecto positivo, a preparação da rede de judiarias.
Jorge Patrão, presidente da Turismo Serra da Estrela assumiu que o turismo judaico representa «um nicho de mercado que envolve 13 milhões de pessoas e pode ser uma ajuda para a saída da crise de muitos países”, defendendo ainda a necessidade da criação de «mais equipamentos para atingir esse nicho de mercado».
jcl (com agência Lusa)

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