Participei na sessão de discussão do PROT-Centro realizada no passado dia 4 na Covilhã, onde aquilo que já adivinhava se concretizou…

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Na verdade, a questão fundamental que se coloca quando se lê a proposta de PROT apresentada pela CCDR, é a incapacidade dos seus autores em conciliar a necessidade de aumentar a competitividade relativa da Região a nível nacional, europeu e mundial, não aumentando, no interior da própria Região, os factores de exclusão territorial de largas manchas do território.
Ou dizendo de outra forma, como se consegue tornar a Região Centro mais competitiva sem excluir Concelhos como o do Sabugal?
E a esta questão essencial para se perceber o futuro da nossa terra, o coordenador da equipa que elaborou a proposta, teve a humildade suficiente para na Covilhã reconhecer que não haviam encontrado a melhor resposta e que esperavam que a concretização do PROT encontrasse as respostas. Mais claro não se podia ser…
O nosso Concelho, um pouco à semelhança de muitos outros, fica assim fora dos grandes eixos do desenvolvimento da Região Centro e que na Beira Interior são a Guarda, a Covilhã/Fundão e Castelo Branco, num rumo de maior exclusão territorial.
Sei que muitos dizem e praticam o pessimismo, o «deixa andar», o «nada podemos fazer», o que se traduz na não participação no processo de discussão pública, na não apresentação de propostas alternativas ao clausulado do PROT.
Mas tal não corresponde à realidade, como se comprova pelas propostas já apresentadas pelos Vereadores e Deputados Municipais do Partido Socialista do Sabugal, face à impossibilidade de as mesmas serem apresentadas e discutidas nos locais devidos.
O período de discussão pública termina a 30 de Novembro e bom seria que outros sabugalenses apresentassem propostas de alteração.
Na minha intervenção na Covilhã, pude registar o agrado com que o Coordenador da Equipa ouviu duas ou três daquelas propostas, as quais vão exactamente no sentido de integrar os Concelhos como o do Sabugal nas dinâmicas de desenvolvimento regionais.
Uma última nota para a questão da discussão pública.
Na Covilhã, tirando os técnicos da CCDR, estávamos quatro ou cinco pessoas, entre as quais o Presidente da Câmara de Figueira de Castelo Rodrigo, o Vice-Presidente da Câmara do Fundão e um Vereador da Câmara da Covilhã, enquanto anfitrião.
Esta situação motivou um reparo meu, lamentando que o período de discussão pública fosse tão curto e fosse entendido de uma forma meramente burocrática, pois não tinha havido qualquer atitude voluntarista da CCDR para motivar a presença de mais pessoas.
Curiosamente, e numa atitude de sacudir a água do capote muito habitual da máquina do Estado, levei logo a resposta que há três anos que se andava a discutir o PROT (nos gabinetes, claro…), mas, mais espantoso ainda, que a culpa era dos Presidentes de Câmara que não haviam provocado nestes três anos a discussão das populações e dos agentes económicos e sociais nos seus Concelhos…
Não enjeitando responsabilidades dos autarcas, não posso no entanto deixar de dizer que se desenvolve um processo todo ele sigiloso; não se colocam à disposição de quem queira os documentos que estão a ser discutidos, aos quais só tinha acesso quem tivesse uma «password» de entrada; não se promovem momentos de debate e discussão sobre as propostas em cima da mesa para além de quem se convida. E a culpa é dos outros…

Ps. Não posso deixar de saudar aqui o aparecimento de um novo blogue sabugalense «Gazeta do Sabugal», que tem como principal rosto o Carlos Alberto Gomes. A sociedade civil demonstra grande vitalidade o que é um bom sinal pois revela a vontade de mudança e o acreditar num Concelho do Sabugal com futuro que se sente nos sabugalenses, estejam onde estiverem.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos
(Presidente da Assembleia Municipal do Sabugal)
rmlmatos@gmail.com

Anúncios