Carlos Santos Caria nasceu em Pêga e estudou no Sabugal, onde frequentou o Externato Secundário, já vindo do Seminário do Fundão. A vida atirou-o para Lisboa, onde estudou e se licenciou em Direito, tornando-se depois advogado. É candidato ao Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados, na lista afecta ao actual bastonário, Marinho Pinto, razão que nos levou a manter uma conversa com este advogado de causas, que nunca vira a cara à luta.

Carlos Santos Caria– O que o motivou a ser candidato ao Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados?
– Fui convidado pelo doutor Jerónimo Martins, que é o actual vice-presidente do Conselho Geral, portanto a segunda figura da Ordem dos Advogados, para integrar a lista. Aceitei o convite, porque muito me honra estar numa lista encabeçada por esse ilustre causídico. Revejo-me plenamente nos valores inerentes a essa candidatura, que são os que têm vindo a ser defendidos pelo actual bastonário, o doutor Marinho Pinto.
– Está então satisfeito com o desempenho do actual bastonário, mau grado as criticas acirradas que lhe têm sido publicamente feitas por inúmeras figuras da Justiça, como advogados de renome e magistrados?
– A Ordem dos Advogados, na minha opinião – e repare que eu sou um advogado ainda com poucos anos de prática – teve no doutor Marinho Pinto o bastonário que mais lutou pela dignificação dos advogados. E digo isto tendo em conta a opinião de inúmeros colegas com quem contacto frequentemente. A Ordem dos Advogados estava entregue a algumas famílias de advogados, os chamados advogados de elite. Ora o actual bastonário lutou para pôr termo a isso, fazendo com que a Ordem seja de todos e não penas de alguns. Revejo-me completamente nas medidas tomadas pelo doutor Marinho Pinto, na medida em que acho que a Ordem deve ser a casa de todos os advogados e não para servir de protecção e de álibi para se arranjarem avenças vergonhosas com o Estado para os escritórios dos ditos advogados de elite.
– Mas não são apenas advogados que criticam duramente o actual bastonário, há também muitos magistrados que consideram as suas intervenções públicas inapropriadas por não contribuírem para a dignificação da justiça.
– Essa apreciação que os magistrados fazem ao doutor Marinho Pinto é uma crítica que, de facto, não provém de verdadeiros magistrados, mas de sindicalistas. Vergonhosamente, foram criados sindicatos nas magistraturas, para os magistrados do Ministério Público e para os magistrados judiciais. E são esses magistrados/sindicalistas que vêm tecendo essas críticas, visando unicamente defender os interesses absolutos dos magistrados. Uma verdade tem de ser dita: nunca houve um bastonário que afrontasse as magistraturas como o actual tem feito, e isso tinha de ser feito, porque as magistraturas tiveram, e continuam a ter, como máxima o «quero, posso e mando». As coisas não podem continuar a funcionar assim, pois não pode haver sindicalismo nas magistraturas. Essas críticas dos senhores magistrados valem o que valem, ou seja, não valem nada, porque vêm de magistrados que olham apenas para os seus interesses corporativos, tentando atirar areia para os olhos dos cidadãos.
– Falando agora das nossas terras, que recordações guarda desses tempos idos da juventude passada à beira do Côa?
– Guardo muito gratas recordações desses belos tempos. Vou, de resto, com muita assiduidade a Pêga, onde felizmente ainda tenho os meus pais. Sinto-me muito bem ali e até digo que cada vez sinto mais a necessidade de regressar à minha terra natal. Estou saturado desta urbe que é Lisboa, de andar no desconhecido, porque aqui ninguém conhece ninguém.
– Mas lá criticam-se muito os que vão e não retornam. A profissão de advogado pode ser exercida no Sabugal, Guarda ou Covilhã, por exemplo, ou isso é difícil?
– Há muitos advogados na Guarda e no Sabugal também há alguns e eu próprio poderia lá estar de igual forma. Simplesmente a minha vida não me permitiu, por enquanto, essa experiência de ser advogado na minha própria terra. Embora seja uma ideia que nunca pus de lado. Pondero até abrir um escritório no Sabugal, porque isso pode ser uma razão acrescida para que vá mais vezes à minha terra.
– E acha que há espaço para isso, tendo em conta o número de advogados que já ali estão instalados?
– O espaço é de facto cada vez mais diminuto. Os advogados novos sentem crescentes dificuldades de afirmação, mas acho que os que sabem defender as causas e os interesses dos clientes continuam a ser procurados em qualquer lugar.
– É leitor assíduo do blogue Capeia Arraiana?
– Sou sim um leitor assíduo do blogue Capeia Arraiana. Foi o meu amigo doutor José Robalo que aí escreve, ou escreveu, artigos muito interessantes, que me motivou para a importância desse blogue e até para escrever alguns comentários, nomeadamente na altura das últimas eleições autárquicas. É um meio de comunicação que faz muita falta e que eu espero que se mantenha activo, porque é necessário.
plb

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