Harvey Pekar faleceu há algumas semanas atrás. Não sendo uma figura ligada ao cinema, a sua história ficou ligada à Sétima Arte, com a adaptação da banda desenhada «American Splendor».

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia Arraiana«American Splendor» é um daqueles filmes fantásticos que surgem do nada e são difíceis de classificar. Quando parece ser uma ficção sobre a vida de Harvey Pekar, um norte-americano que um belo dia se lembrou de contar o seu dia a dia numa banda desenhada underground, logo vemos o próprio Pekar a ser entrevistado pela dupla de realizadores Shari Springer Berman e Robert Pulcini, como se se tratasse de um documentário sobre a sua vida.
«American Splendor» é assim uma mistura dos dois géneros e é um excelente filme sobre uma pessoa singular, com gostos peculiares e uma vida tão banal como a de qualquer um de nós.
American SplendorA banalidade deste arquivista é que o levou precisamente a deixar algo ao resto do mundo: a banda desenhada sobre o quotidiano, o trabalho no hospital, a convivência com um cancro ou o relacionamento com os amigos e o amor. Paul Giamatti brilha num papel feito à sua medida e que lhe assenta como uma luva.
Em 2003 o filme foi uma das sensações do cinema independente e ainda hoje continua a ser uma obra peculiar que se vê muito bem. A mistura entre ficção e realidade, as imagens de cartoon e as imagens reais estão muito bem conseguidas e rever este «American Splendor» poucos meses depois da morte de Harvey Pekar, que faleceu no passado mês de Julho, é uma justa homenagem à sua vida cheia de incidentes tragicómicos, alguns dos quais são recuperados no filme. Um óptimo filme para ver nestes dias de chuva que começam a chegar.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

pedrompfernandes@sapo.pt

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