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«O Cú da Guarda na Sé Catedral da cidade mais alta está virado para Espanha. Pode não ser único mas é o mais original.» Reportagem da jornalista Sara Castro com imagem de Sérgio Caetano e André Marques da redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

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As três casas florestais de abrigo da Reserva Natural da Serra da Malcata foram recuperadas na década de 90 do século passado para serem utilizadas para turismo. Em 2010 estão fechadas e com os equipamentos a degradarem-se.

Casas Abrigo Malcata

José Manuel Campos - Nascente do CôaHá cerca de 50 anos foram construídas duas casas florestais na área geográfica de Fóios e uma na área de Quadrazais, no concelho de Sabugal. As referidas casas foram habitadas por guardas florestais, com as respectivas famílias, durante uma dezena de anos. Os guardas tinham por missão fiscalizar as áreas de baldio que haviam sido florestadas. Nessa altura havia muitos pastores em toda a zona e era necessário e conveniente que as cabras não entrassem nas áreas florestadas.
Depois das árvores se terem desenvolvido, e quando o gado já podia entrar nas respectivas áreas, e também porque era desumano terem essas famílias a cerca de quatro ou cinco quilómetros dos povoados, os Serviços Florestais deixaram as casas ao abandono.
No princípio da década dos anos 90, altura em que Eng.º Renato Costa foi Director da Reserva Natural da Serra da Malcata e, sob proposta dele, o ICN adquiriu, aos Serviços Florestais, as três casas, tendo conseguido, através da aprovação de um projecto, uma verba que foi muitíssimo bem aplicada. As casas foram, na verdade, muito bem recuperadas e equipadas para a prática do turismo. Acontece, porém, que entretanto o Sr. Eng.º Renato Costa foi substituído e os directores vindouros nunca manifestaram grande interesse em alugar as casas, para a prática do turismo, muito embora a procura seja enorme.
Para que serviu o dispêndio da verba em causa se as casas continuam igualmente fechadas e com os equipamentos a degradarem-se? É de bradar aos céus. Somos, de facto, um País que nem se governa nem se deixa governar. A quem interessará que as casas continuem fechadas e abandonadas? É, na verdade, um crime de lesa Pátria.
Numa altura em que tanto se fala em turismo rural, e vindo tantos grupos para esta bonita zona raiana, não haverá alguém que consiga dar uma ordem e pôr as coisas no devido lugar?
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com

«Há momentos únicos, reportagens únicas… afectos que só experenciamos em momentos como este.» Reportagem da jornalista Paula Pinto com imagem de Sérgio Caetano da redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

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Sendo o gado vacum, asinino e cavalar um auxiliar precioso para os trabalhos do campo, o povo usava-o abundantemente, pelo que depressa concluiu que lhes tinha de proteger os cascos, o que deu azo ao proliferar nas aldeias de um equipamento social de fundamental importância: o «Tronco» de ferrar animais.

Nada teria feito o homem no trato das courelas como forma principal de vida, se não fosse o auxílio dos animais domésticos, em especial dos de tiro. Lavrador afamado era o que tinha duas juntas de vacas marelas, as conhecidas jarmelistas, prontas para puxar ao carro, ao arado ou à charrua. Além disso devia possuir uma boa égua para deslocação aos mercados ou para viagem de emergência. Ainda teria um burro ou um macho para tocar a nora e para transportar a mulher quando lhe ia levar a merenda nos dias em que dava jeira. Sem o gado de trabalho seria impossível tirar proveito da lavoura.
Ora o gado tinha de ser ferrado, que os caminhos eram pedregosos e depressa lhes desgastavam os cascos. A tarefa de ferrador era por norma anexa à de ferreiro, pois o mestre da frágua produzia as ferragens, que depois colocava nas vacas e nas bestas de carga. Aliás, o ferreiro era na aldeia a pessoa mais entendida em animais, com conhecimentos de alveitar ou de veterinário popular, chamado sempre que um animal doméstico sofria acidente ou sentia achaque.
Cavalos, burros e machos, animais com casco único, ou solípedes, levavam ferraduras, seguras com cravos que entravam a martelo. Já às vacas, animais de dois cascos, eram aplicados canelos, igualmente seguros por cravos, sendo aqui sobretudo ferrados os cascos dianteiros, devido ao esforço destes animais na tracção dos carros pelos caminhos escabrosos.
Para se ferrar um animal era necessário um equipamento chamado tronco. Consistia numa estrutura em esteios de pedra erguidos na vertical, com a base enterrada no solo. Em muitos casos, à falta de pedra afeiçoada, a estrutura era erguida com recurso a imponentes vigas de madeira. Os troncos eram alçados na via pública, por norma junto às fráguas, sendo um importante e fundamental património das aldeias. Precisava, no mínimo, de quatro pilares, dois deles com orifícios onde se fixava um cabeçalho, ou pequena armação de madeira, em forma de jugo, onde era metida a cabeça dos animais quando vinham a ferrar. A estrutura cingia-lhes os movimentos, permitindo ao ferrador executar o seu trabalho, evitando coices e cornadas.
Os troncos serviam ainda para capar toiros e cavalos, num uso recorrente e ocasional, sobretudo quando tais animais se tornavam difíceis de domar. Há ainda relatos do uso do tronco nas situações em que as vacas se engasgavam com uma batata entalada na goela. O animal era preso no tronco, o ferrador fixava-lhe na boca uma argola em ferro e um homem de braço comprido metia-lhe a mão pela garganta, de onde lhe retirava a batata, assim aliviando o animal.
No Sabugal existe junto ao edifício do Auditório e Museu Municipal um tronco em madeira, que era onde o Luís Ferrador protegia os cascos de vacas e cavalos. Trata-se de propriedade particular, que contudo merece uma intervenção pública com vista a evitar o desaparecimento deste importante testemunho da vida antiga.
Paulo Leitão Batista

Visitando há dias, na zona histórica da Vila do Sabugal, a célebre casa manuelina, intervencionada de forma pouco condigna com a sua traça original, à semelhança de outras – felizmente ainda poucas – na mesma zona envolvente, lembrei-me do que dizia Santo Agostinho há mil e quinhentos anos acerca das referências do passado e da importância que têm na formação da identidade individual e de uma comunidade.

Casa Judaica - Sabugal

João Valente - Arroz com Todos - Capeia ArraianaDizia Santo Agostinho que a memória do ser humano é fundamental como parte fundadora da sua presença no mundo.
Isto é, sem o acto inteligente da memória, não haveria pessoa, mas apenas um acto de inteligência instantâneo, talvez eterno, mas sem auto-referência possível, pois esta auto-referência apenas pode ser dada por um padrão memorial, como se cada um de nós possuísse ou mesmo fosse fundamentalmente um protocolo actual de auto-identificação, em acto de auto-identificação constante, em que cada acto intuitivo é um acto intuitivo matriciado por aquele protocolo de auto identificação ontológico.
O Eu, a identidade individual, existe numa relação de referência com o outro, com o meio e com o seu passado. E o protocolo que liga o Eu com estas marcas ontológicas e relacionais do indivíduo é a memória.
É por essa razão que a personalidade é um acto de construção intergeracional, a ponto de Napoleão ter afirmado que «a educação de um indivíduo começa pelo menos cem anos antes do seu nascimento», e, sem acto de memória, não haver pessoa alguma.
Toda esta conversa arrevesada e aparentemente despropositada, por quê?
Porque, caro leitor, o que ficou dito para o microcosmo pessoal vale também, mutatis mutantis, para o macrocosmo das comunidades humanas.
Uma comunidade humana sem um acto de memória colectiva, partilhado pessoalmente, não pode simplesmente existir, pois nada há nela que relacione entre si os entes humanos.
Precisando melhor, uma comunidade humana não subsiste enquanto tal, se não houver uma memória colectiva que una as memórias individuais dos seus elementos.
Daqui a importância fundamental e pedagógica da historiografia e ciências afins como domínio da memória externa ou colectiva e também da memória interior do acto próprio de cada ser humano.
Estudar os elementos do passado de uma comunidade, ajuda a preservar a sua memória, sobretudo em relação ao seu futuro possível, cuja realidade se pode dominar preservando a linhagem ontológica a que esse possível futuro pertence. Concretizando: Faz-se a ponte entre o passado e o futuro de uma comunidade através da sua matriz cultural que a memória colectiva mantém no presente.
E sobretudo, garante-se que a identidade cultural, o «código genético» que diferencia e torna única uma comunidade passe às gerações futuras.
Enquadrado o assunto nestes termos, agora o verdadeiro objectivo deste texto:
A referida casa manuelina insere-se, pelas suas características arquitectónicas que vão muito para além do manuelino, num conjunto arquitectónico com características judaicas, comuns ao de muitas casas de algumas terras da Beira, como Belmonte, Medelim, Penamacor, Guarda e Trancoso.
No caso do Sabugal, dá-se a particularidade interessantíssima de o conjunto de casas onde esta se enquadra, formar uma pequena ilha habitacional permitindo a comunicação entre cerca de mais de uma dezena de outras casas por um quintal interior, o que aliado às características de certos elementos arquitectónicos, como as portadas «cegas», as cruzes nas ombreiras, inscrições nas fachadas, assimetria dos elementos das fachadas, uma porta de entrada e outra maior de oficina ou loja, o Aron Hakodesh da Casa do Castelo e o curioso armário manuelino (será também um Aron Hakodesh?) da referida casa manuelina, atestam a presença de uma significativa comunidade safardita na zona histórica da Vila do Sabugal e que a mesma casa seja também de arquitectura judaica.
Algumas destas casas e outras das proximidades ameaçam ruína, outras ainda, foram intervencionadas com total desrespeito pelas suas originais características arquitectónicas judaicas ou zona envolvente, sendo umas rebocadas e pintadas, ou revestidas a azulejo, ou reedificadas com traça moderna.
Inclusivamente, uma antiga casa de pedra no Largo do Castelo, além de ter sido recentemente subida em blocos, está a ser totalmente rebocada e foram-lhe aplicados «espelhos» em pedra polida nas janelas e portas (em forma de caixilho) em total desenquadramento com o largo envolvente, seu castelo, cruzeiro e restantes casas.
A Câmara Municipal certamente que, sabendo da sua importância, tem um plano de intervenção e preservação para esta casa manuelina e para o antigo arquivo municipal que lhe fica de fronte – o qual, pela vista magnífica sobre o rossio da vila, o rio e a Malcata, pode ser aproveitado para jardim ou largo panorâmico – mas também vai elaborar um plano de preservação, reabilitação e divulgação de toda a zona intra-muros, pelas características arquitectónicas únicas de todo o seu património edificado, que, embora sumariamente, aqui se enumeraram.
Seria até clamoroso que assim não acontecesse, porque estas características especiais de arquitectura e de ocupação judaica, fazem, queira-se ou não, parte da rica memória colectiva do concelho.
E é a memória colectiva do concelho que une as memórias individuais de todos os munícipes dando-lhe existência como comunidade humana, viva diferenciada, distinta de todas as outras.
Preservar e promover a zona intra-muros da vila na sua especificidade própria é pois, tão importante para identidade do concelho, como elevar a capeia arraiana à dignidade de património municipal, já não digo da humanidade, que seria pretensão a mais.
Meus amigos; sendo a capeia e a presença safardita na zona histórica duas realidades da nossa memória colectiva e, portanto, de igual importância na definição da nossa própria identidade quer no passado, quer no presente, quer no futuro, nem se compreenderia o motivo de um tratamento desigual entre elas!
Vocês, não acham?
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

Hoje destacamos… Florencio Avalos o primeiro mineiro dos 33 mineiros a ser resgatado da mina no Chile, depois de 69 dias em cativeiro, chegando à superfície cerca das 4.10 horas da madrugada em Lisboa. A viagem de 622 metros dentro da cápsula «Fénix 2» durou cerca de 20 minutos. Quando chegou à superfície o mineiro abraçou a família, cumprimentou o presidente do Chile, Sebastian Piñera Echenique, e foi encaminhado para o hospital montado no local para ser submetido a exames médicos.

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Para assistir ao resgate ao vivo dos mineiros. Aqui.
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JOAQUIM SAPINHO

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