Sir Arthur Wellesley, mais tarde Lord Wellington, comandou as tropas aliadas durante a guerra Peninsular, tomando por base o território português. Por mais de uma vez esteve na região de Riba-Côa, estabelecendo o seu quartel-general na Freineda e chefiando as forças alglo-lusas nas batalhas do Sabugal e de Fuentes de Oñoro.

Wellesley nasceu em Dublin, em 30 de Abril de 1764, no seio de uma família nobre. Ficou órfão de pai ainda criança e foi com a mãe para França, onde frequentou a Academia de Equitação de Angers, preparando-se para o serviço militar.
Em 1787 foi nomeado alferes de infantaria na Escócia. Em 1789 era tenente de um regimento de dragões e, no ano seguinte, subiu ao posto de capitão.
Em Abril de 1793 foi promovido a major e, sete meses depois, a tenente-coronel.
Em 1797, já coronel, foi enviado para a Índia, onde foi designado governador. Foi na Índia que atingiu o posto de major-general e se afirmou enquanto estratega nas campanhas militares.
De volta à Europa, participou, em Abril de 1808, no cerco e bombardeamento de Copenhaga, onde se destacou em combate, sendo por isso promovido a tenente-general.
Nomeado comandante de uma força expedicionária, desembarcou em Portugal e venceu o exército de Junot na Roliça e no Vimeiro, impondo a assinatura da Convenção de Sintra, pela qual os franceses embarcaram para França em navios ingleses.
Após um curto período em Inglaterra, voltou a Lisboa em Abril de 1809, para ajudar a expulsar Soult, que entrara pelo norte. Foi então nomeado marechal-general do Exército Português.
Marchou para o Porto e forçou Soult a abandonar Portugal, pondo termo à segunda invasão. Instalou-se depois no Alentejo e avançou por Espanha, travando a batalha de Talavera de la Reyna. Ao cabo de dois dias de carnificina os franceses abandonaram o campo e Wellesley, sem provisões, recuou para Badajoz.
A 26 de Agosto de 1809 é designado Visconde de Wellington, em reconhecimento dos seus feitos militares (seria depois, sucessivamente, conde, duque e marquês), passando a ser designado por Lord Wellington.
Entretanto Napoleão concentrou em Espanha uma poderosa força militar, cujo comando entregou a Massena. Wellington, antevendo a invasão, foi até à fronteira, instalando-se em Celorico da Beira e enviando parte das suas tropas para lá da linha do Côa, onde ficaram em observação. Face ao avanço dos franceses o exército aliado recuou, sendo Wellington muito criticado por portugueses e espanhóis por nada ter feito para auxiliar as praças de Ciudad Rodrigo e de Almeida.
Mas Wellington tinha um plano guardado em segredo, que nem os seus mais próximos conheciam: oficiais engenheiros haviam fortificado a cadeia de montanhas que rodeia Lisboa na margem direita do Tejo, desde a foz do Lisandro até Alhandra, para onde tencionava recuar para aí defender a Capital.
Ao mesmo tempo que recuava, o comandante inglês aconselhava os portugueses a destruírem tudo o que pudesse servir ao invasor. Esta política de «terra queimada» desesperou os franceses que dificilmente encontravam abastecimentos.
Wellington esperou Massena na montanha do Buçaco, com as suas tropas bem posicionadas, travando um combate onde os aliados obtiveram uma importante vitória. Continuou porém a recuar, deixando os franceses perplexos. Mas tudo perceberam quando verificaram que o exército anglo-luso se fortificara ao redor de Lisboa, em local inexpugnável.
Na retirada francesa, Wellington deu perseguição a Massena, tendo disputado combates em Pombal, Redinha, Condeixa, Casal Novo, assim como no Sabugal.
Comandou em pessoa a batalha do Sabugal, em que atacou o corpo de Reynier, que se posicionara no lugar do Gravato. Wellington acabaria por afirmar que este foi «um dos mais gloriosos combates das tropas britânicas». De facto a sua divisão ligeira, comandada por Erskine, cobriu-se de glória ao dar luta renhida, que chegou a ser de corpo a corpo, no meio de um denso nevoeiro.
À batalha do Sabugal seguiu-se a de Fuentes de Oñoro, pela qual evitou que Massena reentrasse em Portugal para reabastecer Almeida.
Passou o Inverno de 1811-1812 na Freineda, no actual concelho de Almeida, onde instalou o seu quartel-general e planeou novas manobras. Em Janeiro de 1812 tomou Ciudad Rodrigo, que guarneceu, e dirigiu-se para sul, indo envolver-se no cerco a Badajoz, e na sanguinária batalha de Albuera, em que houve pesadíssimas baixas de ambos os lados.
Em Abril, face ao avanço de Marmont, que entrou em Portugal e avançou até Castelo Branco, Wellington subiu de novo para norte, e perseguiu esse exército invasor. No rasto de Marmont, passou pelo Sabugal e instalou-se em Alfaiates, onde pernoitou e emanou a ordem de continuação das manobras em Espanha.
A 13 de Junho atravessou o Águeda e, dias depois, travou a famosa batalha de Salamanca, que venceu e lhe abriu as portas de Madrid. Tomada a capital de Espanha, o exército de Wellington, composto por muitos batalhões portugueses, avançou para Burgos, retrocedendo depois para Salamanca.
A fim de dar descanso às suas tropas, Wellington voltou a instalar-se em Riba-Côa, na Freineda, onde durante meses preparou a campanha que expulsaria os franceses da península.
Em Abril de 1813 recomeçou a guerra, dirigindo-se para o Douro, onde destroçou o exército francês, que se colocaria em retirada. Já em Vitoria travou batalha com o marechal Jourdain, que venceu em toda a linha, desorganizando os exércitos franceses.
Em 1814 a paz foi estabelecida, e Wellington, que tinha sido um dos heróis da campanha, partiu para Paris na qualidade de embaixador. A 10 de Junho voltou ao seu quartel-general, em Bordéus, para se despedir do exército peninsular.
O seu maior feito militar, porém, consistiu na vitória sobre os franceses em Waterloo, em 1815, onde pôs termo ao breve regresso de Napoleão Bonaparte.
Wellington ficou conhecido pela visão estratégica e a forma como colocava as suas hostes perante o inimigo. Evitava sempre correr riscos desnecessários, esperando os momentos e as posições oportunas para entrar em combate. Em Portugal, em reconhecimento do seu valor, foram-lhe atribuídos os títulos de conde de Vimeiro, marquês de Torres Vedras e duque da Vitória.
Na Inglaterra, Wellington foi aclamado herói nacional, gozando de um prestígio sem precedentes. Em 1827 foi nomeado comandante-chefe do exército britânico e tornou-se figura preponderante da política londrina, ocupando o cargo de primeiro-ministro de 1828 a 1830.
Morreu em Walmer Castle, a 14 de Setembro de 1852, sendo sepultado, com grande pompa, na Catedral de S. Paulo, em Londres.
Paulo Leitão Batista

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