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Sir Arthur Wellesley, mais tarde Lord Wellington, comandou as tropas aliadas durante a guerra Peninsular, tomando por base o território português. Por mais de uma vez esteve na região de Riba-Côa, estabelecendo o seu quartel-general na Freineda e chefiando as forças alglo-lusas nas batalhas do Sabugal e de Fuentes de Oñoro.

Wellesley nasceu em Dublin, em 30 de Abril de 1764, no seio de uma família nobre. Ficou órfão de pai ainda criança e foi com a mãe para França, onde frequentou a Academia de Equitação de Angers, preparando-se para o serviço militar.
Em 1787 foi nomeado alferes de infantaria na Escócia. Em 1789 era tenente de um regimento de dragões e, no ano seguinte, subiu ao posto de capitão.
Em Abril de 1793 foi promovido a major e, sete meses depois, a tenente-coronel.
Em 1797, já coronel, foi enviado para a Índia, onde foi designado governador. Foi na Índia que atingiu o posto de major-general e se afirmou enquanto estratega nas campanhas militares.
De volta à Europa, participou, em Abril de 1808, no cerco e bombardeamento de Copenhaga, onde se destacou em combate, sendo por isso promovido a tenente-general.
Nomeado comandante de uma força expedicionária, desembarcou em Portugal e venceu o exército de Junot na Roliça e no Vimeiro, impondo a assinatura da Convenção de Sintra, pela qual os franceses embarcaram para França em navios ingleses.
Após um curto período em Inglaterra, voltou a Lisboa em Abril de 1809, para ajudar a expulsar Soult, que entrara pelo norte. Foi então nomeado marechal-general do Exército Português.
Marchou para o Porto e forçou Soult a abandonar Portugal, pondo termo à segunda invasão. Instalou-se depois no Alentejo e avançou por Espanha, travando a batalha de Talavera de la Reyna. Ao cabo de dois dias de carnificina os franceses abandonaram o campo e Wellesley, sem provisões, recuou para Badajoz.
A 26 de Agosto de 1809 é designado Visconde de Wellington, em reconhecimento dos seus feitos militares (seria depois, sucessivamente, conde, duque e marquês), passando a ser designado por Lord Wellington.
Entretanto Napoleão concentrou em Espanha uma poderosa força militar, cujo comando entregou a Massena. Wellington, antevendo a invasão, foi até à fronteira, instalando-se em Celorico da Beira e enviando parte das suas tropas para lá da linha do Côa, onde ficaram em observação. Face ao avanço dos franceses o exército aliado recuou, sendo Wellington muito criticado por portugueses e espanhóis por nada ter feito para auxiliar as praças de Ciudad Rodrigo e de Almeida.
Mas Wellington tinha um plano guardado em segredo, que nem os seus mais próximos conheciam: oficiais engenheiros haviam fortificado a cadeia de montanhas que rodeia Lisboa na margem direita do Tejo, desde a foz do Lisandro até Alhandra, para onde tencionava recuar para aí defender a Capital.
Ao mesmo tempo que recuava, o comandante inglês aconselhava os portugueses a destruírem tudo o que pudesse servir ao invasor. Esta política de «terra queimada» desesperou os franceses que dificilmente encontravam abastecimentos.
Wellington esperou Massena na montanha do Buçaco, com as suas tropas bem posicionadas, travando um combate onde os aliados obtiveram uma importante vitória. Continuou porém a recuar, deixando os franceses perplexos. Mas tudo perceberam quando verificaram que o exército anglo-luso se fortificara ao redor de Lisboa, em local inexpugnável.
Na retirada francesa, Wellington deu perseguição a Massena, tendo disputado combates em Pombal, Redinha, Condeixa, Casal Novo, assim como no Sabugal.
Comandou em pessoa a batalha do Sabugal, em que atacou o corpo de Reynier, que se posicionara no lugar do Gravato. Wellington acabaria por afirmar que este foi «um dos mais gloriosos combates das tropas britânicas». De facto a sua divisão ligeira, comandada por Erskine, cobriu-se de glória ao dar luta renhida, que chegou a ser de corpo a corpo, no meio de um denso nevoeiro.
À batalha do Sabugal seguiu-se a de Fuentes de Oñoro, pela qual evitou que Massena reentrasse em Portugal para reabastecer Almeida.
Passou o Inverno de 1811-1812 na Freineda, no actual concelho de Almeida, onde instalou o seu quartel-general e planeou novas manobras. Em Janeiro de 1812 tomou Ciudad Rodrigo, que guarneceu, e dirigiu-se para sul, indo envolver-se no cerco a Badajoz, e na sanguinária batalha de Albuera, em que houve pesadíssimas baixas de ambos os lados.
Em Abril, face ao avanço de Marmont, que entrou em Portugal e avançou até Castelo Branco, Wellington subiu de novo para norte, e perseguiu esse exército invasor. No rasto de Marmont, passou pelo Sabugal e instalou-se em Alfaiates, onde pernoitou e emanou a ordem de continuação das manobras em Espanha.
A 13 de Junho atravessou o Águeda e, dias depois, travou a famosa batalha de Salamanca, que venceu e lhe abriu as portas de Madrid. Tomada a capital de Espanha, o exército de Wellington, composto por muitos batalhões portugueses, avançou para Burgos, retrocedendo depois para Salamanca.
A fim de dar descanso às suas tropas, Wellington voltou a instalar-se em Riba-Côa, na Freineda, onde durante meses preparou a campanha que expulsaria os franceses da península.
Em Abril de 1813 recomeçou a guerra, dirigindo-se para o Douro, onde destroçou o exército francês, que se colocaria em retirada. Já em Vitoria travou batalha com o marechal Jourdain, que venceu em toda a linha, desorganizando os exércitos franceses.
Em 1814 a paz foi estabelecida, e Wellington, que tinha sido um dos heróis da campanha, partiu para Paris na qualidade de embaixador. A 10 de Junho voltou ao seu quartel-general, em Bordéus, para se despedir do exército peninsular.
O seu maior feito militar, porém, consistiu na vitória sobre os franceses em Waterloo, em 1815, onde pôs termo ao breve regresso de Napoleão Bonaparte.
Wellington ficou conhecido pela visão estratégica e a forma como colocava as suas hostes perante o inimigo. Evitava sempre correr riscos desnecessários, esperando os momentos e as posições oportunas para entrar em combate. Em Portugal, em reconhecimento do seu valor, foram-lhe atribuídos os títulos de conde de Vimeiro, marquês de Torres Vedras e duque da Vitória.
Na Inglaterra, Wellington foi aclamado herói nacional, gozando de um prestígio sem precedentes. Em 1827 foi nomeado comandante-chefe do exército britânico e tornou-se figura preponderante da política londrina, ocupando o cargo de primeiro-ministro de 1828 a 1830.
Morreu em Walmer Castle, a 14 de Setembro de 1852, sendo sepultado, com grande pompa, na Catedral de S. Paulo, em Londres.
Paulo Leitão Batista

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O presidente da Câmara Municipal do Sabugal, António Robalo, pretende reorganizar a estrutura orgânica do Município, estando a trabalhar num projecto cujas linhas mestras já foram apresentadas ao Executivo e à Assembleia Municipal.

SabugalA diminuição dos níveis hierárquicos é a ideia base da reestruturação, face a uma necessidade de melhoria na eficácia e na eficiência dos serviços camarários.
Na sua actual estrutura a câmara tem dois Departamentos, cinco Divisões e vários Gabinetes e Serviços, facto que António Robalo considera desadequado face aos desafios que terão de se enfrentar no futuro. O presidente está empenhado em alcançar uma diminuição dos níveis hierárquicos, começando pelo fim dos departamentos, medida que retira um nível à cadeia vertical. Esta alteração resultará numa diminuição nos custos com remunerações e nos tempos de processamento dos diversos assuntos.
O projecto, que está em fase de pormenorização, prevê a criação de unidades orgânicas flexíveis e equipas de projecto, situação que trará maior maleabilidade á estrutura da autarquia.
A Assembleia Municipal, reunida no dia 24 de Setembro, aprovou um conjunto de princípios, com base nos quais o presidente desenvolverá o projecto de reestruturação. Os princípios aprovados são: modernização e inovação, resposta eficaz e eficiente às solicitações dos munícipes, competência no atendimento, orientação para a qualidade e dinamização do concelho.
A nova estrutura hierarquizada da edilidade deverá passar a ter 18 unidades orgânicas flexíveis, sete delas orientadas por dirigentes de grau 2, nove lideradas por dirigentes de grau 3 e duas lideradas por dirigentes do grau 4. A Câmara passará a contar também na sua estrutura com uma equipa de projecto.
plb

Se uma imagem vale mais do que mil palavras, filmes como «Crepúsculo dos Deuses» são indescritíveis e são quase obrigatórios para quem gosta de Cinema com C maiúsculo.

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia ArraianaRealizado por Billy Wilder em 1950 é uma das obras de arte do cinema norte-americano que se debruçam sobre a própria história de Hollywood, nomeadamente abordando os efeitos da transição do período mudo para o sonoro.
O papel principal cabe inteiramente a Gloria Swanson que interpreta Norma Desmond, uma antiga estrela de filmes mudos que prepara o seu regresso, com a ajuda de um jovem argumentista (William Holden) a braços com várias dívidas. E é precisamente Joe Gillis que narra o filme, apresentando um mundo que antes foi feito de sucesso e agora apenas vive do passado. É um retrato brutal da fama e dos efeitos que provoca em quem deixa de estar no topo do mundo. Até outras estrelas do mudo aparecem por breves instantes, num jogo de bridge.
Crepúsculo dos deusesE estamos a falar de grandes nomes do cinema, como Buster Keaton ou Hedda Hopper, que são tratados como figuras de cera pelo jovem argumentista, o que prova a imagem que este mundo em decadência acabou por ter depois do enorme sucesso alcançado no arranque do cinema.
Gloria Swanson tem uma interpretação excelente, ao retratar a louca vedeta em que Norma se tornou. Não conhecendo a verdadeira história da actriz, quase se poderia dizer que estava a interpretar-se a si própria. A última cena, quando desce as escadas em frente às câmaras que pensa serem do seu filme é um dos melhores e mais fortes momentos do filme. No campo da interpretação destaque ainda para um outro papel, o do mordomo Max, que mais não é do que Erich von Stroheim, um dos maiores realizadores do cinema mudo e em simultâneo um actor que participou em mais de 70 filmes. «Crepúsculo dos Deuses» é um grande filme, de um grande realizador.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

pedrompfernandes@sapo.pt

«Os heróis do mar, o nobre povo, a nação valente e imortal celebra os 100 anos da República Portuguesa no concelho do Sabugal.» Reportagem da jornalista Paula Pinto com imagem de Sérgio Caetano da redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

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jcl

Comemorar os 100 anos da implantação da República, é comprometer-nos na construção de um Sabugal Melhor!

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Em primeiro lugar, lembramos a atitude de um punhado de portugueses que, transportando a vontade de todo um Povo, souberam dar-se pela causa pública, acreditando nos ideais progressistas e modernistas das ideias republicanas e por elas se dispondo a lutar com risco da própria vida.
Mas lembramos também, e sobretudo, os ventos de progresso, libertação e democratização da sociedade portuguesa que, todos acreditavam, a República transportava no seu seio.
A igualdade perante o Estado e os seus órgãos político-administrativos; o fim dos privilégios ligados às condições de nascimento; a liberdade de consciência e de crença; o fim das perseguições por motivos de religião; a universalidade do ensino primário obrigatório e gratuito; a total liberdade da expressão de pensamento e do direito de reunião e associação; o direito à assistência pública;
Eis todo um ideário de progresso e de modernidade que os republicanos traduzem de imediato na Constituição de 1911.
E no que ao Poder Local diz respeito, a mesma Constituição consagrava, pela primeira vez, o princípio da não ingerência do Poder Executivo na vida dos corpos administrativos locais.
É também na Constituição de 1911, que se definem como princípios a seguir pela legislação ordinária, no que ao Poder Local diz respeito:
A separação dos poderes distritais e municipais em deliberativo e executivo; o exercício do referendo; a representação das minorias nos corpos administrativos locais; a autonomia financeira dos corpos administrativos.
Lamentavelmente, não houve a coragem política para se ir mais longe no que diz respeito à total autonomia do Poder Local, mantendo-se os magistrados administrativos, subordinados ao Governador Civil.
Igualmente, e como isto nos é hoje familiar, a luta entre os «federalistas» e os «centralistas», levaria ao abandono das teses republicanas que defendiam uma forma de regionalização do País assente no tripé «Freguesia-Município-Província».
Mas comemorar o centenário da implantação da República tem hoje, e no contexto do Concelho do Sabugal, outra e fundamental razão.
Em 1911, o Concelho tinha 34.778 habitantes; hoje tem somente 13.261, quase um terço.
Em 1911 as maiores freguesias, todas com mais de 1.000 habitantes, eram 12, por ordem decrescente: Sabugal, Quadrazais, Vale de Espinho, Soito, Alfaiates, Aldeia Velha, Casteleiro, Aldeia da Ponte, Bendada, Pousafoles do Bispo, Sortelha e Santo Estêvão; em 2001 eram duas: Sabugal e Soito.
E no que dizia respeito às freguesias de menor dimensão, com população inferior a 300 habitantes, eram em 1911, Ruivós, Vale das Éguas, Lomba e Vale Longo; no último censo realizado, contavam-se 22 freguesias (mais de metade do total de freguesias do Concelho) com menos de 300 habitantes…
Este é um cenário que nos obriga àquilo a que chamo de «refundação do Concelho do Sabugal».
Os sabugalenses de cada lado do Côa, possuidores de uma história de milénios, caldeados pelo frio e pelo calor, pertencem à classe dos que «antes morrer que torcer», daqueles que, nas tempestades sabem escolher o seu rumo.
E por isso, lembrar a gesta heróica de mulheres e homens que fizeram o 5 de Outubro, estou certo que todos, independentemente da sua ideologia, perceberam já que esta é a hora.
É a hora de definir para onde queremos ir e como lá chegar;
É a hora de usar os recursos vastos que temos para tornar o Concelho mais competitivo e qualificado;
É a hora de afirmar o Concelho no quadro regional, mas também no quadro transfronteiriço;
É a hora para a qual todos somos chamados e na qual todos devemos participar!
E, permitindo-me parafrasear José Relvas na sua proclamação às 11 horas do dia 5 de Outubro de 1910 nas varandas dos Paços do Concelho de Lisboa:
«Unidos todos, numa mesma aspiração ideal» os sabugalenses vão reconstruir o Concelho do Sabugal tornando-o num território sustentável e competitivo, atractivo para viver, trabalhar e investir, preservando as memórias, as tradições e a natureza!

Nota: Esta crónica reproduz no essencial a intervenção feita no dia 5 de Outubro no Auditório Municipal, na qualidade de Presidente da Assembleia Municipal.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos
(Presidente da Assembleia Municipal do Sabugal)
rmlmatos@gmail.com

5 de Outubro de 1910. 5 de Outubro de 2010. Os 100 anos da República foram assinalados com pompa e circunstância no concelho do Sabugal. A Comissão do Centenário, presidida por Adérito Tavares, preparou com muita dignidade – e qualidade – um programa comemorativo que destaca os valores republicanos da educação, liberdade, igualdade e justiça para todos.

Centenário República - Sabugal

A sessão solene das comemorações do Centenário da Implantação da República no concelho do Sabugal, no dia 5 de Outubro de 2010, teve lugar no Auditório Municipal. A mesa foi constituída por António Robalo, presidente da Câmara Municipal do Sabugal, por Santinho Pacheco, governador civil da Guarda, por Ramiro Matos, presidente da Assembleia Municipal do Sabugal, por Adérito Tavares, presidente da Comissão Municipal para as Comemorações e por Jaime Vieira, igualmente da Comissão Municipal.
A sessão solene foi aberta pelo presidente da Câmara Municipal do Sabugal, António Robalo. O autarca raiano deu as boas-vindas a todos os convidados e felicitou os membros da Comissão Municipal e todos os que colaboraram, nos serviços do município e da Sabugal+, para a organização das cerimónias dos 100 anos da República que decorrem até ao dia 30 de Outubro.
«Faz hoje 100 anos que foi implantada a República, na sequência de um processo revolucionário de republicanização progressiva do país. Finda a monarquia, institui-se a república, que mais não é que o regime político em que ainda, e felizmente, vivemos e em que os cidadãos exercem o poder por intermédio de representantes por si eleitos e em que não existem cargos hereditários», afirmou António Robalo no início do seu discurso. De seguida foram destacadas pelo autarca as principais medidas da República como a «expulsão do país das ordens religiosas, erradicação de qualquer conteúdo religioso do ensino público, na legislação ou nos órgãos do Estado, universalidade e obrigatoriedade do registo civil, mudança da unidade monetária, mudança dos símbolos nacionais (bandeira e hino), instituição do casamento civil obrigatório e do divórcio, igualdade perante a lei, livre expressão do pensamento, instrução obrigatória e gratuita para todas as crianças dos 7 aos 12 anos, autorização e regulamentação da greve, instituição do descanso semanal e obrigatório dos trabalhadores ou a limitação dos horários de trabalho».
Houve, contudo, no entendimento do autarca, «excessos» praticados pela revolução republicana «próprios de quem quer dar novos rumos ao País» mas que «permitiram implantar valores, princípios, ideiais e… a visão da República onde deve prevalecer o interesse público sobre os interesses particulares. O autarca sabugalense recordou o exemplo de Manuel de Arriaga que «não teve direito a habitação como primeiro Presidente da República e só ocupou o palácio de Belém mediante o pagamento de renda».
Para os tempos de crise que vivemos António Robalo aconselhou a «valorizar princípios que orientem a sociedade, a dar o nosso melhor, a trabalhar em prol da comunidade, a esquecer as diferenças e a reforçar o espírito de cooperação» e celebrar os valores republicanos como «igualdade, fraternidade, liberdade, solidariedade, austeridade e não ostentação, preocupação, sacrifício e dedicação ao bem comum».
O presidente sabugalense aproveitou para deixar alguns conselhos «locais»: «Quer a nível nacional quer a nível local que cada um sirva a sociedade. Como eleitos ou como eleitores, os ideais republicanos devem balizar o rumo que queremos para o País, para a região, para o município, para a freguesia. Privilegiar o interesse público acima dos interesses particulares, gerir a coisa pública com determinação, com visão, administrando com zelo o esforço dos contribuintes, dando o exemplo. Às oposições pede-se colaboração no sentido de promoverem o bem comum e não a satisfação dos interesses particulares, os interesses dos seus eleitores. Quantas vezes as oposições estão contra, entre outras razões, porque o poder está a favor? Ao celebrar o centenário da República são estes os valores que devemos celebrar, valores de igualdade, de fraternidade, de liberdade, de solidariedade, de austeridade e não de ostentação, de preocupação, sacrifício e dedicação ao bem comum».
A finalizar e antes do «Viva a República!» o presidente António Robalo recordou o grande Almeida Garret para quem «tudo o que se fizer há-de ser pelo povo e com o povo… ou não se faz».
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Discurso do Presidente da Câmara Municipal do Sabugal. Aqui.
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1 – As cerimónias do Centenário mereceram uma atenção especial por parte dos responsáveis municipais. O cartaz, da autoria de Manuel Morgado, é belíssimo e recebeu os parabéns de todos. Santinho Pacheco, governador civil da Guarda, quando foi presenteado pelo artista com uma serigrafia surpreendeu com uma tirada soberba: «Daqui a cem anos ninguém se vai lembrar dos nossos nomes mas tenho a certeza que vão recordar o de Manuel Morgado.»

2 – Excelente trabalho da Comissão Municipal para as Comemorações do Centenário presidida pelo professor Adérito Tavares. A exposição no Museu é historicamente valiosa. E o que falta cumprir do programa promete…

3 – A República «paga» para ter ao seu serviço centenas de mulheres e homens eleitos para representar o povo. O concelho do Sabugal tem 40 freguesias. As juntas de freguesia são constituídas por três elementos (executivos). A Assembleia Municipal tem, além dos 40 presidentes de Junta, 41 deputados (ou membros). Mas… estiveram presentes na sessão solene no Auditório Municipal do Sabugal, no dia 5 de Outubro, salvo melhor contagem um total de: 3 presidentes de Junta de Freguesia e menos de 10 deputados municipais. É simplesmente lamentável a falta de sentido de responsabilidade de alguns eleitos.

4 – Entre a insustentável leveza e ligeireza da indiferença de uns e as obscuras e bafientas tentativas de tudo tentar manter na mesma de outros há coisas que são difíceis de perceber no republicano concelho do Sabugal.
jcl

5 de Outubro de 1910. 5 de Outubro de 2010. Os 100 anos da República foram assinalados com pompa e circunstância no concelho do Sabugal. A Comissão do Centenário, presidida por Adérito Tavares, preparou com muita dignidade – e qualidade – um programa comemorativo que destaca os valores republicanos da educação, liberdade, igualdade e justiça para todos.

Adérito Tavares - Santinho Pacheco - António Robalo

Na sessão solene do 5 de Outubro de 2010 no Auditório Municipal do Sabugal discursaram António Robalo, presidente da Câmara Municipal do Sabugal, Ramiro Matos, presidente da Assembleia Municipal do Sabugal e Santinho Pacheco, governador civil da Guarda. A oração de sapiência esteve a cargo de Adérito Tavares, historiador e presidente da Comissão Municipal das Comemorações do Centenário.
O presidente da Assembleia Municipal, Ramiro Matos, foi o segundo a discursar. Dirigindo-se aos presentes começou por dizer que «comemorar os cem anos da implantação da República é comprometer-nos na construção de um Sabugal melhor» e lembrando «a atitude de um punhado de portugueses que, transportando a vontade de todo um povo, souberam dar-se pela causa pública, acreditando nos ideais progressistas e modernistas das ideias republicanas e dispondo-se a lutar com risco da própria vida» e finalizou parafraseando José Relvas na sua proclamação nas varandas dos Paços do concelho de Lisboa: «Unidos todos, numa mesma aspiração ideal os sabugalenses vão reconstruir o concelho do Sabugal tornando-o num território sustentável e competitivo, atractivo para viver, trabalhar e investir, preservando as memórias, as tradições e a natureza».
«Viva a República! Viva o Sabugal!» aclamou Santinho Pacheco, governador civil da Guarda, a finalizar o seu discurso no Auditório Municipal do Sabugal no dia 5 de Outubro de 2010.
O representante do Governo português no distrito da Guarda começou por lembrar a toda a plateia do Auditório Municipal que estavam ali para «assinalar num gesto cultural da maior importância – o centenário da República».
Na sequência das duas intervenções anteriores Santinho Pacheco insistiu na importância do concelho do Sabugal no contexto distrital. «Permitam-me que pegue nas palavras dos dois oradores que me antecederam. Estamos num ponto de viragem. Temos que acreditar que vamos dar a volta por cima no concelho no Sabugal. Conheço poucos concelhos como o Sabugal com gente com genica, com garra. Vamos fazer deste concelho um território rural. Temos de envolver a população. Uma das lições que aprendemos com 100 anos de República é que não cabe aos poderes políticos fazer tudo», pediu o governador civil reafirmando que «em vários lados tenho dado o exemplo do Sabugal. Acredito na refundação do concelho do Sabugal como terra onde vai valer a pena viver e trabalhar».
Sobre as comemorações do centenário Santinho Pacheco recordou que «a República de 1910 insere-se nas correntes libertadoras da revolução francesa. Foi na revolução de 1820 que se deram os primeiros sinais da revolução que se avizinhava. O republicanismo foi utópico como são todas as ideologias que consideram que o homem é perfeito. O que se faz politicamente fica sempre aquém daquilo que se prometeu».
Na sua análise o governador civil considerou que «a situação política durante a monarquia tinha-se tornado explosiva porque em Portugal havia um rei mas já não havia monárquicos» e destacou «a democratização do ensino num país onde havia apenas 1800 estudantes liceais ensinados por 600 professores».
A República criou as universidades de Lisboa e do Porto num tempo em que a taxa de anafabetização nas mulheres atingia os 95 por cento mas a cartilha sociológica que invocavam os republicanos não passava de um espelho onde viam não o país real mas os seus ideais.
«Os republicanos revolucionários cometeram erros. Num país maioritariamente católico, rural e analfabeto quiseram impor em meio-ano um regime laico e com educação ao contrário da França onde foram precisos 20 anos para o alcançar» disse Santinho Pacheco acrescentando que «a questão religiosa, a participação na guerra, a pneumónica e as dificuldades económicas trouxeram o descontentamento das populações e criaram condições para o aparecimento do Estado Novo de Salazar».
A terminar o governador civil da Guarda, Santinho Pacheco pediu «mais responsabilidade e menos conflitos partidários».
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Discurso do Governador Civil da Guarda. Aqui.
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jcl

5 de Outubro de 1910. 5 de Outubro de 2010. Os 100 anos da República foram assinalados com pompa e circunstância no concelho do Sabugal. A Comissão do Centenário, presidida por Adérito Tavares, preparou com muita dignidade – e qualidade – um programa comemorativo que destaca os valores republicanos da educação, liberdade, igualdade e justiça para todos.

Adérito Tavares

A oração de sapiência na sessão solene no Auditório Municipal do Sabugal esteve a cargo do ilustre historiador Adérito Tavares, natural de Aldeia do Bispo, no concelho do Sabugal. Adérito Tavares preside à Comissão Municipal para as Comemorações do Centenário da República e é responsável pela recolha e classificação de muitos e valiosos documentos disponíveis na exposição sobre a história da República no Museu.
«No dia 12 de Maio de 2010 assisti no Largo da República, no Sabugal, à representação de um jovem que da varanda dos Paços do Concelho encarnou José Relvas e gritou – Está proclamada a República. Viva Portugal!», recordou Adérito Tavares no início da sua oração de sapiência que vamos reproduzir na íntegra.

«Intervenção na sessão solene de comemoração do Centenário da República no Sabugal
Na manhã de 5 de Outubro de 1910, da varanda da Câmara Municipal de Lisboa, José Relvas e Eusébio Leão, membros do Directório Republicano, anunciavam o estabelecimento do regime republicano e a composição do Governo Provisório, enquanto as suas palavras eram vibrantemente aplaudidas por uma multidão delirante.
Poucas horas depois, um suplemento do Diário do Governo «oficializava» a revolução: «Hoje, 5 de Outubro de 1910, às onze horas da manhã, foi proclamada a República de Portugal no salão nobre dos Paços do Município de Lisboa, depois de terminado o movimento da revolução nacional.»
No dia seguinte, o rei e a família real embarcavam na Ericeira a caminho do exílio.
O triunfo do levantamento republicano deveu-se menos aos méritos das diferentes forças empenhadas no derrube da Monarquia e mais às fragilidades desta. As condições objectivas eram extremamente favoráveis aos republicanos: o País encontrava-se mergulhado numa profunda crise económica, financeira, social e institucional. Por outro lado, a «republicanização» de vastas camadas da população urbana tinha também criado as condições subjectivas para a mudança de regime: a alternativa desenhada pelos ideais republicanos apontava para uma sociedade mais progressiva e mais justa, criando enormes expectativas na população. Mas seria justamente a frustração de muitas dessas expectativas que haveria de criar grandes dificuldades ao novo regime implantado em 1910.
No Sabugal, as notícias da proclamação da República chegaram depressa. Uma semana depois, um grupo de respeitados cidadãos republicanos formou um executivo camarário provisório, presidido pelo Doutor Aurélio de Almeida Santos e Vasconcelos, Morgado de Sortelha. No livro de actas da Câmara podemos ler:

Acta de instalação da Câmara Municipal Republicana, no dia 12 de Outubro de 1910
Presidência do cidadão Aurélio de Almeida Santos e Vasconcelos.
Presentes os senhores vogais João dos Santos Forte, Aníbal Esteves, José Augusto Rodrigues, Manuel António da Mota, José Casimiro da Costa Quintela e Alexandre Lourenço Leitão.
Sendo duas horas da tarde, o senhor Presidente abriu a sessão.
E, um pouco mais adiante:
[A Câmara] deliberou, finalmente, que se enviassem [telegramas] aos Excelentíssimos Presidente Provisório da República e ao Governador Civil deste Distrito, felicitando-os pela proclamação da República e dando-lhes conhecimento de que [esta Câmara] tomou hoje [posse] da Administração Municipal.
No dia seguinte, 13 de Outubro de 1910, voltou a reunir o novo executivo municipal republicano. O entusiasmo com que a República foi recebida transparece na seguinte passagem da acta dessa sessão:
… pedindo e obtendo a palavra, o cidadão vereador [José Casimiro da Costa] Quintela […] disse que se sentia muito à vontade no seu lugar, orgulhoso de pertencer à nova Câmara Republicana deste concelho, composta de cidadãos de uma envergadura moral acima de toda a suspeita e presidida por um dos [cidadãos] mais distintos que conhece.
Pouco tempo depois, em 27 de Outubro de 1910, o Governador Civil da Guarda, Dr. Arnaldo Bigotte de Carvalho, nomeou José Casimiro da Costa Quintela Presidente da Câmara Municipal do Sabugal e o Doutor Aurélio de Vasconcelos Administrador do Município. Lembro que o Administrador do concelho, que existia nos últimos tempos da Monarquia e continuou a existir durante os primeiros anos da República, era o representante do Governo central, o equivalente concelhio ao Governador Civil distrital.
Vale a pena determo-nos ainda noutro destes interessantes documentos, que ilustram bem os acontecimentos ocorridos há cem anos: na sessão do dia 17 de Outubro, ainda sob a presidência do Doutor Aurélio de Vasconcelos, encontramos estas palavras:
A Câmara deliberou que, na acta desta sessão, se lançasse um voto de profundo pesar pelo falecimento dos grandes democratas Doutor Miguel Bombarda e Vice-Almirante Cândido dos Reis, e das demais vítimas que houve para a proclamação da República.
A morte trágica destes dois líderes carismáticos da Revolução cobriu de luto o país republicano e impressionou vivamente as novas autoridades municipais. Por isso, as vilas e cidades de Portugal se encheram de ruas e praças com os nomes do Almirante Reis e do Doutor Miguel Bombarda. A começar, desde logo, pela grande Avenida Almirante Reis, em Lisboa, que até então se chamara Avenida Rainha D. Amélia.
Porque nestas breves palavras não se pode falar de tudo e de todos, detenhamo-nos um pouco sobre estes dois notáveis chefes do movimento republicano.
Miguel Bombarda foi um eminentíssimo médico psiquiatra, professor e ensaísta de renome internacional. Os seus ideais humanistas levaram-no a fundar, em 1906, a Junta Liberal. Impulsionada pelo ardor combativo do Professor Bombarda, esta Junta haveria de se destacar na luta contra a ditadura de João Franco e contra o clericalismo, particularmente contra o jesuitismo. Miguel Bombarda foi igualmente membro proeminente da Maçonaria. No entanto, a sua actividade política só se tornaria verdadeiramente empenhada e comprometida quando aderiu, em 1909, ao Partido Republicano.
O almirante Carlos Cândido dos Reis, a mais alta patente militar comprometida no movimento revolucionário, foi um membro activo da Carbonária e um dos mais empenhados conspiradores republicanos. Na madrugada de 4 de Outubro foi incorrectamente informado por um subordinado, que dava por perdida a batalha em terra. Tendo concluído que a revolução falhara, o almirante suicidou-se. Morreu ingloriamente.
Também Miguel Bombarda teve uma morte trágica, nas vésperas da revolução. Na manhã de 3 de Outubro foi procurado por um antigo doente, Aparício Rebelo dos Santos, oficial do Exército, que sobre ele disparou vários tiros de pistola. Atingido no ventre, foi levado para o Hospital de S. José, onde seria operado pelo prestigiado cirurgião Francisco Gentil, seu colega e amigo. Ao fim da tarde, porém, o seu estado piorou. À mesma hora que a revolução republicana estava na rua ia Miguel Bombarda a enterrar. Herói da República, mártir da ciência.
Nas ruas, a República foi aclamada porque prometia muito. Alguns dias depois da Revolução, um jornal noticiava: «Isto está bom! O feijão já desceu um vintém!» Infelizmente, porém, o caminho não era tão fácil, num país pobre, endividado e quase analfabeto.
No plano ideológico, a República trazia consigo a revalorização dos ideais democráticos, defendendo que o homem só se tornaria verdadeiramente livre quando quebrasse os grilhões da ignorância e da superstição. A herança da Revolução Liberal Francesa encontrava-se ainda no cerne do republicanismo, com a sua trilogia «liberté, egalité, fraternité». Lembremos, no entanto, que, apesar das sucessivas revoluções ocorridas um pouco por toda a Europa durante o século XIX, em 1910 apenas existiam duas repúblicas: na França e na Suíça. Portugal era a terceira.
Para além da consolidação do novo regime e da criação de um clima de pacificação nacional e de ordem pública, o governo provisório e os governos que se lhe seguiram procuraram dar cumprimento a algumas das promessas do Partido Republicano. Foram convocadas eleições para a Assembleia Nacional Constituinte, que elaborou a Constituição de 1911. Procedeu-se à publicação de alguma legislação extremamente corajosa mas polémica, com vista à laicização do Estado, como a Lei de Separação da Igreja do Estado, o estabelecimento do registo civil obrigatório e a legalização do divórcio. No entanto, se a laicização do Estado, em si mesma, constituía um passo positivo no caminho da modernização da sociedade portuguesa, os excessos anticlericais e o desrespeito pelas tradições e convicções da maioria da população, profundamente católica, geraram um perigoso e escusado clima anti-republicano. O objectivo anunciado por Afonso Costa, de erradicar o catolicismo do País em duas gerações, apenas serviria para criar uma questão religiosa. Na exposição que hoje mesmo iremos inaugurar podemos ver duas cartas de D. Manuel Vieira de Matos, Bispo da Guarda, dirigidas ao Presidente da República Manuel da Arriaga. Escritas em 1911, numa linguagem serena e inteligente, denunciam desde cedo o clima de intolerância que o anticlericalismo jacobino estava a semear por todo o País e que apenas se atenuaria a partir dos anos da Grande Guerra.
No plano social, os governos republicanos procuraram também satisfazer muitas das reivindicações mais prementes, através da autorização e regulamentação da greve, da instituição do descanso semanal obrigatório e da limitação dos horários de trabalho; mas deixaram vastas camadas sociais descontentes, sobretudo o operariado. Sucederam-se as greves, muitas vezes reprimidas com bastante violência, o que criaria condições favoráveis ao crescimento do anarco-sindicalismo e do comunismo.
Foi, porém, no domínio da educação que a acção dos primeiros governos republicanos se revelou mais eficaz e duradoura. No dealbar do século, a taxa de analfabetismo, em Portugal, andava pelos 78%, fazendo do País um dos mais atrasados culturalmente. A República decretou a instrução obrigatória e gratuita para todas as crianças entre os 7 e os 12 anos, tendo também procedido à reforma do ensino superior, nomeadamente através da fundação do Instituto Superior Técnico e de duas novas universidades, em Lisboa e no Porto. Os governos republicanos colocaram igualmente entre as suas prioridades as questões da saúde pública, procedendo a uma profunda reforma do ensino médico.
Em síntese: o que hoje celebramos não é apenas uma mudança de regime, é também o começo de uma mudança de mentalidade. Não existem revoluções perfeitas nem regimes perfeitos. E, se a República trouxe consigo excessos e retrocessos, trouxe também indiscutíveis avanços para a modernização de Portugal.
A eclosão da I Guerra Mundial, em 1914, e a intervenção de Portugal no conflito, em 1916, travaram esse processo evolutivo. A participação na Grande Guerra foi um processo suicidário. Se o País se tivesse mantido afastado dos campos de batalha europeus, tudo poderia ter sido bem diferente. Mas a história contrafactual não é senão isso: imaginarmos aquilo que poderia ter acontecido mas que não aconteceu. Em história não há ses. E a verdade é que a Guerra contribuiu pesadamente para acentuar o desequilíbrio financeiro e os desentendimentos políticos, abrindo as portas ao messianismo de Sidónio Pais, essa espécie de “ensaio geral” da Ditadura Militar de 1926 e do Estado Novo salazarista.
Para além da instabilidade política e da incapacidade dos sucessivos governos de equilibrar as contas do Estado, que outras razões ajudam a explicar a queda da I República? A frustração das esperanças do operariado e das classes médias; a militância anti-republicana dos saudosos da Monarquia; o descontentamento da Igreja Católica, provocado pelos excessos do jacobinismo anticlerical; a instalação de um persistente clima de violência urbana, de que a tenebrosa “noite sangrenta” foi o clímax. Foi a conjugação de todos esses factores que acabou por lançar o País nos braços dos militares, em 28 de Maio de 1926. Chegava deste modo ao fim a I República, nascida faz precisamente hoje cem anos.
Pouco depois, em Dezembro de 1928, escrevia Fernando Pessoa:

«Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer.
[…]
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro.»

Também hoje o País parece mergulhado numa cerrada neblina. Saiamos do nevoeiro, sem esperar por D. Sebastião. E o melhor caminho para sair é o da Escola e dos centros de investigação científica. Sabiam-no todos os grandes republicanos. E sabia-o também o poeta João de Deus, que dizia que todas as revoluções, para triunfarem, deveriam começar pelo a, e, i, o, u. Era esse, do mesmo modo, o lema de um notável republicano sabugalense, o Doutor António Augusto Louro, que foi autarca, homem de ciência e pedagogo: ele acreditava também devotadamente nas potencialidades da educação e da cultura como forma de libertação do Homem. Termino com as suas palavras:
«Não há democracia sem liberdade. Não há liberdade sem educação.»
Adérito Tavares»

O Capeia Arraiana destaca o enorme trabalho dos profissionais da Câmara Municipal do Sabugal e da empresa municipal Sabugal+ que tornaram possível celebrar o Centenário da República com muita dignidade e valor histórico. Ao ilustre professor e historiador Adérito Tavares aqui deixamos um grande bem-haja pelo «brilho» da exposição e o «peso» do programa das comemorações.
jcl

5 de Outubro de 1910. 5 de Outubro de 2010. Os 100 anos da República foram assinalados com pompa e circunstância no concelho do Sabugal. A Comissão do Centenário, presidida por Adérito Tavares, preparou com muita dignidade – e qualidade – um programa comemorativo que destaca os valores republicanos da educação, liberdade, igualdade e justiça para todos.

GALERIA DE IMAGENS  –   COMEMORAÇÕES DA REPÚBLICA   –  5-10-2010
Clique nas imagens para ampliar

jcl

«Imagem da Semana» do Capeia Arraiana. Envie-nos a sua escolha para a caixa de correio electrónico: capeiaarraiana@gmail.com


(Clique na imagem para ampliar.)

Data: 5 de Outubro de 2010.
Local: Auditório Municipal do Subugal.
Legenda: Após a sessão solene no Auditório Municipal e antes da inauguração no Museu da exposição sobre a história da República foi apresentada e explicada publicamente a serigrafia alusiva à República da autoria do ilustrador sabugalense Manuel Machado.
Manuel Morgado aproveitou para entregar a Santinho Pacheco, governador civil da Guarda, um exemplar numerado e autografado.
As cerimónias terminaram com todos os presentes a entoar «A Portuguesa» (hino composto em 1890, com letra de Henrique Lopes de Mendonça e música de Alfredo Keil) rematado no final com um «Viva a República! Viva o Sabugal!»
jcl

JOAQUIM SAPINHO

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