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«Haja saúde e coza o forno», sentenciava o nosso povo, querendo afirmar a importância maior que tinha a saúde e o pão, alimento de todos os dias. Em verdade, a alimentação nas aldeias baseava-se no pão, que se embutia só ou com peguilho. Mas para que houvesse pão na mesa, tinha que funcionar o forno, onde era confeccionado.

Forno ComunitárioNa aldeia o forno era comunitário e no seu uso valia o sistema da adua, com regras ancestrais religiosamente cumpridas, para que ninguém se visse privado de usufruir de um bem essencial.
O forno era construção sóbria, normalmente dentro de uma choupana ou casebre, no meio da povoação, para que todos lhe tivessem fácil acesso. Tinha, por regra, uma arquitectura circular, em forma de cúpula, erguida em tijolo-burro. A cobrir a cúpula era colocada uma camada de terra barrenta, o que ajudava a preservar o calor. A parede exterior, que envolvia a cúpula, era edificada em granito ou em xisto, conforme a morfologia do terreno em que assentava a aldeia. O forno tinha apenas uma boca, por onde entrava a lenha, se retirava a cinza, assim como entrava e saía o pão no acto da cozedura. Ao redor tinha pousos de pedra, para aí se colocarem as masseiras, que traziam a massa tendida e levavam o pão no final da operação. Também ao redor existia sempre uma grande pia de pedra, que se mantinha cheia de água, para nela se embeber o trapo com que se varria o forno.
Para cada fornada era necessário aquecer o forno, metendo-lhe dentro mato seco, a que se apichava lume, cabendo ao forneiro voltear o fogo com a ajuda do ranhadouro, ou bulidor, que não era mais que um varapau comprido, manejado com habilidade para rapidamente espalhar o braseiro por todo o espaço interior. Depois de bem aquecido, era preciso retirar os restos da combustão, o que se fazia com o manejo do mesmo ranhadouro. No fim, para limpar os restos de cinza, usava-se o varredouro, ou vasculho, outro varapau, com um trapo atado na ponta, que, encharcado na água da pia, lavava o solo do forno.
Meter o pão no fornoEntretanto, já a forneira amassara e tendera o pão, dando-lhe a forma devida, e trouxe-o para junto da boca do forno, dentro de um tabuleiro. O forneiro, com o manejo da pá, ia acomodando o pão, no soalho do forno, chispando depois a porta de ferro, para manter a alta temperatura.
Dado que em muitas ocasiões uma fornada levava pão de mais de uma pessoa, era uso colocar-lhe um sinal identificativo, para não houver enganos. Ao fim de cerca de uma hora, a porta era franqueada, e verificava-se o estado da cozedura. Se dado por apto, o pão era retirado com a pá e colocado no tabuleiro, onde a dona o transportaria para casa.
Em muitas terras, os fornos comunitários tinham proprietário, estando aqui designado um forneiro, que tinha por responsabilidade manusear o equipamento e ainda um joineiro, que era quem tinha a incumbência de arranjar e transportar lenha para uso do forno. Também aqui era livre o acesso ao forno, tendo porém os utilizadores que deixar a «poia», no fim de cada cozedura. Isso era a paga ao proprietário, ao forneiro e ao joineiro e consistia num pão para cada um dos intervenientes referidos.
Geralmente os fornos eram também o local onde a rapaziada se juntava nas noites inverniças, aproveitando o ar quente que ali se sentia. Os fornos eram, assim, um equipamento essencial das aldeias, onde o povo se juntava periodicamente, não apenas para cozer o pão, mas também para falar da vida, conviver, propagar e recolher todas as novidades da terra.
Paulo Leitão Batista

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A Liga dos Combatentes pretende instalar num lugar público da cidade do Sabugal um monumento em homenagem aos naturais do concelho que morreram em África ao serviço de Portugal na chamada Guerra do Ultramar.

O projecto da construção do monumento já foi apresentado à Câmara Municipal do Sabugal, estando o assunto agendado para a reunião de hoje, 6 de Outubro.
A Liga tomou a iniciativa de homenagear potr esta via os sabugalenses que caíram em combate, mas pretende protocolar com o Município o financiamento da construção do monumento e a sua instalação num lugar público da cidade. Existe já uma comissão pró-munumento, a qual tem um projecto formulado, que pretende discutir com a Câmara Municipal.
A comissão instaladora para a criação de um Núcleo da Liga dos Combatentes no Sabugal, recentemente criada, está também a par do projecto do monumento, propondo-se acompanhar os trabalhos tendo em vista a sua concretização a breve prazo.
Os sócios da Liga com residência no Sabugal reuniram a 12 de Agosto, decidindo criar uma comissão instaladora de um futuro núcleo da associação. A comissão sabugalense é presidida por Manuel Diogo Mendes, fazendo também parte Carlos dos Santos Lages, Altino Maria Pardal Ribeiro, António Joaquim Vaz Nobre e Manuel José Teixeira. O futuro núcleo funcionará provisoriamente nas instalações da Junta de Freguesia do Sabugal.
plb

Acabara de entrar o Inverno de 1544. Baruch Navarro, neto do Rebe Baal Shem Tov, fugido aos progroms de Navarra, levava anos de sapateiro, trabalhando arduamente para ganhar o precioso sustento, numa oficina ali para as bandas da torre do relógio, perto da muralha e da antiga porta da vila.

Foto de João Valente

João Valente - Arroz com Todos - Capeia ArraianaAcabara de entrar o Inverno de 1544. Baruch Navarro, neto do Rebe Baal Shem Tov, fugido aos progroms de Navarra, levava anos de sapateiro, trabalhando arduamente para ganhar o precioso sustento, numa oficina ali para as bandas da torre do relógio, perto da muralha e da antiga porta da vila.
Ali vivia só, taciturno, sem outra distracção que o cortar do couro e o bater das solas, sempre a queixar-se da dor dos ossos. Quanto custava ganhar o pão!… E este mal não tinha remédio: sempre existiam pobres e ricos, e o que nasce vitima tem que resignar-se… Já o dizia sua avó: A culpa era de Eva, da primeira mulher… De que não tinham elas culpa, as mulheres?
Nevara todo o dia, e a neve cobria as casas com o seu grande manto branco e o gelo pintara todas as árvores e beirais de prata. Com a neve levantara-se o vento Norte e, soprando todo o dia sobre o casario, levava o fumo das chaminés para lá do rio, em direcção a Malcata.
Os dias já eram curtos e em breve escurecera. E através da porta da oficina, sob um céu de cor violeta em que começavam a brilhar as estrelas, viam-se os campos brancos e indecisos na penumbra do crepúsculo.
Era a primeira noite de Chanucá. Baruch, pousou a tesoura de corte na bancada, pendurou o avental de cabedal no cabide cravado na parede da ombreira que tinha a inscrição hebraica, e fechou o enorme portão da oficina.
Subiu ao primeiro andar e tirou a Chanuquiá do armário trabalhado que havia ao cimo das escadas e colocou-a na pequena janela da sala que dava para o pátio interior.
A este sinal combinado, os vizinhos atravessaram os quintais interiores e, entrando pela porta das traseiras foram subindo ao primeiro andar, sentando-se em seu redor.
Então, Baruch recitando as bênçãos com grande devoção, acendeu a vela única, colocou o shamash, a vela auxiliar, e começou a cantar Hanerot Halalu.
A chama da vela ardeu com vigor. A assembleia cantou então Avam Maoz Tsur e outras melodias de Chanucá. Várias vezes, entre as melodias, Baruch comentou trechos da Torá.
Quando terminaram, todos se juntaram em volta da mesa a partilhar a ceia. Depois, em redor da candeia falaram dos acontecimentos do dia e dos problemas da comunidade. Decorridas as primeiras horas da noite, já em pleno Sabath, voltou cada um pelo mesmo caminho escuso dos quintais, entregando-se silenciosamente ao rei do sono, com um canto de fartura e oração de agradecimento a Iavé nos lábios.
E Baruch, enfiando-se no seu catre, viu as estrelas pela janelinha onde ainda ardia a Chanuquiá. E com grande paz no coração concluiu:
– O céu é a minha lâmpada de azeite e eu a coloco na minha janela para iluminar o caminho do povo eleito através da escuridão.
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

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