Para cargos de grande responsabilidade convém escolher os que não os pretendem.

António EmidioJá há muitos anos que não lia tantos jornais controlados pelo poder económico, como um dia destes numa sala de espera de um consultório médico.
Grandes parangonas referentes à economia: «O Estado gasta muito…», «Portugal em matéria económica aproxima-se da Grécia…», «O pior está para vir…» ou «Alemanha lança alerta a Portugal…».
Como é natural, quem assim falava era a oposição, principalmente um senhor que os jornais diziam ser economista e conselheiro de Pedro Passos Coelho. O resto, era obra escrita dos corifeus da comunicação social ao serviço do sistema e, pagos a peso de ouro, diziam eles, a eficiência recomenda reduzir os gastos públicos, privatizar serviços públicos, flexibilizar o mercado de trabalho, liberalizar o comércio, os serviços financeiros, os mercados de capital, aumentar a concorrência em todos os campos e em todas as partes. Lá falavam nas malditas agências de qualificação, que afinal quantas mais notas negativas derem aos países que vão «investigar» mais lucros especulativos para os «actores» financeiros (especuladores), que adquirem títulos de divida pública desses países!!! Se não fosse pelo respeito que me merecem as prostitutas, até lhes chamava um nome…
Em Portugal, é preciso exorcizar esses ideais de Estado Social e justiça social, que ainda estão na mente de alguns homens do Partido Socialista, dos mais antigos, como Mário Soares e Manuel Alegre e, possivelmente outros. A Europa está a virar à direita extremista e xenófoba. A Social-Democracia está a dar passos atrás, veja-se o caso da Suécia.
Esta é a ideologia da União Europeia, ou seja, a ideologia das elites dominantes. A Alemanha, coração financeiro da Europa e, motor da União Europeia, é governada presentemente por uma mulher ultra conservadora, a senhora Ângela Merkel, que quer a submissão total dos países do Sul da Europa, Portugal, Espanha, Grécia e Itália, a uma economia de mercado, melhor dizendo, a um «terror económico».
Tenhamos isto em conta nas próximas eleições, votemos pondo de lado as emoções, abracemos a razão, votemos pela justiça social, pelos direitos dos desprotegidos(a maior parte dos cidadãos portugueses), pela dignidade dos pobres, pelo direito ao emprego, porque um desempregado permanente vive uma morte lenta e uma desintegração profunda do sentido da vida e, é uma vitima para um qualquer explorador de trabalhadores. Uma coisa muito importante! Votemos pela soberania nacional, não podemos permitir, nem admitir, que Bruxelas e Berlim digam um dia: «Hoje há eleições para a Região Autónoma de Portugal.» Temos o direito de exigir ao nosso Tribunal Constitucional, o que os alemães exigiram ao deles, em relação ao Tratado de Lisboa, que a soberania continuava a residir no Parlamento Alemão.
Outras noticias: «Violaram um menino…», «Violaram uma menina…», «Um homem caiu de um andaime…» ou «o presidente da RTP trocou de carro…».
Depois, milhares de fotografias do «beautiful people» e das «beautiful and elegant ladies» – esta moda já pegou aqui pelos nossos sítios…
Religião: «A Igreja não vigiou padres pedófilos».
Palavras de Bento XVI. Santidade! Se a Igreja ao longo dos séculos tivesse seguido a palavra de Cristo e não os seus interesses, dela Igreja, a Humanidade era diferente. Sabe o que disse Jesus de Nazaré? «Pelos seus frutos os conhecereis».
Outra: «Pais violentos agridem docente».
Muitos jovens e, os seus pais, já perderam as referências morais. É a relativização dos valores, ou seja, tanto valor tem a ética como a imoralidade. E os únicos valores deste sistema em que vivemos são a competitividade e o individualismo. Tudo na sociedade é concorrência, derrotar o outro, mostrar que se é o melhor sem importarem as consequências éticas. Eu primeiro, eu segundo e, se alguma coisa sobrar, eu também. A educação esteve e continua a estar, condicionada a esses pseudo valores (um dos grandes erros da nossa Democracia) por isso, os pais são como os filhos e os filhos como os pais. É o Estado natureza descrito por Hobes, em que o homem é o lobo do outro homem. E quem não vê isto é cego! Uma cegueira e pobreza espirituais.
Queremos aqueles que vão para a dignidade da governação, não aqueles que quando se dirigem para seu lugar político, fazem-no como quem vai para o trabalho. Isto significa falta de ideologia e submissão ao patrão, que é o grande poder económico.
QUEREMOS OS QUE NÃO QUEREM.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com