O historiador Jorge Martins publicou em tempos de comemorações centenárias mais um livro intitulado «A República e os Judeus». O autor recorda no jornal «Público» que com a República «os judeus tinham vida pública e não se escondiam na sinagoga como seres exóticos e marginais».

«A República e os Judeus» - Jorge Martins

O historiador Jorge Martins dispensa apresentações. Escritor e cronista no Capeia Arraiana fez coincidir o lançamento de mais um livro sobre a história dos judeus com as comemorações do Centenário da República que vão acontecendo um pouco por todo o País.
No jornal «Público» escreveu, recentemente, um artigo intitulado «A 1.ª República – A conquista da cidadania» do qual publicamos um excerto:
«A Comunidade Israelita de Lisboa (CIL) obteria a sua legalização a 9 de Maio de 1912, através de um alvará do Governo Civil de Lisboa. Como o regime republicano facilitava a reorganização da CIL, foram criadas várias instituições: o Boletim (1912); a Associação de Estudos Hebraicos Ubá-le-Sion (1912), organização cultural sionista; a Biblioteca Israelita (1914); o Albergue Israelita (1916), antecessor do Hospital Israelita; a Federação Sionista de Portugal (1920); a associação Malakah Sionith (1915), fundada por Barros Basto no Porto; a Escola Israelita (1922), obra de Adolfo Benarus; o Hehaver (1925), organização juvenil sionista, que desempenharia importante acção de apoio aos refugiados durante a 2.ª Guerra Mundial.
A República também veio criar condições favoráveis à descoberta do fenómeno criptojudaico nas Beiras e Trás-os-Montes. Foi o judeu polaco e engenheiro de minas Samuel Schwarz, contratado em 1915 para vir trabalhar em Portugal, quem desencadeou a chamada «Obra do Resgate», dirigida, a partir de 1926, pelo capitão Barros Basto, republicano “dos quatro costados”, o responsável pelo ressurgimento e legalização da Comunidade Israelita do Porto em 1923, a construção da sinagoga Mekor Haim («Fonte da Vida»), inaugurada em 1938 e a fundação de várias comunidades judaicas (27 entre 1924 e 1934).» (excerto do artigo de Jorge Martins no jornal «Público».)
O excelente prefácio do livro, assinado por Miguel Real, aconselha à leitura da obra pela importância das suas investigações históricas:
«Pelos seus livros publicados, nomeadamente os três volumes de «Portugal e os Judeus» (2006) e a «Breve História dos Judeus em Portugal» (2009), Jorge Martins é hoje, indubitavelmente, o maior historiador português vivo do judaísmo. Não é de admirar, assim, que, em harmonia com as Comemorações do I Centenário da República, ora seja publicado o seu estudo «A República e os Judeus» (…)
No século XX, especialmente no tempo da I República, são exemplarmente estudados e realçados os casos dos projectos de colonização judaica de Moçambique e de Angola, que teriam mudado radicalmente a face económica e religiosa destas colónias portuguesas, elevando em muito o seu peso estratégico internacional, alterando porventura a totalidade subsequente da história portuguesa deste século (…)
Se, por via da política do confronto directo com as instituições católicas, existe claramente uma questão religiosa na I República, não existe, como o estudo de Jorge Martins o prova com clareza, uma questão religiosa com as comunidades judaicas portuguesas. Não existe, portanto, uma questão judaica na I República.
Um livro de aconselhável leitura nos 100 anos do aniversário da implantação da República.» (Prefácio de Miguel Real.)

Jorge Martins é professor, investigador do Centro de Estudos de História Contemporânea Portuguesa do ISCTE e cronista no Capeia Arraiana.

O Capeia Arraiana dá os parabéns a Jorge Martins por mais uma obra indispensável na História de Portugal.
jcl

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