Falecido o meu sogro, as «terras» que tinha e tratava ficam, infelizmente, abandonadas…

Pomar

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Não tendo nascido numa família de agricultores nunca na minha vida tinha tido grandes contactos com os trabalhos agrícolas, até ao momento em que comecei a ajudar o meu sogro, sobretudo na vindima e na apanha da azeitona.
Pequeno agricultor, as suas terras (propriedades muito pequenas e afastadas umas das outras), estavam sempre num «brinco», lavradas, limpas, regadas.
Até aos últimos momentos da sua vida, nunca abandonou aqueles torrões, o que permitiu que, alguns meses depois da sua morte, ainda tenha sido possível colher as uvas e fazer 300 a 400 litros de vinho. Também das oliveiras será possível tirar lá para Novembro cerca de 100 litros de azeite.
Mas como custou ver como em poucos meses as terras apresentavam já sinais claros de abandono!…
E este vai ser o futuro daquelas e de quantas terras espalhadas por este país fora e, naturalmente, também no Sabugal.
Eu não sei nem tenho vida para olhar por aquilo que o meu sogro deixou, e na aldeia não há ninguém que possa contratar para fazer os trabalhos agrícolas necessários à manutenção e limpeza as terras.
Como eu estarão certamente muitos dos sabugalenses que vivem e trabalham fora da sua aldeia, seja em Portugal, seja no estrangeiro.
Mas, estou certo, quase todos gostariam de ver, quando fossem à sua aldeia, as terras dos pais com aspecto de cuidadas, mesmo que de lá não colhessem nada.
E estou certo que, como eu, muitos estariam dispostos a pagar por esse trabalho…
E por isso penso que uma Empresa de Manutenção de Espaços Agrícolas tem hoje possibilidades de singrar no Concelho do Sabugal.
Claro que tem riscos; claro que até se obter um conjunto de clientes suficiente vai passar algum tempo; claro que não poderiam ser praticadas tabelas de preços muito elevados; claro que há necessidade de garantir níveis elevados de confiança entre a empresa e os proprietários.
E por isso, penso também que esta empresa não poderá ser apenas fruto da iniciativa privada, mas antes devendo a iniciativa da sua constituição envolver, na fase de arranque, não só as Autarquias (Câmara Municipal e Juntas de Freguesia), mas também e, sobretudo, a COOPCÔA, a ACRISABUGAL, a ADES, a PRÓ-RAIA e demais Associações directa ou indirectamente ligadas ao sector.
Manter as terras dos nossos antepassados limpas e cuidadas, é algo que lhe devemos, mas é também uma forma de limitar a dimensão dos incêndios estivais, e de manter um território.
Claro que não ponho de lado que empresas deste tipo possam, caso haja clientes interessados, cultivar as terras e entregar aos seus donos os produtos agrícolas produzidos…
(E agora vou comer uma das maçãs bravo esmolfe que, se calhar pela última vez, as macieiras do meu sogro ainda deram…)
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos
(Presidente da Assembleia Municipal do Sabugal)
rmlmatos@gmail.com

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