O cinema francês volta a estar de luto. Depois da morte de Eric Rohmer no início do ano, uma outra figura da Nouvelle Vague faleceu esta semana: Claude Chabrol.

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia ArraianaTal como muitos dos seus companheiros da nova vaga do cinema francês, que despontou no final dos anos 1950 e durante a década de 1960, Chabrol começou por ser crítico na revista Cahiers du Cinéma. A sua estreia atrás das câmaras teve lugar em 1958, quando rodou «Le Beau Serge» («Um Vinho Difícil»), o primeiro de cerca de 80 filmes realizados para cinema e televisão, numa carreira de meio século, que terminou no ano passado, com «Bellamy», filme protagonizado por Gérard Depardieu. Estas 80 fitas tornaram Chabrol como um dos cineastas franceses com maior obra na segunda metade do século XX. As suas fitas ficaram conhecidas por uma descrição mordaz da burguesia francesa da província e por filmar num estilo mais clássico quando comparado com nomes da mesma época, como Jean-Luc Godard, François Truffaut ou Eric Rohmer.
Claude ChabrolNascido em Paris em 1930, no seio de uma família de farmacêuticos, Claude Chabrol começou a escrever sobre cinema para os Cahiers ainda na universidade e iniciou-se na Sétima Arte quando criou uma produtora, com a ajuda da sua primeira esposa, que se estreou com uma curta-metragem de Jacques Rivette.
Quando volta a casar em 1964, Chabrol escolhe como companheira uma actriz que figurará em diversas obras ao longo das décadas de 1960 e 1970: Stéphane Audran. Nesta fase o cineasta francês filma vários policiais. No final da década de 1970, mais concretamente em 1978, com a estreia de «Violette Nozière», Claude Chabrol ganha uma nova actriz fetiche, que irá ser presença constante nos seus filmes estreados nas duas últimas décadas do século passado: Isabelle Huppert.
Claude Chabrol faleceu aos 80 anos, vítima de complicações decorrentes de um pneumotórax.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

pedrompfernandes@sapo.pt

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