Tal como a guerra do Vietname deu pano para mangas na Sétima Arte, os conflitos do Iraque e do Afeganistão começam também a chegar em força ao cinema.

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia ArraianaUm dos mais recentes a estrear por cá foi «Entre Irmãos», um remake de um filme norueguês realizado por Jim Sheridan. No centro do argumento está a história de uma família que vê um jovem militar (Tobey Maguire), filho de um veterano do Vietname (Sam Shepard) e pais de duas filhas, partir para o Afeganistão enquanto o irmão mais novo (Jake Gyllenhall) sai da prisão. Contudo uma das missões em que o militar se vê envolvido corre da pior maneira e o soldado é dado como morto.
É a suposta morte deste militar, que mais tarde vemos que foi raptado por um grupo de guerrilheiros talibãs com um colega, que vai despoletar um conjunto de emoções na família: o seu irmão, dado como um delinquente mas em recuperação, aproxima-se da cunhada (Natalie Portman) e das sobrinhas, enquanto o pai tem uma explosão de raiva no funeral do filho contra o comportamento do mais novo. O regresso do soldado a casa, com diversos traumas resultantes do cativeiro, vem abrir algumas feridas na família.
Entre IrmãosCom «Entre Irmãos» o cinema norte-americano aborda uma vez mais os recentes conflitos onde os EUA se têm metido e começam aos poucos a surgir grandes obras sobre esta temática. Basta ver como exemplo o grande vencedor da última edição dos Óscares, «Estado de Guerra» ou «No Vale de Elah», realizado um ano antes por Paul Haggis. Neste caso o filme de Jim Sheridan não é tão focado na acção e no cenário de guerra, mas antes nos traumas provocados nas famílias dos soldados que regressam. E um dos grandes pontos positivos vai para a interpretação, pois o realizador irlandês conseguiu reunir um excelente elenco, com três grandes jovens actores. Neste campo destaque para o desempenho de Tobey Maguire, que lhe valeu uma nomeação para os Globos de Ouro, muito diferente do que nos tem habituado, sobretudo quando se fala da trilogia Homem Aranha.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

pedrompfernandes@sapo.pt

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