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O cinema soviético do período mudo é sobretudo conhecido por grandiosos filmes de propaganda que relatam os episódios da Revolução Russa. Sergei Eisenstein é o nome mais conhecido dessa geração, mas há muitos nomes que a integraram e que não são tão conhecidos nos dias de hoje. Inclusive alguns fizeram comédias.

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia ArraianaUm desses exemplos de comédias é «A Casa da Praça Trubnaia», de Boris Barnet. Tal como os filmes dos seus companheiros da altura, este é um filme de propaganda onde se exaltam os valores da sociedade soviética e os inimigos são os burgueses.
No caso deste filme o tema principal é o papel dos sindicatos e a importância destas associações para evitar a exploração laboral. A história de «A Casa da Praça Trubnaia» é a de Paracha Pitunova, uma jovem que é enviada do campo para Moscovo para se encontrar com o tio, que por um acaso do destino está a chegar à sua aldeia quando o comboio parte para a capital russa. Na grande cidade Paracha vai deparar-se com um mundo novo onde é fácil perder-se e acaba por ir parar precisamente à casa da Praça Trubnaia, um edifício comunitário, e é contratada como doméstica por um casal de burgueses, que só a aceita por não estar sindicalizada, logo, potencialmente não trará problemas.
É esta a base da história, que depois vamos acompanhando, com a jovem a chegar ao sindicato e com o seu patrão a acabar na polícia, onde lhe vão traçar a sentença por não respeitar os direitos da funcionária. Mas «A Casa da Praça Trubnaia» vai muito para além da história, não fosse este um filme soviético. Como noutros casos, aqui dá-se muita importância ao que é filmado, não só às personagens, mas também à forma como se filma.
Casa da Praça TrubnaiaHá três momentos muito bem conseguidos neste excelente filme de Boris Barnet: o acordar de Moscovo, com a filmagem de cenas da cidade acompanhadas com entre-títulos que nos explicam como são as primeiras horas de Moscovo até as ruas ficarem cheias de gente; a filmagem do prédio comunitário num corte transversal que nos mostra em simultâneo o que se passa nos vários andares; e por fim, a utilização de objectos em movimento para dar a ideia de som que não havia na altura. Por exemplo, a genialidade dos planos em que a jovem está irritada com o patrão e a câmara foca diversos tachos e cafeteiras ao lume com água a ferver.
Apesar de pouco conhecido, tanto o filme como o próprio género no cinema soviético do período mudo, este é um excelente filme que nos permite descobrir uma faceta daquele período cinematográfico que vai muito para além de Eisenstein.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

pedrompfernandes@sapo.pt

Este é o momento de todos contribuirmos para definir uma estratégia de desenvolvimento do Concelho.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»– A entrada em período de discussão pública da proposta do Plano Regional de Ordenamento do Território da Região Centro (PROT-Centro), a decorrer nos meses de Outubro e Novembro;
– A discussão em torno do novo Plano de Desenvolvimento Económico e Social do Concelho do Sabugal que, penso, o Executivo Municipal está a elaborar;
– A entrada na fase final de elaboração do novo Plano Director Municipal, em banho-maria até agora, por não haver PROT;
– As intervenções feitas na última Assembleia Municipal pelos Srs. Deputados Municipais Manuel Rito e Carlos Alberto Morgado Gomes;

Eis um conjunto de dados e iniciativas que colocam de novo e com urgência a questão de, colectivamente, definirmos o futuro do nosso Concelho.
E, por isso, permito-me repetir aqui o que escrevi no início de 2008.
«Este é também um momento de urgência, obrigando todos os que sobre estes assuntos costumam reflectir a não perder tempo com grandes teorias – a definição de uma estratégia de desenvolvimento deve partir, no essencial, pela selecção de um conjunto de projectos cuja realização concretiza uma determinada visão estratégica.»
E concluía, dizendo que:
«Falo de uma nova postura dinâmica e proactiva de resposta aos três grandes desafios que se colocam ao Concelho e às suas gentes:
– Como “usar” os recursos para induzir a competitividade e a qualificação do Concelho;
– Quais as “ameias” que o Sabugal deve construir e seguir para um desenvolvimento equilibrado e sustentado;
– Qual o papel que o Concelho quer assumir no quadro regional e transfronteiriço.
Falo, por último, e parafraseando uma das pessoas (Oliveira das Neves), que mais tem pensado e trabalhado nesta área, da urgência em se estabelecer um Pacto de Desenvolvimento para o Concelho do Sabugal, para o qual todos somos chamados e no qual todos somos “actores principais”.»
Os meses que se avizinham irão ser, assim, decisivos.
O Executivo Municipal, incluindo os vereadores com pelouros atribuídos ou integrando a oposição à actual maioria;
Os Deputados Municipais;
As Juntas e Assembleias de Freguesia;
As associações empresariais e sectoriais;
Os empresários;
As IPSS e o conjunto do movimento associativo;
Os cidadãos em geral,
Todos temos o direito e o dever de participar neste momento, repito, decisivo para o futuro da nossa terra.
Como cidadão e como deputado municipal continuarei a dar o meu contributo.
Como Presidente da Assembleia Municipal tudo farei para dinamizar este debate e para que a Assembleia Municipal contribua para a construção de um “Concelho do Sabugal Melhor”.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos
(Presidente da Assembleia Municipal do Sabugal)
rmlmatos@gmail.com

Jean-Louis Ebénézer Reynier nasceu a 14 de Janeiro de 1771 em Lausanne, na Suíça, tendo-se destacado enquanto militar ao serviço de Napoleão. Na terceira invasão de Portugal coube-lhe ocupar o Sabugal e Alfaiates, onde permaneceu no período preparatório do avanço para Lisboa. Na retirada voltou a acampar no Sabugal, onde enfrentou as tropas anglo-portuguesas comandadas directamente por lord Wellington.

Reynier foi um oficial talentoso, que porém era por vezes acusado de ser muito inseguro e de trato difícil.
Formado em engenharia civil, ofereceu-se para servir no exército francês em 1792, tornando-se oficial de artilharia. Serviu abnegadamente em combate, o que, aliado aos seus conhecimentos, lhe valeu ser promovido a general de brigada com apenas 24 anos.
Integrou a expedição ao Egipto, onde serviu na batalha das Pirâmides e foi nomeado governador de uma província. Tomou parte na expedição à Síria, e, de volta ao Cairo, desentendeu-se com o comandante-em-chefe, o general Menou, o que lhe valeu ser preso e acusado de traição.
Já em Paris, bateu-se em duelo com o general Destaing, a quem provocou a morte. Napoleão expulsou-o então da cidade. Mas o reconhecido talento de Reynier fez com que estivesse de volta pouco tempo depois.
Em 1804 integrou o Corpo de Observação de Nápoles, e, no ano seguinte, venceu os austríacos. Em 1806 serviu sob as ordens de Massena e, em 1807, assumiu o comando do exército francês na Calábria, cuja campanha o levou a Grande Oficial da Legião de Honra. Em 1808 foi nomeado Ministro da Guerra e da Marinha do Reino de Nápoles.
No decurso da importante Batalha de Wagram, o Imperador retirou o comando ao Marechal Bernadotte, chamando Reynier para o substituir à frente de um dos corpos.
No final de 1809 foi enviado para a Península Ibérica, onde tomou o comando do 2º corpo, que integrou o Exército de Portugal, sob as ordens de Massena. Apesar dos reveses desta campanha, Reynier tornou-se Conde do Império, em reconhecimento dos seus méritos.
Em Janeiro de 1812 retornou a França para preparar a campanha da Rússia, na qual participou. Na retirada, já na Alemanha, ficou prisioneiro dos russos, que, sabendo-o suíço de nascimento, lhe ofereceram uma comissão no seu exército. Reynier recusou, permanecendo fiel à França, e retornou a Paris, graças a uma troca de prisioneiros. Desgastado pelas campanhas adoeceu gravemente e morreu pouco depois, em 27 de Fevereiro de 1814.
No decurso da terceira invasão de Portugal foram diversos os momentos de tensão entre Massena e os seus comandantes dos corpos, incluindo Reynier. Massena considerava-o um general com muito talento, mas que era tímido e desesperava perante a menor dificuldade.
Antes da invasão se iniciar, coube-lhe cobrir a linha do Tejo, sustendo as tropas do general Hill. Depois o marechal comandante ordenou-lhe que viesse para norte, entrasse em Portugal pela Idanha e atingisse o Sabugal e Alfaiates, onde deveria instalar os seus 18 mil homens. Esteve no Sabugal de 27 de Agosto a 11 de Setembro de 1810. Seguiu depois para a Guarda e desceu o vale do Mondego, acompanhando os outros corpos no movimento geral.
Na batalha do Buçaco Reynier formou a esquerda do ataque francês, tendo sofrido pesadas baixas. Passando Coimbra e Leiria o exército invasor chegou às célebres linhas de Torres Vedras, também chamadas de Lisboa, que não conseguiu ultrapassar, espraiando-se em toda a sua extensão, cabendo a Reynier ocupar Vila Franca de Xira e Castanheira do Ribatejo. Recuou depois para Santarém, cidade que ocupou enquanto os franceses esperaram por reforços que nunca chegaram.
Reynier era admirado pelos seus soldados, dado o rigor com que manobrava as tropas e os estratagemas a que recorria para iludir o inimigo. Em Santarém, passando grandes privações, por falta de víveres, Reynier pensou numa incursão à margem esquerda do Tejo para recolher algum do gado. Wellington tinha soldados guardando toda essa margem, sem porém se conhecer o seu número. Reynier concretizou então um plano, que consistiu em fazer subir um balão de ar quente que mandou fazer com papéis, facto que despertou a curiosidade dos soldados portugueses e ingleses, que saíram dos seus refúgios para observarem o artefacto. Munido do seu binóculo o general contou então as tropas inimigas, planeando depois uma incursão que foi muito bem sucedida.
Aquando da retirada, Reynier voltou a surpreender ao montar um estratagema que iludiu as linhas luso-britânicas e lhe garantiu um avanço considerável. Mandou fazer manequins vestidos de soldados, colocou-os nos locais das sentinelas e abandonou os postos durante a noite. Só ao amanhecer os aliados deram conta de que as linhas francesas estavam desertas.
Na véspera da batalha do Sabugal Reynier fez mais uma vez desesperar Massena, que estava em Alfaiates. O Marechal ordenara-lhe que garantisse a ponte do Côa, dando tempo a Loison para recuar com o seu corpo. Porém Reynier mostrava-se nervoso e impaciente, face aos movimentos que os seus postos avançados observavam ao exército anglo-luso, que vinha de Vale Mourisco em direcção ao Sabugal. Os ajudantes de campo de um e outro oficial cruzavam-se incessantemente com missivas. Reynier dizia estar defronte de toda a vanguarda do exército aliado e queria retirar durante a noite, mas Massena ordenava-lhe que se mantivesse firme e escrevia-lhe: Não penso que o inimigo nos queira atacar; colocou-se na estrada de Penamacor para ver se queremos ir por ela. (…) o 6º corpo está à sua direita e o 8º atrás de si, e ou um ou o outro lhe dará apoio em caso de necessidade. (…) Para lhe dizer a verdade, não creio que lord Wellington esteja à sua frente. Mas estava, e em pessoa, preparando um ataque vigoroso às linhas francesas. Atacado, Reynier resistiu quanto pôde, até receber enfim autorização para retirar.
Massena elogiou porém o esforço do seu general: o combate do Sabugal honra Reynier, pois este general recuperou toda a sua energia logo que a acção começou, escreveu o general Koch nas «Memórias de Massena». Na verdade cumpriu a sua missão e conseguiu retirar em boa ordem, sem perdas consideráveis.
O nome de Reynier está escrito no lado sul do Arco de Triunfo.
Paulo Leitão Batista

Os ciganos aparecem pela primeira vez em Paris em 1427 assentando os seus arraiais num acampamento em Saint-Antoine-des-Champs, em Neuilly e em Ville-d’Évéque.

Os Ciganos - Van Goog

João Valente - Arroz com Todos - Capeia ArraianaA Portugal, os ciganos chegaram também pelos finais do século XV e o conceito que a população fez deles também foi o mesmo.
Gil Vicente, dedicou-lhes uma peça de teatro – Farsa de Ciganos – representada em Évora, em 1521 ou 1525 em que os identifica já como gente nómada dedicada ao roubo.
Dominam o comércio das cavalgaduras, em especial aquelas que se encontram doentes fazendo-as passar por animais de boa saúde. Celebrizaram-se também por se dedicaram às práticas de feitiçaria, quiromancia e cartomancia, prática que de vida que mantiveram até meados do século XX, enquanto o país se manteve essencialmente rural.
O Abade de Baçal nas suas «Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança» dedica um texto aos ciganos no distrito de Bragança no tomo V onde descreve que a sua vida era vaguear de terra em terra, roubar quanto podiam, ler a buena dicha, pouca religião, vestidos imundos, rosto trigueiro amarelado, cabelos pretos, a que juntaram práticas supersticiosas de feitiçaria para melhor armar os efeitos rapinantes.
No Romance «Celestina», a propósito da romaria à Senhora da Póvoa, o nosso patrício Joaquim Correia conta-nos um episódio do roubo de uma égua e sua revenda ao dono pelos ciganos, totalmente repintada para disfarçar os sinais, dando-nos conta precisamente deste tipo de vida.
A maioria dos livros que existem sobre o assunto no nosso país, nomeadamente «O Povo Cigano» de Olímpio Nunes, a «Etnografia Portuguesa» de Rocha Peixoto, e o vol. IV da «Etnografia Portuguesa» de Leite de Vasconcelos, reflecte esta opinião geral também.
Evocando tudo isto, D. João III, pelo Alvará de 13 de Março de 1526, proibiu-os de entraram em Portugal, ordenando a expulsão de todos os que aqui viviam. Ao longo dos séculos são inúmeras as leis promulgadas com idêntica finalidade. Sempre mais severas, mas sempre inúteis. Uma das últimas, foi a de D. João V, em 10 de Dezembro de 1718.
A partir do século XIX, o Estado deixou de colocar a questão da expulsão dos ciganos, passando a considerá-los cidadãos portugueses, embora as posturas policiais e municipais os condenassem à mesma vida errante, proibindo a sua permanência prolongada nos aglomerados populacionais.
Actualmente, a maioria sedentarizou-se e dedica-se à vida ambulante e as carroças foram sendo substituídas por carrinhas, enquanto as tendas foram sendo substituídas por barracas e habitação social.
A estratégia de integração em Portugal tem passado pelo acesso da comunidade a habitação social e ao «rendimento mínimo garantido», em contrapartida pela escolarização das crianças ciganas, numa filosofia de integração gradual das futuras gerações pela aculturação, mas com resultados duvidosos, dada a elevadíssima taxa de insucesso escolar.
No entanto, muito está por fazer:
Apesar de mais de dois terços dos sete a oito milhões de ciganos do mundo viverem na Europa (Alemanha, 100.000; Albânia, 70.000; Bósnia, 17.000; Bulgária, 700.000; Croácia, 9.463; Espanha, 600.000–800.000; Grécia, 300.000-350.000; Hungria, 190.046; Polónia, 15.000–50.000; Portugal, 40.000; Reino Unido, 40.000; República Checa, 120.000–220.000; Roménia, 535.140, mas outros censos calculam entre 1.500.000-2.000.000; Eslováquia, 92.500; Turquia, 1.500.000 – 2 milhões), a Espanha é o país da União Europeia que mais fundos comunitários destina a programas orientados em exclusivo à integração de ciganos para o período 2007-13, com um total de 47 milhões de euros, e apenas mais quatro Estados-membros dispõem de programas de integração destinados aos ciganos (República Checa 43 ME, Roménia 38 ME, Eslováquia 26 ME e Polónia 22 ME), segundo números divulgados recentemente pela Comissão Europeia, no âmbito do debate sobre as expulsões levadas a cabo por França.
Portugal, contudo não tem qualquer programa específico de integração dos ciganos como estes países.
A escolarização que implementamos como contrapartida aos apoios sociais é redutora e, pelos seus fraquíssimos resultados (taxas de sucesso por vezes de apenas 1,4%) não é solução, devendo ser substituída por um ensino específico que vá ao encontro das necessidades da comunidade, designadamente com reforço da componente de ensino profissional e medidas que respeitem e até preservem a especificidade e cultura do povo cigano.
O caminho certo nunca é o da exclusão como faz a França, mas também nunca o da integração forçada como pretendemos e que não está a resultar.
É que o povo cigano tem, pelo seu modo de vida tradicional e que está hoje ameaçado, uma noção de liberdade que nós, gadjés, não temos e que é a alma da sua cultura:
«Com estas y con otras leyes y estatutos, diz ainda o velho cigano de La Gitanilla, nos conservamos y vivimos alegres; somos señores de los campos, de los sembrados, de las selvas, de los montes, de las fuentes y de los ríos. Los montes nos ofrecen leña de balde; los árboles, frutas; las viñas, uvas; las huertas, hortaliza; las fuentes, agua; los ríos, peces, y los vedados, caza; sombra, las peñas; aire fresco, las quiebras; y casas, las cuevas. Para nosotros las inclemencias del cielo son oreos, refrigerio las nieves, baños la lluvia, músicas los truenos y hachas los relámpagos. Para nosotros son los duros terreros colchones de blandas plumas: el cuero curtido de nuestros cuerpos nos sirve de arnés impenetrable que nos defiende; a nuestra ligereza no la impiden grillos, ni la detienen barrancos, ni la contrastan paredes; a nuestro ánimo no le tuercen cordeles, ni le menoscaban garruchas, ni le ahogan tocas, ni le doman potros. Del sí al no no hacemos diferencia cuando nos conviene: siempre nos preciamos más de mártires que de confesores. Para nosotros se crían las bestias de carga en los campos, y se cortan las faldriqueras en las ciudades. No hay águila, ni ninguna otra ave de rapiña, que más presto se abalance a la presa que se le ofrece, que nosotros nos abalanzamos a las ocasiones que algún interés nos señalen»…
Se não percebermos isto, arriscamos a que percam a sua identidade, ou que uma integração mal feita, acabe o que ainda resta desta particular riqueza da cultura cigana …
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

A casa tipicamente beiroa, envolvida pelo curral, com o famoso balcão ou patim e de vistosa escadaria ligando o piso térreo ao superior, toda em pedra, melhor ou pior aparelhada, é dos principais vestígios do nosso passado colectivo, que merece preservação.

Para o homem antigo, a casa tinha sobretudo uma preocupação prática. O povo queria um local de abrigo onde a funcionalidade superasse a comodidade. Vale a pena citar Mestre Aquilino Ribeiro: «A aldeia, mal o sol pula detrás dos montes, esvazia-se para os campos. É lá que estão os tesouros. A casa pouco mais representa do que ponto de passagem, abrigo para a noite, compasso de espera para a cova.»
Esse aspecto prático impôs construções exíguas e singelas como aquelas que caracterizavam a aldeia beirã, hoje muito desvirtuada com o proliferar de edifícios modernos . Via de regra a construção antiga é em pedra, variando o tipo com a composição morfológica do solo onde a casa está implantada. Raro perduram habitações de madeira, material apenas usado para simples cabanas de recolha de gado ou de alfaias agrícolas. A casa do lavrador era norma ter defronte um logradouro murado, que em certos lugares se chama quintã, mas que usualmente dá pelo nome de curral ou pátio. Aqui existia o alpendre ou coberto, onde se formava a moreia da lenha, se instalava o poleiro das pitas e se quedava o carro das vacas.
Por bitola, a casa tinha dois pisos, sendo o superior para instalação das pessoas e o térreo para recolha dos animais. Não era em vão que existia esta disposição na casa beirã. Os invernos eram rigorosos e o facto dos animais dormirem por baixo contribuía para aquecer os aposentos superiores, pois a separar os pisos havia apenas uma placa de solho.
Para acesso à casa havia uma escaleira exterior, não muito alta, encimada por um balcão ou patim, geralmente protegido por guardas de granito. Em muitos casos havia um poleiro por baixo do balcão, onde as pitas entravam por um buraco existente na parede, que era tapado com tropeço de pau traçado à medida.
Quando ao interior da casa era comum entrar-se directamente na saleta, onde se dispunha uma mesa e arcas da roupa e de cereais. Na cozinha havia a lareira, encostada à parede, tendo por base uma laje de granito. Ao fundo da lareira surgia uma pequena divisória em pedra, a que se chamava pilheira, que servia para depositar a cinza. Em toda a cozinha havia bancos pequenos e geralmente um escano, que era um banco corrido, com encosto, instalado junto da lareira e que por baixo tinha armários onde se guardavam louças. A um canto aparecia a cantareira ou vasal, que era uma espécie de estante onde se colocava a loiça e os cântaros da água. Muitas casas eram de telha vã e não tinham chaminé, saindo o fumo pelas frestas das telhas.
Os quartos, ou alcovas, eram de muita exiguidade, onde cabia apenas uma cama. Esse facto demonstra bem que a habitação era apenas lugar de passagem, refúgio para a noite, porque o mais da vida estava nos campos, no trato dos agros.
Ante a urgência construtiva e a negligência da fiscalização, destruiu-se irremediavelmente a harmonia urbanística. Em poucas décadas de construção moderna na aldeia, seguindo novos gostos e elaborados estilos, ganhou-se muito na comodidade interior, mas perdeu-se no aspecto exterior da habitação aldeã.
Paulo Leitão Batista

Para cargos de grande responsabilidade convém escolher os que não os pretendem.

António EmidioJá há muitos anos que não lia tantos jornais controlados pelo poder económico, como um dia destes numa sala de espera de um consultório médico.
Grandes parangonas referentes à economia: «O Estado gasta muito…», «Portugal em matéria económica aproxima-se da Grécia…», «O pior está para vir…» ou «Alemanha lança alerta a Portugal…».
Como é natural, quem assim falava era a oposição, principalmente um senhor que os jornais diziam ser economista e conselheiro de Pedro Passos Coelho. O resto, era obra escrita dos corifeus da comunicação social ao serviço do sistema e, pagos a peso de ouro, diziam eles, a eficiência recomenda reduzir os gastos públicos, privatizar serviços públicos, flexibilizar o mercado de trabalho, liberalizar o comércio, os serviços financeiros, os mercados de capital, aumentar a concorrência em todos os campos e em todas as partes. Lá falavam nas malditas agências de qualificação, que afinal quantas mais notas negativas derem aos países que vão «investigar» mais lucros especulativos para os «actores» financeiros (especuladores), que adquirem títulos de divida pública desses países!!! Se não fosse pelo respeito que me merecem as prostitutas, até lhes chamava um nome…
Em Portugal, é preciso exorcizar esses ideais de Estado Social e justiça social, que ainda estão na mente de alguns homens do Partido Socialista, dos mais antigos, como Mário Soares e Manuel Alegre e, possivelmente outros. A Europa está a virar à direita extremista e xenófoba. A Social-Democracia está a dar passos atrás, veja-se o caso da Suécia.
Esta é a ideologia da União Europeia, ou seja, a ideologia das elites dominantes. A Alemanha, coração financeiro da Europa e, motor da União Europeia, é governada presentemente por uma mulher ultra conservadora, a senhora Ângela Merkel, que quer a submissão total dos países do Sul da Europa, Portugal, Espanha, Grécia e Itália, a uma economia de mercado, melhor dizendo, a um «terror económico».
Tenhamos isto em conta nas próximas eleições, votemos pondo de lado as emoções, abracemos a razão, votemos pela justiça social, pelos direitos dos desprotegidos(a maior parte dos cidadãos portugueses), pela dignidade dos pobres, pelo direito ao emprego, porque um desempregado permanente vive uma morte lenta e uma desintegração profunda do sentido da vida e, é uma vitima para um qualquer explorador de trabalhadores. Uma coisa muito importante! Votemos pela soberania nacional, não podemos permitir, nem admitir, que Bruxelas e Berlim digam um dia: «Hoje há eleições para a Região Autónoma de Portugal.» Temos o direito de exigir ao nosso Tribunal Constitucional, o que os alemães exigiram ao deles, em relação ao Tratado de Lisboa, que a soberania continuava a residir no Parlamento Alemão.
Outras noticias: «Violaram um menino…», «Violaram uma menina…», «Um homem caiu de um andaime…» ou «o presidente da RTP trocou de carro…».
Depois, milhares de fotografias do «beautiful people» e das «beautiful and elegant ladies» – esta moda já pegou aqui pelos nossos sítios…
Religião: «A Igreja não vigiou padres pedófilos».
Palavras de Bento XVI. Santidade! Se a Igreja ao longo dos séculos tivesse seguido a palavra de Cristo e não os seus interesses, dela Igreja, a Humanidade era diferente. Sabe o que disse Jesus de Nazaré? «Pelos seus frutos os conhecereis».
Outra: «Pais violentos agridem docente».
Muitos jovens e, os seus pais, já perderam as referências morais. É a relativização dos valores, ou seja, tanto valor tem a ética como a imoralidade. E os únicos valores deste sistema em que vivemos são a competitividade e o individualismo. Tudo na sociedade é concorrência, derrotar o outro, mostrar que se é o melhor sem importarem as consequências éticas. Eu primeiro, eu segundo e, se alguma coisa sobrar, eu também. A educação esteve e continua a estar, condicionada a esses pseudo valores (um dos grandes erros da nossa Democracia) por isso, os pais são como os filhos e os filhos como os pais. É o Estado natureza descrito por Hobes, em que o homem é o lobo do outro homem. E quem não vê isto é cego! Uma cegueira e pobreza espirituais.
Queremos aqueles que vão para a dignidade da governação, não aqueles que quando se dirigem para seu lugar político, fazem-no como quem vai para o trabalho. Isto significa falta de ideologia e submissão ao patrão, que é o grande poder económico.
QUEREMOS OS QUE NÃO QUEREM.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

O comando territorial da Guarda da GNR relembra que o período crítico contra incêndios florestais vigora até 15 de Outubro, razão pela qual se mantêm atenta na vigilância da floresta.

Segundo o comunicado semanal da GNR da Guarda, na semana transacta registaram-se no distrito 41 ocorrências relacionadas com o uso do fogo, sendo elaborados 12 autos de contra-ordenação em matéria de defesa da floresta contra incêndios, nomeadamente por falta de extintores em máquinas agrícolas e florestais, por realização queimadas em terrenos agrícolas e florestais e por realização de fogueiras para simples queima de lixos e sobrantes de limpeza de terrenos.
«Os Posto Territoriais e as Equipas do Serviço da Protecção da Natureza e Ambiente deste Comando, mantiveram-se atentos, durante o mesmo período, aos trabalhos e a outras actividades executadas com máquinas em espaços rurais (e com eles relacionados), fiscalizando, nomeadamente, se as mesmas estavam dotadas de dispositivos de retenção de faíscas ou faúlhas, bem como de dispositivos tapa-chamas nos tubos de escape ou chaminés, e se também dispunham de um ou dois extintores. Dessa foram se identificaram potenciais agentes causadores de incêndios florestais e se dissuadiram comportamentos que poderiam propiciar a sua ocorrência.», refere o comunicado, assinado pelo comandante, coronel, José Manuel Monteiro Antunes.
A GNR recorda que «o período crítico no âmbito do Sistema de Defesa da Floresta Contra Incêndios vigora até 15 de Outubro, continuando, até essa data, a ser proibida a realização de queimas (uso do fogo para queima de lixos e sobrantes de limpeza de terrenos) e queimadas (uso do fogo para queima de pastos e restolhos para renovação de pastagens), conforme o estipulado na Portaria 269/2010 de 17 de Maio». O comunicado recorda também que a coima mínima aplicável neste tipo de infracções é de 140 euros.
Durante a semana a GNR deteve 17 pessoas, das quais 11 em flagrante delito e 6 por mandado judicial. Foram ainda elaborados 220 autos de contra-ordenação, 198 dos quais por infracções ao Código da estrada.
Registaram-se 21 acidentes de viação, 11 dos quais por colisão e dois por despiste. Dos mesmos resultaram dois feridos graves e um ferido leve.Após análise sumária das causas dos acidentes registados, foi possível apurar como causa provável da sua maioria, o desrespeito de cedência passagem e a velocidade excessiva.
Em 22 de Setembro a GNR levou a efeito uma operação direccionada para a fiscalização geral do trânsito, com particular incidência no transporte de mercadorias em circulação, bem como intercepção de suspeitos da prática de crimes. Foram fiscalizados 87 veículos e condutores, tendo sido elaborados 15 autos de contra-ordenação.
Na zona de fronteira com Espanha, foram realizadas seis operações no âmbito da Fitossanidade Florestal, direccionadas para a fiscalização do Nemátodo do Pinheiro, tendo sido fiscalizados 161 veículos e elaborados cinco autos de contra-ordenação.
No período em apreço, os Núcleos de Programas Especiais dos Destacamentos Territoriais de Gouveia e Vilar Formoso realizaram 4 acções de sensibilização subordinadas ao tema «Regresso às Aulas em Segurança», nos concelhos da Seia, Almeida e Figueira de Castelo Rodrigo. Estiveram presentes 73 encarregados de educação, tendo-lhes sido distribuídos panfletos informativos.
No dia 22 de Setembro, o Núcleo de Programas Especiais do Destacamento Territorial da Guarda participou nas acções desenvolvidas em Manteigas no âmbito do dia «Dia Europeu sem Carros». Para o efeito acompanhou e elucidou 42 alunos de escolas daquele concelho.
plb

Massena comandou a terceira invasão de Portugal em 1810, à frente de um exército que se propunha enviar os ingleses para o mar e tomar conta de um território e de um povo que se mostrava indomável. Porém, tal como as anteriores, esta invasão fracassou e com ela esmoreceu a chama do ilustre Marechal de França.

André Massena nasceu numa aldeia dos Alpes a 6 de Maio de 1758, no seio de uma família humilde, em que o pai era curtidor e fabricante de sabão. Foi o terceiro de cinco irmãos e teve uma infância dura. Aos 14 anos embarcou num navio mercante como grumete e aos 16 ingressou no exército francês. Passados dois anos era sargento, patente de que nunca passaria, dadas as suas origens humildes, não fosse a revolução de 1789, que o catapultou para o topo da hierarquia militar. Os seus elevados méritos no campo de batalha levaram-no a Marechal de França, e a acumular os títulos de Duque de Rivoli e Príncipe de Essling.
Cobriu-se de glória nas campanhas da Áustria e de Itália, o que lhe valeu ser chamado por Napoleão Bonaparte de «filho querido da vitória», e tido como o melhor estratega francês, cuja fama apenas era suplantada pela do próprio imperador.
Em 1810, após o fracasso da segunda invasão de Portugal, comandada por Soult, Napoleão decidiu acabar de vez com a resistência deste rincão ocidental da Europa, onde os ingleses se haviam instalado, ajudando a que se mantivesse como o único país do continente que não estava submetido à vontade dos franceses. Em 17 de Abril, ordenou a formação do Exército de Portugal que ele próprio comandaria. Porém os afazeres da politica prenderam-no em Paris, e nomeou comandante-em-chefe do novo exército o Marechal Massena, tido como o seu melhor e mais prestigiado lugar-tenente.
Massena tudo fez para evitar a nomeação. Não via com bons olhos que o exército fosse formado por corpos comandados por oficiais generais que estavam há muito na Península. Desconfiava especialmente de Ney e de Junot. O primeiro porque era também Marechal e era demasiado orgulhoso e irascível, e o segundo porque havia comandado a primeira invasão e não apreciaria reentrar em Portugal numa posição secundária. Napoleão recebeu porém Massena em audiência e convenceu-o a aceitar a missão.
Escolheu os oficiais do seu estado-maior e os comandantes de engenharia e artilharia e, em 29 de Abril, partiu de Paris, chegando a Valladolid a 10 de Maio, onde se correspondeu com os chefes dos três corpos que formavam o Exército de Portugal: o marechal Ney e os generais Junot e Reynier. Passou depois a Salamanca, onde organizou o seu exército e ordenou a tomada de Ciudad Rodrigo, que capitulou a 9 de Julho, criando-se assim as condições para que cumprisse com segurança a missão de submeter Portugal.
A tropa lançou-se sobre Almeida, cuja praça foi tomada após a infeliz explosão do paiol, e dali seguiu pela estrada da Beira, travando um primeiro combate no Buçaco, em 27 de Setembro, onde as forças anglo-lusas levaram a melhor sobre um exército francês que caiu no erro de tentar forçar linhas bem posicionadas. Massena perdeu ali um pouco do seu brio, mas prosseguiu com a invasão levando os ingleses e os portugueses da sua frente. Só as célebres Linhas de Torres Vedras, autêntica barreira defensiva inexpugnável, fez parar o movimento de Massena, que se quedou à espera de reforços para forçar a tomada de Lisboa.
Até Março de 1811, o exército francês subsistiu como pôde, com as tropas depauperadas e desmotivadas. Sem meios para atacar Lisboa, desiludido e desconfiado dos seus lugar-tenentes, Massena decidiu retirar. Planeou cada movimento com o maior rigor, conseguindo evitar grandes perdas, mau grado a perseguição tenaz que o exército ango-luso lhe deu. Sem força para avançar, soube controlar a retirada, demonstrando neste particular os seus dotes de estratega. Mesmo assim, quis evitar abandonar Portugal, planeando deixar os feridos e o material pesado em Almeida e avançando sobre o Sabugal e Penamacor, tomando o caminho do Sul, onde se reuniria ao Marechal Soult, que operava no sul de Espanha, para relançar a invasão pelo Alentejo. Contudo a insubordinação de Ney não lhe deixou margem para executar esse projecto, tanto mais que Wellington o interceptou no Sabugal, onde lhe deu combate, obrigando-o a recuar para Espanha.
Massena perdeu na batalha do Sabugal um obus, não se cansando de dizer que essa foi a única peça de artilharia que lhe foi retirada pelo inimigo em Portugal, assim provando que retirara sempre em boa ordem, nunca se considerando literalmente derrotado.
Já em Salamanca decide voltar a Portugal para abastecer a praça de Almeida, e trava com grande vigor a batalha de Fuentes de Oñoro, onde não conseguiu romper as linhas aliadas, assim se gorando a derradeira tentativa de reentrar em Portugal. Face ao fracasso, Massena caiu no desfavor de Napoleão, que lhe retirou o comando do Exército de Portugal, substituindo-o por Marmont. Para o humilhar o major general do exército francês envia-lhe de Paris uma missiva com as ordens expressas do imperador: «É desejo de Sua Majestade que se apresente em Paris imediatamente. O Imperador ordena expressamente que só traga consigo o seu filho e outro dos seus ajudantes-de-campo.»
Muitos franceses consideram Massena como o responsável pelo fracasso da invasão, fosse por ausência de uma estratégia ousada, por não ter conseguido submeter os seus comandantes de corpo ou por não ter dado combate vigoroso aos ingleses entrincheirados nas Linhas de Torres.
Mas são também muitos os militares franceses do seu tempo e os historiadores que vêm em defesa de Massena. Houve desde logo o mérito de lord Wellington que ao retirar para se fortificar junto a Lisboa, lhe deixou um território deserto e sem recursos, onde não pôde subsistir. Depois há a questão da dimensão do exército que Napoleão lhe entregou, porque ao invés dos 70 mil homens prometidos, Massena nunca teve mais de 45 mil. Fulcral foi também a constante insubordinação do Marechal Ney, que comandava o 6º corpo, que se recusou por diversas vezes a cumprir as ordens literais de Massena, colocando em causa as manobras do exército invasor.
André Massena, que morreria tuberculoso em 4 de Abril de 1817, esteve nas nossas terras raianas no momento em que preparava a execução da invasão e também aquando da retirada. No movimento retrógrado instalou o quartel-general em Alfaiates, de onde intentou a manobra de evolução para o sul. Porém o avanço dos aliados para o Sabugal, pela margem esquerda do Côa, gorou-lhe esses planos. No dia da Batalha do Sabugal, a 3 de Abril de 1811, foi de Alfaiates que enviou a ordem de retirada a Reynier, que comandava o corpo que foi atacado pelo exército anglo-luso. Foi ainda em Alfaiates que concentrou os seus corpos de exército e fez de seguida a manobra de recuo para Espanha.
Paulo Leitão Batista

O historiador Jorge Martins publicou em tempos de comemorações centenárias mais um livro intitulado «A República e os Judeus». O autor recorda no jornal «Público» que com a República «os judeus tinham vida pública e não se escondiam na sinagoga como seres exóticos e marginais».

«A República e os Judeus» - Jorge Martins

O historiador Jorge Martins dispensa apresentações. Escritor e cronista no Capeia Arraiana fez coincidir o lançamento de mais um livro sobre a história dos judeus com as comemorações do Centenário da República que vão acontecendo um pouco por todo o País.
No jornal «Público» escreveu, recentemente, um artigo intitulado «A 1.ª República – A conquista da cidadania» do qual publicamos um excerto:
«A Comunidade Israelita de Lisboa (CIL) obteria a sua legalização a 9 de Maio de 1912, através de um alvará do Governo Civil de Lisboa. Como o regime republicano facilitava a reorganização da CIL, foram criadas várias instituições: o Boletim (1912); a Associação de Estudos Hebraicos Ubá-le-Sion (1912), organização cultural sionista; a Biblioteca Israelita (1914); o Albergue Israelita (1916), antecessor do Hospital Israelita; a Federação Sionista de Portugal (1920); a associação Malakah Sionith (1915), fundada por Barros Basto no Porto; a Escola Israelita (1922), obra de Adolfo Benarus; o Hehaver (1925), organização juvenil sionista, que desempenharia importante acção de apoio aos refugiados durante a 2.ª Guerra Mundial.
A República também veio criar condições favoráveis à descoberta do fenómeno criptojudaico nas Beiras e Trás-os-Montes. Foi o judeu polaco e engenheiro de minas Samuel Schwarz, contratado em 1915 para vir trabalhar em Portugal, quem desencadeou a chamada «Obra do Resgate», dirigida, a partir de 1926, pelo capitão Barros Basto, republicano “dos quatro costados”, o responsável pelo ressurgimento e legalização da Comunidade Israelita do Porto em 1923, a construção da sinagoga Mekor Haim («Fonte da Vida»), inaugurada em 1938 e a fundação de várias comunidades judaicas (27 entre 1924 e 1934).» (excerto do artigo de Jorge Martins no jornal «Público».)
O excelente prefácio do livro, assinado por Miguel Real, aconselha à leitura da obra pela importância das suas investigações históricas:
«Pelos seus livros publicados, nomeadamente os três volumes de «Portugal e os Judeus» (2006) e a «Breve História dos Judeus em Portugal» (2009), Jorge Martins é hoje, indubitavelmente, o maior historiador português vivo do judaísmo. Não é de admirar, assim, que, em harmonia com as Comemorações do I Centenário da República, ora seja publicado o seu estudo «A República e os Judeus» (…)
No século XX, especialmente no tempo da I República, são exemplarmente estudados e realçados os casos dos projectos de colonização judaica de Moçambique e de Angola, que teriam mudado radicalmente a face económica e religiosa destas colónias portuguesas, elevando em muito o seu peso estratégico internacional, alterando porventura a totalidade subsequente da história portuguesa deste século (…)
Se, por via da política do confronto directo com as instituições católicas, existe claramente uma questão religiosa na I República, não existe, como o estudo de Jorge Martins o prova com clareza, uma questão religiosa com as comunidades judaicas portuguesas. Não existe, portanto, uma questão judaica na I República.
Um livro de aconselhável leitura nos 100 anos do aniversário da implantação da República.» (Prefácio de Miguel Real.)

Jorge Martins é professor, investigador do Centro de Estudos de História Contemporânea Portuguesa do ISCTE e cronista no Capeia Arraiana.

O Capeia Arraiana dá os parabéns a Jorge Martins por mais uma obra indispensável na História de Portugal.
jcl

Vou escrever uma série de crónicas sobre a música tradicional do Soito, de que tenho conhecimento.

Michel Giacometti

João Aristídes Duarte - «Música, Músicas...»Não sou etnomusicólogo, como o grande Michel Giacometti (na foto), Margot Dias, Rodney Gallup ou Salwa El-Shawan Castelo-Branco (curiosamente todos estrangeiros, mas que realizaram um trabalho imenso em Portugal, que deveria estar-lhe eternamente grato).
Os conhecimentos que eu tenho sobre esta temática devem-se à audição atenta de centenas de discos de recolhas e recriação da música de tradição oral, bem como à leitura de variadas obras de Giacometti, Fernando Lopes-Graça e outros.
As recolhas que efectuei, há uns anos, e que tenho em suporte digital foram-me referidas por alguns e algumas informantes, das quais um ainda é viva, com a provecta idade de 98 anos. Trata-se da minha tia Luísa Dias Aristides, actualmente no Lar da 3.ª Idade, no Soito.
José Alberto Sardinha, outro dos grandes nomes da etnomusicologia portuguesa, refere que «tanto na Cova da Beira, como por toda a campina de Idanha, desde o Sabugal às margens do Tejo, é o adufe o principal e, sem dúvida, o mais arcaico instrumento». Este estudioso não deixa, no entanto, de referir que a música tradicional não tem certidão de nascimento e que as músicas das várias regiões podem interpenetrar-se, contribuindo para isso, nomeadamente, a proximidade geográfica ou as migrações.
Mas até pode ser que não seja só por isso, já que há grandes semelhanças entre o «Grito de Ah Ghi Ghi» que se usava no Soito há 50 ou mais anos e o «Grito de Escatilhar» recolhido por Michel Giacometti, no Minho.
Nas recolhas que efectuei, notei semelhanças entre algumas das músicas do Soito e as músicas mais conhecidas da Beira-Baixa. Até poderei estar enganado, mas foi o que me pareceu, sobretudo no tema mais conhecido do Soito que é a «Canção do Maio».
Talvez incluída nas Festas da Primavera ou das Maias, que celebravam o retorno do Sol fecundante, esta cantiga era cantada no início de Maio por grupos de rapazes e raparigas, acompanhados por adufe ou pandeireta.
Era por estes dias que os padrinhos do Soito ofereciam aos seus afilhados o «Bolo do Maio», que é uma tradição (em parte ainda viva), que só conheço nesta freguesia. O «Bolo do Maio» é um «santoro» que, nas restantes localidades do concelho, se costuma oferecer na época dos Santos.
A letra da «Canção do Maio» é a seguinte:

O Maio é muito longo
Minha mãe tem pouca massa
Lá o iremos passando
Com azedas e labaças

Ò Maio, Ó Maio
Ó Maio d’além
Quando vem o Maio
Ceifa-se a farrem

Já lá vem o cuco
Já lá vem o cuco
E vem d’acavalo (bis)
Traz ciguenas d´oiro
Que vem do marcado

Tenho uma pitinha branca
Que me põe no campanário
Hei-de deitá-la de meias
Com a Senhora do Rosário

Ó almo de S. Modeste
Que fizeste à tua flor
Que te vejo de sem ela
Como eu de sem amor

Maiai, cachopas maiai
Arrastai as vossas saias
Sabe Deus quem chegará
A outro dia de Maias

O grupo Chuchurumel, de César Prata, no CD «Posta-Restante», de 2006, apresenta um tema recolhido em Alfaiates, com o título «Canção das Maias» que contém estes versos:

Este Maio é muito grande
Minha mãe tem poucas massas
Mas lá iremos passando
Com azedas e rabaças

O resto da letra da «Canção das Maias», de Alfaiates não tem semelhanças nenhumas com a «Canção do Maio», do Soito, sendo que a música é, também, totalmente diferente com alguma proximidade à música do Norte de África, pelo menos na versão de Chuchurumel.

P.S. (salvo seja): Grande concerto da Banda da Força Aérea Portuguesa, no sábado, nos Fóios, cada vez menos o «calcanhar do mundo». Como musicómano que sou, não poderia faltar.
«Música, Músicas…», crónica de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

Mais um novo ano escolar que começa e com eles os velhos e desgastados problemas! Numa era em que o encerramento de escolas continua na ordem do dia e, cada vez mais a ser a política adoptada pelo nosso Ministério de Educação, várias questões se nos impõe! Com o crescente número de encerramento de escolas, estaremos realmente a salvaguardar o real interesse dos alunos, das suas aprendizagens e das suas famílias? E para além disso também da comunidade em que se inserem?

Escola Primária Bendada - SabugalMuitos argumentarão que o parque escolar tem tendencialmente vindo a descer, que o número de alunos por escola é cada vez menor, que não é comportável manter abertas escolas assim, que o rendimento escolar dos alunos é menor, etc… etc… E eu acrescento, blá, blá, blá! O que move efectivamente o encerramento de cada vez mais escolas por parte do governo e do Ministério da Educação são motivações meramente economicistas! Menos escolas, menos professores, menos auxiliares, menos dinheiro gasto! E os alunos, e as famílias e as comunidades?
Os alunos não são meros números nem estatísticas, são seres humanos, são crianças, muitas delas de tenra idade, que necessitam de um ambiente adequado para desenvolver as suas capacidades e aprendizagens. Deslocá-las mais de 20 quilómetros (no caso da nossa freguesia) do meio que as viu nascer e crescer, do local onde criaram a sua identidade, dos seus espaços de referência, do seu professor dos seus colegas e amigos (já de si poucos) será isso realmente benéfico ao seu crescimento enquanto pessoas e cidadãos
Será essa transferência de alunos acompanhadas necessárias condições: ocupação dos tempos livres; criação de espaços adequados e não «tudo ao monte e fé em Deus»; transportes seguros; refeições adequadas; colocação de Auxiliares de Acção Educativa em número suficiente e com formação adequada?? São tudo questões pertinentes e que preocupam os nossos pais e Encarregados de Educação!! Não basta irem para a comunicação social propagandearem os «Magalhães»!! A aprendizagem vai muito além disso!!
E como se tudo isso não bastasse temos o problema cada vez mais gritante da desertificação das nossas aldeias, muitas delas, como a nossa, bem vivas em usos e costumes! Quem dará continuidade a isso, às nossas tradições, às nossas raízes, se, desde já, nos «roubam» o nosso futuro que são as crianças?? Sim, porque não tenhamos ilusões, a nossa população vai ficando cada vez mais envelhecida e de dia para dia vão desaparecendo «os filhos da terra» os que a sentem verdadeiramente no sangue, que a sentem como sua! Por isso se impõe uma reflexão profunda sobre o fecho das escolas com o perigo cada vez mais crescente da nossa perda de identidade como pessoas e cidadãos de pleno direito de uma comunidade!

A Junta de Freguesia da Bendada, na pessoa do seu Presidente, deseja a todos os alunos, pais, encarregados de educação e restante comunidade educativa os votos de um excelente ano lectivo!

Jorge Dias
(Presidente da Junta de Freguesia da Bendada)

Tal como estava anunciado a Banda da Força Aérea deslocou-se a Foios para dar um concerto de cerca de duas horas. Aconteceu no passado sábado, dia 25, do corrente mês de Setembro.

José Manuel Campos - Nascente do CôaO autocarro da Força Aérea chegou a Foios por volta do meio-dia. Os elementos da Junta de Freguesia receberam e cumprimentaram os Senhores militares responsáveis pela banda desejando a todos uma boa jornada de convívio.
Depois do autocarro e do camião, que transportava os instrumentos musicais, terem sido conduzidos para um local sugerido pelos elementos da Junta de Freguesia, todos os elementos se deslocaram para o restaurante Eldorado onde foi servido um delicioso almoço que teve como prato principal o saboroso cabrito assado na brasa.
Cerca das 15h todos os elementos da banda se deslocaram para junto do palco onde iria decorrer o concerto. Cada músico tratou daquilo que lhe competia e foi num ápice que o palco ficou pronto para que às 16 horas tivesse início o concerto.
Os números que haviam sido anunciados foram excelentemente interpretados e, por volta das 17 horas, verificou-se um pequenino intervalo para que o Sr. Tenente Rosado, maestro da banda, em substituição do Sr. Ten. Coronel Élio Murcho, tivesse chamado ao palco o Presidente da Junta para troca de umas lembranças.
Tanto um como o outro proferiram simpáticas palavras de agradecimento. De seguida o Presidente da Junta convidou também o Sr. Presidente da Câmara a subir ao palco tendo igualmente agradecido a todas as pessoas, envolvidas no evento, a tarde cultural que proporcionaram em terras do Município do Sabugal.
O concerto terminou às 17,45h e todas as pessoas foram convidadas a subir à sala de exposições do Centro Cívico para se proceder à inauguração de uma exposição de arte – escultura – da autoria do Octávio Martins Gonçalves com o pseudónimo de «Augusto Tomás», por certo também natural de Foios.
Enquanto a banda cumpria o programa musical uns especialistas trataram de assar um porco no espeto que começou a ser servido por volta das 18,30h.
Tanto os elementos da Banda como as muitas pessoas que assistiram ao concerto foram convidadas a aproximarem-se das mesas que alguém havia previamente preparado. Foi num verdadeiro espírito de amizade que todas as pessoas comeram, beberam e confraternizaram.
Por volta das 19,30h os músicos tomaram lugar no autocarro para os transportar, de novo, para a capital.
Ficou por mais algum tempo a Sr.ª Capitão Sónia Vicente e o seu marido, também militar e com o posto de Major, que continuaram a conviver com a população.
De referir que a Sr.ª Capitão Sónia Vicente veio em representação de Sua Excelência o Sr. General Luís Araújo, que é o Chefe de Estado Maior da Força Aérea. Representou muito bem o C.E.M.F.A e a Força Aérea em geral.
Estava previsto uma deslocação às instalações do edifício da antiga escola para uma visita aos espaços onde se encontram instaladas quarenta das cinquenta camas que nos haviam sido fornecidas também pela Força Aérea. Por falta de tempo esta visita já não se concretizou mas acontecerá, certamente, dentro de algum tempo, com a presença daqueles Senhores Militares que mais contribuíram para que as ditas camas tivessem chegado até Foios.
Para terminar e interpretando o sentimento geral da população que represento pretendo agradecer a todas as pessoas que trabalharam para que esta inolvidável jornada tivesse sido possível.
Pretendo também realçar e agradecer a presença do Sr. Presidente António Robalo, Sr.ª Vice-Presidente Delfina Leal bem como ao Sr. Governador Civil da Guarda que muito embora já tivesse compromissos assumidos, fez-se representar pela Sr.ª D.ª Maria José que, por sua vez, se fez acompanhar pela simpática Isabel e pelo Sr. João. O Sr. Presidente da Assembleia Municipal, Ramiro Matos, muito embora não tivesse podido ficar até ao fim, assistiu a todo o concerto. Ou não tivesse também servido a Força Aérea de onde saiu há, alguns anos, com o posto de Ten. Coronel.
Também é de inteira justiça referir o trabalho desenvolvido pela equipa de sapadores local, colegas e funcionário da Junta, sobretudo na montagem do palco e na organização do lanche.
Aqui pelos Foios emprega-se, com alguma frequência, a expressão: «As pedras rolando se encontram». Nós iremos, certamente, reencontrar-nos.
Obrigado a todos.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com

O Partido Socialista, pela voz de Nuno Teixeira, deputado municipal e presidente da concelhia sabugalense do PS, atacou frontalmente a execução autárquica ao fim de quase um ano de mandato, defendendo que apenas se tem feito uma gestão corrente. A Assembleia ficou ainda marcada pelas críticas dos socialistas ao projecto do PROT-Centro e pela intervenção do deputado Manuel Rito, que fez um aviso à navegação apontando qual o rumo certo a seguir.

Para Nuno Teixeira a dinâmica anunciada pelo PSD há um ano na campanha, não passou de uma «artimanha eleitoral», e enumerou os erros da governação do PSD: «A Câmara do Sabugal é hoje conhecida como uma mera agência festiva e com muita competência na atribuição de subsídios», disse o deputado, que considerou ainda verificar-se uma inteira dependência face ao anterior executivo, uma incapacidade de tratar e fazer avançar dossiers e, referindo-se ao vereador do MPT Joaquim Ricardo, «ter uma maioria à custa de um vereador a quem ninguém reconhece qualquer competência específica ou trabalho realizado».
O deputado lançou depois uma bateria de perguntas ao presidente António Robalo, tendo por base as suas promessas eleitorais:
Onde estão a SabugalInvest, a qualificação do Mercado do Sabugal, o Centro Nacional de Micologia da Colónia Agrícola, o Ofélia Club, o Centro Náutico, a melhoria da rede social, o funcionamento das comissões inter-freguesias, a construção dos Centros Educativos, o reforço de meios tecnológicos nas escolas, o Fórum Jovem, os espaços informais de desporto, convívio e lazer e o apregoado Parque Temático de atractividade internacional? Questionou.
Sobre outros assuntos denunciou: «O Parque Campismo não avançou um metro», «a requalificação do Rio Côa é uma miragem», «a ligação à A23 continua um sorvedouro dos dinheiros públicos».
«Foi um ano inteiramente perdido para o Concelho do Sabugal», considerou, tendo em conta que «não foi desenvolvido, tão pouco apresentado, qualquer projecto estruturante para o Concelho em nenhuma das áreas fundamentais» e «não se conhecem projectos ou propostas que identifiquemos como mais-valias para o desenvolvimento sustentado do Concelho».
Seguidamente elogiou o desempenho dos vereadores socialistas, que pautaram «a sua intervenção por uma oposição atenta mas construtiva, apresentando um numeroso conjunto de propostas», mau grado a falta de condições para trabalharem. «Aliás, o Sabugal será porventura a única Câmara do País, onde aos vereadores da oposição não foi disponibilizado qualquer espaço para trabalhar, tão pouco a possibilidade de receber e ouvir os Munícipes», atitude que considera revelar «uma faceta de democraticidade duvidosa e totalmente à revelia do consignado no Estatuto do Direito de Oposição».
Nuno Teixeira deixou uma conclusão: «A verdade nua e crua, é que a acção da Câmara durante este ano, se resume a uma simples gestão corrente».
Um outro deputado do PS, Carlos Alberto Morgado Gomes, relançou a questão do Plano Regional de Ordenamento do Território da Região Centro (PROT-Centro), já apresentada pelos vereadores socialistas no executivo autárquico.
O deputado considerou que o PROT-Centro «não só não serve os interesses do Concelho do Sabugal, como, mais grave ainda, contribuirá para agravar a situação com que hoje o Concelho se defronta, ou mesmo, a colocar em risco a própria sobrevivência da nossa terra», enumerando de seguida um conjunto de erros e omissões que o plano contém e que manifestamente prejudicam o concelho. Acaba porém concluindo que «face à gravidade do que conhecem, este não é nem pode ser um momento de luta político-partidária, exigindo-se que todos contribuam para que a versão final do PROT-Centro contribua para a inversão da actual situação do nosso Concelho e o integre nas dinâmicas de desenvolvimento da Beira Interior».
O presidente António Robalo lamentou que o documento andasse já a provocar polémica, porquanto o mesmo apenas agora, no final do mês, entrará em discussão pública.
A reunião da Assembleia Municipal foi também protagonizada por Manuel Rito, ex-presidente da Câmara e agora deputado municipal, que numa critica implícita ao desempenho do presidente António Robalo, fez uma intervenção de fundo apontando o rumo concreto a seguir no futuro pelo Município.
plb

A colocação na aldeia da Torre de uma escultura representativa de Frei João Domingos, da autoria do escultor Eugénio Macedo, foi a forma encontrada pelos habitantes para homenagearem o seu ilustre conterrâneo, falecido em Lisboa no dia 9 de Agosto deste ano, que se destacou no apoio às populações carenciadas de Angola.

A ideia da homenagem partiu de um familiar do Frei João Domingos, o senhor Olíbio Melro, que recebeu de imediato o apoio da população da Torre, que se prontificou a colaborar no financiamento da obra. O trabalho foi entregue ao escultor Eugénio Macedo, que colocou logo mãos à obra.
A escultura está quase concluída, pelo que se antevê a sua inauguração na primeira quinzena de Outubro. O monumento evocativo será colocado no largo da aldeia, defronte da porta da igreja.
Frei João Domingos Fernandes era membro da congregação dos padres dominicanos do Rosário e morreu vítima de um Acidente Cardiovascular Cerebral, deixando consternados os que o conheciam, sobretudo os habitantes da Torre, aldeia do concelho do Sabugal onde nascera há 77 anos e onde ia frequentemente.
Licenciou-se em Teologia, em França, e obteve o grau de Mestre no Canadá. Antes de ir para a Angola foi professor e director do seminário dominicano português, professor de filosofia no Centro de Estudos de Fátima e de Teologia na Universidade Católica de Lisboa. Chegou a Angola em 1982, para começar num projecto ligado aos padres dominicanos. Mais tarde, foi convidado pelos bispos da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé para reitor do Instituto da Ciências Religiosas de Angola. Foi ainda superior dos padres dominicanos em Angola e primeiro pároco da paróquia do Carmo, em Luanda. Fundou o Instituto Superior João Paulo II e o Centro Cultura Mosaico
Em 1998, foi agraciado com a comenda da Ordem Mérito do Estado Português.
O escultor Eugénio Macedo vem realizando diversos trabalhos, que se traduzem em monumentos que povoam e região, dentre os quais se refere o monumento ao imigrante no Meimão, a escultura de Agostinho da Silva em Figueira de Castelo Rodrigo, a estátua de D. Dinis em Alfaiates, as esculturas da Senhora da Graça e do Bombeiro no Sabugal.
plb

A Batalha do Buçaco (ou Bussaco, de acordo com a grafia antiga), foi travada durante a Guerra Peninsular, próxima do Luso, na Mealhada, a 27 de Setembro de 1810, combatendo por um lado forças coligados portuguesas e britânicas, sob o comando de Arthur Wellesley, primeiro Duque de Wellington, e por outro as forças francesas lideradas pelo marechal André Massena.

Wellington retirara do Côa frente ao avanço imparável na máquina de guerra francesa, cujos soldados estavam ávidos por combater os ingleses e portugueses, que lhes fugiam sucessivamente, dando-lhes a entender que receavam qualquer recontro.
Mas, chegado à montanha do Buçaco, o comandante inglês decidiu ocupá-la com as suas forças (cerca de 50 mil homens, metade dos quais portugueses), esperando aí pelo exército invasor.
A posição ocupada no alto da montanha era formidável e meteu respeito aos franceses, fazendo com que Massena hesitasse. Bastar-lhe-ia contornar a serra para evitar um recontro generalizado, fazendo com que Wellington desmonta-se as suas linhas, mas o desejo de uma batalha era demasiado forte para soldados que se achavam os melhores do mundo, ainda mais perante um inimigo que assistira impávido à queda das praças de Ciudad Rodrigo e de Almeida e que se colocara em fuga face ao avanço do exército francês. A posição era difícil e claramente desfavorável, mas o comandante francês acreditava na vitória.
Do outro lado Wellington estava confiante na vantagem da sua posição, e esperava serenamente que os franceses o atacassem rompendo a pique pela serra e expondo-se ao fogo dos aliados. Foi atacado por cinco vezes sucessivas pelos homens de Massena, mas não cedeu a posição. O último assalto foi comandado pelas forças do Marechal Ney e do general Reynier, que foram incapazes de desalojar as forças anglo-lusas. Os franceses tiveram cerca de 4500 baixas, entre mortos e gravemente feridos, sendo que as perdas dos luso-britânicos ascenderam apenas a 1250 homens.
Esta foi a primeira batalha da Guerra Peninsular em que as forças do reconstituído e reorganizado exército português participaram (o exército havia sido desmobilizado por Junot em Dezembro de 1807 e parte dele enviado para servir Napoleão; só em 1809 havia sido restaurado e treinado pelo marechal inglês William Carr Beresford). Os soldados portugueses bateram-se aliás com grande coragem, o que lhes valeu fortes elogios por parte de Wellington.
A Batalha do Buçaco, vai ser recriada a 25 e 26 de Setembro numa iniciativa organizada pela Câmara Municipal da Mealhada, que reúne cerca de 200 figurantes de associações napoleónicas de vários países.
Ao princípio da tarde do dia 25 realiza-se um desfile pela Avenida Emídio Navarro, no Luso, ao qual se seguirá a recriação de uma escaramuça junto ao monumento evocativo da batalha.
No dia 26 recria-se a Batalha do Buçaco, pelas 11h00, junto às portas do Sul.
plb

O escritor sabugalense Manuel António Pina foi distinguido com o prémio literário da Fundação Bissaya Barreto de literatura para a infância.

Homenagem a Manuel António Pina (Foto by Kim Tomé - www.tutatux.com)A distinção foi para o livro «O cavalinho de pau do Menino Jesus e outros Contos de Natal», da autoria de Manuel António Pina, com ilustrações de Inês do Carmo e edição da Porto Editora.
O júri classificou de «notável» a obra premiada, com «qualidade estética capaz de despertar o imaginário da criança, a originalidade da leitura e o humor inteligente». O júri desta segunda edição do prémio literário da Fundação Bissaya Barreto, foi presidido por Lúcia Santos, chefe da Divisão de Infância da fundação, fazendo ainda parte Rui Veloso, professor especializado em literatura para a infância da Escola Superior de Educação de Coimbra e António Modesto, ilustrador e professor de Ilustração na Escola de Tecnologias Artísticas de Coimbra.
Os cinco mil euros que constituem o prémio serão divididos, em parte iguais, pelo autor do livro e pela ilustradora, em cerimónia pública que acontecerá na Casa Museu Bissaya Barreto, em Coimbra, cuja data será anunciada pela Fundação.
Concorreram ao prémio 205 obras literárias de 30 editoras, publicadas em Portugal entre 1 de Janeiro de 2008 e 31 de Dezembro de 2009.
plb

A Real Confraria da Matança do Porco, de Miranda do Corvo, celebra no dia 9 de Outubro o seu II Capítulo com a recriação de uma matança do porco tradicional.

Real Confraria da Matança do Porco - Miranda do Corvo

A matança do porco, o desmanche, a preparação da carne, tem contornos particulares que se revelam autênticos ritos culturais e de sociabilização. A salvaguarda destas práticas e promoção da gastronomia associada são medidas que visam a preservação do património cultural e identidade de uma população, para além de constituir um estímulo à prática de valores de sociabilização que com a modernidade tendem a cair em desuso.
A matança do porco é a festa pagã mais tradicional do país, que apela aos princípios mais íntegros da vida comunitária – solidariedade e fraternidade – entre famílias, vizinhos e amigos.
Embora um ritual pagão, está intimamente ligado á cultura cristã uma vez que os judeus e muçulmanos não consomem carne de porco. Nas religiões monoteístas só os Cristãos realizam a matança do porco.
O porco que vai ter o papel central do cerimonial será de raça bisara ou preto alentejano, criados no Parque Biológico da Serra da Lousã (PBSL), sem rações e com alimentação tradicional.
O PBSL integra um Zoológico de Vida Selvagem Nacional, uma Quinta Pedagógica de Raças Portuguesas com Centro Hípico, Labirinto de Árvores de Fruto único no Mundo, Roseiral, Museu Vivo de Artes e Ofícios Tradicionais com oficina de artesanato e loja de venda, Ecomuseu, Museu da Tanoaria e Restaurante Museu da Chanfana.
Complexo lúdico-turístico, o PBSL alia a preservação do património natural e vivencial a uma missão social dando ocupação/emprego a cerca de três dezenas de pessoas portadoras de doença crónica e/ou psiquiátrica ou desempregados de longa duração. Um projecto integrador de pura responsabilidade social, marcando assim a sua especificidade na transmissão de ensinamentos e referências para a vida.
A ementa do II Capítulo inclui: sopa do campo com enchidos, sarrabulho à moda da região, pernil de porco com batata de forno, e arroz doce e tigelada mirandenses.
jcl

Quarta feira, dia 22 do corrente mês de Setembro, quadros técnicos dos CTT’s levaram e efeito uma sessão de trabalho no Centro Cívico de Foios. Tratou-se da reunião de trabalho mensal da GSCCN – Gestão Serviço Clientes Centro Norte dos Correios, onde estiveram presentes os 22 Responsáveis desta Direcção (que abrange uma área geográfica desde Coimbra, Aveiro, Viseu, Covilhã e Guarda), bem como dois convidados de Lisboa e Coimbra da Unidade de Serviços Financeiros dos CTT.

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José Manuel Campos - Nascente do CôaNa reunião da GSCCN foram analisados vários indicadores de receita, campanhas, tráfego postal, custos e qualidade de serviço e abordadas questões relacionadas com o processo de Certificação.
A Dra. Manuela Portugal coordenou as diversas acções e, no final, agradeceu a cordialidade e a simpatia com que a Junta de Freguesia de Foios recebeu as personalidades bem como da cedência das óptimas instalações do auditório do Centro Cívico.
Os trabalhos terminaram por voltas das 14 horas e todo o grupo se deslocou para o restaurante da «Trutalcôa» onde lhes foi servida uma saborosa refeição.
De referir que parte do grupo decidiu ficar o resto da tarde para fazerem uma pescaria na charca da «Trutalcôa».
A maioria das pessoas prometeram voltar ao nosso concelho. Fazem questão de o conhecer mais e melhor. Já que mais não seja para assistir a uma das capeias à moda da raia. Ou não lhe tivéssemos oferecido um forcão e mais algumas lembranças.
Colocou-se a hipótese dos Correios poderem lançar um selo com o forcão. Abordarei essa hipótese com os meus colegas da «Associação das Freguesia da Raia Sabugalense» visto que já tem os órgãos sociais devidamente eleitos.
A Junta de Freguesia de Foios informa que as instalações do Centro Cívico e as cinquenta camas que possuímos na pousada – edifício da antiga escola – (alguns não gostam que lhe chamemos assim mas…) estão à disposição – grátis – para quem pretender aqui trabalhar ou aqui pernoitar.

«Turismo é futuro!»
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com

O 1.º Festival Internacional da Memória Sefardita decorre entre os dias 1 e 7 de Novembro de 2010 nas cidades Guarda, Trancoso e Belmonte. A iniciativa do Turismo Serra da Estrela conta com o alto patrocínio de Aníbal Cavaco Silva, Presidente da República Portuguesa e inclui, no dia 3 de Novembro, uma visita a Sortelha e ao Sabugal.

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A cerca de quatro meses do início do I Festival Internacional da Memória Sefardita, que terá lugar na Serra da Estrela, de 1 a 7 de Novembro de 2010, a organização recebeu o Alto Patrocínio de Sua Excelência o Presidente da República Portuguesa, Professor Aníbal Cavaco Silva.
Este contributo demonstra a relevância deste evento para a divulgação de Portugal como país fortemente marcado pela Sefardita e sua herança ainda hoje presente em inúmeras localidades.
Um dos momentos altos do Festival será o Congresso que terá lugar no Teatro Municipal da Guarda, de 2 a 4 de Novembro de 2010.
A atestar a importância da temática do Congresso está confirmada a presença de oradores de renome nacional e internacional, focados no estudo do mundo Sefardita.
Alguns dos participantes: Tzvika Schaick, Curador e Director do Museu Dona Gracia em Tiberíades; Marques de Almeida, Coordenador Executivo e Científico da Cátedra de Estudos Sefarditas, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa; José Alberto Rodrigues Tavim, Centro de História, Departamento de Ciências Humanas do Instituto de Investigação Científica Tropical de Lisboa e membro da Comissão Executiva da Sociedade de Estudos dos Judeus Sefarditas e da Diáspora Sefaradi, Universidade Hebraica de Jerusalém; Dov Stuczynski, Universidade de Bar-Ilan, Tel Aviv; Antonieta Garcia, Universidade da Beira Interior; Elvira Mea, Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto, Faculdade de Letras da Universidade do Porto; Herman Salomon, Professor Catedrático da Universidade de Albany, E.U.A.; e Yom Tov Assis, professor de História Judaica Medieval na Universidade Hebraica de Jerusalém e Presidente do Instituto Ben Zvi em Jerusalém.
A organização pertence ao Turismo Serra da Estrela, aos municípios da Guarda, Belmonte e Trancoso e à Alegretur. O lema da iniciativa é «Venha descobrir a Serra da Estrela e junte-se a nós no I Festival Internacional da Memória Sefardita!»

As inscrições podem ser feitas no portal oficial do Festival. Aqui.
Secretariado do Festival: secretariado@leading.pt
jcl (com Turismo Serra da Estrela)

O Secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural, Rui Pedro Barreiro, autorizou a Direcção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (DGADR) a tomar posse administrativa das parcelas necessárias ao rápido início das obras de construção do reservatório da Fatela do Aproveitamento Hidroagrícola da Cova da Beira constituído pelas barragens do Sabugal e da Meimoa.

Regadio da Cova da BeiraO Aproveitamento Hidroagrícola da Cova da Beira integra um sistema de armazenamento de água, constituído pelas barragens do Sabugal e da Meimoa e um túnel de interligação entre ambas (Sistema Sabugal-Meimoa), bem como um sistema de distribuição de água, constituído por uma tomada de água na barragem de Meimoa, que liga à rede primária de rega, que por sua vez deriva para a rede secundária de rega, permitindo o regadio.
O Reservatório da Fatela, infra-estrutura que integra o Aproveitamento Hidroagrícola da Cova da Beira, situa-se a cerca de 20.830 m da origem do 3.º troço do Canal Condutor Geral da Cova da Beira, e foi implantado numa faixa de terreno adjacente ao mesmo. O Reservatório ocupa uma área de cerca de 2 hectares e uma capacidade útil de 27 dam3.
A partir do Reservatório da Fatela serão distribuídos os caudais para o bloco da Fatela, com 516 ha, que constitui um dos seis blocos de regadio (Belmonte, Caria, Ferro, Fundão, Fatela e Capinha), do Aproveitamento Hidro Agrícola da Cova da Beira. Os referidos blocos de regadio contemplam os concelhos de Belmonte, Covilhã e Fundão e, em reduzida escala, o concelho do Sabugal. Prevê-se a conclusão desta obra em Agosto de 2011.
jcl (com Portal do Governo)

Estreia esta semana a sequela de «Wall Street», filme realizado por Oliver Stone nos anos 1980 sobre o universo financeiro protagonizado por Michael Douglas, numa personagem que ficou naquela década. Antes, tinha chegado às salas um outro filme com Michael Douglas.

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia Arraiana«Eterno Solteirão» sofre de um mal, que apesar de não ter nada a ver com cinema, bastante comum nas traduções dos títulos em Portugal. Quem olhar para o título dado pela distribuidora ao filme, que no original é «Solitary Man» (homem solitário, em português), pensa que estamos perante mais uma comédia romântica. Mas este filme de Brian Koppelman e David Levien tem muito pouco de comédia.
É antes um drama sobre um antigo vendedor de automóveis, que chegou a ter um bom momento profissional, a quem o médico diz que não tinha gostado de algo que descobriu no seu coração. Mas em vez de fazer os exames, para saber realmente o que se passa, Ben Kalmen (Michael Douglas) opta por esquecer o que se passou naquela consulta de rotina e começa a fazer o que lhe vai na cabeça, desde sair com mulheres a torto e a direito, incluindo a filha de uma das suas conquistas, que acaba por lhe arruinar um regresso ao trabalho, a destruir o negócio que lhe deu uma posição de topo.
Solitary ManNão estamos perante um grande filme, mas é um filme que se vê bem. O próprio final está bem conseguido, pois a dupla de realizadores conseguiu escapar ao facilitismo de dar uma resposta ao dilema que se apresenta a Ben Kalmen no banco de jardim onde conheceu a sua antiga esposa.
Michael Douglas carrega o filme às costas, pois este é um daqueles filmes que praticamente só a personagem principal conta, dado que está presente em todas as cenas. E fá-lo bastante bem, a provar que ainda consegue ser um grande actor. Destaque ainda para a presença de um bom naipe de secundários, onde despontam Danny DeVito ou Susan Sarandon. Um bom aperitivo enquanto esperamos pela estreia da sequela de «Wall Street».
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

pedrompfernandes@sapo.pt

Falecido o meu sogro, as «terras» que tinha e tratava ficam, infelizmente, abandonadas…

Pomar

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Não tendo nascido numa família de agricultores nunca na minha vida tinha tido grandes contactos com os trabalhos agrícolas, até ao momento em que comecei a ajudar o meu sogro, sobretudo na vindima e na apanha da azeitona.
Pequeno agricultor, as suas terras (propriedades muito pequenas e afastadas umas das outras), estavam sempre num «brinco», lavradas, limpas, regadas.
Até aos últimos momentos da sua vida, nunca abandonou aqueles torrões, o que permitiu que, alguns meses depois da sua morte, ainda tenha sido possível colher as uvas e fazer 300 a 400 litros de vinho. Também das oliveiras será possível tirar lá para Novembro cerca de 100 litros de azeite.
Mas como custou ver como em poucos meses as terras apresentavam já sinais claros de abandono!…
E este vai ser o futuro daquelas e de quantas terras espalhadas por este país fora e, naturalmente, também no Sabugal.
Eu não sei nem tenho vida para olhar por aquilo que o meu sogro deixou, e na aldeia não há ninguém que possa contratar para fazer os trabalhos agrícolas necessários à manutenção e limpeza as terras.
Como eu estarão certamente muitos dos sabugalenses que vivem e trabalham fora da sua aldeia, seja em Portugal, seja no estrangeiro.
Mas, estou certo, quase todos gostariam de ver, quando fossem à sua aldeia, as terras dos pais com aspecto de cuidadas, mesmo que de lá não colhessem nada.
E estou certo que, como eu, muitos estariam dispostos a pagar por esse trabalho…
E por isso penso que uma Empresa de Manutenção de Espaços Agrícolas tem hoje possibilidades de singrar no Concelho do Sabugal.
Claro que tem riscos; claro que até se obter um conjunto de clientes suficiente vai passar algum tempo; claro que não poderiam ser praticadas tabelas de preços muito elevados; claro que há necessidade de garantir níveis elevados de confiança entre a empresa e os proprietários.
E por isso, penso também que esta empresa não poderá ser apenas fruto da iniciativa privada, mas antes devendo a iniciativa da sua constituição envolver, na fase de arranque, não só as Autarquias (Câmara Municipal e Juntas de Freguesia), mas também e, sobretudo, a COOPCÔA, a ACRISABUGAL, a ADES, a PRÓ-RAIA e demais Associações directa ou indirectamente ligadas ao sector.
Manter as terras dos nossos antepassados limpas e cuidadas, é algo que lhe devemos, mas é também uma forma de limitar a dimensão dos incêndios estivais, e de manter um território.
Claro que não ponho de lado que empresas deste tipo possam, caso haja clientes interessados, cultivar as terras e entregar aos seus donos os produtos agrícolas produzidos…
(E agora vou comer uma das maçãs bravo esmolfe que, se calhar pela última vez, as macieiras do meu sogro ainda deram…)
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos
(Presidente da Assembleia Municipal do Sabugal)
rmlmatos@gmail.com

O executivo municipal do Sabugal aprovou na reunião de 15 de Setembro um novo Regulamento de Taxas, Licenças e Prestação de Serviços do Município, tendo o mesmo sido votado favoravelmente pelos vereadores do PSD e MPT, tendo o PS optado pela abstenção, alegando falta de conhecimento da fundamentação dos valores que constam no regulamento. O documento vai agora ser apreciado pela Assembleia Municipal na reunião agendada para 24 de Setembro.

O documento enumera exaustivamente as taxas de todos os serviços prestados pelo município a particulares, pessoas colectivas e entidades públicas, dele constando, nomeadamente, a prestação de serviços administrativos como fotocópias e certidões, licenciamento de obras, autorizações para o funcionamento de estabelecimentos e ocupação da via pública, vistorias e inspecções, higiene e salubridade, fornecimento de água, publicidade comercial, e muitos outros serviços que o município legalmente pode cobrar taxas.
Segundo o regulamento, os valores a pagar pela prestação de serviços camarários, têm como base do seu cálculo os custos que os mesmos acarretam para o próprio Município.
Dão-se aqui, a mero título de curiosidade, alguns exemplos dos valores que a Câmara passará a cobrar:
Colocação de número de polícia numa casa: 3 euros.
Fornecimento de cartão de canalizador: 10 euros.
Apreciação de processo de arranque de árvores: 54,92 euros (a que acrescem selos e custas).
Alvará de licença de obra: 41,28 euros (a que acrescem 6 euros por cada mês de durabilidade da licença).
Alvará de licença de trabalhos de remodelação de terrenos: 37,27 euros (a que acrescem 6 euros por cada 100 m2 se houver terraplanagens).
Alvará para instalação de cada antena de telecomunicações móveis ou de torre eólica: 1.000 euros.
Ocupação da via pública durante a execução de obras: 30 euros por mês.
Vistorias para emissão de licença de ocupação de espaços: 100 euros.
Concessão de terreno em cemitério para sepultura perpétua: 343,35 euros.
Licença para realização de um acampamento ocasional: 9,91 euros.
Licença para fogueiras populares (vulgo queimadas): 4,75 euros.
O metro cúbico de água consumida no domicílio varia consoante o escalão de consumo, podendo ir de 0,70 euros, para quem consuma menos de cinco m3 por mês até 4,18 euros para quem consuma mais de 51 m3.
Taxa de conservação de esgotos: 0,34 euros por cada metro cúbico de água consumida.
No que toca ao canil municipal aplicam-se as seguintes taxas:
Remoção do cadáver de um cão: 10 euros
Captura: 15 euros (que passa a 30 se for reincidente).
Permanência diária no canil: 6 euros.
Abate: 15 euros.
O documento prevê algumas situações de isenção para particulares, nomeadamente em casos de insuficiência económica comprovada, e para entidades colectivas com fins de solidariedade social ou de interesse público.
plb

A festa de cerveja de Munique (Oktoberfest) abriu as suas portas no passado sábado, dia 18 de Setembro, para festejar os 200 anos de existência.

Oktoberfest - Munique

Paulo AdãoA Oktoberfest, teve origens com o noivado do futuro rei da Baviera, Louis I com Therese von Sachsen-Hildburghausen, no dia 12 de outubro de 1810. Comemoram-se os 200 anos, sendo no entanto a edição n.° 177 deste acontecimento, devido às guerras e epidemias que impediram a organização de 24 edições.
Desde a sua origem, esta festa acontece num parque oval de 31 hectares, chamado «Theresenwiese» em homenagem à rainha da Baviera, lugar onde foi celebrado o casamento.
Este evento é esperado com ansiedade por todos os Muniquenses e tornou-se ao longo dos anos, uma das maiores festas populares do mundo. Desde os anos 80, a Oktoberfest recebe mais de 6 milhões de visitantes sendo cerca de 75 por cento originários da região e os restantes turistas estrangeiros que facilmente se inserem no ambiente, consumindo tanta cerveja como os alemães, segundo informações dos organismos de Turismo.
O início foi marcado, como habitualmente, por 12 tiros de canhão disparados na praça municipal, sendo o primeiro barril aberto pelo Prefeito de Munique, tradição que se mantém há cerca de 60 anos. Até ao 4 de Outubro, são milhões os litros de cerveja que vão matar a sede aos amantes (e não só) desta bebida.
Os trajes regionais, a rigor dão um ar de carnaval ao evento, não faltando animações pelas ruas com muita música e danças, carrosseis, concursos de quem bebe mais cerveja, concurso para aquele que transporta maior número de canecas de uma só vez, sem faltar o concurso da melhor cerveja.
Em honra dos 200 anos, seis grandes cervejarias de Munique, elaboraram tipos de cerveja seguindo as receitas dos séculos passados, tentando reproduzir o gosto da época.
Alguns números da Oktoberfest:
– 14 stands gigantes de cerveja com capacidade para vários milhares de visitas ao mesmo tempo; 105 000 lugares sentados previstos para os concursos de bebedores de cerveja;
– custo da caneca varia entre 8.30 e 8.90 euros;
– 1042 casas de banho e 843 metros de urinóis;
– 602 empresas participam no evento;
– 12.000 pessoas contratadas para trabalhar durante esta festa.
Records existentes:
– 18 canecas transportadas de uma só vez por uma empregada de mesa;
– 5,7 milhões de visitas em 2009;
– 6,6 milhões de litros de cerveja consumidos;
– 488.137 frangos e 116.923 pares de salsichas entre outros petiscos;
Despesa média de 54 euros por visitante.

Fotos da Oktoberfest ao longo dos anos. Aqui.

Um lagarteiro em Paris… com sede.

«Um lagarteiro em Paris», crónica de Paulo Adão
paulo.adao@free.fr

Continuando a nossa deambulação pelos vestígios da arte popular e o património que daí se poderá encontrar nas nossas terras, vamos agora ao encontro dos instrumentos erigidos para a recolha de água para uso na rega dos campos agrícolas: as noras e as burras d’ógar.

Aquilino Ribeiro, porventura o maior dos escritores beirões, divulgador incansável da cultura do povo, descreveu, em páginas de sangue, os constantes conflitos entre a gente rude das aldeias, na sua maior parte motivados pela busca e divisória da água de rega, que era escassa: «Comunal em essência e direito é a água de rega, artigo de primeira nestas terrinhas altas e vãs, atormentadas pela seca, onde a maior percentagem de mortes e barulhos tem seu teatro à beira da poça ou dos talhadoiros de regar».
De facto, sem água a correr de maneira frequente, era impossível produzir bom renovo na horta. E, assim sendo, vinham tempos de muita provação, porque os povos viviam em quase total isolamento, sustentados por si próprios. Produtos alimentícios vindos de longe apenas o bacalhau e a sardinha, que chegavam à aldeia apilhando a sal. O resto era produto da terra, fruto do esmero que o íncola punha no trato dos agros. Assim se compreende que a falta de água pusesse transtornados os homens e motivasse ferozes disputas, quantas vezes de gravosas consequências.
Com o seu saber e à custa de muito suor, o campónio ergueu, a pouco e pouco, o sistema hidráulico que permitiu levar água às leiras de cultivo. Construiu açudes para domar e aproveitar a água que corria brava pelas ribeiras. Fossando a terra abriu poços e minas que foram de encontro aos veios subterrâneos. Nas encostas ergueu pequenos diques, que aprisonaram a água que se escapulia das nascentes à flor da terra.
Onde houvesse desnível era simples fazer chegar a água ao tornadoiro e enchupaçar a terra, mas o problema era alçá-la do fundo de um poço ou por desníveis sucessivos. Aqui o aldeão foi também prático e, à custa de algum engenho e muito esforço, levou a linfa às leiras.
Foram inventadas as burras d’ógar, que tiravam águas de poços ou rios, à custa da força braçal. O engenho, feito em madeira, tem outros nomes, variando conforme a terra: burra d’ ógar (augar ou ugar), ogadoiro, picota, picanço, cegonha, esteio, cambo (nos dois últimos casos tomando-se a parte pelo todo). São seus componentes: o esteio, gacha ou galhada (pau bifurcado com a base enterrada no solo); o cambo ou travessal (pau móvel); o eixo do esteio (ferro que atravessa a bifurcação para segurar o cambo); o contra-peso (pedra que é presa a uma das extremidades do cambo); a vara, cambão ou vareiro (pau que se suspende da extremidade do cambo e onde se dependura o balde).
O aparelho invadiu literalmente os campos. Onde houvesse horta regadia, lá estava o cambo na vertical, esperando que braços musculosos o fizessem girar e ir à busca da água. Pegando na vara o manobrador fazia-a descer ao fundo do poço, onde o balde era mergulhado, sendo depois alçado, aqui em tarefa facilitada, dado o papel da pedra que na outra extremidade do cambo fazia de contrapeso. Porém para o seu funcionamento contínuo era necessário muito esforço, ou seja, sendo útil para uma pequena rega, era manifestamente insuficiente para encharcar batatais e milharais de grande extensão.
A nora, ou roda, é outro dos dispositivos ancestrais, vindo dos tempos da ocupação árabe, segundo os estudiosos da matéria. Trata-se de um rodízio com copos de latão, também chamados alcatruzes, que descem ao fundo do poço, subindo cheios de água, que despejam para uma masseira. O engenho é puxado por animal de tiro, vulgarmente vaca ou burro, que é ligado pelo cachaço à engrenagem através de um cambão de madeira. Andando à volta, em movimento contínuo, quase sempre com uma venda nos olhos para se não espantar ou entontecer, o animal faz girar a engrenagem e esta, através de um veio de ferro, faz tocar o rodízio com os alcatruzes suspensos sobre o poço. Da masseira a água passa para uma calha e desta à regadeira, que por sua vez a transportará às leiras do renovo.
Para se instalar uma nora era necessário proceder-se a obras de vulto, desde o empedrar do poço, até à construção de um muro circular, na forma de batorel, que visava dar altura, para que dali a água escorre-se em declive.
Fazia parte do bucolismo de antigamente o suave chiadouro das noras rodando nos dias quentes de verão. Os animais giravam em caminhada sem fim, sob o olhar atento de um petiz, a quem cabia garantir que o engenho não parasse.
Milhares de noras e de burras d’ógar foram instaladas nos baixios, com as quais, durante séculos, o povo regou as courelas e delas tirou o sustento. Com o evoluir dos tempos e das tecnologias, foram, a espaços, substituídas pelos também já caducos motores de rega, movidos a petróleo. Depois, os campos foram votados ao abandono, em resultado da grande abalada das gentes para França e Aragança e da derrota que teve a nossa lavoura face à de outros países, que para nós passaram a produzir e a vender. Das picotas já pouco resta, dado o perecimento da madeira. Das noras, quedaram apenas, como raro vestígio, rodas e alcatruzes oxidados, esperando que o tempo os leve de vez da nossa paisagem.
Paulo Leitão Batista

Os ciganos aparecem pela primeira vez em Paris em 1427 assentando os seus arraiais num acampamento em Saint-Antoine-des-Champs, em Neuilly e em Ville-d’Évéque.

Os Ciganos - Van Goog

João Valente - Arroz com Todos - Capeia ArraianaOs relatos históricos dão conta da curiosidade dos parisienses com aquele bando de estrangeiros, que acamparam com suas mulheres, seus filhos e grande número de cavalos, na aldeia de Saint-Denis la Chapelle, durante muitos meses.
Um cronista, citado por E. Pasquier, nas suas Recherches de la France, diz deles o seguinte:
«Os homens eram muito morenos e tinham o cabelo crespo, e as mulheres eram o mais feias que se pode imaginar, trigueiras, de cabelo negro e áspero como crina de cavalo. Cobriam-lhes as carnes farrapos imundos e estranhos. Eram, numa palavra, as criaturas mais miseráveis que até então se tinha visto em França, e apesar da sua pobreza, havia entre elas algumas feiticeiras ou bruxas que examinavam a mão de qualquer pessoa, e diziam tanto o que acontecera, como o que estava para acontecer, e assim introduziam a discórdia em varias famílias. O pior ainda era que, falando às criaturas por encantamento, ou meIhor, com auxilio do demónio, ou subtis prestidigitações, escamoteavam as algibeiras da gente.»
Foi esta, sumariamente, a ideia que os Franceses tiveram dos ciganos logo à sua chegada a França, associando a sua vida errante ao modo de vida dos cerca de 40.000 vagabundos e mendigos que andavam aos bandos pelas ruas de Paris, e que Sauval caracterizou assim:
«Era uma espécie de povo independente que não conhecia nem lei, nem religião, nem superior, nem policia. A impiedade, a sensualidade e a libertinagem eram os seus deuses. A maior parte dos assassínios, das rapinas e das violências diurnas e nocturnas eram obra sua, e esta gente … era por seus costumes corrompidos, pelas suas sacrílegas blasfémias e pela sua insolente linguagem, a menos digna da compaixão pública.»
E associando os ciganos a estes mendigos, diz Sauval daqueles:
«Tinham uma vida execrável; o seu único oficio era enganar as pessoas e viver à sua custa, exercendo por toda a parte as mais engenhosas habilidades de escamoteação, audazes rapinas e inumeráveis astúcias.»
E diz um autor mais recente em relação às ciganas, provando que o preconceito inicial ainda persiste:
«Estas raparigas, em que nos apresenta as ciganas das províncias meridionais, mulheres que não mudaram, de cinco séculos a esta parte, nem de carácter nem de modo de vida, algumas das quais apenas contam dezasseis anos, nunca foram inocentes; vindo ao mundo no seio da corrupção, já estão manchadas antes de se haverem entregado, e tornam-se prostitutas antes da puberdade.»
No fim da vida, quando perdiam a beleza, não se podendo prostituir, traficavam a virgindade das mais novas. Daí o célebre provérbio francês:
«Vieille bohémienne et maquerelle sont deux les seurs jumelles.» [Cigana velha e alcoviteira são irmãs gémeas].
Em França o preconceito em relação aos ciganos tem pois origem nesta associação do séc. XV e XVI aos mendigos e população marginal da cidade de Paris e desde este tempo a autoridade civil e eclesiástica os considerou inimigos da ordem pública, perseguindo-os com rigor, por predisporem o povo à dissolução:
Um édito de 1560 ordenava aos governadores das províncias que os exterminassem a fogo e a ferro, outro édito de 1610, que os desterrassem do reino sob pena de galés e constituíram muitas vezes a população forçada das colónias francesas do Novo Mundo.
A mesma associação às classes marginais e preconceito não foram superados até hoje, e é por essa razão que o Estado Francês persegue os ciganos com a passividade da maioria dos cidadãos.
Em Espanha, onde os ciganos entraram também no século XV, a ideia que os autores da época deles faziam era a mesma, mas foi-se modificando por circunstâncias particulares:
«Parece que los gitanos y gitanas, diz Cervantes logo no primeiro parágrafo da sua novela «La Gitanillha», solamente nacieron en el mundo para ser ladrones: nacen de padres ladrones, críanse con ladrones, estudian para ladrones y, finalmente, salen con ser ladrones corrientes y molientes a todo ruedo; y la gana del hurtar y el hurtar son en ellos como acidentes inseparables, que no se quitan sino con la muerte.»
Contudo em Espanha, os ciganos fixando-se maioritariamente na Andaluzia, misturaram-se com a classe mais baixa, que era a população mourisca, a qual era maioritária ainda nos antigos reinos de Granada e Múrcia.
De resto, o povo cigano como o andaluz, era orgulhoso das suas tradições. Eram ambos muito individualistas e leais à instituição familiar. Assim nasceu a sociedade do «flamenco»; termo que designava ciganos, pessoas sem posse de terra, derivado do árabe das palavras «fellahu» (ou «felco») camponês, e «mengu» errante. E é curioso como os mouriscos, após as espoliações seguidas à conquista de Granada se tornaram camponeses sem terra, errantes como os ciganos, tornando assim completa a identidade entre estes dois povos e o termo «flamenco» identificativo destas duas etnias e passou a ser, após o século XVIII sinónimo de cigano andaluz.
Este facto é notado por alguns autores, entre os quais Karol Henderson Harding, que refere terem os ciganos combinado os complexos ritmos indianos com as melodias islâmicas, introduzindo nela as palmas, as batidas dos pés e o ritmo quente do «flamenco» que associaram aos movimentos de quadril e expressão de fortes sentimentos e emoções de natureza árabe.
Referindo-se à cigana Preciosa de «La Gitanilla», continua Cervantes dizendo, a este propósito, que era «rica de villancicos, de coplas, seguidillas y zarabandas, y de otros versos, especialmente de romances, que los cantaba con especial donaire» e referindo-se à qualidade de dançarinos dos ciganos, que «a primera entrada que hizo Preciosa en Madrid fue un día de Santa Ana, patrona y abogada de la villa, con una danza en que iban ocho gitanas, cuatro ancianas y cuatro muchachas, y un gitano, gran bailarín, que las guiaba».
Mas são precisamente as semelhanças de apego à vida familiar que os autores espanhóis já do séc. XVI, nomeadamente Cervantes, realçam e explicam a integração dos ciganos na sociedade andaluza:
«Escoge entre las doncellas que aquí están, diz um cigano velho, que Cervantes pôs em cena em «La Gitanilla», la que más te contentare; que la que escogieres te daremos; pero has de saber que una vez escogida, no la has de dejar por otra, ni te has de empachar ni entremeter, ni con las casadas ni con las doncellas. Nosotros guardamos inviolablemente la ley de la amistad: ninguno solicita la prenda del otro; libres vivimos de la amarga pestilencia de los celos. Entre nosotros, aunque hay muchos incestos, no hay ningún adulterio; y, cuando le hay en la mujer propia, o alguna bellaquería en la amiga, no vamos a la justicia a pedir castigo: nosotros somos los jueces y los verdugos de nuestras esposas o amigas; con la misma facilidad las matamos, y las enterramos por las montañas y desiertos, como si fueran animales nocivos; no hay pariente que las vengue, ni padres que nos pidan su muerte».
(Continua no dia 29 de Setembro.)
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

A Assembleia Municipal do Sabugal reúne em sessão ordinária no dia 24 de Setembro de 2010, pelas 20.15 horas no Auditório Municipal de Sabugal. A ordem de trabalhos consta do edital que publicamos na íntegra.

Sabugal«ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE SABUGAL
Sessão Ordinária do dia 24 de Setembro de 2010

Ordem de Trabalhos

Antes da Ordem do Dia
1 – Discussão e votação da Acta da Sessão Ordinária realizada no dia 25.06.10.
2 – Expediente.
3 – Assuntos Diversos.

Ordem do Dia
1. Taxas do Imposto Municipal Sobre Imóveis.
2. Taxa Municipal de Direito de Passagem.
3. Participação Variável no IRS.
4. Regulamento Municipal de Taxas, Licenças e Prestação de Serviços do Município do Sabugal.
5. Plano Regional do Ordenamento do território da Região Centro.
6. Regulamento de Urbanização e Edificação para o Concelho do Sabugal.
7. Reorganização dos Serviços Municipais.
8. Proposta de classificação da Capeia Arraiana como Património Cultural Imaterial de interesse Municipal.
9. Convénio de Cooperação Territorial Europeia entre os membros da Espanha e Portugal. Douro/Duero – AECT.
10. Parecer do Revisor Oficial de Contas, sobre a informação financeira semestral.
11. Actividade Municipal.

Período de intervenção do público

O Presidente da Assembleia Municipal
Ramiro Manuel Lopes de Matos»

Há já algum tempo que fomos abordados pelo Sr. Nando, empresário no Sabugal, para que nós, Junta de Freguesia de Foios, pudéssemos criar condições para receber os amantes do caravanismo.

Caravanas

José Manuel Campos - Nascente do CôaDesde há alguns anos a esta parte que as sucessivas Juntas se têm preocupado com a aquisição de terrenos junto do parque de merendas local. No total já foram adquiridas nove parcelas a ponto de hoje possuirmos um espaço, com cerca de dois hectares, onde estamos empenhados em criar as condições possíveis para que os caravanistas venham com maior frequência.
Há já cerca de uma semana que três famílias de caravanistas por aqui têm andado. Pernoitam no parque de merendas e de dia passeiam pela zona.
Hoje, de manhã, fiz questão de cumprimentar as ditas famílias e disseram-me que, se criarmos as condições mínimas, na próxima Primavera ou no próximo Verão poderão vir três dezenas de caravanas.
Confesso que a ideia nos anima e prometemos que tudo faremos para criar as condições para que essa gente continue a visitar-nos e que tragam outros amigos.
Dentro de dias vamos procurar avistar-nos com o Sr. Nando para que ele nos possa orientar nos trabalhos que é necessário levar a efeito.
Procuraremos avistar-nos também com o Sr. Presidente do nosso Município para que também nos possa conceder a ajuda possível. Não será propriamente apoio financeiro mas sim apoio técnico e de alguma maquinaria.
Julgo, tenho a certeza, que com a boa vontade de todos poderemos concretizar este objectivo que depende, essencialmente, de algumas boas vontades.

«Turismo é futuro!»
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com

Tiago Monteiro conquistou este fim-de-semana a segunda vitória da temporada no WTCC. O piloto português venceu de forma brilhante a segunda corrida, depois de ter largado da terceira posição. Piloto português soma mais 33 pontos no WTCC e regressa ao quinto lugar do Mundial.

Tiago MonteiroNa primeira corrida, Tiago Monteiro terminou no sexto lugar, o que lhe garantiu o lugar na segunda linha da grelha de partida para a ronda da tarde.
A corrida do piloto português começou com uma excelente partida. Tiago defendeu-se bem do ataque de Andy Priaulx e conseguiu em simultâneo atacar o segundo posto. Ainda na primeira volta, Tiago assumia o comando depois de ultrapassar o SEAT de Fredy Barth. Ao longo de toda a corrida, o León TDi imprimiu um ritmo muito forte, superior a toda a concorrência. A vitória em Valência deixa o piloto da SR-Sport naturalmente satisfeito:
«Correu tudo como queríamos. O carro estava perfeito e a partida correu muito bem. Depois de ter ultrapassado o Barth continuei a imprimir um ritmo forte porque sabia que não podia facilitar. Na primeira corrida o carro estava muito difícil de pilotar e isso deixou-me preocupado. Mas as alterações que fizemos na afinação resultaram e o León TDi melhorou muito. Quero agradecer à equipa todo o trabalho deste fim-de-semana. Conseguimos ser mais fortes graças ao esforço de todos», sublinhou Tiago.
Com a vitória de Tiago Monteiro na segunda corrida e de Gabrielle Tarquni na primeira a SEAT mantém-se na corrida para o título e solidifica o segundo lugar na tabela de construtores. A próxima ronda realiza-se no Japão. O circuito de Okayama volta a receber a caravana do WTCC entre os dias 29 e 31 de Outubro.
jcl

Cada vez é maior a influência de organizações judaicas – lobbys – nos Estados Unidos e na Europa. Influência a nível político, económico, cultural, histórico e religioso.

António EmidioQuero que fique bem claro o seguinte: do que conheço da história, leva-me a crer que nenhum povo foi tão injuriado e perseguido, como o povo judeu. Vejamos os pogromes e o Holocausto. Surgiu então o sionismo, um movimento benigno, humanitário e político, com o fim de criar uma pátria, um refúgio para os judeus perseguidos no Mundo. Mas infelizmente esse movimento começa com uma «limpeza étnica» e apropriação indevida de terras pertencentes aos palestinos, deu origem esse facto a sessenta anos de ódio e guerra. Pessoalmente creio que há lugar para dois Estados totalmente independentes, o Estado de Israel e o Estado Palestino.
Desde há uns tempos a esta parte, os governos israelitas são formados por extremistas de direita e ultra ortodoxos, o que está a dar origem a uma cada vez maior radicalização dos problemas do Médio Oriente. Um político europeu que neste momento está em Israel, convidado pelo Congresso Mundial Judaico, uma das organizações judaicas mais importantes e polémicas, é José Maria Aznar, antigo primeiro ministro espanhol e, um homem de extrema direita, um franquista. Criou um lobby que se chama – Friends of Israel Initiative -. Num discurso que pronunciou no Congresso Mundial Judaico, criticou Obama dizendo que este se alia com os inimigos do Ocidente, referindo-se como é óbvio a muçulmanos e árabes. Foi muito aplaudido pelos delegados do Congresso, que detestam Obama e adoram George Bush.
Tudo isto é influência de 50 importantes organizações – lobbys – que conseguem que a política externa americana seja sempre orientada em função dos interesses israelitas. Esses extremistas não toleram a emigração árabe e muçulmana na Europa, consideram-na um perigo para a «civilização judaico-cristã».
O extremismo por parte dos judeus israelitas chega ao ponto de afirmarem que existe um «gene judeu» um gen particular que os faz diferentes dos outros povos. Considero isso uma manifestação de racismo. Sendo assim, consideram-se uma raça superior!
Numa entrevista ao «Jerusalém Post», o jornal do núcleo duro da política e da ortodoxia religiosa, que faz um aproveitamento de tudo para engrandecer Israel e o judeus, escreveu isto: O ministro do Interior israelita, numa entrevista a esse mesmo jornal afirmou: «Um converso (ao judaísmo) se for convertido por um (rabino) ortodoxo, tem gene judeu. Se não se converter através de um (rabino) ortodoxo não tem gene judeu. Assim de fácil.» Este senhor pertence ao partido ultra-ortodoxo Shas. Tudo serve para engrandecer a sua história e a sua religião, a verdade e, também a mentira.
Como atrás referi, os lobbys judaicos estão a ter cada vez mais influência na Europa. Está a notar-se essa influência também no poder local. Há presidentes de Câmara e outros políticos, que são convidados a visitar Israel, com tudo pago, para que depois escrevam ou dêem entrevistas, dizendo o que lhes disseram os funcionários israelitas. É minha opinião muito pessoal, que os lobbys, se não o estão já a fazer, irão influenciar as políticas locais, controlando candidaturas e influenciando resultados, sempre a favor do candidato ou candidatos que apoiam a política, a cultura, a história e a religião judaicas, o turismo tem já muita influência nisto. Não sei se o leitor (a) sabe que a conferência da OCDE sobre turismo vai realizar-se em Jerusalém.
Querido leitor (a), qualquer livro ou escrito críticos do poder e da influência dos lobbys judaicos, são submetidos a calúnias e protestos, chegando a este extremo: a decano dos correspondentes da Casa Branca, (Estados Unidos) Blanca Helen Thomas, não foi mais aceite nas conferências de imprensa da Casa Branca, a agência literária que representava os seus livros cancelou os contratos e, foi expulsa do jornal onde trabalhava como colunista, por ter dito: «Esta gente (os palestinos) estão a ser ocupados na sua própria terra…»
Uma coisa é certa querido leitor (a), existe presentemente um fervor nacionalista e religioso do judaísmo ortodoxo, que os próprios israelitas consideram sufocante e, até perigoso para o futuro de Israel. É mesmo sufocante… Só não vê quem não quer.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

No dia 18 de Setembro, militares da GNR do destacamento de Pinhel, identificaram três homens, com idades compreendidas entre os 31 e 49 anos, na localidade de Corujeira, freguesia de Santa Maria, Trancoso, por furto de cobre no valor estimado de 4.500 euros, num Poste de transformação de corrente eléctrica, pertencente à EDP.

Guarda Nacional RepublicanaEste tipo de crime vem-se tornando recorrente, sendo que, neste caso, os indivíduos tinham antecedentes criminais. Os mesmos foram constituídos arguidos e foi lavrada participação criminal, remetida ao Tribunal de Trancoso. Foi-lhe ainda apreendido o veículo em que se faziam transportar, bem como diversas ferramentas que utilizavam na actividade delituosa.
Segundo o comunicado semanal do Comando da Guarda da GNR, foram realizadas seis operações no âmbito da fitossanidade florestal, tendo sido fiscalizados 134 veículos e elaborados quatro autos de contra-ordenação.
Nos dias 16 e 19 de Setembro, o Serviço de Protecção da Natureza e Ambiente, levou a efeito duas operações de fiscalização da caça e da pesca, onde foram fiscalizados 26 caçadores e pescadores e elaborados dois autos de contra-ordenação.
Durante a semana transacta foram efectuadas sete detenções, das quais seis em flagrante delito, sendo quatro por crime de condução sob o efeito do álcool, uma por condução sem habilitação legal e uma por posse de arma proibida.
Para além das ocorrências de natureza criminal que motivaram a detenção dos seus autores, registaram-se outras ocorrências, das quais se destacam: 15 furtos, três danos, oito ofensas à integridade física, três ameaças, três casos de violência doméstica, dois de burla, dois de contrafacção de vestuário e três de incêndio florestal.
No período em referência registaram-se 31 acidentes de viação, sendo que 22 resultaram de colisão, cinco de despiste e quatro de atropelamento. Destes acidentes resultaram um morto, dois feridos graves e três feridos leves. Após análise sumária das causas dos acidentes registados, a GNR concluiu que a causa provável da sua maioria foi o desrespeito pela cedência de passagem.
plb

Uma das grandes bandeiras do Ministério da Educação, desde o tempo de Maria de Lurdes Rodrigues já deu a «barraca» que seria expectável. Trata-se do «Programa Novas Oportunidades» de que o Governo de José Sócrates fez a maior propaganda, afirmando que se pretendia qualificar mais de um milhão de portugueses que não tinham tido oportunidade de estudar.

Novas Oportunidades

João Aristídes Duarte - «Política, Políticas...»Com poucas horas por dia, em menos de um ano e em horário pós-laboral, toda a gente ficava qualificada. Mas em conversa que tive com algumas pessoas que participaram, como formandos, nesse Programa parece que não era necessário saber Inglês, nem Matemática, nem nada disso, bastava realizar um trabalho sobre o seu percurso de vida e estava feito.
Segundo noticia o hebdomadário «Expresso» um aluno chamado Tomás desistiu de estudar, sem terminar o Ensino Secundário. Com as «Novas Oportunidades» teve equivalência ao 12.º Ano em poucos meses e entrou na Universidade com média de 20 valores, sendo portanto um dos melhores, senão o melhor aluno do país.
Apesar de ter que realizar apenas um exame a Inglês, a média manteve-se nos 20 valores e concorreu em igualdade de circunstâncias com todos os alunos que tiveram que «dar o litro» durante o ano lectivo para terem média inferior ao Tomás.
Ele próprio reconheceu que beneficiou de uma injustiça.
Como se sabe as «Novas Oportunidades» dão hipóteses a que um adulto (como o caso de Tomás) que tenha apenas a antiga 4.ª Classe chegue, rapidamente, ao 12.º Ano e possa concorrer à Universidade em igualdade com os alunos do ensino normal.
Já se tinham ouvido uns rumores, durante a silly season de que haveria alunos das «Novas Oportunidades» que entregavam trabalhos copiados na Net e que os mesmos eram aceites. Mas como esses rumores apareceram durante a silly season parece que pouca gente tomou atenção a eles.
Bem avisaram os professores e outros profissionais de que o «Programa Novas Oportunidades» era uma grande treta, mas ninguém quis saber. Parece que ficou tudo maluco com a hipótese de conseguir o 9.º Ano ou o 12.º Ano em pouco tempo, sem estudar. Ainda concedo que houve algumas pessoas que não tiveram hipóteses de estudar, quando eram jovens, mas a maior parte dos participantes nas «Novas Oportunidades» deixaram de estudar porque quiseram. Estudar dava um certo trabalho (mas «desenvolve o cérebro», como disse a Ministra da Educação, Isabel Alçada, numa recente comunicação ao país). Todas as condições existiam para que estudassem, só que, nesse tempo, o facilitismo ainda não era total e alguns tinham que ficar pelo caminho, já que não queriam, mesmo «pegar em book».
Entretanto o Governo decidiu terminar com o Ensino Recorrente. Este ensino era para adultos, só que era realizado nas escolas, em horário nocturno e os alunos tinham que realizar testes e ter um determinado número de aulas, mas, basicamente, era o mesmo que o ensino normal. Isto é, tinha que se aprender para se ter sucesso educativo. E ninguém conseguia as grandes notas que se conseguem nas «Novas Oportunidades».
Evidentemente que, para quem se preocupa apenas com as estatísticas, como o Ministério da Educação, não fazia sentido manter o Ensino Recorrente que, para além do mais, implicava maior despesa. E bem se sabe que estes homens (e mulheres) do Ministério da Educação nunca dormem. Estão sempre à procura de uma qualquer solução para gastar pouco e apresentar os melhores resultados, em termos de estatísticas educacionais.
Foi a partir desta constatação, digo eu, que surgiu (também durante a silly season) a peregrina ideia de terminar com os «chumbos» em todos os graus de ensino, tornando Portugal (a nível estatístico, claro) o país mais qualificado da Europa, senão do mundo. Como exemplo a seguir apresenta-se, depois, a Finlândia. Enfim… sem comentários.

PS (salvo seja): A novela Mourinho/Madaíl parece que já chegou ao fim. Ainda bem, digo eu. Para continuar a «silly season» já temos cá que chegue. Mourinho é, para mim, uma das personagens mais detestáveis, pela sua arrogância, que existem.
«Política, Políticas…», opinião de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

Uma selecção de bravos sabugalenses levou a capeia arraiana ao concelho de Tábua no distrito de Coimbra. No sábado à noite, 18 de Setembro, mais de 2500 pessoas assistiram embasbacadas no campo de futebol às investidas de dois toiros no forcão e ao jogo de pernas e de bem rabejar da malta de Alfaiates, Aldeia da Ponte e Soito.

Capeia Arraiana - Tábua

O campo de futebol do Tabuense transformou-se para receber a Capeia Arraiana. No centro do terreno, no enfiamento da linha divisória do meio-campo foi montado um redondel com grades onde encostaram alguns reboques de tractor e um camião com semi-trailer para a assistência. No entanto a maioria dos mais de 2500 espectadores «guardaram» lugar na bancada lateral (que acompanha toda a lateral do campo) desde a abertura da portas cerca das 19.30 horas até que, pelas nove e meia da noite, o locutor de serviço anunciou aos presentes que ia ter início um espectáculo inédito em Tábua: a Capeia Arraiana.
E o mote estava dado para que os cerca de 30 bravos raianos equipados com uma t-shirt branca do Tabuense saltassem a vedação do redondel e retirassem do centro da arena o forcão que tinha sido o centro das atenções das bancadas. Como aperitivo para os dois grandes momentos da noite saiu do interior do camião uma bezerra que permitiu algumas brincadeiras aos tabuenses mais afoitos.
E pelas 22 horas fez-se história em Tábua e escreveram-se mais umas linhas na história das capeias e do Sabugal. O «triângulo de madeira» voltou ao centro da arena e o grupo de pegadores de forcão do concelho do Sabugal esperou o toiro – virgem nestas andanças – que se mostrou bravíssimo e duro provocando algumas mazelas nos rapazes e muitos danos nas galhas. Momentos mágicos que calaram as bancadas, surpreendidas pelo invulgar espectáculo nunca visto em terras de Tábua. No final da actuação enquanto o forcão recolhia para ser encostado às grades do redondel a assistência explodiu numa enorme salva de palmas. À nossa volta as conversas surpreendiam-nos. «Viste como eles mexiam as pernas», «eu não tinha coragem para estar assim à frente do boi», «nunca tinha visto nada igual», «agora já percebo para que servem aqueles paus todos» ou «aquilo é um jogo de equipa» foram alguns dos comentários escutados numa assistência rendida à bravura dos «irredutíveis raianos pegadores de forcão».
Após a garraiada com mais uma bezerra e o arranjo do forcão muito danificado pelo primeiro toiro foi tempo de lidar o «segundo» da noite. Mais certinho a bater no forcão permitiu uma exibição com maior brilho à selecção raiana que incluia rapazes de Alfaiates, Aldeia da Ponte e Soito.
A terminar e numa altura em que se pretendia puxar o toiro com uma corda para dentro do camião um jovem tabuense mais atrevido (e menos previdente) foi colhido e teve que ser transportado ao hospital.
A iniciativa teve como base a recolha de fundos e um gesto de solidariedade para com o presidente do clube tabuense, Carlos Ferreira, que continua hospitalizado após um grave acidente de viação na África do Sul por alturas do Mundial de futebol.
A organização – a cargo do Grupo Desportivo Tabuense – agradeceu à Câmara Municipal e Junta de Freguesia de Tábua e à Câmara Municipal do Sabugal e Juntas de Freguesia de Alfaiates, Aldeia da Ponte e Soito pela disponibilidade e apoio na concretização do espectáculo taurino.
Os poderosos toiros (e os bezerros) pertenciam à Ganadaria Santos Silva de Isidro Ricardo de Montemor-o-Velho.
O Capeia Arraiana aproveitou estes momentos inéditos para trocar algumas palavras com Francisco Ivo Portela, presidente da Câmara Municipal de Tábua, com fortes ligações a Aldeia do Bispo, terra de onde a esposa é natural, e que se mostrou agradado pela presença raiana no seu município. «Estou muito satisfeito por termos assistido a uma capeia arraiana aqui em Tábua. Mas gostaria de destacar que a ideia é de António Vaz, director do departamento administrativo e financeiro da Câmara de Tábua, também natural do concelho do Sabugal. Depois, foi só contar com a pronta disponibilidade do presidente Robalo e a generosidade das gentes raianas e dos presidentes das juntas aqui presentes», esclareceu o presidente Portela que, visivelmente satisfeito, ainda nos deixou uma novidade: «Estou muito contente. Ofereceram-me este forcão. Vou guardá-lo e… no próximo ano… talvez seja novamente necessário.»
A Câmara Municipal do Sabugal esteve representada pela vice-presidente Delfina Leal e pelo chefe de gabinete do presidente, Vítor Proença, que teve uma tarde muito ocupada na preparação do forcão. Marcaram ainda presença os presidentes da Juntas de Freguesia de Alfaiates, Aldeia da Ponte e Soito.

Jornada memorável de divulgação do Sabugal e da tradição «Capeia Arraiana». Esta iniciativa prova que é tempo de pensar em constituir uma associação de pegadores de forcão do concelho do Sabugal que permita formar um plantel de 50 ou mais nomes disponíveis para pegar ao forcão sempre que solicitados. Mais coisa menos coisa poderá ter as características de um grupo de forcados amadores que possa actuar em todas as praças do país e estrangeiro cobrando o respectivo cachet. Com as dificuldades que estão a ser levantadas por alguns fundamentalistas aos espectáculos taurinos é tempo de sugerir aos organizadores das tradicionais touradas que incluam um toiro para forcão nos espectáculos. Assumo e defendo que a capeia arraiana pode e deve ir a todos os lugares do planeta desde que o forcão leve inscrita a palavra «Sabugal» e a equipa de pegadores seja maioritariamente constituída por naturais ou descendentes sabugalenses.
jcl

Uma selecção de bravos sabugalenses levou a capeia arraiana ao concelho de Tábua no distrito de Coimbra. No sábado à noite, 18 de Setembro, mais de 2500 pessoas assistiram embasbacadas no campo de futebol às investidas de dois toiros no forcão e ao jogo de pernas e de bem rabejar da malta de Alfaiates, Aldeia da Ponte e Soito.

GALERIA DE IMAGENS   –   TÁBUA  –   CAPEIA ARRAIANA
Fotos Capeia Arraiana – Clique nas imagens para ampliar

jcl

Uma selecção de bravos sabugalenses levou a capeia arraiana ao concelho de Tábua no distrito de Coimbra. No sábado à noite, 18 de Setembro, mais de 2500 pessoas assistiram embasbacadas no campo de futebol às investidas de dois toiros no forcão e ao jogo de pernas e de bem rabejar da malta de Alfaiates, Aldeia da Ponte e Soito.

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