Paulatinamente, o Lar vai trilhando o seu caminho e, assim o esperamos, crescendo e amadurecendo. Após dois anos de existência, e numa era em que o país atravessa uma crise especialmente complexa, seria incontornável dedicar umas palavras ao tema Lar. Hoje, mais do que nunca, é forçoso despertar consciências, mobilizar vontades e apostar forte neste bem precioso, «os idosos». Caminho vasto e apaixonante, com inúmeros cambiantes e não menos perspectivas, mutáveis conforme a cor e a matiz ideológica dos governantes.

José Augusto VazOntem, dia 29 de Agosto, com a presença de Sua Exª Rmª o Bispo da Guarda, D. Manuel Felício, Sua Exª o Governador Civil da Guarda, Dr. Santinho Pacheco, a Exmª Vice-Presidente da Câmara Municipal, Drª Delfina Leal, em representação do seu presidente, Sr. Eng. António Robalo, o Director do Instituto da Segurança Social, Dr. José Albano, a Coordenadora do Grupo Regional da Guarda da União das Misericórdias, Drª Infância Pamplona, em representação do Presidente da União das Misericórdias, Dr. Miguel Lemos, Pároco da Freguesia, Rer. Padre Hélder e muito público, o Lar Nª Senhora do Rosário, de Bismula, celebrou o seu 2º aniversário.
Apresentar este tema, que nos deu particular prazer idealizá-lo, concretizá-lo, traduz o nosso maior desejo: para que o nosso Lar possa, a seu modo, contribuir, seja a que nível for, para uma causa que, por utópica que pareça, é premente e imperioso abraçar.
Nesta hora, é inevitável olhar para trás, medir o caminho percorrido e fazer o balanço da acção destes dois anos. Na hora da verdade, não há palavras que substituam o que não se fez, nem artes mágicas que pintem a realidade cor-de-rosa. Do mesmo modo não há palavras que destruam o que se fez, nem mágicas que apaguem a obra. O Lar aí está, altivo, sobranceiro, a receber os muitos visitantes, enquanto desempenha a sua função social. Está tudo à vista; as pessoas julgarão por si.
É com prazer, que vejo no dia a dia imagens de pessoas de todas as idades no nosso Lar. Mas, o prazer que sinto perante esta constatação não impede que transporte também comigo esta preocupação permanente em fazer mais, em fazer do Lar um lugar de mais e melhor atracção da parte dos idosos.
Os tempos que nos esperam serão de pouca abundância, a esperança, esse antídoto que nos motiva, orienta e estimula a vida, deve constituir-se como uma referência associada não só a dias melhores mas, também e principalmente, a uma prática de maior rigor na utilização dos recursos, de maior criatividade e inovação nas soluções a encontrar. Fazer mais e melhor, despertando solidariedades, deve ser o objectivo, já que a razão suprema da nossa missão é, na sua essência, a de servir o outro!
Como Provedor da Misericórdia, uma Instituição de Apoio Social por nós criada, que não se resume à Bismula mas a sua acção extravasa o nosso concelho e o próprio Distrito da Guarda, continuarei a servir a causa pública, em especial aqueles a quem a idade mais pese, de quem a saúde mais se afasta, de quem o familiar mais próximo partiu primeiro, enfim de todos os desprotegidos, os desafortunados, os desvalidos em geral, para todos haverá, na medida do possível, um porto de abrigo bom. Continuaremos a ser dignos e a honrar todos aqueles que em nós confiaram e contribuíram para continuarmos a ser uma referência a nível distrital.
Há momentos na vida em que me questiono se todo o trabalho e investimento terá a sua repercussão; depois obtém-se a resposta através da concretização de que nos orgulhamos, prova que «o meu – nosso» empenho nunca foi em vão. Digo «nosso» porque ninguém consegue fazer nada sozinho e, como tal, quero aqui agradecer e partilhar com todos aqueles que comigo sempre estiveram neste projecto epopeico do LAR. De uma forma muito especial aqueles cujos nomes constam daquela placa, mas não só, também todos aqueles que doaram menores importâncias – e foram muitos – me merecem igual referência.
Só com o empenho de todos foi possível vencer e realizar este projecto.
Mas, porque hoje é dia de festa, um momento agradável de encanto e verdadeiro prazer que partilho com todos vós, onde nos esquecemos dos problemas do dia a dia, onde as preocupações ficam à porta, permitam-me, minhas senhores e meus senhores, que eleve, aqui, algumas pessoas:
Assim, é meu dever reconhecer, aqui, publicamente, a acção do Grupo de Lisboa, nomeadamente do Manuel da Oliveira, José Fernandes e outros que a eles se aliaram, percorrendo as ruas da Capital por diversas vezes, com peditórios para o Lar que vieram a tornar-se muito rendosos, graças aos muitos Bismulenses, ali residentes que abraçaram a causa do Lar.
A Directora Técnica do Lar, Dra Suzete Nobre, pelo seu inexcedível e exemplar trabalho a que coloca todo o seu engenho e arte em prol do Lar; pela sua grande disponibilidade no acompanhamento dos utentes doentes e uma indissociável afabilidade cativante da estima de todos; pela sua acção firme, indulgente e aprimorada como rege as funcionárias, actos verdadeiramente singulares que a elevam à categoria de uma profissional sensata, com muito calor na alma. Predicados relevantes que a tornam digna e credora do nosso mais alto apreço e reconhecimento público.
O Vice-Provedor, Sr. António Dias, indefectível companheiro, pela sua coragem e serenidade de não desistir mas sempre, sempre, me acompanhar na fase de construção do lar, em centenas de milhares de quilómetros, nos nossos carros, alternando desinteressadamente e sem olhar a despesas, dias e noites, sem nada receber em troca. Já no funcionamento do Lar, há dois anos iniciado, vem sendo um autentico colaborador sempre disponível no prever para prover, prevenir e abastecer o Lar com os bens necessários. Por tudo isto, é justo o nosso reconhecimento público.
A todos os membros dos Corpos Gerentes, que nunca nos regatearam o seu apoio, em especial o Presidente da Assembleia Geral, Dr. Leal Freire, e o Presidente do Conselho Fiscal, Sr. João de Deus Martins Leal que, residindo no Porto, sempre prontamente aqui se deslocaram às Assembleias Gerais, por sua conta e risco, e ás funcionárias do Lar que, por certo, fazem o seu melhor, o nosso reconhecimento.
Também, uma saudação especial àqueles que são a razão da existência do LAR, os nossos utentes, aos quais tudo faremos para tornar confortável a sua qualidade de vida e auto-estima.
Finalmente, não posso deixar de referir três mulheres dentre as muitas que sempre nos apoiaram: D. Maria Otília Ramos, pela força, coragem com que sempre abraçou e defendeu o «Lar». A sua deslocação de Lisboa à Guarda, de comboio, para, na qualidade de Tesoureira da Misericórdia, reconhecer a sua assinatura presencialmente, a última para a assinatura do contrato de construção do Lar com o empreiteiro, no dia 2 de Março de 2007. E, ainda, pela sua prestimosa e correcta orientação da Capela do Lar, e colaboração na distribuição da medicação aos nossos utentes.
À minha esposa Maria Isabel Lopes Vaz e à Dona Adelaide Sanches Dias, esposa do Vice-Provedor, Sr. António Dias, quero aqui render meu preito de admiração e gratidão por personificarem, encarnarem e defenderem a nossa luta diária pelo Lar como sendo a sua luta, vivendo-a quantas vezes, no silêncio e na angústia da mais negra solidão, um dia após outro, com enormes sacrifícios, e sem o mais leve desânimo. Um procedimento denodado, nobre e valoroso que as qualifica de verdadeiros esteios do nosso apoio e autêntico sustentáculo da protecção e defesa do sonho concretizado «O LAR».
Para estas três mulheres o nosso reconhecimento público, e uma salva de palmas.
Como referiu um dia o Poeta Fernando pessoa: «Sê todo em cada coisa. Põe quanto és. No mínimo que fazes». É com este espírito que queremos continuar, acreditando serenamente no futuro, mesmo nestes tempos de tempestade, pessimismo, desmotivação, dor e incompreensão. Porque sou um homem de fé que acredita no Além, prefiro ser um optimista e enganar-me, que ser um pessimista e ter sempre razão.
Esta é uma página brilhante que transporá seu brilho para o livro do Lar, a editar brevemente.
Para que, como disse ainda o poeta: «Em cada lago a lua toda. Brilha. Porque alta vive».
O Lar é a nossa lua. Porque alto vive em nós. Obrigado.
José Augusto Vaz (Provedor da Misericórdia da Bismula)

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