Há uns dias atrás foi preso o «melhor empresário nacional», como era conhecido em Espanha José Mestre Fernandes. Tinha recebido há pouco tempo das mãos do Presidente da Generalitat (governo Catalão), o prémio de melhor empresário nacional. Foi detido juntamente com alguns narcotraficantes num hotel, tinha na sua posse 200 quilos de cocaína.

António EmidioÉ na droga que os Estados Unidos têm uma das maiores fontes de recursos económicos, é através do mercado de drogas ilícitas e, na lavagem de dinheiro que arrecadam somas astronómicas.
Depois de invadirem o Afeganistão, aumentou significativamente o cultivo da papoila nesse país. É dela que se extrai o ópio, este por sua vez gera 90 por cento da produção mundial de heroína. O Afeganistão ocupa o primeiro lugar na produção de drogas no Mundo, os Estados Unidos e a União Europeia são os maiores beneficiários dessa droga.
A CIA e a DEA, organizações policiais secretas dos Estados Unidos, são quem controla o negócio do narcotráfico a nível mundial, juntamente com empresas e bancos sediados nesse mesmo país. Esse controlo é considerado tão importante como o controlo exercido sobre o petróleo e o gás natural.
Um quilo de ópio produz mais ou menos 100 gramas de heroína pura, 6.000 toneladas de ópio, que é quanto sai do Afeganistão, podem produzir 1.200 toneladas de heroína, o que dá um lucro de 195.500 milhões de dólares. O Afeganistão e a Colômbia, dois países ocupados militarmente pelos Estados Unidos, são quem produz maior quantidade de drogas no Mundo e alimentam uma quantidade enorme de criminosos. Segundo estimativas das Nações Unidas, os grupos criminosos manejam 1.6 biliões de dólares por ano em todo o Mundo.
Amigo leitor(a), a guerra a nível mundial contra o narcotráfico está a ser ganha pelo crime organizado, pelas máfias americanas com as suas ramificações no Extremo Oriente, América Latina e Afeganistão.
A droga tem a ver com bancos, paraísos fiscais e corrupção dos poderosos. Ainda há bem pouco tempo, nos Estados Unidos, o banco Wachovia foi acusado de lavar 380 mil milhões de dólares de dinheiro dos narcos (crime organizado) mexicanos. O que aconteceu ao banco? Uma simples repreensão e, promessa perante a lei de não voltar a fazer o mesmo.
Cair nas malhas da justiça? Só o «peixe miúdo» e, o que não colabora, caso de Manuel António Noriega, por exemplo. No início da actual crise económica, muitos bancos conseguiram sobreviver devido a «dinheiro vivo» proveniente do narcotráfico.
Não sei se o leitor(a) sabe que no acidente do voo da Air France, Rio de Janeiro – Paris, em 1 de Junho de 2009, iam nesse voo, dois investigadores do tráfico internacional de armas, um argentino e um suíço. Investigavam nessa altura o tráfico de armas e drogas no Brasil. Trabalhavam num projecto com as autoridades brasileiras para cortarem o fluxo de armas aos bandos da droga nas favelas do Rio de Janeiro.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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