Estamos a assistir neste princípio de século, a transformações de ordem social profundas a nível mundial. Da maneira que forem conduzidas essas transformações dependerá a justiça social, a igualdade a Liberdade e a Democracia.

António EmidioUm perigo está presente: a Globalização Económica e o avanço veloz da tecnologia, que ultrapassam a capacidade dos Estados e dos seus governantes eleitos democraticamente. Isto traz consequências gravíssimas, entre elas está a concentração da riqueza em cada vez menos mãos e, o retrocesso dos direitos e das liberdades, no fundo, da Democracia.
A presente ameaça para o homem não vem só da crise capitalista, vem também dos partidos de esquerda, entre eles a Social-Democracia e o Socialismo em Liberdade (presentemente estas forças políticas aproximam-se cada vez mais da direita medieval, mas nasceram e formaram-se como partidos de esquerda e, até aos anos oitenta do século passado governaram à esquerda). Mas será que esse projecto Social-Democrata, Socialismo em Liberdade, se perdeu por completo? Perderam-se os ideais Social-Democratas e Socialistas? Não! O que acontece é que uma nova vaga de governantes de esquerda pôs em causa o Estado Social, o Estado de Bem Estar e, usam políticas próprias do neoliberalismo, ou seja, deixaram-se voluptuosamente sodomizar pelo pensamento único, tudo por falta de personalidade e conveniências materiais, originando retrocessos sociais, privatizações selvagens, espoliações das riquezas do Estado, para as pôr nas mãos de alguns. Não lhes interessa uma transformação social, estão contaminados ideologicamente pelo ideal neoliberal, que é um ideal só de ganância.
Que fazer para mudar isto? Que fazer para voltar a dar dignidade aos cidadãos e libertá-los desse jugo neoliberal que cada vez os oprime mais? A nossa consciência moral, querido leitor(a), caminha mais rápido que a capacidade das instituições políticas encontrarem soluções para este estado de coisas. Sabemos que queremos mais do que votar cada quatro anos, queremos participar na mudança, somos conscientes dos excessos do Capitalismo Selvagem que vai criando pobreza a um ritmo assustador. Sabemos que há alternativa, sabemos que temos de democratizar a economia, sabemos que são necessárias mudanças políticas interessadas no bem estar dos cidadãos, do bem estar social, sabemos que é necessário emprego para todos, temos de defender a dignidade do trabalho e, não ver nele uma mercadoria, como faz a maldita lógica do mercado, por isso tanto desemprego, tanta precariedade laboral e tantos códigos de trabalho Manchesterianos. Sabemos também que é necessário equilíbrio ecológico.
Os direitos sociais na saúde, na educação, nas pensões e nas políticas de igualdade, são a base ideológica da Social-Democracia e do Socialismo em Liberdade, só estes direitos trazem Democracia e Liberdade.
É preciso mais Estado (não este, o neoliberal, que rouba aos necessitados e às classes médias baixas, para dar ao grande poder económico), mais e melhor Democracia e, uma das coisas mais importantes, que a política prevaleça sobre a economia.
Não se esgota a justiça social e o Estado Social, na Social-Democracia, nem no Socialismo em Liberdade, mas é a partir deles que a humanidade partirá para um Estádio mais avançado de civilização.
Autênticos sociais-democratas e socialistas, tendes um encontro com a história, não falteis, se faltardes, caminharemos para o abismo.
Amigo leitor(a), já devia ter reparado que não tenho feito nenhum comentário àqueles artigos que mais me tocam e, nos que a mim dizem respeito. Resolvi silenciar-me, não para fugir às críticas, muito comentei, muito escrevi. Mas noto que começa a não haver lugar para mim e para os meus ideais. Sou um derrotado e, como todos os derrotados sinto uma imensa solidão que por mais paradoxal que pareça, só a consigo colmatar com o silêncio. É a «noite escura da alma», é o preço que pago por ser fiel à minha consciência e, fugir do narcisismo e da glória, que são modelos pouco nobres, e até vulgares, de conduta. Adeus querido leitor(a) pelo menos, por agora, aqui nos comentários.
Mas porque continuo a escrever? Não sei responder ao certo, talvez por necessidade espiritual, psicológica, pessoal, cultural, sinceramente não sei. Ao fazer esta pergunta a mim mesmo, lembrei-me de Che Guevara, porque resistiu até à morte quando estava rodeado de inimigos? Não sabia que ia morrer? É esse facto histórico, esse exemplo de coragem e perseverança na defesa de um ideal que me leva a não largar a minha arma que é a caneta. Mas um dia, serei «abatido».
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

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