Depois de passar novamente por Gotham City, a mítica cidade protegida por Batman, o realizador Christopher Nolan pegou num projecto antigo. «A Origem» pode ser comparado ao primeiro «Matrix» na questão dos universos paralelos, mas fica-se por aí.

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia ArraianaEm «A Origem» o realizador britânico, que se tornou mundialmente conhecido há precisamente 10 anos com o filme de culto «Memento», conta a história de um assaltante com uma particularidade muito especial. A sua especialidade não é roubar bancos ou automóveis, mas sim entrar nos sonhos das vítimas e roubar-lhes as ideias. Um métier bastante procurado por empresas que pretendem roubar segredos dos rivais, numa espécie de espionagem empresarial alternativa.
Mas a acção de «A Origem» não se centra no roubo de uma ideia. A proposta que é feita a Cobb é plantar uma ideia na mente do filho de um magnata às portas da morte para que este tome uma decisão que vai beneficiar o seu principal rival. Em troca o assaltante é aliciado com o regresso aos EUA onde está proibido de entrar, mas onde vivem os seus filhos que não vê há algum tempo.
Estamos perante um filme em que o argumento, da autoria do próprio Christopher Nolan, está de tal forma bem feito que todos os pormenores estão no sítio certo. Mesmo correndo o risco de se perder a meio, pois a missão de Cobb consiste em entrar em sonhos dentro de sonhos, que por sua vez estão dentro de outros sonhos, isso não acontece. Basta estarmos bem atentos e não perder pitada do que se passa, mas a própria narrativa se encarrega de ir explicando aos poucos como trabalha esta equipa dos ladrões de sonhos.
A OrigemOutro dos grandes pontos fortes de «A Origem» é o excelente elenco que o realizador conseguiu reunir. Leonardo DiCaprio, que tem vindo a revelar-se um grande actor nos últimos anos, nomeadamente desde que começou a trabalhar mais com Martin Scorcese, volta a provar que está entre os grandes. A par da estrela de «Titanic», a fita conta com duas jovens promessas: Ellen Page, que ficou conhecida há uns anos pelo seu papel em «Juno», e Joseph Gordon-Levitt, o jovem actor da série «O Terceiro Calhau a Contar do Céu» que aqui aparece numa grande produção depois de passagens pelo cinema independente. A estes junta-se os mais conhecidos Michael Caine, num curto papel, a francesa Marion Cottilard, que depois de interpretar Edith Piaf em 2007 tem conseguido firmar o seu nome em Hollywood aos poucos, Ken Watanabe e Cillian Murphy.
Não podendo ser comparado com «Matrix», o mais recente filme de Christopher Nolan de certo será um bom filme para quem gosta de uma boa história que dá um pouco que pensar, mesmo sendo uma fita de acção q.b.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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