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O Comando Territorial da GNR da Guarda levou a efeito, nos dias 28 e 29 de Agosto, a operação «Regresso Seguro», de intensificação de patrulhamento rodoviário, nas vias mais criticas do distrito, tendo constado inúmeras infracções ao Código da Estrada que motivaram a sua intervenção.

A operação privilegiou a actuação preventiva e o apoio aos utentes da estrada, numa perspectiva de reforço da segurança rodoviária, num período de elevado volume de tráfego.
Segundo o comunicado semanal, a Guarda Nacional Republicana esteve atenta aos comportamentos de risco dos condutores, designadamente excesso de velocidade e condução sob o efeito do álcool, bem como o incumprimento das regras que regulam o uso de dispositivos de sinalização luminosa, ao estado de conservação dos pneumáticos, ou uso de cintos de segurança e sistemas de retenção nos bancos dianteiros e traseiros, a utilização indevida do telemóvel e à condução agressiva.
Foram detidos quatro condutores, três deles por excesso de álcool e um por falta de habilitação legal para conduzir.
Na Operação, foram fiscalizados 394 veículos, tendo sido elaborados 70 autos de contra-ordenação por infracções à legislação rodoviária, nove dos quais por excesso de alcoolemia e 24 por excesso de velocidade.
Em 27 de Agosto, o Comando Territorial levou também a efeito uma operação de prevenção da criminalidade, com particular incidência na intercepção e abordagem de suspeitos da prática de crimes. Foram detidos dois indivíduos, com 19 e 25 anos de idade, por posse e tráfico de estupefacientes. Os detidos foram presentes ao Tribunal de Seia, que lhes aplicou a medida de coação de Termo de Identidade e Residência e uma caução de mil euros.
Na zona de fronteira com Espanha, foram realizadas três operações no âmbito da Fitossanidade Florestal, direccionadas para a fiscalização do Nemátodo do Pinheiro, tendo sido fiscalizados 53 veículos.
Em 28 de Agosto, durante uma acção de patrulhamento, militares do Posto Territorial de Foz Côa, detiveram, em flagrante delito, cinco indivíduos de nacionalidade búlgara (três homens e duas mulheres), com idades compreendidas entre 36 e 51 anos, residentes em Alfândega da Fé. Os mesmos foram surpreendidos pelos militares quando se encontravam a furtar diversos objectos em ferro, cobre e alumínio numa sucata naquela localidade.
O Núcleo de Investigação Criminal da Guarda apreendeu, no dia 24 de Agosto, 20 plantas de Cannabis Sativa, com altura compreendida entre 1,65 m e 2,30 m, que se encontravam cultivadas em vasos no logradouro da uma habitação na localidade de Carrapichana, Celorico da Beira. A investigação que contou com a colaboração da PSP da Guarda, permitiu a detenção, em flagrante delito, de um indivíduo de 31 anos de idade, desempregado, sendo-lhe também apreendidas 12 botijas de Gás Butano provenientes de furtos ocorridos no concelho de Gouveia.
No dia 29 de Agosto, durante uma acção de patrulhamento, militares do Posto Territorial de Freixedas, detiveram um indivíduo de 41 anos por crime de detenção de arma de caça em situação ilegal. Durante a fiscalização verificaram que o indivíduo transportava a arma no veículo e não possuía documentos da mesma pelo que procederam à sua apreensão e de cinco cartuchos.
Militares do Posto Territorial de Gouveia, na passada quarta feira, dia 25, na localidade de Nespereira, Gouveia, detiveram, em flagrante delito, um homem com 57 anos de idade e uma mulher com 47, residentes em Esposende, por caçarem espécies não cinegéticas. Aos indivíduos foram-lhes apreendidos oito pintassilgos (dois deles chamariz), 12 travessos, quatro gaiolas em madeira, uma rede e três grampos, entre outro material utilizado para a prática do crime de caça de espécies não cinegéticas. Os animais foram entregues ao CERVAS de Gouveia.
Na tarde do dia 28 de Agosto, militares do Posto Territorial da Guarda, detiveram em flagrante delito, um indivíduo de 47 anos de idade, residente em Maçainhas, Guarda, por crime de caça de espécies não cinegéticas. Ao mesmo foram-lhe apreendidos dois pintassilgos, sete milheiros e três gaiolas. Os animais foram neste caso restituídos à liberdade.
plb

Invasões Francesas, Liberalismo e República, muito se tem falado este ano sobre estes acontecimentos históricos. Para o ano, aqui no nosso Concelho, iremos comemorar os 200 anos sobre a batalha do Gravato, que se travou aqui bem perto da cidade do Sabugal, na margem direita do Côa em 3 de Abril de 1811.

António EmidioAcredito que a Câmara Municipal do Sabugal e a Junta de Freguesia também do Sabugal, não irão deixar passar esse dia, sem pelo menos, singelamente, homenagear todos aqueles que participaram nesse combate. Aliás, tanto a Câmara como a Junta, já nos habituaram durante o período democrático de trinta e seis anos, a honrar este povo e a sua história.
No nosso Concelho não foi só a batalha do Gravato que marcou a passagem dos exércitos franceses. Aldeia da Ponte, Soito e Quadrazais, ficaram quase em ruínas, as terras agrícolas junto a Malcata foram saqueadas, levando os seus produtos e, queimando as matas.
Este Artigo é para quem o ler, é público, mas vou escrever agora para todas as mulheres e homens do nosso Concelho que estão dedicados à causa pública, aquelas e aqueles que nós eleitores, democraticamente pusemos no poder.
A história do nosso Concelho confunde-se com o Mundo, o há bem pouco tempo falecido Tony Judt, o historiador mais lúcido da Social Democracia, no seu volumoso livro intitulado Pós-Guerra, a história da Europa desde 1945, diz o seguinte numa das suas páginas: «Num município português, Sabugal, no norte rural, a emigração reduziu a população local de 43.513 em 1950 para unicamente 19.174 trinta anos depois». Isto faz parte da história da Europa. As carências de toda a ordem obrigaram a partir, a responder à chamada de De Gaulle, milhares de habitantes do Concelho.
Todas as manhãs bem cedo, antes de ir para o trabalho, vou beber um café, quem se cruza comigo a essa hora também a caminho do trabalho? Búlgaros, ucranianos e sérvios. Quem me serve o café? Uma romena. O Sabugal e o seu Concelho também foram apanhados pela onda de choque causada pela queda do Muro de Berlim, a história está novamente presente.
Falei somente um pouco da história contemporânea, por uma questão de disciplina de espaço.
Presentemente o que poderá acontecer? Há quem por razões comerciais, interesses espúrios e sórdido autocentrismo, poderá querer apoderar-se da história do nosso Concelho, porque nesta sociedade em que infelizmente vivemos, predomina mais o consumo do que a cultura e o consumo traz lucro e prestigio social, a partir daí a história poderá ser deturpada, se com isso alguém tirar dividendos económicos ou políticos. Esta época é cínica, perdeu todo o pudor e guia-se por essa lei do tudo é permitido, para isso lá estão os «mass media» e a publicidade.
Termino com um apelo aos eleitos, não deixem privatizar a história do nosso Concelho.
E nós, cidadãos, não podemos ser uma massa amorfa e manipulável, temos uma história a defender. Eu, já a estou a defender.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

Realizou-se no domingo, 29 de Agosto, a inauguração em Aldeia de Santo António de mais uma obra de arte que embeleza e simboliza a freguesia.

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O monumento é composto por uma edificação de pequenas casas que querem representar habitações da nossa freguesia com traça antiga. O autor e escultor, Augusto Tomás, desenhou também um grande arco-íris, que na Bíblia, é o símbolo da Aliança entre Deus e o Seu povo. O monumento tem também iluminação nocturna que muito o embeleza. Os focos das luzes estão apontados aos dois grandes Carvalhos ali existentes dando-lhes um efeito maravilhoso.
Esta inauguração contou com a presença de um número significativo de participantes, onde agradeço desde já a toda a população local que ali se deslocou para apreciar esta obra de arte que nos orgulhamos de ter à entrada da nossa sede de freguesia.
Agradeço também a presença da representação da Câmara Municipal do Sabugal na pessoa do Sr. Vereador, Dr. Joaquim Ricardo, filho da freguesia e do Chefe de Gabinete, Vítor Proença. Contámos também com a presença do prior da Freguesia, Padre Dinis, que nos presenteou com umas bonitas palavras, que muito lhe agradeço pois trazem sempre uma mensagem de vida e esperança.
Quero também agradecer ao executivo anterior, na pessoa da antiga Presidente, Delfina Alves, que iniciou esta obra, concluída pelo executivo actual, que seguramente se tornará num símbolo para a nossa freguesia.
Convido desde já todos os sabugalenses e visitantes do concelho do Sabugal a fazerem uma visita ao local que contém, além do monumento, mesas, bancos e uma pequena fonte para que quem passe possa parar, apreciar e quem sabe, degustar o seu lanche num local muito agradável.
Nuno Mota
(Presidente da Junta de Freguesia de Aldeia de Santo António)

Quem passou por Aldeia da Dona nestes últimos dias de Agosto, reparou, de certo, na grandiosidade e originalidade da placa toponímica, colocada no ponto mais alto da entrada da nossa terra, no sentido da Nave para Aldeia da Dona.

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O seu criador A.L.Tony (artista plástico), reuniu alguns conterrâneos voluntários para edificarem esta obra gigantesca que vem enriquecer a nossa Aldeia Cultural, onde existem já inúmeras marcas de arte e de cultura.
Aldeia da Dona tem agora o seu nome em realce nesta placa original de quase 11 metros de altura, elevando para o céu a grandiosidade deste povo que possui vários filhos da terra que não deixam cair no esquecimento o nome da terra de seus pais e avós.
A.L.Tony foi fazendo crescer esta ideia aos longo deste ano, em terras francesas e foi nestes últimos dias de Agosto que o seu projecto se tornou realidade em Aldeia da Dona, com a ajuda e colaboração de cerca de uma dúzia e meia de «amigos da terra» que no próximo ano irão ver os seus nomes, gravados em placas de matriculas, e colocados na referia obra. Em realce está o nome da nossa terra, feito com letras reflectoras, que dão nas vistas a quilómetros de distância, na escuridão na noite, quando os faróis dos veículos incidem sobre esta placa original.
Parabéns ao impulsionador e a todos os que colaboraram de uma forma ou de outra, na edificação desta obra colocada à entrada da nossa aldeia cultural.
São de louvar estas iniciativas que vão enriquecendo o património da nossa terra e cuja divulgação vem tornando Aldeia da Dona cada vez mais conhecida e símbolo de originalidade.
Rita Leitão

A edição on-line de ontem, 29 de Agosto, do jornal israelita «The Jerusalem Post» contém um artigo que relata uma viagem a Portugal que passou pela Casa do Castelo, no Sabugal, onde a viajante se comoveu ao deparar-se com o altar representativo das práticas de culto dos judeus que foram obrigados a converter-se ao cristianismo.

O artigo, intitulado «No trilho dos judeus de Portugal», é escrito por Judith Fein, uma jornalista e escritora sobejamente conhecida, que manifesta o prazer de viajar pelo mundo em busca de vestígios dos povos judaicos.
Na visita que fez a Portugal, acompanhada pelo marido, a sua atenção centrou-se nos milhares de judeus que foram forçados a converter-se ao cristianismo, mantendo porém, às ocultas, a prática do culto original. A primeira etapa foi em Lisboa, no Largo de S. Domingos, junto ao Rossio, onde observou comovida o monumento às vítimas da intolerância e do fanatismo religioso. Naquele lugar foram queimados por ordem da Santa Inquisição alguns milhares de judeus em 1506.
Em Lisboa a autora percorreu ainda as ruas de Alfama, que era o bairro onde viviam muitos dos judeus que passariam a ser chamados «cristãos-novos», por se terem convertido ao cristianismo para evitarem a sua expulsão de Portugal.
Depois a jornalista tomou parte numa visita guiada até ao centro e norte de Portugal. A caminho de Belmonte, a comitiva passou no Sabugal. Quando se dirigiam ao castelo o guia, apontando a Casa do Castelo, informou: «Aqui encontraram um Aron HaKodesh».
Judith Fein conta que correu imediatamente para a casa, onde entrou e falou com a proprietária, a Natalia Bispo, que a acompanhou ao andar de baixo e lhe apontou um armário de pedra incrustado na parede.
A viajante ficou comovida: «No fundo do armário havia dois grandes buracos redondos. O meu coração bateu. Sabia instintivamente que os furos marcavam o local onde a Tora estivera. Há 15 anos que estudo, escrevo e falo sobre os judeus que viviam em segredo, mas esta foi a primeira vez que vi provas físicas das orações clandestinas no lugar onde elas aconteceram.»
Conta depois como Natália Bispo lhe explicou a descoberta do armário: «Há cerca de quatro anos, eu e o meu marido comprámos esta casa de pedra que estava muito velha e completamente degradada. (…) Nós queríamos transformá-la num restaurante e numa loja, chamada Casa do Castelo, onde pudéssemos vender produtos regionais e artesanato local. Durante o processo de restauração, descobrimos algo surpreendente: um armário fora do comum que estava embutido numa parede de granito de grande espessura, a cerca de três metros do chão. Tinha uma moldura de madeira, e duas portas também de madeira, e dentro tinha duas prateleiras de pedra. Na parte inferior tinha dois círculos afundados no granito. O armário foi observado por dois arqueólogos que consideraram tratar-se de um altar de culto judaico, um “Armário da Lei”, “Aron HaKodesh”, ou “Arca”. »
A jornalista conta como, face á emoção, lhe rodopiaram na mente possíveis explicações para aquele importantíssimo achado: «Estaria a olhar para o vestígio de uma sinagoga? A casa de um rabino? Quem tinha ali rezado? Será que a arca existiu antes da Inquisição? Seria usada durante e depois da Inquisição?»
Depois especulou a partir da posição geográfica do Sabugal, que está junto à fronteira com Espanha, sendo possível que os judeus expulsos desse país tenham tido abrigo nesta casa e que depois continuassem as práticas de culto em segredo, desafiando a proibição prescrita.
Já em Belmonte, vila que visitou pela terceira vez, falou com o director do Museu Judaico da sua «espectacular» descoberta no Sabugal, tendo-lhe António Mendes confirmado o uso desses armários pelos cristãos-novos, que assim mantinham a prática judaica em segredo.
plb

Paulatinamente, o Lar vai trilhando o seu caminho e, assim o esperamos, crescendo e amadurecendo. Após dois anos de existência, e numa era em que o país atravessa uma crise especialmente complexa, seria incontornável dedicar umas palavras ao tema Lar. Hoje, mais do que nunca, é forçoso despertar consciências, mobilizar vontades e apostar forte neste bem precioso, «os idosos». Caminho vasto e apaixonante, com inúmeros cambiantes e não menos perspectivas, mutáveis conforme a cor e a matiz ideológica dos governantes.

José Augusto VazOntem, dia 29 de Agosto, com a presença de Sua Exª Rmª o Bispo da Guarda, D. Manuel Felício, Sua Exª o Governador Civil da Guarda, Dr. Santinho Pacheco, a Exmª Vice-Presidente da Câmara Municipal, Drª Delfina Leal, em representação do seu presidente, Sr. Eng. António Robalo, o Director do Instituto da Segurança Social, Dr. José Albano, a Coordenadora do Grupo Regional da Guarda da União das Misericórdias, Drª Infância Pamplona, em representação do Presidente da União das Misericórdias, Dr. Miguel Lemos, Pároco da Freguesia, Rer. Padre Hélder e muito público, o Lar Nª Senhora do Rosário, de Bismula, celebrou o seu 2º aniversário.
Apresentar este tema, que nos deu particular prazer idealizá-lo, concretizá-lo, traduz o nosso maior desejo: para que o nosso Lar possa, a seu modo, contribuir, seja a que nível for, para uma causa que, por utópica que pareça, é premente e imperioso abraçar.
Nesta hora, é inevitável olhar para trás, medir o caminho percorrido e fazer o balanço da acção destes dois anos. Na hora da verdade, não há palavras que substituam o que não se fez, nem artes mágicas que pintem a realidade cor-de-rosa. Do mesmo modo não há palavras que destruam o que se fez, nem mágicas que apaguem a obra. O Lar aí está, altivo, sobranceiro, a receber os muitos visitantes, enquanto desempenha a sua função social. Está tudo à vista; as pessoas julgarão por si.
É com prazer, que vejo no dia a dia imagens de pessoas de todas as idades no nosso Lar. Mas, o prazer que sinto perante esta constatação não impede que transporte também comigo esta preocupação permanente em fazer mais, em fazer do Lar um lugar de mais e melhor atracção da parte dos idosos.
Os tempos que nos esperam serão de pouca abundância, a esperança, esse antídoto que nos motiva, orienta e estimula a vida, deve constituir-se como uma referência associada não só a dias melhores mas, também e principalmente, a uma prática de maior rigor na utilização dos recursos, de maior criatividade e inovação nas soluções a encontrar. Fazer mais e melhor, despertando solidariedades, deve ser o objectivo, já que a razão suprema da nossa missão é, na sua essência, a de servir o outro!
Como Provedor da Misericórdia, uma Instituição de Apoio Social por nós criada, que não se resume à Bismula mas a sua acção extravasa o nosso concelho e o próprio Distrito da Guarda, continuarei a servir a causa pública, em especial aqueles a quem a idade mais pese, de quem a saúde mais se afasta, de quem o familiar mais próximo partiu primeiro, enfim de todos os desprotegidos, os desafortunados, os desvalidos em geral, para todos haverá, na medida do possível, um porto de abrigo bom. Continuaremos a ser dignos e a honrar todos aqueles que em nós confiaram e contribuíram para continuarmos a ser uma referência a nível distrital.
Há momentos na vida em que me questiono se todo o trabalho e investimento terá a sua repercussão; depois obtém-se a resposta através da concretização de que nos orgulhamos, prova que «o meu – nosso» empenho nunca foi em vão. Digo «nosso» porque ninguém consegue fazer nada sozinho e, como tal, quero aqui agradecer e partilhar com todos aqueles que comigo sempre estiveram neste projecto epopeico do LAR. De uma forma muito especial aqueles cujos nomes constam daquela placa, mas não só, também todos aqueles que doaram menores importâncias – e foram muitos – me merecem igual referência.
Só com o empenho de todos foi possível vencer e realizar este projecto.
Mas, porque hoje é dia de festa, um momento agradável de encanto e verdadeiro prazer que partilho com todos vós, onde nos esquecemos dos problemas do dia a dia, onde as preocupações ficam à porta, permitam-me, minhas senhores e meus senhores, que eleve, aqui, algumas pessoas:
Assim, é meu dever reconhecer, aqui, publicamente, a acção do Grupo de Lisboa, nomeadamente do Manuel da Oliveira, José Fernandes e outros que a eles se aliaram, percorrendo as ruas da Capital por diversas vezes, com peditórios para o Lar que vieram a tornar-se muito rendosos, graças aos muitos Bismulenses, ali residentes que abraçaram a causa do Lar.
A Directora Técnica do Lar, Dra Suzete Nobre, pelo seu inexcedível e exemplar trabalho a que coloca todo o seu engenho e arte em prol do Lar; pela sua grande disponibilidade no acompanhamento dos utentes doentes e uma indissociável afabilidade cativante da estima de todos; pela sua acção firme, indulgente e aprimorada como rege as funcionárias, actos verdadeiramente singulares que a elevam à categoria de uma profissional sensata, com muito calor na alma. Predicados relevantes que a tornam digna e credora do nosso mais alto apreço e reconhecimento público.
O Vice-Provedor, Sr. António Dias, indefectível companheiro, pela sua coragem e serenidade de não desistir mas sempre, sempre, me acompanhar na fase de construção do lar, em centenas de milhares de quilómetros, nos nossos carros, alternando desinteressadamente e sem olhar a despesas, dias e noites, sem nada receber em troca. Já no funcionamento do Lar, há dois anos iniciado, vem sendo um autentico colaborador sempre disponível no prever para prover, prevenir e abastecer o Lar com os bens necessários. Por tudo isto, é justo o nosso reconhecimento público.
A todos os membros dos Corpos Gerentes, que nunca nos regatearam o seu apoio, em especial o Presidente da Assembleia Geral, Dr. Leal Freire, e o Presidente do Conselho Fiscal, Sr. João de Deus Martins Leal que, residindo no Porto, sempre prontamente aqui se deslocaram às Assembleias Gerais, por sua conta e risco, e ás funcionárias do Lar que, por certo, fazem o seu melhor, o nosso reconhecimento.
Também, uma saudação especial àqueles que são a razão da existência do LAR, os nossos utentes, aos quais tudo faremos para tornar confortável a sua qualidade de vida e auto-estima.
Finalmente, não posso deixar de referir três mulheres dentre as muitas que sempre nos apoiaram: D. Maria Otília Ramos, pela força, coragem com que sempre abraçou e defendeu o «Lar». A sua deslocação de Lisboa à Guarda, de comboio, para, na qualidade de Tesoureira da Misericórdia, reconhecer a sua assinatura presencialmente, a última para a assinatura do contrato de construção do Lar com o empreiteiro, no dia 2 de Março de 2007. E, ainda, pela sua prestimosa e correcta orientação da Capela do Lar, e colaboração na distribuição da medicação aos nossos utentes.
À minha esposa Maria Isabel Lopes Vaz e à Dona Adelaide Sanches Dias, esposa do Vice-Provedor, Sr. António Dias, quero aqui render meu preito de admiração e gratidão por personificarem, encarnarem e defenderem a nossa luta diária pelo Lar como sendo a sua luta, vivendo-a quantas vezes, no silêncio e na angústia da mais negra solidão, um dia após outro, com enormes sacrifícios, e sem o mais leve desânimo. Um procedimento denodado, nobre e valoroso que as qualifica de verdadeiros esteios do nosso apoio e autêntico sustentáculo da protecção e defesa do sonho concretizado «O LAR».
Para estas três mulheres o nosso reconhecimento público, e uma salva de palmas.
Como referiu um dia o Poeta Fernando pessoa: «Sê todo em cada coisa. Põe quanto és. No mínimo que fazes». É com este espírito que queremos continuar, acreditando serenamente no futuro, mesmo nestes tempos de tempestade, pessimismo, desmotivação, dor e incompreensão. Porque sou um homem de fé que acredita no Além, prefiro ser um optimista e enganar-me, que ser um pessimista e ter sempre razão.
Esta é uma página brilhante que transporá seu brilho para o livro do Lar, a editar brevemente.
Para que, como disse ainda o poeta: «Em cada lago a lua toda. Brilha. Porque alta vive».
O Lar é a nossa lua. Porque alto vive em nós. Obrigado.
José Augusto Vaz (Provedor da Misericórdia da Bismula)

Nomes como os de Woody Guthrie, Pete Seeger, Phil Ochs, The Clash e outros sempre colocaram a política nas suas canções. A maioria deles ficaria conhecida como cantores de protesto.

João Aristídes Duarte - «Política, Políticas...»Na antiga RDA existia mesmo um Festival da Canção Política, onde actuaram grandes nomes internacionais da canção de protesto, entre os quais os portugueses Trovante.
Após a reunificação alemã esse festival desapareceu. No entanto, subsiste, ainda hoje, na parte leste de Berlim, um festival com um nome diferente (Musik Und Politik) onde actuam grupos e artistas estrangeiros e alemães, embora não muito conhecidos.
Em Portugal também existiram, embora com o nome de cantores (ou grupos) de intervenção, embora o seu âmbito abrangesse muito para além disso. Entre eles podem citar-se o GAC, Grupo Outubro, Francisco Fanhais, Adriano Correia de Oliveira e José Afonso, entre muitos outros.
Na época a seguir ao 25 de Abril de 1974 proliferaram como cogumelos, alguns com pouca qualidade, mas era a moda.
O GAC (já objecto de uma crónica neste blogue, a propósito de um seu concerto no Soito) estava ligado à UDP. Era de intervenção pura e dura. Não tinha quaisquer contemplações para com a música erudita ou clássica. Interessava era colocar a música ao serviço do povo e a música do povo, sabia-se, não era a música dos frequentadores do S. Carlos. Curiosamente, o mesmo diz, hoje, Quim Barreiros. A sua música não é para quem frequenta a Gulbenkian ou a ópera, no S. Carlos.
Este cantor de intervenção (em 1975) tornou-se um ícone da modernidade pimba e está em todo o lado, mesmo que seja na política.
Carlos César e Quim BarreirosFoi por isso que, aquando da campanha eleitoral para as eleições regionais dos Açores, em 1996, Carlos César e o PS açoriano percorreram todas as ilhas do arquipélago na companhia de Quim Barreiros, que animava o pessoal e ia caçando votos. Foi nesse ano que o PS dos Açores conseguiu ganhar, pela primeira vez, as eleições para a Assembleia Legislativa regional. Talvez tenha sido Quim Barreiros o responsável por alguns dos votos no PS açoriano.
Carlos César fez, aliás, questão de ser fotografado ao lado desse ícone da música portuguesa, na revista do semanário «Expresso», ao qual fez grandes elogios.
Qual não é o meu espanto, quando, passado algum tempo, leio uma entrevista com Carlos César (já na qualidade de presidente do Governo Regional dos Açores) onde ele refere que veio ao Continente assistir a uma ópera, no S. Carlos. Afirmando-se grande apreciador de música clássica e ópera, não referiu uma única vez, nessa entrevista, o nome de Quim Barreiros.
Já o PCP, que não contrata o Quim Barreiros para as suas festas (Quim Barreiros disse uma vez que o dinheiro é todo igual e só não vai às festas desse partido porque não o contratam para ir) tem apresentado, na abertura da Festa do Avante, uma Gala de Ópera, ao ar livre.
Nunca assisti a nenhuma ópera, ao vivo, mas faço questão de ser apreciador de música popular.
O título desta crónica refere-se, aliás, a duas das coisas que aprecio deveras: música e política.

Nota: Não posso deixar de ficar admirado com o que li na Acta da Reunião da Câmara Municipal do Sabugal, realizada no dia 4 de Agosto de 2010, disponibilizada on-line, da parte do Dr. Joaquim Ricardo e que é o seguinte: «Disse ainda que se estava na época de capeias, eventos estes que já eram uma tradição, que começava a ter projecção a nível nacional, achando que se devia aproveitar essa projecção para maior divulgação da tradição. Assim deixava uma sugestão, a ser tratada em altura oportuna: sendo o Concelho do Sabugal a capital da Capeia Raiana e, pesasse embora o facto da capital do Concelho, a cidade do Sabugal, não ter grandes tradições enraizadas na capeia, não seria mau pensar-se em criar uma Praça de Touros no Sabugal.»
O concelho do Sabugal já tem duas praças de touros, que estão às moscas durante quase 11 meses. Quase só em Agosto têm utilização em termos tauromáquicos.
Compreendo a excitação que o mês de Agosto provoca. Basta referir que o Governador Civil da Guarda ficou admiradíssimo ao ver tanta gente nas capeias. Mas tem que se ter em conta o concelho «real», que também existe no resto dos meses do ano. E se o senhor Governador Civil vier cá em Janeiro, logo vê.
Sem qualquer ofensa pessoal, porque muito o estimo: será que é mais uma Praça de Touros que o Sabugal necessita, Dr. Ricardo?
«Política, Políticas…», opinião de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

O João Aristides Duarte, através das suas rúbricas sobre Música, Memórias e Política, publica hoje o seu 100º texto no Capeia Arraiana. Assinalamos este facto por sertirmos ser devida uma palavra pública de agradecimento e de apreço pela sua sempre pertinente e atempada colaboração. Que outros 100 se sigam, em favor da história das nossas terras e do debate de ideias acerca do seu futuro.
plb e jcl

Os 200 anos da Batalha do Côa e do Cerco de Almeida foram assinalados pela Câmara Municipal de Almeida, entre 26 e 29 de Agosto, com quatro dias de recriação histórica que incluíram cerimónias militares, rondas e vigias de sentinelas, assaltos à fortaleza de Almeida e fogo de artilharia.

Fotos João Aristídes Duarte – Clique nas imagens para ampliar

As cerimónias da recriação histórica da Batalha do Côa e do Cerco de Almeida tiveram início no dia 26 com o hastear das bandeiras de Portugal, Reino Unido, Espanha e França. Na cerimónia militar presidida pelo General de Estado Maior, tenente-coronel Mário de Oliveira Cardoso, foram prestadas honras militares e homenagem aos mortos, evocação da defesa e resistência de Almeida e desfile das tropas. No Salão Nobre da Câmara Municipal de Almeida a data ficou registada com a aposição de carimbo e lançamento dos selos comemorativos da Guerra Peninsular.
No dia 27, sexta-feira, foi instalada a ronda de sentinelas nas portas da Vila de Almeida.
No sábado foram recriadas a marcha e o combate na calçada do Côa com assalto do Exército Imperial Francês e a defesa da ponte do Côa pelo Exército Anglo-Luso. Ao meio-dia realizou-se uma cerimónia evocativa dos tombaram em combate com a presença em parada de todas as forças participantes. Às 22.00 horas teve lugar a recriação do assalto à fortaleza de Almeida, com fogo de artilharia e combates de infantaria nas muralhas.
No domingo, dia 29, os visitantes poderam assistir a um desfile até à Praça Alta e à cerimónia evocativa aos mortos do Cerco de Almeida nas ruínas do castelo, seguida de desfile das forças até às Portas de S. Francisco. Às 11.00 horas tiveram início os combates através das ruas e muralha da Fortaleza de Almeida, com assalto ao último reduto de defesa e explosão do paiol.
jcl (com fotos de João Aristídes Duarte)

O mês de Agosto é especial no concelho do Sabugal. No mês de Agosto as Capeias Arraianas são especiais. Únicas. Tudo começa no dia 6 com o encerro na Lageosa da Raia e tudo termina no dia 25 em Aldeia Velha. Agora só nos resta contar os dias que faltam para o dia 6 de Agosto de 2011. Reportagem das jornalistas Paula Pinto e Andreia Marques da LocalVisãoTv (Guarda).

Local Visão Tv - Guarda
Vodpod videos no longer available.

jcl

O CERVAS devolveu à natureza, após recuperação, uma cegonha-branca (Ciconia ciconia) encontrada em Ruivós em Julho.

Fotos Tânia Leitão – Clique nas imagens para ampliar

Uma equipa do CERVAS-Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens (Gouveia) esteve esta quinta-feira, 26 de Agosto, em Ruivós para devolver à natureza a cegonha branca (ciconia ciconia) júnior que foi encontrada muito debilitada dentro da povoação no dia 14 de Julho pelo Tiago Lages e pelo Daniel Moura (dois jovens de férias na aldeia). A recolha do animal foi feita por um vigilante da Reserva Nacional da Serra da Malcata que posteriormente a fez chegar ao CERVAS.
O processo de recuperação envolveu alimentação, de modo a assegurar um correcto desenvolvimento corporal e da plumagem de voo, o contacto com outros animais da mesma espécie de modo a que pudesse adquirir os comportamentos típicos da espécie, bem como treinos de voo de modo a poder fortalecer a sua musculatura.
Na sua devolução à Natureza estiveram presentes cerca de duas dezenas de pessoas, entre as quais Delfina Leal (vice-presidente da Câmara Municipal do Sabugal), Fernanda Cruz (Conselho de Administração da Sabugal+) e Manuel Vaz Leitão, presidente da Junta de Freguesia de Ruivós.
A ave, apadrinhada por um dos presentes, foi baptizada com o nome de «São Gabriel».
jcl

Teresa Duarte Reis - O Cheiro das Palavras - Capeia ArraianaParabéns às gentes raianas, a Santinho Pacheco, à Câmara Municipal do Sabugal, à Junta de freguesia de Foios e a todos os que se empenharam no Governo Civil Aberto, esse encontro interfronteiriço, que leva a um remover da frase célebre «de Espanha nem bom vento nem bom casamento». Tenho visto com admiração o desenrolar de acções que aproximam as gentes raianas e as fronteiras, tenho podido apreciar com bom grado o esforço despendido pelo Governo Civil da Guarda e Câmaras raianas no sentido de «inverter» a crescente onda de desertificação que vai ameaçando o Interior, o coração de Portugal.

Ia, precisamente escrever um comentário ao artigo da Capeia, da autoria de Amélia Reis Dias, mas achei que seria mais útil deixar, a propósito, o meu palpitar, mostrando bem como a ideia da guerrilha, com nuestros hermanos, foi há muito banida do meu vocabulário e do meu pensamento mais profundo. São sempre os vizinhos aqueles com quem devemos lidar, não só por interesse de protecção mas num ideal sinergético que a todos enriquece.
Então, aqui deixo excertos de dois poemas: o primeiro de «Arco-Íris» e o segundo de «Ecos».

DE MÃOS DADAS

Se dois países «mui cerca»
Não deram as mãos
De verdade.
Ó História!
Ó Pátria!
Onde estava a liberdade?

Se o tempo tudo leva
Se o tempo tudo traz
Leva, ó tempo, o que passou
Traz-nos viveres em paz.
Leva, leva os maus ventos

Traz-nos estes bons momentos.
E de um «portunhol» rabiscado
Mal escrito mal falado
De um «espanholês» trauteado
Mal dito e mal amanhado
Passemos a dar las manos
A estes nuestros hermanos

VIZINHA ESPANHA

Castelhano me apetece hablar
Língua de poetas, de damas
De Cervantes
De muitos cavaleiros andantes
«La noche por la noche em mis ojos»
Me encantou poema de enamorados
De suspiros abafados
Como se a língua nos gritasse
Nos bailasse com as sevilhanas
«Mui guapas, nuestras hermanas»
E busco seu linguajar.

A língua é um poema
Em cada dialecto me prendo
Me apaixona seu cantar.
Sonhava-me poliglota
Para todas as línguas falar
Dizer cada poema que canto
E em cada língua o cantar.

E na Igreja de Valladolid
Em tempo de orar:
«Eres el pan de la vida»
«Yo te envio»
a salvar
«Tiempo de renacer»
Tempo para rezar.

Me encantam termos tão doces
Como se o Céu se abrisse
Para me abençoar.
Há muita musicalidade
Em poemas dos hermanos
Me fico mui encantada
Me fico até pasmada
Presa em sus palabras
Que me abrem minha mente
E me levam a sonhar.

«O Cheiro das Palavras», poesia de Teresa Duarte Reis
netitas19@gmail.com

Os Fóios somam e seguem. Depois da inédita e estrondosa Governação Civil Aberta o professor José Manuel Campos, presidente da Junta de Freguesia dos Fóios, entendeu que agora era tempo de… «nos dar música». Assim, no dia 25 de Setembro de 2010, às 16 horas, actua em concerto ao ar livre na freguesia fojeira a famosa Banda da Força Aérea Portuguesa. Depois de conquistada a terra é tempo de lutar pelos céus raianos.

Banda Força Aérea

A Banda da Força Aérea Portuguesa foi criada em 1957. No seu Brasão de Armas ostenta a divisa: «Servindo com Engenho e Arte».
jcl

A 27 de Agosto de 1810, há precisamente 200 anos, as tropas do 2.º corpo do exército francês, comandadas pelo general Reynier, vindas do sul para se juntarem ao grande exército de Massena, ocuparam em força as terras dos concelhos do Sabugal, Alfaiates e Vilar Maior, provocando a fuga desesperada das populações.

Enquanto o 6.º corpo, de Ney, manobrava em redor de Almeida, estabelecendo o cerco à fortaleza, e o 8.º corpo, de Junot, estava ainda em Espanha nas margens do rio Águeda, o 2.º corpo, de Reynier, operava em Cória e Placencia, na linha do Tejo. Massena montara o seu quartel-general no forte de La Conception, frente a Vale da Mula, de onde emanava as ordens do dia.
O marechal ainda não decidira como invadir Portugal e estava inclinado a fazê-lo em duas frentes, partindo uma coluna de Almeida, pela estrada da Beira, e penetrando a outra pelo vale do Tejo, em direcção a Abrantes. Porém acabaria por preferir juntar os três corpos e avançar em força por Celorico e Viseu, pois a postura de Wellington, que deixara cair Ciudad Rodrigo e não auxiliava Almeida, indiciava que podia dar-lhe perseguição e enfrentá-lo em qualquer posição.
Foi assim que na manhã do dia 25 de Agosto enviou ordens a Reynier para se deslocar para norte e tomar posição na margem direita do Côa, à esquerda do corpo do marechal Ney. Em cumprimento dessas instruções, o 2.º corpo avançou em marchas rápidas e no dia 27 ocupou em força os concelhos do Sabugal, Alfaiates e Vilar Maior, cujas aldeias ao redor foram também tomadas pelos destacamentos, tendo os soldados ocupado as casas abandonadas pelos habitantes receosos. Tal como o comandante em chefe lhe prescrevera, Reynier estabeleceu o seu quartel-general em Alfaiates e guarneceu fortemente a ponte do Sabugal, tendo em vista dissuadir qualquer tentativa do exército anglo-português de atravessar a linha do Côa.
Os concelhos raianos onde até então tinham forrageado os destacamentos do 6.º Corpo, ficavam agora literalmente ocupados pelas tropas do 2º corpo, as mesmas que com o marechal Soult haviam protagonizado a segunda invasão de Portugal. Estes soldados experientes e com amargas recordações dos portugueses teriam que ali subsistir até que fosse dada a ordem de avançar em direcção a Lisboa. Os povos das terras em redor sofreram então como nunca os excessos da soldadesca que, querendo alimentar-se e aprovisionar-se de viveres, lançavam mão a tudo o que servisse de alimento para os homens e para os animais do exército.
Esta forte e dura ocupação militar das nossas terras manter-se-ia até ao dia 11 de Setembro, data em que Massena transmitiu aos seus lugares tenentes as instruções para a execução dos movimentos preparatórios para o avanço da invasão. Nesse mesmo dia o 2.º corpo deixou as suas posições na margem direita do Côa e marchou para a Guarda, de onde depois prosseguiu num movimento combinado com os restantes corpos do exército.
Já em finais de Março de 1811, malograda a terceira invasão e em plena retirada, as tropas do 2.º corpo voltariam a ocupar as terras do Sabugal, com a ideia de aí conterem o avanço dos anglo-lusos, que lhes davam perseguição. As populações voltaram então a sofrer com as atrocidades dos soldados franceses que vinham ainda mais famintos e coléricos do que quando dali haviam estado há sete meses.
No dia 3 de Abril de 1811, teve lugar a batalha do Sabugal, onde os homens de Reynier foram batidos pelos portugueses e ingleses comandados por Wellington, livrando-se assim os sabugalenses das pilhagens e dos excessos da tropa francesa.
Paulo Leitão Batista

SABUGAL – CAPITAL MUNDIAL DO FORCÃO E DA CAPEIA ARRAIANA – O XXV Festival «Ó Forcão Rapazes», edição 2010, decorreu na Praça Municipal no Soito. As bancadas repletas de aficionados deram brilho às actuações das nove aldeias participantes. A organização do festival pertenceu às Juntas de Freguesia de Aldeia da Ponte e de Alfaiates. Os poderosos toiros tinham o ferro da Ganadaria Zé Nói. Viva o Forcão! Viva a Capeia Arraiana! Viva a Raia! Viva o Concelho do Sabugal! Reportagem da jornalista Andreia Marques com imagem de Sérgio Caetano da redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

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SABUGAL – CAPITAL MUNDIAL DO FORCÃO E DA CAPEIA ARRAIANA – O XXV Festival «Ó Forcão Rapazes», edição 2010, decorreu na Praça Municipal no Soito. As bancadas repletas de aficionados deram brilho às actuações das nove aldeias participantes. A organização do festival pertenceu às Juntas de Freguesia de Aldeia da Ponte e de Alfaiates. Os poderosos toiros tinham o ferro da Ganadaria Zé Nói. Viva o Forcão! Viva a Capeia Arraiana! Viva a Raia! Viva o Concelho do Sabugal!

GALERIA DE IMAGENS  –   Ó FORCÃO RAPAZES  –   21-8-2010
Fotos Capeia Arraiana – Clique nas imagens para ampliar

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SABUGAL – CAPITAL MUNDIAL DO FORCÃO E DA CAPEIA ARRAIANA – O XXV Festival «Ó Forcão Rapazes», edição 2010, decorreu na Praça Municipal no Soito. As bancadas repletas de aficionados deram brilho às actuações das nove aldeias participantes. A organização do festival pertenceu às Juntas de Freguesia de Aldeia da Ponte e de Alfaiates. Os poderosos toiros tinham o ferro da Ganadaria Zé Nói. Viva o Forcão! Viva a Capeia Arraiana! Viva a Raia! Viva o Concelho do Sabugal!

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SABUGAL – CAPITAL MUNDIAL DO FORCÃO E DA CAPEIA ARRAIANA – O XXV Festival «Ó Forcão Rapazes», edição 2010, decorreu na Praça Municipal no Soito. As bancadas repletas de aficionados deram brilho às actuações das nove aldeias participantes. A organização do festival pertenceu às Juntas de Freguesia de Aldeia da Ponte e de Alfaiates. Os poderosos toiros tinham o ferro da Ganadaria Zé Nói. Viva o Forcão! Viva a Capeia Arraiana! Viva a Raia! Viva o Concelho do Sabugal!

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SABUGAL – CAPITAL MUNDIAL DO FORCÃO E DA CAPEIA ARRAIANA – O XXV Festival «Ó Forcão Rapazes», edição 2010, decorreu na Praça Municipal no Soito. As bancadas repletas de aficionados deram brilho às actuações das nove aldeias participantes. A organização do festival pertenceu às Juntas de Freguesia de Aldeia da Ponte e de Alfaiates. Os poderosos toiros tinham o ferro da Ganadaria Zé Nói. Viva o Forcão! Viva a Capeia Arraiana! Viva a Raia! Viva o Concelho do Sabugal!

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Hollywood já tem uma bela galeria de espiões nas suas fileiras. Evelyn Salt é apenas a mais recente e voltou a trazer para as salas de cinema a extinta Guerra Fria.

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia ArraianaLonge vai o tempo em que os russos da União Soviética metiam medo a meio mundo, mas Hollywood é um mundo à parte onde tudo é possível. E prova disso é o mais recente filme protagonizado por Angelina Jolie. Realizado por Phillip Noyce, «Salt» conta a história de uma espia da CIA que descobre de um momento para o outro que é afinal uma espia ao serviço dos interesses da antiga URSS. A partir daqui vale tudo e as reviravoltas no argumento são mais que muitas, tantas quantas as acrobacias de Evelyn Salt para cumprir a sua missão.
Mas o problema de «Salt» é precisamente a sua faceta mais acrobática, que torna a história um bocado confusa e às tantas já não se percebe quem é o mau da fita e quais os verdadeiros propósitos da espia, que tão depressa está do lado dos americanos como passa para os russos, voltando outra vez, aparentemente, a apoiar os EUA.
Salt - Angelina JolieO que podia ser um bom blockbuster de Verão acabar por não ser mais do que uma imitação das fitas de Jason Bourne, a série protagonizada por Matt Damon onde este desempenha um agente secreto com amnésia, mas numa versão de saias. As reviravoltas são de tal forma mirabolantes e irreais que acabam por não convencer ninguém e a história está claramente fora de prazo. Quase parece que Phillip Noyce encontrou um argumento perdido no século passado e resolveu adaptá-lo aos dias de hoje, voltando a trazer à luz os fantasmas da Guerra Fria, algo que já nem o espião dos espiões James Bond, personagem que também já teve melhores dias, combate.
Com o lançamento destes filmes Hollywood mostra alguma falta de imaginação, mesmo quando tenta reabilitar géneros populares. Mesmo assim o final aberto de «Salt» deixa antever a chegada de uma sequela para dentro de alguns meses. Mais uma fita para engrossar os cofres da indústria.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

pedrompfernandes@sapo.pt

A 26 de Agosto de 1810 deu-se a terrível explosão do castelo medieval de Almeida, desastre que semeou a destruição e a morte em toda a fortaleza e que ditaria a capitulação da guarnição perante as tropas francesas sitiantes.

Recriação do Cerco de AlmeidaA praça, defendida por cerca de cinco mil bravos portugueses, comandados pelo governador William Cox, estava debaixo de uma poderosa flagelação. Desde as 5 da manhã que as dezenas de bocas de fogo dos sitiantes disparavam balas para abrir brechas na muralha e bombas com mechas incendiárias para lançar o terror no interior da praça.
Os artilheiros portugueses mantiveram-se firmes na defesa, respondendo com vivacidade e provocando baixas e sérios estragos nas baterias inimigas. Porém, ao cair da noite, uma das bombas incendiárias caiu junto ao castelo de Almeida, que servia de paiol, e o fogo seguiu um rasto de pólvora até fazer deflagrar as 75 toneladas de explosivo que estavam em armazém. Deu-se uma autêntica erupção vulcânica, indo o castelo e as casas da vila pelos ares. Muitos dos canhões e respectivos artilheiros foram projectados para os fossos, 500 pessoas ficaram sepultadas nos escombros das casas e muitos combatentes morreram com o sopro da explosão. Os destroços foram cair nas trincheiras francesas, matando muitos soldados. Para piorar o desastre deflagrou na praça um violento e horrendo incêndio.
O susto deixou surpresos sitiados e sitiantes, que pararam de combater. Mas em breve algumas das peças de canhão portuguesas eclodiram, dando a entender que, mau grado o acidente, a praça não desistia de se defender. Os franceses, responderam então com tiros de obus que duraram toda a noite, perturbando as operações de socorro aos feridos e a recomposição da força defensiva.
Só às 9 horas do dia seguinte houve um cessar-fogo ordenado por Massena, que enviou um representante ao interior da praça com uma carta para o governador, intimando-o a entregar-se à «generosidade do Imperador e Rei». Massena esperou todo o dia por uma resposta de William Cox, mas como esta não chegou decidiu, às 9 da noite, recomeçar a flagelação da praça. Isso provocou a revolta de alguns oficiais portugueses que fizeram ver ao governador a inutilidade da defesa perante o estado lastimoso em que se encontravam. O governador decidiu então capitular, assim caindo Almeida, que na manhã do dia seguinte recebeu as tropas francesas.
O chamado «desastre de Almeida» foi a causa de uma tão rápida queda da fortaleza, que tinha condições para se defender durante várias semanas ou meses. Os franceses viram assim aberto o caminho para a invasão de Portugal, podendo mandar prosseguir as movimentações militares.
O horror da explosão motivou várias descrições por parte de quem testemunhou este tremendo desastre.
O relatório do governador William Cox, é de um realismo extremo: «Tinha-me sentado, quando senti um choque violento, semelhante a um tremor de terra com um estrondoso som; uma coluna de ar entrou pela porta da galeria e logo depois juntou-se muita gente na abóbada, ao pé da porta do meu quarto. Levantei-me e perguntei qual a causa disto, mas era tal o temor geral e a consternação, que não pude obter uma resposta conclusiva. Saí e fui ao castelo trepando pelo montão de ruínas com que as ruas estavam entulhadas e assim que cheguei conheci que todo o edifício, que era uma imensa massa de cantaria, estava demolido. (…) Mandei tocar às armas, fui às muralhas e peguei num molho de bota-fogo e, ajudado por um único oficial de artilharia, fiz fogo com todas as peças que achei carregadas».
Marbot, ajudante de campo de Massena, que estava enfermo em Ciudad Rodrigo, sentiu ali o rebentamento: «Ao cair da noite ouviu-se uma formidável explosão. A terra tremeu. Julguei que a casa ia desmoronar-se. (…) Embora Ciudad Rodrigo fique a meio dia de viagem daquela praça fez-se sentir uma viva comoção.»
Também a duquesa de Abrantes, Laura Junot, mulher do general comandante do 8º corpo do exército napoleónico, que estava com o marido em San Felices, relatou o sucedido: «A minha casa experimentou um violento abalo – será um tremor de terra? exclamei aterrada – parecia-me que a casa desabava. (…) Junot foi o primeiro a correr para uma velha e desbaratada torre situada no cume de uma colina ao sair da povoação. É um espectáculo admirável, gritava ele, voltando quase no mesmo instante!… É mister que tu o vejas. Almeida está em chamas!… Levaram-me à torre e presenciei a uma horrenda maravilha. Era um horizonte todo de fogo, orlando um céu cor de ardósia e lançando às vezes sobre aquela sombria tapeçaria brilhantes girândolas.»
O capitão francês Guingret, que estava na trincheira, deixou também a sua perspectiva: «A explosão foi tão terrível que destruiu toda a cidade e respectiva população no mesmo segundo. Pedras enormes, rochedos, foram lançados até às nossas trincheiras onde mais de vinte soldados morreram esmagados pela sua queda; peças de grande calibre foram sugadas da cidadela e lançadas a mais de duzentas toesas, partidas em vários pedaços. Todos os que guarneciam as muralhas foram mortos pelos estilhaços, ou levados com as pedras.»
Cumprem-se hoje 200 anos sobre o «desastre de Almeida».
Paulo Leitão Batista

Continuando em maré de Verão, concluo hoje esta curta digressão sobre alguns dos meus prazeres culturais…

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Há muitos anos (teria 18 anos), tive um amigo que me deu uma lição que nunca esqueci. Estávamos a ver uma exposição de um grande pintor espanhol, Antoni Tàpies, e quando chegámos ao fim eu disse em voz alta «Isto não vale nada!» Esse meu amigo perguntou-me então o que é que eu sabia de técnicas de pintura ou de história de arte para poder afirmar em voz alta que aquilo não valia nada, quando estava perante um dos maiores pintores do Século XX. E continuou dizendo que, quando muito, eu podia dizer «Não gostei!», e mesmo isso poderia ser levado à conta da minha ignorância, pois o gosto também se educa…
Como disse, nunca esqueci esta lição, e muito me serviu no campo da música, que é também fruto de acasos felizes…
Sendo o meu pai e o meu tio músicos (um tocava trompete e o outro clarinete e, mais tarde, piano), nunca nada me ligou à música e, ainda hoje, tenho o que se chama um “ouvido duro”…
Lembro, por outro lado, que ainda sou do tempo em que não havia FM mas só AM.
Mas, chegado à Guarda em 1969, tive a sorte de encontrar o Luís Castela, grande músico e grande amigo, que, aos sábados vinha do Seminário com discos de música clássica. O Luís juntava alguns amigos à volta de um daqueles gira-discos antigos a pilhas e de um piano que havia no Bispado e ensinava-nos a ouvir e a gostar de Beethoven, Bach, Chopin, etc.
Chegado a Lisboa em 1971, fiquei alojado numa Residência Universitária aonde chegavam, vindos dos Serviços Sociais, bilhetes para ir a espectáculos de música clássica que se realizavam no Coliseu dos Recreios. E foi com um destes bilhetes que me calharam em sorteio que, pela primeira vez, assisti a uma ópera. O deslumbramento foi tal, que nunca mais deixei de gostar de ópera, tendo, logo que as condições financeiras o permitiram, adquirido a assinatura do S. Carlos que ainda hoje mantenho. A ópera ao vivo, num espaço pequeno como o S. Carlos, é o espectáculo dos espectáculos e não conheço ninguém que tendo assistido não tenha ficado fã. (Já não digo o mesmo de ver na televisão ou ouvir um disco…)
Logo em 1972, a Gulbenkian (e já perceberam a importância que esta Instituição teve para mim…) inicia dois ciclos importantíssimos e, infelizmente já inexistentes: as Jornadas de Música Antiga e as de Música Contemporânea. Ali aprendi a gostar da música que se fazia há muitos séculos atrás (desde o canto gregoriano à música barroca de Monteverdi ou Bach, passando pelos renascentistas), mas também da música que era produzida ao mesmo tempo que eu existia (onde sobressaiam os portugueses Emmanuel Nunes e Jorge Peixinho, ao lado de figuras como Stockhausen, Beri, Penderecki, ou Xenakis).
Gostar de música, dita erudita, clássica ou contemporânea, foi, como acabo de contar, fruto de acasos felizes, mas também de vontade de experimentar e de aprender.
Comi favas a primeira vez tinha mais de trinta anos, e gostei muito. Até lá, dizia que não gostava, mas também nunca tinha provado…
A música, que não aquela que passa todos os dias na rádio ou nos canais de música, dita ligeira, é como as favas. Quando se quer provar, normalmente gosta-se…
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos
(Presidente da Assembleia Municipal do Sabugal)
rmlmatos@gmail.com

Victor Villadangos, um dos mais talentosos guitarristas argentinos da actualidade, tem marcado para o dia 10 de Setembro um concerto único no Sabugal. Espectáculo imperdível onde não faltarão as interpretações dinâmicas e os arranjos de tangos da sua terra natal, Buenos Aires.

Victor VilladangosVictor Villadangos nasceu em Buenos Aires e é considerado um dos mais talentosos guitarristas argentinos da actualidade. As análises às suas actuações destacam a sua precisão rítmica, a amplitude de cores e de fraseado sofisticado que coloca nas interpretações e nos arranjos de tangos eternos.
O recital solista no Sabugal, no dia 10 de Setembro, inclui interpretações da «Suite Argentina», de Eduardo Falú, variações sobre os temas «Atahualpa Yupanqui» e «Tres piezas rioplatenses» de Máximo Pujol e músicas de Leo Brouwer, Yukijiro Yocoh. O alinhamento para o Sabugal finaliza com três temas de Astor Piazzolla: «Jacinto Chiclana», «Triunfal» e… «Libertango».
Villadangos tem actuado, como solista e como músico de câmara, nas principais salas de concerto das cidades argentinas e internacionalmente na Alemanha, Áustria, Bélgica, Brasil, Canadá, Chile, Inglaterra, Irlanda, Itália, Israel, Japão, Luxemburgo, Noruega, Suécia, Suíça, Uruguai e Portugal.
O guitarrista das pampas já publicou 13 discos a solo e participou em inúmeras gravações de música popular latino-americana. Integrou como músico convidado espectáculos da Orquestra Sinfónica Nacional de Cuba, Orquestra Filarmónica de Montevideo, Orquestra Sinfónica de la Universidad Nacional de Cuvo, Orquestra Sinfónica Juan de Dios Filiberto, Israel Chamber Orchestra e Orquestra del Teatro Argentino Académica de La Plata entre outras.
Victor Villadangos formou-se no Juan José Castro Conservatório de Buenos Aires com o grau de professor superior de guitarra sob a orientação de Maria Herminia Antola de Gómez Crespo.

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Victor Villadangos vai actuar no Sabugal no dia 10 de Setembro. Espectáculo imperdível.
jcl

«Self-Prevention» é um projecto transfronteiriço da Associação Duero-Douro (AECT) que conta com o apoio dos Governos português e espanhol e vai utilizar, a partir de 2011, 150 mil cabras na limpeza de terrenos raianos para prevenção de incêndios florestais. O padrinho da iniciativa é o dinâmico Governador Civil da Guarda, Santinho Pacheco.

AECT Duero-Douro - FóiosUm projecto que aposta na utilização de cabras para prevenção de incêndios florestais em territórios transfronteiriços foi apresentado no dia 24 de Agosto, no Governo Civil da Guarda pelo Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial (AECT) Duero-Douro que agrupa 63 localidades fronteiriças portuguesas e espanholas num total de 187 entidades.
José Luís Pascoal, presidente do Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial (AECT) Duero-Douro, explicou que o projecto denominado «Self-Prevention» visa a prevenção de incêndios com recurso à reintrodução de 150 000 cabeças de gado caprino e o «desenvolvimento económico e rural» das zonas raianas dos distritos da Guarda (Sabugal, Almeida, Vila Nova de Foz Côa e Figueira de Castelo Rodrigo), Bragança, Zamora e Salamanca. «A ideia é fazer com que os animais actuem como limpadores naturais dos campos agrícolas abandonados e montes, deixando livres de vegetação as zonas de potencial perigo de incêndio», esclareceu ainda o responsável pelo agrupamento transfronteiriço.
O projecto, que precisará de um investimento de cerca de 50 milhões de euros, pretende criar mais de 500 postos de trabalho, sublinha o jornal espanhol «El Mundo» referindo ainda que além dos empregos para criadores de gado e pastores que espera criar, a iniciativa do AECT Duero-Douro (que agrupa 63 localidades fronteiriças entre Portugal e Espanha) pretende construir 12 queijarias, 15 lojas de comercialização de cabrito e produtos lácteos transformados, dois matadouros, uma plataforma de de distribuição e transporte e uma instalação central de comercialização. Está prevista a exploração de uma central de biomassa para a produção de energia eléctrica, através do uso da matéria orgânica destas localidades, e está igualmente em vista a criação de diversos recursos turísticos em torno da cabra.
O projecto que vai ser apoiado pelos Governos de Portugal e de Espanha e por fundos comunitários é encarado pelo governador civil da Guarda, Santinho Pacheco, como «uma flor de esperança para a região». Santinho Pacheco admitiu que a partir do momento em que 150 mil caprinos estiverem no terreno, consumirão mato e vegetação que já não irão arder com «os calores tórridos do Verão», contribuindo para a diminuição dos incêndios florestais.
O governador civil de Bragança, Jorge Gomes, também reconheceu que um projeto desta natureza «não pode falhar», desejando que o mesmo «seja executado no seu todo» e os resultados atingidos.
Já para o subdelegado do Governo de Espanha em Salamana, Jesús Málaga Guerrero, o «Self-Prevention» representa «uma revolução e interessará à Europa, a Portugal e a Espanha».

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As candidaturas a pastores pode ser feita no portal da Duero-Douro. Aqui.
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O Sport Lisboa e Benfica é uma das quatro equipas participantes no 1.º Torneio de Futsal Cidade do Sabugal que será disputado no Pavilhão Municipal nos dias 31 de Agosto e 1 de Setembro.

Torneio Futsal Cidade SabugalO Torneio Inter-Freguesias do Concelho do Sabugal 2010 foi disputado com muita garra e desportivismo por 23 equipas e um total de 298 atletas. A equipa da Associação Recreativa e Cultural da Rapoula do Côa foi a vencedora consagrada em dia de final do Campeonato do Mundo de Futebol na África do Sul. Os restantes lugares do pódio foram ocupados pelas equipas CRC Penalobo e ACD do Soito.
Agora as três equipas mais bem classificadas no Torneio Inter-Freguesias 2010 têm uma motivação extra. Vão ter a possibilidade de medir forças com o… Sport Lisboa e Benfica no 1.º Torneio de Futsal Cidade do Sabugal que se vai disputar no Pavilhão Municipal nos dias 31 de Agosto e 1 de Setembro.
O calendário dos jogos, com entrada livre, indica para o dia 31 de Agosto os jogos ACD Soito – CRC Penalobo (20.00 h) e SL Benfica – ARC Rapoula do Côa (22.00 h). No dia 1 de Setembro serão disputados os 3.º e 4.º lugares (20.00 h) e a final está marcada para as 22.00 horas.
O 1.º Torneio de Futsal Cidade do Sabugal é organizado pela Câmara Municipal do Sabugal e pela Empresa Municipal Sabugal+ em colaboração com a Kebrostress.
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«Imagem do Dia» e «Imagem da Semana» do Capeia Arraiana. Ficamos à espera que nos envie a sua escolha para a caixa de correio electrónico:
capeiaarraiana@gmail.com

Data: 25 de Agosto de 2010.
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Local: Largo do Castelo do Sabugal.
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Legenda: Cláudio Costa, engenheiro informático em Lisboa está a percorrer Portugal de bicicleta. Esta quarta-feira passou pelo Sabugal.
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Blogue: «O Meu Querido Mês de Agosto» é o título do blogue onde Cláudio Costa vai publicando as suas crónicas de viagem. Aqui.
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Autoria: Cláudia Bispo.
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A Associação Cultural Desportiva e Recreativa de Rendo (ACDRR) realizou nos dias 20, 21 e 22 de Agosto a 5.ª edição do Torneio de Futsal daquela freguesia do concelho do Sabugal. Reportagem da jornalista Andreia Marques com imagem de Sérgio Caetano da redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

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A pedido antigo de um leitor, e para acabar de uma vez com as meias verdades sobre o assunto, hoje vou demonstrar porque é que as licenças do Subparque Eólico do Troviscal e São Cornélio em Sortelha, e por maioria de razão do Parque Eólico da Raia, são nulas. Aqui vai, com o agradecimento da preciosa contribuição da Dr.ª Heloísa Oliveira cujo raciocínio rigoroso seguimos e a quem encarecidamente agradecemos porque sozinhos não chegaríamos lá tão facilmente. (Continuação.)

Parque Eólico - Aldeia Histórica Sortelha - Sabugal

João Valente - Arroz com Todos - Capeia Arraiana

II

Por último e para acabar, nos termos do artigo 78.º, n.º 1, da Constituição da República Portuguesa «Todos têm direito à fruição e criação cultural, bem como o dever de preservar, defender e valorizar o património cultural», que tem a contrapartida de imposição ao Estado de deveres de protecção e incentivo.
Por isso o mesmo artigo 78.º, n.º 2, alínea c) «incumbe ao Estado, em colaboração com os agentes culturais (…) promover a salvaguarda e a valorização do património cultural, tornando-o elemento vivificador da identidade cultural comum» e a alínea e) impõe ao Estado a tarefa de «articular a política cultural e a demais políticas sectoriais», nomeadamente, energética e ambiental e o artigo 9.º consagra, enquanto tarefa fundamental do Estado, na sua alínea e) «o dever de proteger e valorizar o património cultural do povo português, defender a natureza e o ambiente, preserva os recursos naturais e assegurar um correcto ordenamento do território».
Resumindo: A CRP, reconhece um direito fundamental à fruição desse mesmo património, a par do dever da sua defesa, o qual o legislador concretiza classificando móveis e imóveis que assumem relevância particular, de tal forma que beneficiem de um estatuto de protecção acrescida e concreta.
No caso de Sortelha, como se demonstrou, para além de constar do SIPA como conjunto e de ter sido classificada como Aldeia Histórica, vários dos seus imóveis fazem parte foram classificados, para além de outros classificados existirem na sua área de protecção.
O diploma que regulamenta esse tipo de monumentos é a Lei de bases da política e do regime de protecção e valorização do património cultural (aprovada pela Lei n.º 107/2001, de 8 de Setembro (LAP), que estabelece um área de protecção automática dos bens imóveis classificados de 50 metros (artigo 43.º, n.º 1), a contar dos seus limites externos.
Contudo, este o normativo não é aplicável ao caso concreto porque aqui em causa não está a protecção física dos imóveis classificados e da Vila – que não serão fisicamente afectados pelo Parque Eólico da Raia – mas sim a dimensão cultural do bem, que resulta do seu conjunto: a sua inserção no ambiente que o rodeia, bem como o seu valor único enquanto Aldeia Histórica, enquanto local de memória colectiva e reconstituição da época medieval.
Estamos, portanto, a falar da protecção do conjunto da Antiga Vila de Sortelha, que é a razão pela qual os monumentos beneficiam de estatuto de património protegido e também pela qual foi dado financiamento comunitário relevante para sua reabilitação e é visitada anualmente por milhares de pessoas.
É, numa palavra, a identidade de Sortelha, a qual pode ser afectada mediante afectação do seu conjunto, ou, na expressão da lei, do seu contexto.
Esta realidade não foi descurada pela lei, porque nos termos do disposto no artigo 52.º, n.º 1, da LAP «O enquadramento paisagístico dos monumentos é objecto de tutela reforçada».
E essa tutela reforçada é concretizada no n.º 2 deste artigo da LAP, onde se dispõe que «nenhumas intervenções relevantes, em especial alterações com incidência no volume, natureza, morfologia ou cromatismo, que tenham de realizar-se nas proximidades de um bem imóvel classificado, ou em vias de classificação, podem alterar a especificidade arquitectónica da zona ou perturbar significativamente a perspectiva ou contemplação do bem».
Ora do processo instrutor nada resulta quanto a preocupações no que toca à protecção do património cultural – tarefa fundamental do Estado – nem dos direitos culturais dos residentes e visitantes de Sortelha.
Pelo contrário, ter-se-ão bastado com a consideração de que os aerogeradores mais próximos de Sortelha distam 800 metros (subparque eólico do Troviscal), muito para lá da zona de protecção dos mesmos.
Mas como se disse, não é a zona de 50 metros de protecção física dos monumentos de 50 metros que está aqui em causa, mas a conservação do valor de Sortelha no seu conjunto, ou, conforme se disse, da sua identidade.
Parece que os 800 metros de distância dos aereogeradores em relação à Vila, é num contexto densamente urbano uma distância significativa. Mas não é assim.
À concretização do disposto no artigo 52.º da LAP no contexto de Sortelha, é tarefa que compete ao IGESPAR casuisticamente, pela identificação do menor impacto paisagístico que as obras tenham num monumento classificado.
Ora a única intervenção do IGESPAR no processo foi para acompanhar trabalhos arqueológicos a realizar na construção do Parque.
Houve portanto violação da obrigação prevista no 52.º da LAP, na medida em que não houve qualquer tutela do enquadramento paisagístico (muito menos tutela reforçada, como foi sendo sucessivamente licenciado um projecto de construção de 50 torres eólica em torno de Sortelha sem nunca ser tido em conta os monumentos nacionais aí presentes (muito menos o seu enquadramento paisagístico.
E o IGESPAR podia concluir facilmente que o subparque eólico do Troviscal se situa claramente no campo das intervenções proibidas, porque situando-se a 800 metros de Sortelha em campo aberto e limpo e reduzindo o impacto da distância sobre um aglomerado urbano em forma de anfiteatro totalmente virado para o mesmo, afecta significativamente o enquadramento do monumento e retira a identidade de Sortelha enquanto Aldeia Histórica.
Isto é tanto mais grave porque, conforme ficou dito, nada no processo dos promotores faz notar qualquer tipo de preocupação com o cumprimento do estatuído no artigo 52.º da LAP.
Neste sentido, uma vez mais estamos perante uma flagrante violação da LAP e do artigo 78.º da CRP, cuja consequência é, uma vez mais, a nulidade das licenças.
Concluindo:
Estes argumentos chegam e sobram para demonstrar que estes parques foram irregularmente licenciados.
A Câmara actuou na convicção de que os parques eólicos eram de interesse para o concelho e legais. Mas isso não chega… «Cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém!»
Porque não houve o cuidado de ponderar todas as variáveis, designadamente as que se aduziram acima, corre-se o risco de uma acção popular inviabilizar todo o Parque da Raia, de nada valendo a celeridade que o promotor imprimiu às obras.
É que para o Direito não conta a política do facto consumado…
(Parte 2 de 2. Fim.)
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Ler a Primeira Parte. Aqui.
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A crónica de João Valente «Ilegalidade das Eólicas em Sortelha – A desmistificação das mentiras» é publicada em duas partes (nas quartas-feiras, dias 18 e 25 de Agosto).
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«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

Os vereadores que compõem o executivo camarário do Município do Sabugal não se entendem em relação aos termos em que deve ser apoiada uma família carenciada na compra de uma habitação condigna.

Camara Municipal do SabugalDepois de acesa discussão, a câmara deliberou, na reunião de 4 de Agosto de 2010, a aquisição de um imóvel na freguesia de Rendo por 15 mil euros para que a família, de etnia cigana, se instale. Nos termos da deliberação, a que o Capeia Arraiana teve acesso, a casa deverá ser afectada a uma «eventual» bolsa de imóveis a criar com o objectivo de apoiar famílias em situação de pobreza ou de exclusão social .
A proposta foi aprovada com os votos dos vereadores do PSD e do MPT, tendo o PS votado contra, declarando que a nova decisão revogava uma outra tomada há um ano pelo executivo, por unanimidade, sem que a informação da impossibilidade em se executar essa decisão anterior tivesse chegado. Os socialistas reclamam ainda a elaboração de um regulamento camarário para este tipo de apoios sociais, «para resolver estas situações todas no concelho e não uma em especial», declarou Luís Sanches em nome dos vereadores do PS.
De facto o assunto já fora analisado na reunião de 18 de Setembro de 2009, ainda pelo executivo anterior, altura em que foi deliberado, por unanimidade, adquirir a casa de habitação da família no Casteleiro, pelo valor de 9 mil euros, devendo a família «tratar de adquirir a casa de Rendo pelo valor de 15 mil euros através de empréstimo na Caixa de Crédito Agrícola».
O problema também fora debatido na reunião de 7 de Julho deste ano, altura em que a proposta do PSD foi lançada, cabendo à vice-presidente da Câmara, Delfina Leal, defender a aquisição do imóvel, considerando que «a deliberação a tomar era praticamente a mesma, só que em vez de 9 mil euros a casa custaria 12 mil, e em vez de se estar a tratar de uma casa sem condições de habitabilidade, estava a falar-se agora de uma casa com condições de habitabilidade e que resolvia os problemas».
Porém no dia 4 de Agosto a proposta voltou à mesa, mas já com um valor de aquisição que atinge os 15 mil euros, sendo a mesma de novo votada e aprovada.
plb

O Festival das Confrarias Gastronómicas a ter lugar nos próximos dias 4 e 5 de Setembro (sábado e domingo), no Mercado da Ribeira, em Lisboa, terá segundo estimativas da Câmara Municipal lisboeta, mais de 5 mil visitantes. A Confraria do Bucho Raiano do Sabugal é responsável por um dos quatro espaços de restauração atribuídos pela organização.

Festival Confrarias Gastronómicas - Mercado Ribeira - Lisboa

A Chancelaria da Confraria do Bucho Raiano desafia todos os sabugalenses e amigos do Sabugal a passarem pelo Mercado da Ribeira no primeiro fim-de-semana de Setembro (dias 4 e 5) para degustarem a qualidade e a excelência da gastronomia regional portuguesa e, em especial, o bucho e os enchidos raianos que serão servidos ao almoço e jantar de sábado e almoço de domingo.
A organização entendeu atribuir quatro espaços de restauração no primeiro andar do Mercado da Ribeira às Confrarias da Chanfana, Confraria Gastronómica de Almeirim (sopa da pedra), Confraria dos Gastrónomos da Região de Lafões (vitela) e Confraria do Bucho Raiano do Sabugal.
O Festival das Confrarias Gastronómicas tem início no sábado, às 10.30 horas na Praça dos Paços do Concelho da cidade de Lisboa com um desfile de confrades de todas as confrarias até ao Mercado da Ribeira. Para este desfile estão convidados todos os confrades do bucho raiano que se deverão apresentar devidamente trajados.
A animação musical do Festival conta com a presença da Bandinha da Amizade (Vila Nova de Poiares), Grupo Bombrando (Amadora), Grupo de Cantares Os Almocreves (Évora), Rancho Folclórico de Soito da Ruiva (Arganil), Rancho Folclório de Benfica do Ribatejo (Almeirim), Rancho Folclórico da Casa do Concelho da Pampilhosa da Serra, Grupo da Confraria dos Ovos Moles (Aveiro) e Grupo de Cantares de Tentúgal.
O horário do certame com entrada livre é o seguinte:
– Sábado – 10.30 até às 23 horas, exposição e venda de produtos de artesanato e gastronomia; entre as 12.00 e as 23 horas (degustação e restauração);
– Domingo – 10.30 até às 17.30 horas, exposição e venda; entre as 12.00 e as 17.30 horas (degustação e restauração).
O 1.º Festival das Confrarias Gastronómicas conta com a participação de mais de 40 Confrarias Gastronómicas e é uma parceria entre a Câmara Municipal de Lisboa, Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas, Turismo de Lisboa, Turismo Lisboa e Vale do Tejo, Escola de Comércio de Lisboa e EGEAC-Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural da CML.
jcl

O CERVAS devolveu à natureza na aldeia das Batocas uma águia-de-asa-redonda. O momento foi testemunhado por alguns populares e por Delfina Leal, vice-presidente da Câmara Municipal do Sabugal. Na próxima quinta-feira, 26 de Agosto, vai ser igualmente libertada uma cegonha júnior encontrada muito debilitada na freguesia de Ruivós.

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A águia-de-asa-redonda (Buteo buteo) foi encontrada em Maio na Estrada Nacional que liga o Sabugal a Vilar Formoso, junto ao cruzamento para as Batocas. O animal foi recolhido por um particular após a queda do ninho, durante o abate de árvores e foi entregue à equipa do SEPNA da GNR da Guarda. Encaminhada para o CERVAS – Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens, em Gouveia, iniciou um processo de recuperação que consistiu em alimentação, de modo a que pudesse ter um desenvolvimento normal, para além de ter sido submetida a treinos de voo e de caça, e de ter estado em contacto com animais da mesma espécie, de modo a assegurar uma correcta aprendizagem dos comportamentos típicos.
O CERVAS tem como regra devolver os animais selvagens, depois de recuperados no seu «hospital», nos locais onde foram encontrados tentando garantir a sua rápida integração no meio ambiente.
Na sua devolução à natureza, no dia 12 de Agosto, nas Batocas, estiveram presentes cerca de 20 pessoas, entre as quais Delfina Leal, vice-presidente da Câmara Municipal do Sabugal, para além de alguns populares, que baptizaram a ave com o nome «Batoquinhas».
Estranha-se a ausência de representantes da Junta de Freguesia de Aldeia da Ribeira e a falta de informação aos habitantes locais que declararam desconher a iniciativa.

Libertação de uma cegonha branca em Ruivós
Na próxima quinta-feira, 26 de Agosto, às nove e meia da manhã, o CERVAS vai devolver no Largo da Igreja Matriz de Ruivós uma cegonha branca (ciconia ciconia) júnior encontrada muito debilitada dentro da povoação no dia 14 de Julho pelo Tiago Lages e pelo Daniel Moura (dois jovens de férias na aldeia), após ter caído do ninho. A sua entrega ao CERVAS foi feita por um vigilante da Reserva Nacional da Serra da Malcata.
O processo de recuperação envolveu alimentação, de modo a assegurar um correcto desenvolvimento corporal e da plumagem de voo, o contacto com outros animais da mesma espécie de modo a que pudesse adquirir os comportamentos típicos da espécie, bem como treinos de voo de modo a poder fortalecer a sua musculatura.
A cegonha-branca (Ciconia ciconia) pertence à ordem dos ciconiiformes e distribui-se por todo o nosso país. Possui um comprimento entre 90 e 105cm (com o pescoço distendido) e uma envergadura entre 180 e 218cm. Pode viver até cerca de 33 anos em estado selvagem. Esta ave tem uma plumagem de cor branca com excepção das penas primárias e secundárias, as grandes coberturas e as coberturas primárias, a alula e as escapulares que apresentam uma coloração preta. A cegonha-branca possui pernas altas de coloração vermelha e pescoço longo. Os juvenis distinguem-se dos indivíduos imaturos e adultos principalmente através da coloração do bico: nas primeiras fases de vida é mais curto e quase preto, passando progressivamente para uma coloração acastanhada ou vermelho-pálido com a ponta preta, até atingir a coloração vermelha, típica dos adultos. 
Apesar de ser considerada uma ave aquática, a maioria dos casais nidificantes em Portugal utiliza diversos habitats como pastagens naturais, searas, montados ou lameiros. No entanto, charcas, pequenas ribeiras, pântanos, sapais e arrozais são muito utilizados por estas aves como locais de alimentação.
A cegonha-branca apresenta uma dieta bastante variada: insectos, lagostim-vermelho, anfíbios, pequenos mamíferos, répteis e até mesmo restos de alimento humano, que encontram em lixeiras e aterros sanitários.
Esta espécie é monogâmica e, geralmente, utiliza o mesmo ninho, ano após ano. Os casais podem nidificar isoladamente ou em colónias. Em Portugal, são conhecidas colónias constituídas por mais de 70 casais nidificantes. Esta espécie escolhe árvores, construções humanas de diversos tipos, postes e escarpas fluviais e costeiras para edificar o ninho. A postura é efectuada em Fevereiro/Março, sendo que a incubação dura 33-34 dias. O período de permanência no ninho, após a eclosão, é de aproximadamente dois meses (58-64 dias). A incubação, tal como a protecção e a alimentação das crias, é realizada por ambos os membros do casal, podendo ser criadas 1 a 5 crias.
Como curiosidade, a associação milenar da cegonha-branca ao nascimento de crianças está intimamente relacionada com os seus hábitos migratórios. O seu regresso à Europa, para aqui se reproduzir, coincidente com a estação da Primavera, que simboliza o renascimento da vida, tornou esta espécie num símbolo de fertilidade.
O CERVAS é um «hospital de animais» em Gouveia pertencente ao Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB) / Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE) e que se encontra actualmente sob a gestão da Associação ALDEIA com o apoio da ANA – Aeroportos de Portugal e outros parceiros. O centro tem como objectivos detectar e solucionar diversos problemas associados à conservação e gestão das populações de animais selvagens e dos seus habitates. As linhas de acção do CERVAS são a recuperação de animais selvagens feridos ou debilitados, o apoio e/ou a realização de trabalhos de monitorização ecológica e sanitária das populações de animais selvagens, o apoio e fomento à aplicação do Programa Antídoto, a promoção da sensibilização ambiental em matéria de conservação e gestão dos animais selvagens e o funcionamento como unidade intermédia de gestão e transferência de informação e amostras tratadas através de parcerias científicas.
jcl (com CERVAS)

A Guarda Nacional republicana deteve na zona de Pinhel um caçador por falta de licença de uso e porte de arma. Durante a semana transacta a GNR efectuou ainda fiscalizações à floresta e à circulação de mercadorias, tendo procedido a um total de 16 detenções e registou mais de 70 ocorrências criminais, 30 das quais por furto.

GNRSegundo o comunicado semanal do comando territorial da Guarda, a GNR realizou no dia 22 de Agosto uma operação de fiscalização do exercício da caça, por ocasião da abertura do acto venatório de 2010, direccionada para a caça às aves migratórias de verão. Durante a operação foram fiscalizados 23 caçadores, sendo um deles, detido por crime de falta de licença de uso e porte de arma de caça e elaborados dois autos de contra-ordenação por infracções à legislação da caça. Foram ainda apreendidas duas armas de caça e 48 cartuchos. O detido foi presente ao Tribunal Judicial de Pinhel, sendo-lhe aplicada, como medida de coação, Termo de Identidade e Residência.
Durante a semana foram detidos 16 Indivíduos pelos seguintes motivos: 10 por crime de condução sob o efeito do álcool, um por resistência e coação sobre militar da GNR, um por injúrias, ameaças e difamação a militares da GNR, um por desobediência, um por caça ilegal e dois por mandado judicial.
Foram elaborados 299 autos de contra-ordenação, pelas seguintes infracções: 273 à legislação rodoviária, 21 à legislação da natureza e ambiente e 5 à legislação policial.
Para além das ocorrências de natureza criminal que motivaram a detenção dos seus autores, registaram-se outras ocorrências, das quais se destacam: 30 furtos, 11 danos, sete ofensas à Integridade Física , 11 ameaças, 12 actos de violência doméstica, oito incêndios florestais, duas injurias, uma burla.
Registaram-se 33 acidentes de viação, resultando 23 de colisão, oito de despiste e dois de atropelamento (de animais). Dos sinistros resultaram um ferido grave e oito feridos leves. Após análise sumária das causas dos acidentes registados, a GNR apurou que a causa provável da sua maioria foi a velocidade excessiva e o desrespeito pela cedência de passagem e pela distância de segurança.
plb

Nos dias 19 e 20 do corrente, a freguesia de Foios teve a honra e o privilégio de ser a anfitriã de uma iniciativa inédita, pelo menos nesta região: Governo Civil Aberto.

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O evento foi organizado pelo Governo Civil da Guarda, em colaboração com a Câmara Municipal do Sabugal e a Junta de freguesia de Foios e as principais actividades ocorreram no Centro Cívico de Foios, enriquecido por uma belíssima exposição de quadros da autoria do pintor Alcínio Vicente, natural de Aldeia do Bispo.
O tema central destas jornadas foi o desenvolvimento sustentável da zona raiana. Sob o título sugestivo: «RAIA DE OPORTUNIDADES». Poucas vezes houve oportunidade de assistir e participar em comunicações e debates tão esclarecedores e tão frutíferos, tal a excelência do programa e dos dois painéis de oradores nele incluídos, bem como do elevado número de distintas personalidades portuguesas e espanholas
Oficialmente, o dia 19 (quinta-feira) começou às 10 horas com a recepção a Sua Excelência o Governador Civil da Guarda, no Largo da Praça, a que se seguiu o Hastear das Bandeiras e a Guarda de Honra pelos Bombeiros Voluntários do Soito que foram acompanhados pela Sr.ª Presidente da Direcção, Comandante, Sr. Joaquim e ainda pelo Comandante Distrital Sr. António Fonseca.
Pelas 11 horas, o Sr. Governador Civil da Guarda, acompanhado do Sr. Presidente da Junta de Freguesia de Foios, do Sr. Presidente da Câmara Municipal do Sabugal, das personalidades presentes e alguns naturais da localidade, visitou a ETAR e a Praia Fluvial, a que se seguiu de imediato uma visita ao Lar S. Pedro, onde proferiu algumas breves mas significativas palavras de estímulo aos funcionários e dirigentes, de conforto e de esperança aos utentes, contou uma parábola sobre a velhice e ouviu, comovido, um poema lido por uma senhora internada no lar.
Pelas 12 horas procedeu-se à assinatura da Acta de Reconhecimento de Fronteira Portugal/Espanha. De destacar neste acto oficial, duas frases proferidas pelo Presidente da Câmara do Sabugal e pelo Secretário de Estado da Protecção Civil, respectivamente, antes a após a assinatura da Acta:
Este território de Fronteira deve ser, além de uma Raia de Oportunidades, uma Raia de Complementaridades.
Ao mesmo tempo que estamos a delimitar fronteiras, estamos a derrubá-las.
Ideia presente também em várias comunicações posteriores durante os dois dias do Governo Civil Aberto: Ao contrário do velho refrão, «de Espanha nem bom vento nem bom casamento», o desenvolvimento desta região tem de passar pela estreita colaboração entre os dois países.
Após o almoço, foram retomados os trabalhos com a recepção oficial aos Autarcas Portugueses e Espanhóis, participantes e convidados de que destacamos alguns: Dr. Vasco Franco, Secretário de Estado da Protecção civil; Professor Dr. Correia dos Santos, Deputado do Parlamento Europeu; D. Augusto Pimenta de Almeida, Cônsul de Portugal em Salamanca; D. Jesus Malaga Guerrero, Sub-delegado do Governo de Espanha; D. Antonio Luis Sánchez, Deputado do Parlamento de Castilla Leon; um representante de D. Isabel Jimenez, Presidente da Diputacion de Salamanca; D. Carlos Cortez Gonçalez, Director Gerente da Diputacion de Salamanca; Presidentes de Junta das freguesias de Aldeia do Bispo e Forcalhos e Alcaldes de Valverde del Fresno, Albergaria de Argañan, Casillas de Flores e Alamedilla.
Pelas 15 horas deu-se início ao Encontro Para o Desenvolvimento Sustentado da Zona Raiana. Como oradores, contou-se com dois grandes especialistas: O Dr. Pires Manso e a Drª. Cláudia Pinto. As comunicações foram objectivas, precisas e concisas e de um grande rigor científico. Os debates corresponderam às comunicações.
Na sessão de encerramento que ocorreu por volta das 18 horas, as conclusões foram unânimes: A preocupação pelo futuro desta região é uma constante. Urge tomar medidas para inverter o processo de desertificação e fomentar empreendedores. Compete ao Governo tomar algumas medidas. Compete a todos nós, raianos, lutar também para que o futuro se apresente mais promissor. O maior potencial da região são as pessoas.
No final da sessão chegou Sua Excelência Reverendíssima, o Sr. Bispo da Guarda.
Pelas 18,30 horas, no Largo da Praça, a Guarda Nacional Republicana apresentou um espectáculo com cães treinados que encantou toda a assistência. Entretanto chegou a banda filarmónica de Vale de Azares.
Pelas 19,30 houve da Missa celebrada pelo Sr. Bispo com a participação do Pároco da Freguesia, Sr. Padre Paulo, e do Sr. Padre Carlos, ambos naturais dos Foios. De registar a magnífica prestação da Banda Filarmónica.
Finalmente, houve um jantar-convívio aberto à população no Pavilhão Cultural, cedido para o efeito pela Comissão de Melhoramentos. O jantar foi abrilhantado pela Banda, o que muito alegrou a assistência.
Pelas dez horas deu-se por terminado o primeiro dia de trabalhos.
Os trabalhos recomeçaram no dia 20 (sexta-feira), às 10 horas, com a audiência conjunta com os Presidentes da Junta do concelho do Sabugal registando-se a presença da maior parte dos convidados para o efeito.
Pelas 11 horas e 30 minutos deu-se início à reunião com as IPSS.
Já por diversas vezes, em comunicações anteriores, tinha sido focado o papel importante destas instituições, quer como factor de desenvolvimento, quer pelo seu elevado contributo em prol da terceira idade. Daí o empenho do Sr. Governador Civil em dialogar com os seus dirigentes, como fez questão de frisar. Em representação de Entidade da Tutela, a Segurança Social, por impedimento do seu Director, Dr. Albano Rodrigues, esteve presente a Dr.ª Rita.
Entre os vários assuntos abordados, foi referida a necessidade de regulamentação específica que respeite e contemple a diversidade e especificidade geográfica da região, uma maior justiça social na distribuição de subsídios, não podendo este concelho ser penalizado em virtude de ser o que apresenta uma maior percentagem de Lares a nível nacional. A justificação de que se privilegiavam outros concelhos como incentivo à formação de unidades de apoio à terceira idade não pareceu justa à assistência pois que os Lares desta região nasceram da iniciativa popular sem qualquer incentivo que não o amor e o respeito a ter com as pessoas de idade e foram quase todos fundados com o esforço e o empenho dos naturais das freguesias onde estão instalados. Foram também focados os aspectos da reclassificação e sustentabilidade e os problemas que podem advir de uma Direcção menos empenhada.
Seguiu-se o almoço informal na Trutalcôa e os trabalhos recomeçaram às 15 horas com a palestra «O Orgulho de ser Raiano: História, Património e Tradições – Factores de Desenvolvimento». O painel era constituído pelos seguintes oradores: Professor Adriano Vasco Rodrigues, Dr.ª Antonieta Garcia, Dr. Francisco Manso e Engenheiro Paulo Ribeirinho.
Foram quase três horas de fascínio e emoção, de enriquecimento e despertar de vontades, tal a qualidade elevadíssima das suas comunicações.
Por fim, e já com ligeiro prolongamento, entrou-se na última parte – Conclusões e Encerramento. Todos os que participaram no evento, quer como assistentes, quer como intervenientes mais directos, foram unânimes em concluir do elevado balanço positivo deste primeiro Governo Civil Aberto. Pela primeira vez tivemos oportunidade de dialogar abertamente com o representante do Governo Central que a todos cativou pela sua forma de ser e de estar, pelo seu elevado conhecimento dos problemas da região e, sobretudo, pelo seu empenho em ajudar a resolvê-los no âmbito das suas funções e das possibilidades de resolução. Referiu a especificidade da Raia que não pode ser considerada Beira Interior. Apelou à criação de estratégias de captação de pessoas, designadamente, dos emigrantes não apenas em férias mas em regresso definitivo. E relembrou que não podemos esperar que os outros resolvam todos os nossos aspectos negativos e necessidades que todos conhecemos e foram elencados ao longo dos dois dias.
Como naturais da região, temos que ter a coragem de fomentar ideias, de dinamizar processos, de incentivar projectos tendentes e minimizar os problemas do presente para construirmos em conjunto um futuro melhor.
Os resultados foram francamente positivos.
Obrigada Sr. Governador Civil. O Povo merece e agradece.
Amélia Rei Dias

Madrugada de 24 de Agosto de 1820 (há precisamente 190 anos), o Coronel Sebastião Drago de Brito Cabreira, reuniu as suas tropas no campo de Santo Ovídeo, no Porto, juntando-se-lhe outras guarnições da mesma cidade. Foi o início da Revolução Liberal em Portugal. A partir daí começam as lutas liberais, uma guerra entre portugueses que durou alguns anos, uma guerra caseira. É nesta Revolução Liberal que se encontram as raízes mais profundas do 5 de Outubro de 1910, da implantação da República.

António EmidioA Revolução teve o apoio do povo e a adesão das forças vivas da cidade, que se juntaram na Câmara Municipal do Porto. Foram militares e juristas os principais chefes rebeldes, como o brigadeiro António da Silva Pinto da Fonseca, o coronel Drago Cabreira, o desembargador Manuel Fernandes Tomás e o jurista José Ferreira Borges, entre outros.
Uma revolução não surge de um dia para o outro, esta já tinha tido o seu prólogo em 1817, mas nessa altura foi neutralizada pela Regência do Reino. Também em 1817 se dá a revolta de Pernambuco, no Brasil. Terá uma coisa a ver com a outra? As ideias liberais começavam a ter muita força e a serem aceites na sociedade portuguesa de então.
Por mais estranho que pareça, foram as invasões francesas com o seu cortejo de morte e destruição que deixaram a marca do liberalismo. Em 1820, Portugal estava num impasse político, D. João VI e a Corte estavam no Brasil, com essa ausência, havia um vazio de poder em Portugal. Também no exército português a supremacia de Inglaterra era notória, já durava pelo menos há uma década, o povo via isso como uma tutela política, como uma humilhação. A Inglaterra significava para os liberais uma barreira ao progresso das novas ideias. Convém recordar que tanto em Inglaterra como em França, era o liberalismo que dominava, mas em França era radical, jacobino, em Inglaterra era um liberalismo conservador. O liberalismo português era de origem francesa.
No plano externo, foi a Constituição de Cádis em Espanha, chamada a «Revolução de Espanha», cujo artigo 2º dizia: «A Nação Espanhola é livre e independente não é património de nenhuma família nem pessoa», vê-se aqui um ataque ao absolutismo real, que influenciou depois a Constituição Portuguesa saída das Cortes.
Só em 1821, depois das Cortes legislarem é que foi extinto o Conselho Geral do Santo Ofício e as Inquisições, a Revolução Liberal terminou com essa instituição diabólica que durava há trezentos anos!!!.
Lisboa aderiu à revolução passados uns dias.
Porquê o Porto baluarte do liberalismo? A Inglaterra tirava grandes vantagens de ordem política e comercial na protecção que dava ao País. O tratado anglo-luso foi muito favorável a Inglaterra. Esta situação prejudicou a burguesia a partir de 1815, especialmente o comércio duriense, isto também foi uma das causas da Revolução. Antes disso, no século XVIII, a exportação de vinhos finos pela barra do Douro trouxe riqueza à cidade, abrindo-a também à cultura das luzes, chegavam lá ilustrações de França e Inglaterra, havendo muitos assinantes da imprensa estrangeira. No Porto havia também muitos clubes jacobinos que fomentavam a revolta.
Este pequeno artigo, é uma também pequena homenagem, mas sincera, que quis prestar ao Exército Português. Foi em 1820, pela primeira vez, que a força das armas impunha o destino político. A partir daí, até Abril de 1974, o Exército teve muita influência no desenrolar político de Portugal.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

Tendo as populações da Raia abandonado as aldeias e os campos com as searas amadurecidas, Massena não teve outro remédio que ordenar aos seus soldados que fizessem a ceifa para assim fazer face à extrema penúria do seu exército.

Já o dissemos antes: há duzentos anos, nestes dias de Agosto, os campos de Riba Côa estavam pejados de soldados franceses, preparando-se para atravessarem o Côa e avançar decididamente em Portugal.
O exército anglo-luso aguardava a ofensiva na margem esquerda do rio, observando os movimentos dos franceses, mas não esboçando o mínimo movimento de auxílio à praça de Almeida, que estava cercada e era flagelada pelos canhões. As tropas de Wellington estavam nutridas, sendo abastecidas regularmente por comboios de víveres vindos do sul, porém o exército de Massena passava por enormes privações, subsistindo com dificuldade.
Quando os franceses entraram em Portugal para a terceira invasão, no final de Julho de 1810, estavam a meia ração de pão e biscoito e as doenças, motivadas pelo calor excessivo, dizimavam muitos soldados. Não se poderia prosseguir com a incursão sem ser resolvido o problema do abastecimento das tropas, pelo que o marechal francês decidiu reunir recursos, enquanto prosseguia com o cerco de Almeida.
Os campos estavam cobertos de searas doiradas, mas não havia quem fizesse a colheita, porque os portugueses levavam a preceito as instruções de Wellington e da Regência no sentido do abandono literal dos campos para dificultar a subsistência do exército invasor. O capitão Guingret, que comandava um batalhão do 6º corpo do exército de Massena, descreveu no livro «Campanhas do Exército de Portugal» as dificuldades resultantes dessa política de terra queimada: «Os habitantes fugiam constantemente quando nos aproximávamos; abandonavam as suas casas para se refugiarem no meio das montanhas ou no âmago das florestas. Levavam sempre consigo os seus pertences e provisões de toda a espécie; levavam também o gado e antes de fugir tinham todo o cuidado de esconder e enterrar, nos lugares mais difíceis, tudo aquilo que não podiam levar. Se a nossa marcha rápida ou imprevista não lhes deixava tempo para construir ou cavar os seus esconderijos, lançavam para os poços, nos charcos ou nos rios tudo o que podia servir para alimentar o nosso exército.»
Face à situação, Massena resolveu que os seus próprios soldados procederiam à ceifa, à malha, à moagem e à cozedura do pão para abastecimento do exército. Para tanto mandou vir das imediações de Salamanca todas as foices que foi possível reunir, distribuindo-as depois pelos soldados. «Cada regimento tinha os seus ceifeiros, os seus debulhadores, os seus moleiros e os seus padeiros», escreveu o General Koch nas «Memórias de Massena». E o empenho foi tal que os soldados gauleses se espalharam, em grupos, pelos campos da raia, em toda a margem direita do rio Côa, tornando-se em camponeses zelosos, de foices e de manguais em punho. Outros dedicaram-se a reparar os moinhos junto às ribeiras, que os portugueses haviam desactivado, e a construir fornos ou a recuperar os que tinha cada aldeia.
O coronel Nöel, chefe do estado-maior do 6º corpo do exército francês, contou também nas suas «Memórias Militares de Um Oficial do Primeiro Império», como se deram os trabalhos no seu sector: «Estando o trigo ainda por colher, tomo a decisão de o colher eu mesmo, bater, moer e confeccionar o biscoito. (…). Mando que recolham as foices junto dos camponeses e mando fabricar manguais aos operários de artilharia e aos correeiros do comboio militar. Apodero-me de um moinho e consigo fabricar um excelente biscoito. Os camponeses julgavam que ao recusarem-se às nossas requisições escapariam a isso. ».
A azáfama foi tal na angariação das provisões para a subsistência do exército que os trabalhos do cerco de Almeida, nomeadamente a construção da trincheira e a instalação das baterias de artilharia, não avançavam ao ritmo pretendido: «mais de metade dos regimentos estavam a ceifar as searas ou a trabalhar nos moinhos e nas padarias», revelou ainda o general Koch.
Paulo Leitão Batista

Seis anos depois, Aldeia Velha voltou a receber de braços abertos os UHF. Efectivamente, os UHF já tinham actuado no mesmo local no dia 23 de Agosto de 2004. Se o concerto de 2004 foi bom, o de 2010 (realizado no passado dia 21 de Agosto) foi fantástico.

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João Aristides Duarte - «Música, Músicas...»Muito público jovem esteve presente, mas também bastantes pessoas de outras faixas etárias, para quem os UHF são ainda uma referência que permanece desde a sua adolescência.
Totalmente recuperado, após o seu internamento hospitalar em finais de Julho (que levou ao cancelamento do concerto de Peniche), o líder dos UHF, António Manuel Ribeiro, provou (mais uma vez) em Aldeia Velha, porque é um dos mais carismáticos músicos do Rock português.
A banda continua com a formação habitual, que já tem mais de 10 anos: António Côrte-Real (guitarras), Ivan Cristiano (bateria), Fernando Rodrigues (baixo e teclas); António Manuel Ribeiro (guitarras e vozes). Para além destes músicos participou no concerto, como convidado, Nuno Oliveira (teclas, baixo e cavaquinho).
O concerto iniciou-se com «Quando (Dentro de Ti)» e prosseguiu com um tema do novo álbum (que sairá em finais de Setembro e se intitulará «Porquê?»).
O concerto prosseguiu com temas como «Matas-me Com o Teu Olhar», «Sarajevo», «Modelo Fotográfico» ou «Foge Comigo Maria».
O público, que enchia completamente o recinto, não arredava pé e cantava, constantemente, os refrães dos temas emblemáticos dos UHF.
No tema «Canção de Roubar o Amor», Nuno Oliveira tocou cavaquinho, numa feliz mistura entre o Rock e a música popular portuguesa.
O concerto teve o seu clímax no tema «Esta Dança Não Me Interessa», quando António Manuel Ribeiro, na parte final, solicitou ao público que batesse palmas ao ritmo da canção, enquanto ia declamando um poema, ao mesmo tempo que referia estar muito feliz por regressar a Aldeia Velha, elogiando os presentes e transformando a noite de 21 de Agosto numa imensa comunhão entre a audiência e a banda.
O tema «O Vento Mudou», uma versão da canção que ganhou o Festival RTP da Canção, nos anos 60, foi dedicado ao autor desta crónica por António Manuel Ribeiro, seu amigo pessoal.
O concerto chegou ao fim com «Menino (Canção da Beira-Baixa)», mas o público pediu mais. A banda voltou ao palco para cantar a versão acústica de «Matas-me Com o Teu Olhar», com o público em coro a entoar o refrão, após o que se retirou.
A pedido do público a banda regressaria, ainda, para mais dois temas emblemáticos: «Cavalos de Corrida» (António Manuel Ribeiro referiu que estava há 32 anos ligado à corrente e tinha começado por ser, ele próprio, um cavalo de corrida) e, na apoteose final, com o público presente no recinto a dançar ao som de «Menina Estás à Janela».
Resumindo: um concerto memorável.
António Manuel Ribeiro confidenciou ao autor desta crónica que o novo álbum dos UHF se incluirá naquilo a que se poderá chamar «Rock de Intervenção», com palavras duras e de protesto contra um certo apodrecimento da situação vivida em Portugal.
«Música, Músicas…», crónica de João Aristides Duarte

(Membro da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

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