«Se não se põem em acção as medidas de austeridade nesses países, poderia desaparecer a Democracia como a conhecemos actualmente. Não há alternativa.»

António EmidioAs palavras em epígrafe são do Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, na Conferência de Sindicatos da Europa, referindo-se principalmente aos países do Sul da Europa, Portugal, Espanha e Grécia. Mas não só ele usa esta linguagem ameaçante, um intelectual alemão numa entrevista à sociedade Alemã de Política Exterior, afirmou que não se perdia nada um pouco de ditadura, a «necessidade de uma solução Bonapartista», ou seja, um despotismo ilustrado para alcançar o progresso. Também José Maria Aznar, franquista e reaccionário assumido, declarou num programa de rádio que qualquer posição política que intente superar o estabelecido (Capitalismo Selvagem, Neoliberalismo), deve ser não só marginalizada politicamente, mas também perseguida policialmente.
Mas se por acaso não vingar a solução das ditaduras, têm o plano B. Plano B que consiste na formação de um directório em Berlim com amplos poderes para dirigir a economia de Espanha, Grécia e Portugal e, possivelmente outros países. Tudo está escrito num documento que circula pelas chancelarias e que diz a certa altura: «…obrigaria a restrições de soberania». Colocava-nos também a nós portugueses numa posição de submissão colonial. Aceita esta situação Sacrossanto Doutor da Lei? Aceita esta situação Politicamente Correcto? Aceita isto, Profissional do Oportunismo? Qualquer português digno tem de insurgir-se.
Será mesmo que nos espera uma ditadura? É muito natural querido leitor(a), não será aquele tipo de ditadura clássica, com polícia política de sobretudo e chapéu, presumo que virá por este caminho: a Democracia tal como agora está, é-nos mostrada como a coisa mais perfeita, a partir daí, até o que não é democrático é aceite, porque faz parte da perfeição da Democracia e, a comunicação social controlada vai encarregar-se de tudo. Seria impensável qualquer coisa parecida com o Estado Novo, pela simples razão que as pessoas se revoltariam, assim com uma auréola de democracia, liberdade e tolerância, é aceite pela maioria sem pestanejar.
Não devemos esquecer, que desde o golpe de Estado de Pinochet no Chile em 11 de Setembro de 1973, as políticas neoliberais são apresentadas como a liberdade máxima a que o homem pode aspirar, políticas essas, que em muitos sítios, o Chile foi o exemplo mais terrível, até ao momento, vieram das mãos de ditaduras que mataram centenas de políticos, sindicalistas, lideres sociais e, milhares de cidadãos anónimos que ofereceram resistência.
Não me canso de repetir que a história ainda não chegou ao fim. Passava pela cabeça de alguém que a Europa em plena metade do Século XX fosse dilacerada por uma guerra cruel? Passava pela cabeça de alguém que se cometessem barbaridades em campos de extermínio? E tudo aconteceu quando a humanidade atingiu o seu máximo em tecnologia, até esse momento, não esqueça isto!
As ditaduras e as guerras acompanharão o homem enquanto este caminhar pela Terra. A História é uma Mestra que nos dá lições sobre o futuro.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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