Um dos meus maiores prazeres é ler. Para mim, um livro é um refúgio. Ao lê-lo, escondo-me deste espectáculo vulgar e deprimente em que se transformou a vida neste actual momento histórico que me está a tocar viver.

António EmidioRefugiei-me durante mais de uma hora com um maravilhoso livro de poemas de Bernardino Henriques, um homem do concelho, natural dos Fóios. O livro tem como titulo «Poemas da Terra». Nele, Bernardino Henriques, como que nos canta um hino maravilhoso à Mãe Natureza, essa Mãe à qual todos nós pertencemos. Foi Guardador de Rebanhos, que felicidade espiritual este homem não deveria ter sentido e, sente seguramente ao lembrar-se da serra da sua terra, dos ribeiros, dos riachos, dos caminhos, das árvores, das nascentes e, de tudo o que a natureza embeleza essa serra. Já o poeta Virgílio dizia: «Que felizes seriam os homens do campo se reconhecessem a sua felicidade.» Bernardino Henriques conheceu-a bem.
Depois, entra por outros temas, como o Poema Dança, o Carnaval da Vida , escritos com a alma, porque a verdade está no fundo da nossa alma. Leitor(a), se puder leia o livro.
Tive o prazer de ser convidado para a apresentação do livro, que teve lugar no Centro Cívico Nascente do Côa, nos Fóios. Este Centro Cívico, além do papel que desempenha para a comunidade, pessoalmente considero-o como um refúgio humano e espiritual para uma família dedicada à literatura. Das vezes que lá vou, lá está a Amélia Rei, o Bernardino Henriques, o poeta castelhano Tomás Acosta, a sua filha Aida, o Mário Simões Dias e outros. O professor José Manuel, Presidente da Junta, está sempre presente nessas reuniões literárias, é um homem que não se despojou dos seus valores interiores, ele sabe que o homem também é espírito, não é só matéria e, também sabe que nenhum País nem nenhuma comunidade humana serão ricos se não forem cultos.
Bernardino Henriques, um bem haja pelo livro, por esse bem da sua alma, certamente já reparou que a nossa sociedade e, até a nossa civilização estão doentes, sabe porquê? Porque desprezam os bens espirituais. Sem eles, nenhuma sociedade humana pode subsistir muito tempo.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

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