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«Imagem da Semana» do Capeia Arraiana. Envie-nos a sua escolha para a caixa de correio electrónico: capeiaarraiana@gmail.com

Festa do Cavalo e do Toiro - Sabugal - 2010
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Data: 3 de Julho de 2010.
Local: Praça Municipal do Soito.
Autoria: Capeia Arraiana.
Legenda: António Robalo, António Marques, Fernanda Cruz e Joaquim Ricardo.
jcl

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Sempre fui um adepto convicto do utilizador pagador, não apenas nas portagens, mas na generalidade dos bens públicos. Fosse essa prática habitual talvez se pagasse menos por cada bem ou serviço, não estaria o património tão abandonado e os espaços de lazer tão mal cuidados. Naturalmente, haverá sempre que ressalvar as situações excepcionais em que o indivíduo não possa ou não deva pagar, como a invalidez, a deficiência, a velhice, a pobreza ou que quer que impute à restante comunidade o dever de pagar por si.

António Cabanas - Terras do Lince - Capeia Arraiana

António Cabanas - Terras do Lince - Capeia ArraianaNo que respeita a auto-estradas, os sucessivos governos criaram nos portugueses a ilusão que era possível manter tais equipamentos de forma gratuita e com isso nos confundiram anos a fio. A confusão iniciou-se com a famosa via cavaquista do Infante, a começar na fronteira e terminar perto de Boliqueime, terra do seu autor. Foi a primeira borla. A desculpa até era convincente: a CEE é que pagara a construção e não autorizava que aquela via fosse portajada. A seguir vieram os planos rodoviários nacionais que ainda hoje estão por cumprir, mas avançaram as Crils, as Crels e as Vcis, os ICs e os Ips, muitos à volta de Lisboa, outros em redor do Porto. Depois um primeiro-ministro que «não esquecia o Interior», após muitas outras auto-estradas no litoral, lá fez a primeira scut do Interior, a passar naturalmente na sua terra! Nada de novo a não ser a fabulosa invenção de fazer obras sem dinheiro. O país encheu-se de auto-estradas, mais nuns sítios que noutros, em alguns casos aos pares, e noutros em triunvirato, sem outro critério além do peso político do território onde se construíam.
Estas e outras ilusões que custaram muitos milhões ao erário público, despejados à pazada no litoral, impediram que algumas migalhas caíssem em territórios deprimidos. E não foram apenas os pequenos municípios que ficaram a ver navios, há também capitais de distrito que ficaram encravadas, como Bragança ou Portalegre, por exemplo.
Como não há almoços grátis, não se paga em portagens, paga-se em impostos!
Bem alertaram os pregadores do deserto para a factura que havia de vir, em duplicado, cara demais, talvez quando a não pudéssemos pagar. Infelizmente, tinham razão antes de tempo. É justamente numa altura em que a economia necessita de ajuda, quando os impostos sobem e os ordenados descem que o governo se vê obrigado a cobrar as scuts, dificultando ainda mais a vida aos cidadãos e às empresas, não apenas às empresas de transportes, pois fatalmente, a factura repercutir-se-á nas matérias-primas, nas mercadorias e na nossa vida em geral.
Além de virem na pior altura, as portagens não resolverão o problema do país que mais do que financeiro, é um problema económico, de falta de produtividade, onde a sanguessuga do estado, para quem não há dinheiro que baste, quase proíbe que se faça o que quer que seja.
Este é o resultado da leviandade e da irresponsabilidade dos governantes e da política imediatista que tem pautado os destinos do país nas últimas décadas. Leviandade ainda vigente, aliada agora à pressa de fazer dinheiro a todo o custo. Sabe-se que a pressa é má conselheira, mas a necessidade urgente de dinheiro está a desnortear um governo à beira de um ataque de nervos, dando uma no cravo, outra na ferradura. A proposta de isentar de portagens os residentes e as empresas dos concelhos que são atravessadas por scuts é a emenda pior que o soneto! Então e os que não têm auto-estrada, que vivem no interior do interior, além de não beneficiados, devem ser castigados? Terão os residentes de Idanha e de Penamacor que mudar para junto das scuts?! Deverão as empresas transportadoras do Sabugal sediar-se em Belmonte, na Guarda ou na Covilhã?!
É o que dá a governação de cabotagem, com a costa à vista, acaba sempre por tornar o percurso mais longo, tanto mais longo quanto mais sinuosa for a costa. E a costa da nossa política é muito sinuosa e corporativa.
Não houve em devido tempo discernimento para avaliar o impacto futuro de decisões irreflectidas, nem coragem para dizer não aos grupos de pressão. Mas a História teima em repetir-se e mais uma vez não haverá coragem para afrontar os que gritam mais alto.
«Terras do Lince», opinião de António Cabanas

(Vice-Presidente da Câmara Municipal de Penamacor)
kabanasa@sapo.pt

Teresa Duarte Reis - O Cheiro das Palavras - Capeia ArraianaA Serra da Estrela é um manancial de riqueza e por isso não se esgotam os pensamentos, os dizeres e os poemas à sua volta. E, já que falei deste tema a semana passada, vou continuar, na medida em que o Verão nos chama a deambular pelo campo, pelos espaços verdes e frescos que nos convidam ao silêncio e à paz interior. Nos tempos que correm, quem não precisará de momentos destes para um descanso do corpo, mas mais ainda do espírito? Num passeio feito há tempos atrás, em estudo sobre a natureza e a defesa do ambiente, muito aprendi. É numa linguagem mais erudita que apresento este poema, mas prometo traduzi-la, na semana a seguir, em linguagem popular, ou melhor, em linguagem do pastor.

À DESCOBERTA DA SERRA DA ESTRELA

Blocos erráticos salpicam
Os quatro degraus serranos
Do glaciar resultantes.
Pequeninos nos sentimos
Altas moreias esmagam
Escarpadas ondulantes.

E a Estrela bem sublime
Que aos estudantes anime
No seu majestoso trajar
Convida à descoberta
Pois a porta está aberta
E qualquer um pode entrar.

A Divina Providência
Facilita a escorrência
E das nascentes jorrar
Cursos de água brilhantes
Que deslizando, cantantes
Boas trutas vão criar.

A fário e arco-íris
Em Manteigas, seus viveiros
Têm como fim proteger.
Povoar outros ribeiros
Multiplicara espécie
Lagoas abastecer.

Xisto ou colmo em cobertura
É defesa da natura
Para as belas cortes telhar.
O granito, na sua rudeza
Aplica, com singeleza
Resultados do Glaciar.

Pseudotsuga, larício
Teixo, urze e giesta
São obra da natureza.
O cervum é protegido
Do montanheiro envolvido
Na protecção e defesa.

Vale do Zêzere encantado
Imponente e escarpado
No seu U a não esquecer
Mostra ao caminheiro atento
(de saber está sedento)
Que ainda mais deve aprender.

De pássaros a piar
E perdizes a saltitar
No seu modesto viver
Está a força da natureza
Paira a lagartixa presa
À cascalheira a trepar.

«Mens sana in corpore sano»
Rosto marcado pela vida
Traços de um povo serrano
De uma vida bem vivida
Em simplicidade e rudeza
No contacto com a natureza.

«O Cheiro das Palavras», opinião de Teresa Duarte Reis
netitas19@gmail.com

Acabo de ler um livro que há uns anos comecei a folhear e depois pousei, agarrando-me a outras leituras de ocasião. Trata-se de «Os Ratinhos», de Luís Coelho Albernaz, um romance social de raiz regional, cuja acção se desenvolve na Beira e no Alentejo, tendo por pano de fundo os movimentos migratórios de beirões que debandavam para o Sul à cata de sustento, sujeitando-se a uma vida dura e cruel.

Diria que é um romance demasiado cândido, que reporta a vida de um pobre mas inteligente rapaz que foge à miséria e aos maus-tratos do patrão e vai à aventura, de mistura com os «ratinhos» que demandam o Alentejo. Trabalhador, honesto e ambicioso o jovem trepa a pulso na vida, trabalhando e estudando sob a protecção de um padre rico que com ele simpatizou. Formado em Direito, o narrador deixa de lhe chamar António, passando a referir-se-lhe como o Doutor António, e coloca-o a ir de volta às berças, onde ajuda financeiramente a família e os amigos de infância e recupera o amor da Emilinha, que o julgava desaparecido para sempre.
A par do cultivo das virtudes de quem sobe duramente na vida, transformando-se de pobre em rico, em prémio da inteligência e do trabalho, o livro fala-nos da epopeia dos desventurados da Beira que desciam ao Alentejo. Lá trabalhavam durante meses a fio, envolvendo-se nas tarefas sazonais. Seguiam em grupo, orientados por um capataz que tinha a responsabilidade de falar com os latifundiários e os seus feitores, de manter a coesão do grupo e de a todos trazer de volta no final da campanha.
Trabalhavam arduamente e viviam em condições miseráveis. Dormiam em tarimbas, sobre palha impregnada de percevejos, arranchavam onde calhava, comendo papas e migas, servindo-se todos da mesma gamela:
«Naquele dia cozeram feijões com saramagos e carne de porco, mais gorda que magra. Pronto o cozinhado, foi este distribuído por pequenos recipientes onde os Ratinhos de casqueiro numa mão e colher na outra, se iam servir.»
Muito trabalho e mau passadio para estes beirões que iam para terra alheia em busca de melhor vida, mas de onde regressavam com apenas alguns cobres, que mal chegavam para pagar as dívidas.
No que toca à gastronomia, é digna de nota a referência ao saboroso caldo verde que o «Doutor António» deglutiu quando regressou à aldeia, em casa da própria irmã, que o não reconheceu dados os anos que passaram, o seu vestir escrupuloso e os óculos que usava e lhe davam um ar selecto.
«A Sara chamou:
– Vamos para a mesa. O senhor Doutor fica ali – e indicou-lhe a parte cimeira da mesa. – Não sei se lá para o Alentejo fazem deste caldo, mas é uma das especialidades cá da Beira. Há quem lhe deite umas rodelas de chouriça, mas eu penso que isso vai tirar o verdadeiro gosto do caldo verde. Tira-lhe o que tem de melhor que é precisamente o sabor inconfundível das folhas verdes da couve galega. Deitar chouriça no caldo verde, é como quem deita aguardente no bom café: estraga uma coisa e outra.
Sentaram-se. O Doutor viu tanta sopa naquele prato grande e profundo que julgou impossível caber-lhe no estômago. Ia tentar comer metade para a irmã não ficar desgostosa, já que nenhuma cozinheira gosta que comam pouco dos seus cozinhados.
O Doutor comer a sopa toda e lambeu os beiços. (…) Em seguida chegou o arroz de cabrito que foi repetido por todos.»
«Sabores Literários», crónica de Paulo Leitão Batista

leitaobatista@gmail.com

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