Escavações efectuadas pelo Gabinete de Arqueologia da Câmara Municipal do Sabugal, no Alto de Santa Bárbara, em Aldeia da Ponte, levaram à descoberta de um povoado do período do Calcolítico, com cerca de cinco mil anos.

Os três técnicos do gabinete municipal de Arqueologia e dois voluntários foram os responsáveis pelas escavações que se iniciaram em Fevereiro desde ano, e que agora foram concluídas. Do trabalho realizado resultou a descoberta de material muito importante para o estudo da época, nomeadamente alguns objectos raros, o que contribuiu para uma melhor identificação da importância do povoado e para a sua caracterização.
O arqueólogo Marcos Osório, coordenador do Gabinete de Arqueologia, disse à Lusa que se descobriu um sítio arqueológico «muito importante na região», face às estruturas e materiais ali encontrados.
As prospecções arqueológicas foram realizadas no local onde vai ser construída uma moradia e abrangeram um terreno de 1200 metros quadrados. Porém, segundo Marcos Osório, essa área «corresponderá, muito provavelmente, a um décimo da área total do povoado», admitindo que «há muito mais para ser escavado».
Revelou ainda à Lusa que não era conhecido na Beira Interior um povoado de fossas destas dimensões e que «os paralelos mais próximos conhecidos encontram-se no Alentejo e na região de Madrid (Espanha)».
As escavações revelaram uma grande e complexa diversidade de fossas, valas e buracos abertos na rocha granítica, sendo identificadas 14 estruturas abertas pelo homem no substrato rochoso, algumas com dois metros de diâmetro, outras com seis, e um fosso com cerca de 25 metros de extensão, por cerca de três metros de largura.
«Estas estruturas negativas são restos de um povoado e de uma comunidade que ali habitou, da qual sobram apenas estes vestígios de habitat, porque os outros, como a madeira e o colmo, degradaram-se com o passar dos anos», explicou.
O fosso «seria uma barreira defensiva», as cavidades maiores poderiam ser «fundos de cabanas» e as mais pequenas, buracos onde assentavam postes que suportavam as coberturas das cabanas.
As restantes fossas foram interpretadas como prováveis lareiras, lixeiras e silos, adiantando que também foram descobertos os restos de um forno de combustão feito de barro e lajes de granito.
No interior das cavidades foram recolhidos muitos materiais, como pontas de seta e facas talhadas em pedra lascada, machados, escopros e goivas de pedra polida, contas e pendentes de colares em pedra exótica, mós de vaivém, pesos de tear de barro e cerâmica doméstica.
Marcos Osório disse ainda à Lusa que o povoado «recua ao III Milénio antes de Cristo., numa altura em que o homem ainda não utilizava o metal, por isso, todos os instrumentos são feitos em pedra».
plb