Voltamos ao livro «O Quinto Elemento do Circuito 5», que enquadra uma interessante e perturbante aventura pelo espaço e pelo tempo histórico, onde também há sabores gastronómicos a redescobrir.

Ainda há dias falámos neste pequeno e interessante livro escrito por Alcino Póvoas Cunha, jurista nascido no Sabugal em 1963, que decidiu aventurar-se no campo literário.
Quem ler o livro não poderá ficar indiferente, tal o interesse criado com as rocambolescas aventuras de alguém que, rompendo a barreira do tempo, retrocede até à antiguidade e redescobre a história que já estudou e que por isso bem conhece.
A acção começa neste tempo, nos alvores do século XXI, quando o personagem principal sofreu um acidente de viação que o atira para fora da estrada e o faz perder os sentidos. Volta a si num mundo diferente e estranho, e dali viaja ao tempo passado, recuando dois mil anos, vivendo então uma aventura fantástica em contacto com os povos da antiguidade.
Ora entre os zelotas, ora entre os romanos, experimentou os trajes que usavam, exprimiu-se na língua hebraica e na latina, passou por diversas provações, integrando-se como pode na aventura que a situação lhe proporcionou. Também teve que se alimentar e, a um ponto, quando estava entre o povo zelota, e conheceu um velho sacerdote chamado Binus, o mesmo encarregou-o de uma importante missão, tratando porém primeiro de lhe oferecer comida. O aventureiro saboreou com gosto a comida mediterrânica que o ancião lhe ofertou.
«O Binus indicou-me um local onde havia uma mesa de pedra que era a continuidade saliente de uma rocha e uns bancos de madeira, pediu-me para me sentar, foi buscar água e comida, bem precisava de comer e beber. A pedra que a Venga me pôs na fronte dava jeito por aqui mas não há nada como saborear a verdadeira comida.
Regressou o ancião com legumes, azeitonas, figos tâmaras e, principalmente, um tipo muito rústico de pão. Também água. Saciei-me, mas percebi um gesto de censura de todos os presentes que, e observavam e registavam todos os meus movimentos.»
Satisfeito e bem alimentado o personagem seguiu o seu caminho, procurando cumprir a missão que recebeu, vivendo uma sucessão de interessantes aventuras.
«Sabores Literários», crónica de Paulo Leitão Batista

leitaobatista@gmail.com

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