Entrei na parte dos casos de polícia do Capeia Arraiana e li novamente o que se passou há uns meses atrás com Abílio Curto – a troca dos sacos de pinhões numa grande superfície da Guarda.

António EmidioVeio-me à memória uma pequena história que me foi contada e que se passou aqui na então vila do Sabugal, possivelmente nos anos cinquenta do século passado. Reza assim: um pastor da aldeia de Malcata necessitou de dinheiro para fazer face a um qualquer problema com a Fazenda Pública, como solução, matou um cabrito. Depois de esfolado embrulhou-o num pano de linho e meteu-o numa cesta e veio vendê-lo à vila. Como é lógico, não foi rogá-lo a nenhum pobre, dirigiu-se a casa de uma das famílias ricas e bateu à porta. Apareceu a criada e ele disse-lhe ao que ia. A rapariga respondeu que não queriam o cabrito, mas que esperasse um pouco para ver o que a senhora dizia. Voltou, pediu ao pastor a cesta e levou-a para dentro de casa. Passados uns minutos, voltou com ela, entregou-a ao pastor dizendo que a senhora não estava interessada no cabrito. O homem ia dirigir-se a outra casa, quando por qualquer motivo lhe deu para abrir o cabaz e o pano de linho onde vinha embrulhado o cabrito, o que viu? Um cabrito que não era o dele, não era o que ele tinha levado, o que ali estava já estava retardado e seco. Não foi rogá-lo a mais ninguém, seria incapaz disso, tinha sido enganado.
Está a ver querido leitor(a) que os vícios antigos ainda perduram!
Um outro conto. Podia falar dos crimes e assassinatos dos israelitas, praticados sobre pessoas que levavam ajuda humanitária a Gaza, mas não vale a pena, a esses tudo lhes é permitido, são dos principais inimigos da humanidade, e a impunidade de que gozam é uma ameaça para todos nós.
Vou falar de uma «tourada» aqui na nossa vizinha Espanha, em Alhauin el Grande, província de Málaga, durante uma festa popular. Foram «lidadas» duas pequenas bezerras, de tenra idade e, quase sem cornos, por um grupo de «valentes toureiros» já bêbedos. Resultado: os pobres animais foram mortos à paulada, a pontapé a murro, e às duas bezerras torceram-lhes o pescoço até lhe o partirem.
Século XXI na civilizada e europeia Espanha. São animais, podemos matá-los como quisermos! Gritará alguém, mas todo aquele que não respeitar o que nasce, vive e morre, na Natureza e na Terra, também não é capaz de respeitar o outro homem.
O homem muda, vai mudando, mas não deixa de ser ele mesmo. Para quando uma religião ou uma ideologia que o transforme por completo? Talvez nunca…
Há quem tente no dia a dia essa inglória missão, pouco conseguem, mas tentam. Fui ver um concerto do «velho» Carlos Santana, houve uma parte em que no écran gigante apareceu uma pomba branca, a pomba da paz, a voar lentamente numa coreografia admirável, acompanhada de uma melodia maravilhosa executada por ele e pelos músicos que o acompanhavam. Momento tocante, momento de paz, momento de sonho, momento de amor, foi uma oração laica, que no fundo são as mais belas e verdadeiras.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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