A Confraria do Toiro Bravo reuniu-se na tarde de Sábado (29 de Maio) para o seu IV capítulo anual em Coruche, onde foi fundada, no final de 2006. O evento decorreu, no Observatório do Sobreiro e da Cortiça, enquadrado na FICOR, certame destinado a promover a fileira da cortiça, onde só aparentemente se poderá estranhar a presença do touro bravo, já que o montado é o seu ecossistema favorito. A Confraria do Bucho Raiano marcou presença em terras ribatejanas.

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António Cabanas - «Terras do Lince»A Vila Ribatejana recebeu as várias dezenas de representantes de outras confrarias engalanada, com feira e tasquinhas, onde não podia faltar a tradicional tourada à portuguesa. Embora de forma modesta, a Confraria do Bucho Raiano esteve presente.
O Presidente da Câmara local, confrade, mas à civil, deu as boas vindas aos forâneos, enalteceu o trabalho desenvolvido pela confraria e justificou a existência do observatório como uma ode ao sobreiro. Ora aí está!
Na oração de sapiência, proferida pelo confrade Dr. Francisco Fernandes, ficou a saber-se que as touradas já vêm dos gregos e romanos e de outras mitologias antigas, mas também que o conhecimento culinário milenar com o qual poucos se preocupam se pode perder com a morte de quem o detém.
Momento de boa catadura ocorreu quando a meio das alocuções entrou o antigo matador de gado do extinto matadouro municipal. Do alto da sua proveta e tisnada idade, desceu a coxia do auditório, deu as boas tardes em voz alta, interrompeu a oratória do maioral e, sentando-se na primeira fila, fez-se notar ostensivamente. E não era para menos, afinal o Sr. Manuel seria entronizado daí a pouco como confrade honorário do Toiro Bravo, ele que no velho matadouro, ensinava o bêabá da arte de matar reses bravas aos futuros matadores.
Vamos ao que interessa, à comida, claro, ou não fosse ela razão maior de uma confraria gastronómica! O restaurante o Farnel esteve à altura da responsabilidade, logo a começar pelas entradas, iniciadas pelos famosos espargos bravos que também os toiros comem na herdade. A língua de fricassé, o beiço e os rins salteados, tudo de bravo, estavam uma delícia. As carnes mais afrodisíacas ficarão para o próximo capítulo! Para variar, o prato principal era constituído por nacos de vitela brava com favas. A sobremesa foi já um tanto apressada pela urgência da tourada, mas deu para notar a curiosa apresentação do folhado com creme de ovos, em forma de cabeça de toiro. O vinho não se ficou atrás, ribatejano, reserva multicastas de 2004 da Quinta Grande, um pouco graduado demais, mas agora é moda.
A maior surpresa estava reservada para a noite, com o desfile de todas as confrarias presentes, em plena praça de touros. Não estando as praças dotadas de portas para confrarias, entrámos pela porta do cavalo. Foi então que entendi a razão das favas ao jantar, só não relinchamos por respeito aos Ribeiro Teles e ao Pablo Hermoso que já alpendorados nas suas belas montadas, aguardavam que o desfile confrádico acabasse, para eles próprios darem início ao de cortesias.
A praça acabou por encher para ver a I Grande Corrida das Confrarias. Os toureiros da terra esforçaram-se para entusiasmar o público, enquanto o espanhol, com cavalos bem treinados apenas lhe faltou a elegância que este tipo de toureio exige.
Os forcados começaram mal, com o primeiro touro, em derrote violento, a desbaratar as ajudas tardias do grupo de Montemor e a deixar o forcado da cara muito maltratado e a necessitar de sair de maca. Já os da casa brindaram a pega às confrarias, e foi uma pega de se lhe tirar o chapéu, que levou a assistência ao delírio. Agarrado que nem uma lapa na cara do touro aguentou meia praça, ora arrastando na areia, ora quase voando pelos ares, até à reunião de todo o grupo.
Confrades e confreiras aplaudimos de pé!
«Terras do Lince», opinião de António Cabanas

(Vice-Presidente da Câmara Municipal de Penamacor)
kabanasa@sapo.pt

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