Esteve em discussão pública até ao passado dia 10 de Maio este Plano que, suponho, tenha sido elaborado pelo Governo Civil da Guarda.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Debruço-me hoje sobre o capítulo denominado «Organização da Resposta» e, permito-me dizer que o mesmo padece de um mal que é típico dos portugueses – o complicómetro!
Vejamos então:
1. Compete ao Director do Plano Distrital de Emergência de Protecção Civil – Governador
Civil do distrito da Guarda – desencadear e dirigir as acções de protecção civil de prevenção, socorro, assistência e reabilitação adequadas a cada caso, com vista a minimizar a perda de vidas, bens e agressão ao ambiente, bem como o restabelecimento de condições mínimas de normalidade.
2. Mas a coordenação política é efectuada por uma Comissão Distrital de Protecção Civil (CDPC) constituída por: Governador Civil; Comandante Operacional Distrital; Entidades máximas dos serviços desconcentrados dos ministérios da defesa, justiça, ambiente, economia, agricultura e florestas, obras públicas, transportes, comunicações, segurança social, saúde e investigação científica; Comandantes Distritais da PSP e da GNR; Representante do INEM; Presidentes das Câmaras Municipais de Aguiar da Beira, Fornos de Algodres e Seia; Representantes da Liga dos Bombeiros Portugueses e da Associação Nacional de Bombeiros Profissionais.
3. Ainda não terminou porque a seguir vem a coordenação institucional e operacional (!?) que é garantida por um Centro de Coordenação Operacional Distrital (CCOD), constituído por: Comandante Operacional Distrital da Autoridade Nacional de Protecção Civil; Comandantes Distritais da PSP e da GNR; Representante do INEM; Representante da Autoridade Florestal Nacional (AFN); Demais entidades que cada ocorrência em concreto venha a justificar; Representante das Forcas Armadas se empenhadas.
4. Entra agora em acção o Comando Distrital de Operações de Socorro que, por sua vez tem um Posto de Comando Operacional Conjunto (PCOC), com uma organização que contempla, apenas (!), Adjuntos de Relações Públicas, Segurança e Ligação; e Células de Planeamento, de Combate e de Logística.
Com a minha quase total ignorância sobre questões de protecção civil, situação que, penso, é partilhada pela esmagadora maioria dos portugueses, será que era preciso tanto?
Ou pondo a questão de outra forma: Se estas estruturas já existissem, o fogo do Verão passado que atingiu mais de um terço do território do nosso Concelho, teria sido menor?

p.s. Nem a Associação Humanitária, nem os Bombeiros do Sabugal foram chamados a participar ou participaram voluntariamente na fase de elaboração ou de discussão pública deste Plano. Mas pode um Plano Distrital de Emergência de Protecção Civil ser eficaz sem envolver desde o primeiro momento (o da sua elaboração), os Bombeiros?
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos
(Presidente da Assembleia Municipal do Sabugal)
rmlmatos@gmail.com