José Maria Videira nasceu na Bendada, freguesia do concelho de Sabugal, em 26 de Abril de 1896. Este foi um homem da velha tempera das gentes da Riba-Côa, daqueles de «antes quebrar que torcer». Como já há poucos, muito poucos, apesar de tudo o que se diz. Quem arriscaria, hoje, o que este verdadeiro patriota arriscou?

João Aristídes Duarte - «Memória, Memórias...»Republicano e revolucionário convicto, combateu, em França, na Guerra de 1914/1918.
Bateu-se pela liberdade e pela democracia para os portugueses e pagou bem cara essa sua luta.
Sofreu a prisão, a deportação e a tortura.
Por ser o líder da Organização Revolucionária dos Sargentos, organização considerada ilegal e subversiva pelo regime fascista de Salazar foi deportado para Santa Cruz da Graciosa (Açores). Enquanto esteve deportado nos Açores ensinou a ler e a escrever vários analfabetos ali existentes, que o homenagearam com um documento onde apuseram as suas assinaturas.
Era um homem para quem a instrução e a educação de todos os homens eram valores prioritários.
Da deportação nos Açores foi transferido para o Campo de Concentração do Tarrafal, em Cabo Verde (aquele que alguns saudosistas do anterior regime dizem nunca ter existido ou não ter passado de um campo de férias), onde esteve em companhia de muitos outros presos políticos anarco-sindicalistas, comunistas, socialistas (da velha cepa) ou outros antifascistas.
Foi elogiado por outros combatentes contra o regime ditatorial como Emídio Santana e Correia Pires (anarco-sindicalistas, o primeiro dos quais conhecido por ser um dos organizadores do célebre atentado ao ditador), Josué Martins Romão (que esteve na revolta dos marinheiros e preso com ele no Tarrafal), Raul Rego (jornalista e político) e Manuel João da Palma Carlos (advogado e seu defensor).
Como é natural tinha ficha na PIDE, com muitas anotações, como se pode ver na imagem.
Faleceu em Lisboa em 16 de Junho de 1976, já depois de ter sentido o sabor da liberdade conquistada em 25 de Abril de 1974, pela qual se bateu uma vida inteira.
O seu irmão Joaquim Videira, também nascido na Bendada, tinha a patente de tenente e esteve em Lisboa nas barricadas do 5 de Outubro de 1910.
Devido à sua actividade política como republicano e democrata foi deportado pelo regime de Salazar para Cabo Verde, S.Tomé e para Timor. Foi preso várias vezes pela PIDE. Morreu e foi sepultado em Lisboa.
Sem me querer imiscuir em assuntos internos da Bendada, julgo que seria de toda a justiça a existência de uma rua com o seu nome na freguesia que o viu nascer.
Também se deverá colocar à consideração da Comissão de Toponímia eleita pela Assembleia Municipal e constituída pelos deputados Joaquim Brázia, João Manata, José Clemente e Fátima Neves que tenham em consideração este ilustre sabugalense para o nome de uma rua na sede do concelho.
João Videira Santos, neto de José Maria Videira e primo do dono do Mini Mercado Videira, na Bendada, que descobri nas minhas andanças de melómano (já que esteve ligado ao «ié ié» português como autor de canções do grupo da década de 1960 «Os Keepers») tem um orgulho imenso no seu avô e o caso não é para menos.
Como político que sou (e faço gala de o ser) eu próprio me sinto orgulhoso por ter existido no concelho de Sabugal uma personalidade com a dimensão de José Maria Videira.
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

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