A imagem de hoje refere-se a uma tourada com forcão realizada no Soito, em 1974. Foi a primeira vez que se realizou no redondel construído em cimento que foi erguido no Lameiro do Soito.

Capeia Arraiana no Soito

João Aristídes Duarte - «Memória, Memórias...»Efectivamente, até esse ano as touradas com forcão, no Soito, realizaram-se em muitos locais, incluindo este no Lameiro do Soito (onde hoje se localiza o Jardim), mas sempre com o perímetro da «Praça» feito por carros de vacas.
O redondel, que esteve neste local até 2005, foi construído em 1974 e estreado em Agosto desse ano, com esta tourada. Note-se que não me lembro de, no Soito, estas touradas serem conhecidas como capeias, nesta época, mas sim como touradas. Era a época em que havia os mordomos das Festas de S. Cristóvão e os mordomos da tourada. Só alguns anos mais tarde, no Soito, os mordomos das Festas de S. Cristóvão e da tourada seriam os mesmos e organizariam as duas actividades em conjunto. Antes disso acontecer, os mordomos da tourada eram sempre rapazes solteiros, como acontecia em muitas outras terras da raia sabugalense.
Repare-se, ainda, nos carros de vacas que serviam de escapatória para os mais afoitos. Hoje são substituídos por reboques de tractores.
Outra curiosidade das touradas desta época é que os que pegavam no forcão, faziam-no apenas dos lados, não havendo ninguém no seu interior (nesta fotografia aparece, no entanto, um rapaz no meio do forcão, o que era raríssimo, neste tempos), como hoje acontece em todas as capeias.
O colorido das roupas usadas nesta época (calças amarelas ou vermelhas, quase todas à boca-de-sino, bem como camisas de cores bastante garridas eram frequentes), não pode deixar de ser salientado.
Lembro-me que, nestes anos, os touros vinham a pé, acompanhados por cavalos (não se usavam automóveis, tractores nem motos-quatro) e, junto ao local onde se realizava a tourada as ruas eram tapadas com automóveis, colocados uns a seguir aos outros. Parecia que ninguém tinha medo que o touro estragasse a pintura dos automóveis (o que nunca vi acontecer). Outros tempos…
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

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