Cada época histórica produz e propaga um determinado sistema de valores. A que presentemente atravessamos institucionalizou a destruição da moral e da ética, da verdade, da amizade e da solidariedade.

António EmidioSubstituiu esses valores por outros falsos que elevou à categoria de absolutos, eleitos pela ideologia do cálculo e do lucro.
Penso às vezes, e tenho a certeza, que sou um anacronismo no actual momento histórico, um inadaptado, talvez seja a palavra mais certa. Por isso sou um exagerado, às vezes, quando ataco este sistema político/económico que nos rege. Mas ao olhar à minha volta, noto que peco por o não atacar mais contundentemente.
Vou deixar-lhe aqui querido leitor(a), um pequeno grande exemplo da institucionalização da mesquinhez.
Numa reunião a que assisti, e que versou sobre a avaliação e desempenho na Função Pública, foi dito pelo orador, e está em Decreto, que a atitude pessoal do funcionário não conta na altura de ser avaliado, o que conta somente são os resultados. No dicionário de português, atitude significa MODO DE PROCEDER. Daí se conclui que não interessa como se conseguiram os resultados, o que interessa é que tenham aparecido. Isto é um convite à luta de todos contra todos, ao egoísmo, ao individualismo levado ao extremo, à falta de solidariedade, à má educação, à indelicadeza, e à falta de consideração pelos colegas.
Os homens e mulheres, os verdadeiros ideólogos do sistema, que fazem estas leis, são aqueles burocratas imbuídos de falso liberalismo e de uma aversão à Democracia, que principescamente pagos, enxameiam ministérios e secretarias de estado
De uma incompetência inaudita, e incapazes de solucionar os problemas que nos afligem. Antes pelo contrário! Cada vez nos arranjam mais situações desesperadas, a que actualmente vivemos é uma bancarrota social, que está a preceder a económica, esta última não tardará muito.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

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