Teresa Duarte ReisA leitura é o caminho que nos leva ao conhecimento e nos enriquece a linguagem, nos transporta para lá do sonho e da imaginação. Nunca ficamos iguais depois de lermos um livro. Não podemos apagar a delícia benfazeja de uma leitura descontraída, deliciosa e apaixonada, pela riqueza do encontro, da descoberta, da paixão, no contacto de cada página mais ou menos macia, mais ou menos branca. E, apesar do avanço da informática que nos facilita todo e qualquer conhecimento, nada se compara ao sossego duma leitura repousante no jardim ou na praia, no sossego ou no bulício da grande cidade…

Livro

Meu livro
Ó grande amigo
Da paz e do silêncio.

Janela aberta para a vida
Horizonte do saber
Em viagem pelo mundo
Em descoberta constante
De qualquer duro viver.

Fonte de imaginação
De tantas vidas vividas
De tantas «estórias» contadas
Na escrita, retratadas
E no livro repetidas.

A criança ama o livro
Vê desenhos e pinturas
Revê-se nas histórias
E logo vagueia no sonho
Nas suas figuras.

E nesse enredo
Com as magias da varinha
Seu pensamento voando
No perfume da floresta
Nas asas da fada madrinha

O estudante ali aprende
Adquire saberes
Povoa de mensagens
Sua mente que engrandece
E se retrata
Nos registos de cada dia
Nos testes avaliados
Revelando o quanto cresce.

E tu que escreves
Desabafas teus enlevos
Carências, teus segredos
Brincas com as palavras
Amas o livro, qual amigo
Que não cansa
E descansa teus cansaços
Num despejo de confidências
Alegrias, experiências
Num ziguezaguear constante
Da paixão pela escrita.

E o eterno estudioso
A quem não fatiga a leitura
Todo o dia
Cada hora
Para sua mente crescer.
Na escrita, ele vibra
Se entrega esfuziante.

E para quem é curioso
Confidente de quem escreve?
Vive ali todas as vidas! (1)
Descobre muitos segredos
Tantas páginas, seus enredos
Num constante descobrir.

Sentir o que sente o escritor
Retratado nas palavras
Sua vida ali despida
Comunicada sem receios
Descoberta, vivida
A qualquer duro viver,
Haverá melhor razão
De longa paixão sentir
Pelo livro, grande amor?

(1) Professora Ana Cão – UBI – 10 de Março 2006.
«O Cheiro das Palavras», opinião de Teresa Duarte Reis
netitas19@gmail.com

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