Teresa Duarte ReisNo Inverno, a natureza adormece de mansinho. Os canteiros ficam despidos de verde, sem perfume e a semente repousa…Tudo descansa. Nos parques, os baloiços perdem as risadas. É o silêncio… Vem a Primavera. É a Passagem para a vitória dos campos que começam a redescobrir o verde e a encher-se flores. Do outro lado, a Páscoa ou Peschat que se revela nos altares das Igrejas de cor roxa. No silêncio, se reza na calçada a Via-sacra e na Igreja o cântico solene é triste e recorda o…

POESIA

Hecce Homo
preso injustamente…

Tantos presos
Pelas injustiças sociais
Os exageros
As exigências,
As descriminações raciais…

Outros presos ao seu orgulho,
À sua raiva
À avareza
Ao egoísmo…
Cada passo Seu
É o caminho de todos
Os que em grupo se encontram
Se ajudam, se amparam.

Ele cai
Humanamente cai,
Frágil…
E tantos que caem
Caem na verdade não aceite
Que não cabe no coração dos homens
Nalguns corações apertados.

Limpam-se as casas,
Se erguem os corações
Que Ele no alto da Cruz
Se desprende.

Na manhã de Domingo
É a vitória
A doce madrugada.

As flores se reabrem
O campo reverdeja
Voltam os chilreios alegres.
Com eles a madrugada
A alegria que viceja.

Ele vence a morte
Faz Nova Aliança
Nos lembra o valor da Vida.
E se Eleva!

É a Vitória dos que não se deixam esmagar pela injustiça, o desânimo, a discriminação… e se tornam eles próprios conscientes pela manutenção dos seus valores, na luta pelas verdades em que acreditam. Desejo a todos esta Verdadeira Páscoa.
Excerto dum poema Peschat do livro «Ecos do Meu Pensar»
«O Cheiro das Palavras», crónica de Teresa Duarte Reis
netitas19@gmail.com