Votar será um dever? Um Direito? Ou apenas uma dor de cabeça que muitos evitam? Eleições Regionais em França, marcadas por uma abstenção record. Os franceses eram chamados às urnas este domingo, para elegerem os seus representantes regionais. Uma eleição em dois tempos, a primeira volta neste domingo, a segunda volta no próximo domingo.

Paulo AdãoDesta primeira volta o partido do poder (UMP) esperava a confirmação da sua política, a oposição liderada pelos socialistas, esperava obter resultados que permitissem advinhar ou prever ua mudança das cores políticas actuais.
Os resultados desta primeira volta, surpreenderam pela negativa, a abstenção bateu records, atingindo uma «maioria absoluta», 53.6%. Os poderes políticos, UMP e PS partilham com pouca diferença os resultados finais, o partido de Jean Marie Le Pen, do Front Nationale da extrema direita ganha força e apresenta-se ainda à segunda volta, com resultados também eles surpreendentes. Estes resultados deixam tudo em aberto para a segunda volta do próximo domingo, todos os partidos foram unânimes em reconhecer que com esta abstenção não há nem vencedores nem vencidos desde esta primeira volta.
Escolhi este tema, não para falar das eleições francesas, mas para tentar perceber este desinteresse pela política, tentar perceber o porquê de tanta abstenção.
Nos dias que correm, numa grande parte dos paises europeus, a política tem perdido aquele poder de convencer. Os políticos são regularmente vistos como uns «caçadores de poleiro», que pretendem apenas um bom lugar, recompensas chorudas. As promessas durante as campanhas são enormes, vão à procura dos mais necessitados prometendo e dizendo aquilo que as pessoas querem ouvir. Hoje com o poder da comunicação social, com a facilidade de comunicação existente, as pessoas acabam por perceber rapidamente as verdadeiras intenções políticas de esta ou aquela pessoa, deste ou daquele partido.
Regressando a estas eleições regionais em França, a campanha foi marcada não pelos grandes projetos ou ideias que muitos esperavam, mas pelas acusações entre uns e outros, entre difamações pessoais, entre traições partidárias ao seio da mesma cor política. Ao mesmo tempo, o Conselho Regional sendo responsável entre outros, pelos transportes, pela educação, pela formação continua e profissional, poucos são aqueles que realmente conhecem os poderes e as responsabilidades destes conselheiros. É espantoso, como ao fim de tantos anos de eleições regionais, ouvir dizer que não se sabe a que servem os conselheiros regionais.
Com isto tudo, talvez a abstenção tenha uma explicação, talvez seja compreensível.
Poucos são aqueles que ainda depositam alguma confiança nos actuais políticos. No entanto, não será o voto a melhor maneira de expressão? Em países, onde a democracia não passa de uma miragem, onde a liberdade de expressão não existe, as populações aspiram pelo direito ao voto, pela liberdade de poder votar e escolher os seus representantes. Será que para nós, este direito e este dever já não representa nada na liberdade que outrora foi tão dificil conquistar.
O voto é responsabilidade, significa partilhar ideias ou projectos, significa um compromisso com aqueles que escolhemos.
O voto é liberdade.
«Um lagarteiro em Paris», opinião de Paulo Adão

paulo.adao@free.fr

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