Woody Allen regressou a Nova Iorque e trouxe consigo Larry David, da série de televisão «Calma Larry». «Tudo Pode Dar Certo» é não só um regresso à sua cidade de sempre, mas também um regresso às boas comédias do nova-iorquino neurótico.

Pedro Miguel Fernandes - Série BO mais recente filme de Woody Allen faz-nos lembrar as suas comédias dos anos 1970, período que muitos consideram ser o melhor do realizador. A única diferença é que a interpretação não é de Allen, mas de Larry David, produtor executivo da série Seinfeld e protagonista de «Calma Larry». Mas o papel não fica por mãos alheias. Apesar das enormes diferenças físicas entre os dois, quando vemos Boris, a personagem principal, não há que enganar: estamos perante um Woody Allen à moda antiga.
E quem é Boris. Boris é um antigo nomeado para o prémio Nobel para a Física com um certo ódio de estimação pela Humanidade (para ele, toda a gente deveria enviar os filhos para um campo de concentração durante pelo menos duas semanas para lhes mostrar o que é a humanidade) que se apaixona por uma jovem que foge da sua casa no Sul dos EUA, mais concretamente do estado do Mississipi, e acaba à porta do prédio de Boris.
Tudo pode dar certoE é assim que o pouco humano Boris começa a ganhar um pouco de coração, mas não muito pois continua a disparar em todas as direcções: dos miúdos a quem ensina a jogar xadrez, aos seus amigos, passando pelos pais da sua jovem esposa, todos levam com as palavras ácidas do nova-iorquino.
Para quem gosta de se rir com coisas sérias, este filme é o indicado. Mesmo assim, «Tudo Pode Acontecer» não é recomendado às mentes mais sensíveis, pois as opiniões de Boris não são fáceis de engolir.
E depois de Londres e Barcelona, ver Woody Allen filmar a cidade que nunca dorme como ninguém sabe é como ver um regresso às origens. Nem o jazz, nos últimos filmes preterido face a estilos de música clássica, falhou a chamada.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

pedrompfernandes@sapo.pt