Para isso é Carnaval. Vou pôr a máscara de um pensador e político moderno, da maior parte dos que por aí andam.

António EmidioEssa grande mulher e grande estadista inglesa, Margaret Thatcher, a «Dama de Ferro», por alguma razão assim a apelidaram, disse em 1987, num discurso: «Existem três inglaterras, a da alta finança, a das classes médias, e a dos excluídos. Eu governo para as duas primeiras, e o que nada tem, nada me venha pedir, pois nada tenho para lhe dar».
Frases destas, só podem ser ditas por alguém com uma visão da governação muito acima do comum dos políticos. Os governantes actuais, para acabar com a crise económica que assola os seus países, deviam dar atenção a estas palavras. Elas dizem-nos que é preciso dar mais aos que têm muito, e depois esperar que a prosperidade destes se repercuta em todos. Não duvide leitor(a), só assim o Mundo sairá desta crise. É um novo tipo de política económica, o «Efeito Pingadeira». Em que consiste? Por palavras simples, sem lançar adjectivos de grosso calibre, digo:
Os homens que criam riqueza, os poderosos oligarcas e banqueiros, não devem pagar impostos, pela simples razão de que o dinheiro deles é que faz mover as economias. Os impostos serão pagos pelas classes baixas e médias, excluindo também a classe média alta. Esse dinheiro, dos impostos, nunca! Mas nunca! Deve ser para obrigações sociais, como a saúde, o ensino, pensões, etc., deve ser entregue nas mãos dos oligarcas e banqueiros, serve para a criação de mais grandes empresas, gerando com isso mais postos de trabalho, ou seja, mais riqueza para todos. E assim irá «pingando» para a sociedade um pouco da prosperidade deles.
O Estado tem o dever de legislar a favor desses homens, veja leitor(a) este exemplo vindo dos Estados Unidos. Em Janeiro passado, a «Corte Suprema» legislou que o governo dos USA não pode proibir que as grandes companhias (empresas e bancos) entreguem donativos económicos durante as campanhas eleitorais, ou seja, dar dinheiro, o que quiserem, ao partido e aos políticos que lhes apetecer. É lógico que depois têm o direito de exigir contrapartidas, as grandes empresas e bancos, é esse pequeno sector da população, melhor dizendo, da elite económica, que dominará a economia, a política e a Democracia do País, comprando directamente eleições. Sinceramente não vejo mal nenhum nisto! O leitor(a) vê? Qual é a nação que enriquece com pelintras, pobres, madraços, greves, e sindicatos? Sem estes homens poderosos e ricos, a humanidade ainda estaria na idade da pedra lascada.
Ao Estado também compete manter uma constante atenção à comunicação social, não permitindo que tudo seja dito e escrito, principalmente à comunicação social alternativa, como os blogues. Estes necessitam de um filtro, neles já escrevem comunistas, socialistas de esquerda, marxistas, bolchevistas, maoistas, troteskistas, estalinistas, anarquistas, sindicalistas, feministas, ecologistas, niilistas, pacifistas, chomskystas, islamistas, terroristas, chavistas, moralistas de Evo Morales, obamistas, bloquistas, e até alegristas. Porra, que súcia! Mais parece uma célula terrorista desmantelada pelos serviços secretos…Sou um acérrimo defensor da liberdade de expressão, mas não a destes, tudo tem um limite…
O que leu, querido leitor(a), foi uma sátira ao actual momento político, tanto internacional como nacional. Ridicularizei vícios e defeitos de uma ideologia política. Eu também sou ridicularizado e sofro ataques pessoais por causa da minha ideologia, e daí não vem mal ao Mundo, antes pelo contrário, até fico aliviado do hemorroidal, acreditem que é verdade.
Um bom Carnaval para todos.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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