«Por maior que seja o posto que ocupemos, há que demonstrar que é maior a pessoa que o ocupa» (Baltazar Gracian).

António EmidioA maior parte dos políticos actuais, esquecem que o poder que exercem não é propriedade deles, é património de todos os cidadãos, inclusive daqueles que contra eles votaram. Têm de compreender que são simples delegados da vontade popular.
A Democracia Representativa não quer só políticos com missões retóricas e cínicas nas suas tribunas, quer gente eficaz para resolver os problemas dos cidadãos.
Democracia, significa governo do Povo, mas na actual Democracia Representativa, quem governa são os seus representantes eleitos livremente, mas assim que se instalam no Parlamento, Governo e Assembleias, esquecem quem os elegeu, e fazem o que lhes apetece. O voto LEGITIMA-OS, mas o não cumprimento das promessas que fizeram ao povo, fazendo a maior parte das vezes o contrário do que prometeram, e outras vezes tomando medidas arbitrárias, DESLEGITIMA-OS.
Pessoalmente, custa-me ver figuras públicas, com responsabilidades políticas, transformarem-se durante as campanhas eleitorais em autênticos vendedores da «banha da cobra» – charlatães e demagogos – homens que podiam apelar à razão, e não à emoção. Podiam ser sinceros, mas mentem. Tudo isso deslegitima.
Não admira a resignação dos cidadãos, o seu cepticismo, a sua indiferença e, até a sua ignorância.
Os governantes ao deslegitimarem-se, em todos os aspectos, também morais, despojam a política da sua dimensão ética e do seu sentido original, que é promover o bem comum.
Os argumentos políticos não se reduzem só ao voto cada quatro anos, nem a liberdade é aquele dos que pensam todos da mesma maneira, a liberdade é sempre a liberdade dos que pensam de uma maneira diferente.
Há um sentimento de decadência presentemente em Portugal, basta ter ouvido no dia 31 de Janeiro, na cidade do Porto, os discursos de alguns homens da política e comentadores afectos ao sistema. Há vontade e necessidade de regeneração, e se há vontade e necessidade de regeneração, é porque alguma coisa está mal, todos o sabemos, excepto aqueles que não se querem aperceber disso.
Eu, se falo e escrevo sobre este estado de coisas, e dos seus causadores, é porque sinto o que qualquer português das classes populares sente, a decadência moral, política e económica do meu País.
Sei que os cidadãos críticos aborrecem, é preferível gente enganada e submissa
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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