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O actual concelho do Sabugal tem afinidade com o planalto do baixo Douro, tal como tem com o Norte da actual Beira Baixa. Isto pela simples razão de que sempre houve uma linha de fronteira a dividir o concelho numa zona Norte, que abrangia os antigos concelhos de Alfaiates e Vilar Maior, climática, cultural e historicamente mais ligada ao planalto do Águeda e Douro e outra, mais a Sul, abrangendo os antigos concelhos de Touro, Sortelha e Sabugal, com afinidades à Beira Baixa.

Fig. 1 – Fernando A. Seco
1560
Fig. 2 – Outro pormenor
do mesmo mapa
Fig. 3 – Pierre Mortier
Séc. XVII
Fig. 4 – Sanson d’Abdeville
Geógrafo D. João IV (1654)
Fig. 5 – Autor desconhecido Fig. 6 – António Vizarro
1704
Fig. 7 – Gaspar Baileu
1700
Fig. 8 – Autor desconhecido
1705
Fig. 9 – I.B. Nolin
1724
Fig. 10 – Charles Allard
Séc. XVIII
Fig. 11 – Nicolau Vischer
Finais séc. XVIII
Fig. 12 – Placido Agostinho
Finais do séc. XVIII
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João ValenteA divisão administrativa, eclesiástica e judicial entre estas duas fronteiras sempre existiu desde o tratado de Alcanizes até à reforma administrativa do século XIX que incorporou os concelhos do Norte no do Sabugal, porque aqueles, enquadrados na bacia hidrográfica do Côa (fig. 5), que corre para o Douro, pertencendo inicialmente ao bispado de Cidade Rodrigo até D.João I, sempre foi do bispado de Lamego e depois de Pinhel (até à supressão deste) e da correição judicial de Pinhel e província de Trás-os-Montes (sub-região de Riba de Côa), enquanto os do Sul pertenceram sempre ao Bispado da Guarda, correição judicial de Castelo Branco e Província da Beira, como Penamacor. in Mapa de Portugal Antigo e Moderno, tomo I, 1762 (e Figs. 3 a 12).
A fronteira física entre estas duas áreas, administrativas, judiciais e religiosas coincidia com as dos limites Sul dos concelhos de Vilar Maior e Alfaiates, as quais seguiam pela linha da ribeira de Aldeia da Dona (ribeira de Palhais, figs. 3 e 4) até à fronteira com Espanha (figs. 3, 4, 7, 10 e 11).
Aliás, a ribeira de Palhais (de Aldeia da Dona) era, como as ribeiras de Arnes e a do Meimão, que passa no Sabugal, um afluente da ribeira de Côa, que por sua vez, todos os mapas antigos (figs. 1 a 11) de Portugal até aos fins do século XVIII (fig. 12) faziam nascer em Alfaiates, passando em Vilar Maior e nunca no Sabugal.
E que assim era, comprova-o a descrição pormenorizada de Frei Bernardo de Brito (que era natural de Almeida e sabe por isso do que fala) ao referir que «O rio côa […] nasce em Alfayates e mete-se no Douro junto a Vila Nova de Fozcoa; é rio de muita cópia de peixe, como barbos, bogas, bordalos e outros modos de pescaria. A cor das suas águas é pouco clara, tirante a verde escuro; é de malíssima digestão e muito pesada, causa tristeza, dores de barriga e dores de cabeça, engrossa o entendimento, e para mulheres formosas é de muito pouco proveito porque lhes dana o carão notavelmente, só tem virtude para tingir lãs, e cardar ferro, que neste particular é excelente». in Geografia Antiga da Lusitania, 1597.
Corrobora-o Duarte Nunes de Leão ao afirmar que «a ribeira de Coa de tralosmontes, nasce junto de Alfaiates e vai-se meter no Douro, não longe de Vila Nova de Foscoa» […] e que os povos deste rio chamavam-se «cudanos e transcudanos». in Descrição do Reino de Portugal, ed. de 1610, fol. 38 v.º
Prova-o inequivocamente os pormenores dos doze mapas que reproduzo em rodapé (figs. 1 a 12).
Só a partir de fins do século XVIII é que começou, por causa do lapso nos mapas (confrontar figs. 11 e 12), a confusão também nas pessoas, a ponto de nas págs. 117 e 118 do citado Mapa de Portugal Antigo e Moderno, João de Castro dizer que o Côa «nasce na serra de Xalma, porção da Gata, e entra no nosso reino por folgosinho, Outros lhe dão nascimento mais perto de Alfayates e concordam em se meter no Douro em Vila Nova de Fozcoa».
Resumindo e concluindo: O rio Côa foi, até pelo menos fins do século XVIII, a ribeira de Alfaiates, que passa em Vilar Maior. A nascente da actual ribeira de Alfaiates é que é a nascente histórica do antigo rio Côa.
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

Capeia ArraianaVale sempre a pena pensar o concelho do Sabugal…


– E se o Rio Côa não passa no Sabugal?

– E se a nascente da actual ribeira de Alfaiates é que é a nascente histórica do antigo rio Côa?

Leia esta quarta-feira a crónica de João Valente.


– Centralidade fronteiriça do concelho do Sabugal.

Ramiro Matos explica tudo esta quinta-feira na sua crónica habitual


– «Fita Branca» foi um dos filmes premiados nos Globos de Ouro.

Saiba mais esta quinta-feira com Pedro Fernandes.


– Haiti – o antes e o depois do dia 12.

Leia esta sexta-feira a crónica de José Manuel Monteiro.


– As sentenças inquisitoriais porque afinal… houve judeus no Sabugal.

Leia este sábado a investigação de Jorge Martins.


– Sabe quem é Carolina Beatriz Ângelo a famosa médica que vai dar o nome ao novo Hospital de Loures?

– Sabe qual é a afinidade de Carolina Beatriz Ãngelo com o distrito da Guarda?

Leia este domingo a crónica de Adérito Tavares.


O Capeia Arraiana esteve à fala com Delfina Leal, vice-presidente da Câmara Municipal do Sabugal. O encontro deu-se em Lisboa ao final do dia de quarta-feira no pavilhão 2 da BTL no stand das Termas de Portugal. Destacava-se na alva paisagem termal a maqueta futurista da nave espacial do balneário das Termas do Cró. A autarca representou o município sabugalense na abertura da Feira de Turismo e marcou presença no Congresso Internacional de «Saúde e Bem-estar» que decorreu no auditório da FIL.

À fala com... Delfina Leal– O Sabugal, pela mão da Câmara Municipal, aparece este ano pela primeira vez em dois stands da BTL. Porquê só agora?
– Estamos muito empenhados em divulgar e promover o Sabugal. É uma aposta forte para colocar o nosso concelho no mapa. O património histórico, cultural, natural, gastronómico e tudo aquilo que nos possa promover. Estamos presentes no Turismo da Serra da Estrela e o peso e importância dessa marca onde estão representados quase todos os concelhos da Beira Interior é uma mais-valia para as nossas ofertas.
– No pavilhão da Serra da Estrela há uma aposta clara no turismo. No espaço das Termas de Portugal a estrela é o complexo termal do Cró…
– Sim. Como o balneário está prestes a ser concluído entendemos que era a altura de estar presente para dar a conhecer a nossa grande aposta no futuro próximo. É o primeiro ano que a BTL tem esta variante de saúde e bem-estar. Estive presente durante a manhã deste primeiro dia de feira no Congresso Internacional dedicado a esta temática da saúde e bem-estar. Assisti, num auditório repleto, a intervenções muito interessantes e recolhi informações muito úteis para preparar a abertura do parque termal do Cró.
– É objectivo da autarquia maximizar a promoção das Termas do Cró?
– Exacto. Está previsto que as obras estejam concluídas em Maio ou Junho e estamos a ultimar o lançamento do concurso público para a concessão a privados do espaço. Desejamos que o Parque termal tenha visibilidade a nível distrital, nacional e… dada a proximidade que temos a Espanha iremos fazer uma grande aposta de promoção no mercado ibérico. O balneário tem uma arquitectura lindíssima e oferece águas com características muito específicas e de grande qualidade com várias valências como o termalismo, saúde e bem-estar, spa e fisioterapia a nível médico. Queremos alargar a oferta e transformar as históricas «Termas do Cró» em «Parque Termal do Cró». Aliás o Presidente António Robalo até gosta mais de lhe chamar «Parque Termal» e eu também considero que é mais adequado à oferta diversificada que pretendemos oferecer ainda durante este ano de 2010.
– Essa oferta variada implica alojamento nas proximidades?
– Pretendemos lançar em breve um concurso para a construção de um hotel rural com capacidade entre 60 a 70 camas ligado ao complexo. Aliás nas aldeias próximas já há quem esteja interessado em investir em habitações de turismo rural. Hoje confirmei no congresso uma ideia pessoal que venho defendendo há muito tempo. Em termos de turismo mundial o conceito de «saúde e bem-estar» é um produto em franca expansão que faz viajar as pessoas.
– Considera então que o projecto é auto-suficiente?
– Não. As termas devem ser integradas em tudo aquilo que o concelho do Sabugal oferece. Devemos promover e estudar em parceria com a iniciativa privada os roteiros turísticos dos castelos, da gastronomia…
–… é um tema recorrente mas não posso deixar de lhe lembrar as dificuldades das ligações rodoviárias ao concelho. A aposta pode passar pelo comboio…
–…é uma hipótese. E confirmo que pretendemos «convencer» a Refer para que seja possível alterar o nome da estação ferroviária para «Cerdeira-Termas do Cró». É uma negociação muito burocrática mas que entendemos importante para a promoção e desenvolvimento do projecto termal.
– Representou a Câmara Municipal do Sabugal na abertura da BTL e participou no Congresso Internacional «Saúde e Bem-estar». Que «sensações» leva de volta?
– Gostei de ver a experiência do Hotel H2O que eu já conhecia mas que vale sempre a pena recordar ou das Termas de Monte Real que estiveram num processo de recuperação e que depois de renovadas se reposicionaram no mercado da «Saúde e Bem-estar». São experiências enriquecedoras que nos permitem alargar o leque de hipóteses para rentabilizar o investimento. O nosso concelho tem 29 lares de idosos de excelente qualidade que poderão receber no futuro idosos que não têm raízes no concelho do Sabugal mas que se vieram tratar nas Termas e por lá ficaram. São janelas de oportunidades que devemos manter abertas. Deixo aqui outro exemplo. O presidente da Região de Turismo da Serra da Estrela, Jorge Patrão, insistiu para que lhe trouxéssemos uns quadros sobre capeias mas depois não foi possível enquadrá-los no stand. Há pouco estivemos à conversa sobre as capeias e ele insistiu na necessidade de oferecermos as capeias no Sabugal. E eu defendi que temos de encontrar uma forma de «vender» a Capeia durante todo o ano aos que são de fora. A forma como a Capeia se realiza nas praças das nossas aldeias com lotação esgotadíssima não é compatível com a reserva de lugares para uma excursão. Acredito que vamos ser capazes de encontrar o melhor futuro para o nosso presente.

A Doutora Delfina Leal surpreende pelo fino trato e pela delicadeza com que transmite as suas convicções e pensamentos. A política (que por acaso até é um substantivo feminino) sabugalense está diferente.
jcl

O Clube Trancosense, fundado em 1846, realizou no fim-de-semana de 17 de Janeiro uma Montaria ao Javali na zona de caça municipal da Serra de Pisco que está sob a sua responsabilidade tendo sido abatidos oito animais.

Clube Trancosense - montaria javalisA acção cinegética da montaria ao javali na Serra de Pisco reuniu 65 armas e foi a segunda vez que se realizou nos últimos três anos nesta zona de caça. Como a área não tem sido monteada levou à concentração de muitos animais e foram abatidos oito animais alguns dos quais de grande porte. 
Na primeira Montaria, ocorrida em 5 de Dezembro de 2009, foram abatidos nove animais incluindo um javali navalheiro com perto de 200 quilos.
O presidente do Clube Trancosense, João Batista, não tem dúvidas que esta pode ser uma actividade «para atrair pessoas, gerar receitas, criar atractibilidade a Trancoso, fomentando uma actividade rentável, que além de recreativa, é salutar e ajuda também os agricultores».
João Batista chamou a atenção para a importância desta actividade resultando de uma gestão dinâmica do Clube Trancosense que «se pretende projectar para além do concelho de Trancos» e deseja «atingir vários objectivos: o convívio, promoção da região, desfrutar de forma salutar e responsável a actividade cinegética e colaborar com os agricultores para minimizar os prejuízos causados nas explorações rurais pelos javalis dada a sua significativa densidade». 
aps (com Trancoso Eventos)

«Falta diálogo entre o PSD e a oposição» considera o vereador do MPT na Câmara Municipal do Sabugal que, em conversa com o Capeia Arraiana, esclarece as razões do impasse na nomeação do Conselho de Administração da Empresa Municipal Sabugal+, responsabilidade que coloca inteiramente do lado do presidente da Câmara, que tem insistido em querer impor um nome sabendo que a maioria do executivo não aceita essa solução.

– Passado pouco mais de dois meses sobre a sua tomada de posse como vereador da Câmara Municipal, que balanço faz da acção desenvolvida?
– Como sabe eu sou o único vereador eleito pela candidatura do MPT – represento, portanto, «um sétimo» do executivo saído das últimas eleições autárquicas. A minha posição como vereador tem sido, e será sempre, a de servir bem o concelho, não me vinculando a qualquer estratégia de índole partidária nem a interesses particulares ou de grupos ou seja, as minhas tomadas de posição em cada reunião são as de analisar com rigor as questões colocadas e depois votar conscientemente.
– Na recente discussão e votação do Orçamento para 2010 optou pela abstenção, quais as razões que o levaram a votar desse modo?
– Não fui tido nem achado para a elaboração deste orçamento. Todas as propostas apresentadas e depois votadas são da responsabilidade do PSD. Por conseguinte, aquele não é o meu orçamento. E, entre ter e não ter nenhum instrumento de gestão optei, neste início de mandato, por me abster na votação por achar que não devo ser responsável pela não governação do concelho.
– Paira porém a ideia, mau grado a viabilização do orçamento, de que a oposição está apostada em bloquear as iniciativas do presidente, como é exemplo o facto da Administração da Sabugal+ não estar ainda nomeada dada a sucessiva inviabilização das propostas que o presidente tem apresentado nas reuniões do executivo.
– A nomeação do conselho de administração da empresa municipal Sabugal+, é um assunto que me tem preocupado muito. E, nessa medida, fui eu que na reunião camarária do dia 8 do corrente propus que na reunião do dia 15 fosse discutido e resolvido este assunto – o que veio a acontecer. Não tenho uma posição pré-formada, estando aberto a uma solução que traduza a vontade da maioria dos utilizadores dos serviços prestados por aquela empresa.
– Sim, mas isso após pelo menos duas outras reuniões em que o presidente da Câmara tentou resolver a questão, sendo as suas propostas inviabilizadas pela oposição.
– Eu explico o que se passou até ao momento. Numa primeira proposta o Senhor Presidente da Câmara pretendeu reconduzir o actual Conselho de Administração, o que foi rejeitado. Numa segunda proposta o Senhor Presidente pediu luz verde para ele próprio fazer as nomeações, o que significava receber um aval em branco com o qual obviamente não poderia concordar. A terceira proposta, a da última reunião, o Senhor Presidente voltou a insistir com a recondução do actual Conselho de Administração. Ora, sendo coerente com a primeira votação, a maioria voltou a rejeitar essa solução.
– Fica a ideia de que a oposição não quer que Norberto Manso seja reconduzido como presidente do Conselho de Administração, mesmo após a Assembleia Municipal ter proferido recentemente um voto de louvor ao trabalho que fez durante estes anos na empresa municipal.
– Ainda bem que me faz essa pergunta, porque importa esclarecer o seguinte: Pessoalmente falei duas ou três vezes com o Dr. Norberto Manso e garanto-lhe que nada tenho contra ele, enquanto pessoa. Entendo, no entanto, que o Conselho de Administração da Sabugal+ deve ter a confiança política do executivo camarário. Foi de resto isso que aconteceu nestes últimos anos, em que o Dr. Norberto Manso tinha a confiança politica do executivo. A realidade politica é agora muito diferente. O PSD perdeu a maioria absoluta que antes detinha e o actual executivo é agora formado por três vereadores do PSD, outros três do PS e um do MPT, pelo que qualquer decisão acerca da confiança politica do executivo tem de ter em conta esta sua nova composição.
– Percebe-se que o que está em causa é o nome do futuro presidente do Conselho de Administração. Considera que Norberto Manso, para além da questão da confiança politica, fez um bom trabalho à frente da empresa?
– Uma empresa cuja função é gerir equipamentos municipais não tem como principal objectivo, o lucro financeiro. O lucro deste tipo de empresas deverá consistir no aumento do número de utilizadores desses espaços e na melhoria de qualidade dos seus serviços. E nesta perspectiva, considero que o Dr Norberto Manso não soube, em minha opinião, promover da melhor forma a actividade da empresa. Notei isso depois de analisar o relatório da actividade desenvolvida durante o ano de 2009, e não perspectivei alterações a esse comportamento no Plano de Actividades para o ano de 2010, para além de, neste último caso ter dúvidas sobre a legitimidade «deste» Conselho de Administração para apresentar o Plano de Actividades para 2010, donde resultou, na votação, a minha frontal abstenção.
– Face a tudo isto o que motivará o presidente da Câmara, António Robalo, a insistir na ideia de propor repetidamente Norberto Manso para presidente da empresa?
– Não sei e não compreendo o que o motivará a insistir na apresentação da mesma proposta já por duas vezes de uma forma clara, tanto mais que a oposição, que é maioritária, já deu suficientes sinais de que não aceitará essa solução.
– E o que acha que terá levado um deputado municipal do PSD, que considerou que estava em curso um acto de perseguição política, a propor na última Assembleia Municipal um voto de louvor a Norberto Manso, de resto aprovado com uma votação muito expressiva e sem votos contra? Terá sido essa uma forma de pressionar o executivo a aceitar que ele seja reconduzido?
– Em democracia temos que estar preparados para aceitar a vontade dos legítimos representantes dos eleitores. O voto de louvor a que se refere e protagonizado na última Assembleia Municipal, envolvendo pessoas, não deveria ter sido, em minha modesta opinião, de «braço no ar» à boa maneira dos idos tempos «revolucionários» pós 25 de Abril, expondo os seus votantes aos olhares dos restantes parlamentares e executivo e, neste caso, também do próprio visado, que assistiu desde o início aos trabalhos. Os argumentos apresentados não me convenceram a tomar posição diferente da que tenho assumido ate este momento. Assim, não me sinto pressionado.
– Que se saiba Norberto Manso não é deputado municipal…
É verdade. A sua presença no local é, no entanto, permitida nos lugares destinados ao público.
– Tem-se verificado que no executivo o PS e o MPT votam sempre, ou quase sempre, no mesmo sentido, demonstrando uma certa sintonia de posições. Isto acontece por acaso, ou resulta de algum acordo ou pelo menos de algum acerto prévio de posições?
– Os projectos apresentados ao eleitorado pelo MPT e pelo PS são, nalguns casos, semelhantes e isso agora reflecte-se, naturalmente, nas votações. É somente por esse facto e mais nenhum que resulta o acerto de posições de que fala.
– Mas a questão da Sabugal+ é uma questão muito pobre e insignificante para gerar tanta polémica, não acha?
– Concordo perfeitamente consigo. A meu ver, só a falta de vontade política em dialogar impede a resolução deste assunto. E, neste caso, o único responsável tem um nome: O Senhor Presidente da Câmara.
– E como pensa que isto se resolverá?
– Na última reunião do executivo foi deliberado que este assunto voltará a ser discutido na próxima sessão que terá lugar na próxima sexta-feira, dia 22. Aguardemos a proposta do Senhor Presidente da Câmara: ele sabe muito bem como pode ultrapassar a questão! Que ninguém tenha dúvidas.
plb

Vou começar o artigo com um dogma: a arte de governar não está ao alcance de qualquer um. A partir desta premissa, todo aquele que exerce um cargo político e seja inapto para o exercer, só desprestigia a politica, desprestigia os bons políticos e, o pior de tudo, desprestigia a Democracia.

António EmidioQuerido leitor(a), os cidadãos não se afastam da politica, como nos dá a impressão, os cidadãos afastam-se da má politica, e também dos maus políticos. Esses maus políticos originam coisas como esta: há uns tempos a esta parte foi feita uma sondagem por um instituto internacional, em que foram consultadas 61.000 pessoas em 60 países. Só sete por cento acreditam que a situação mundial melhorará por obra e graça dos homens e mulheres da política. Convém realçar que a sondagem foi feita antes de rebentar esta crise económica/financeira.
A alarmante e incessante corrupção económica, praticada por uma minoria, sem dúvida alguma por maus políticos, se o não fossem não eram corruptos, faz com que os cidadãos olhem para todos de igual modo. Mas não é assim, são uma minoria, mas esses seus actos de corrupção soam por todos os órgãos de comunicação social.
Um outro factor, e bem importante, do afastamento das pessoas, foi a entrada triunfante do neoliberalismo, e da substituição do Estado Social, por um Estado autoritário cujo fim é o lucro de empresas, desligando-se por completo do factor humano, e ajudando a criar desemprego, precariedade laboral, e pobreza. Dos primeiros a franquearem a porta do neoliberalismo, foi uma esquerda incolor que resvalou para o pragmatismo mais que reaccionário, abandonando ideologia e princípios, dizendo que essas coisas pertencem ao passado.
A mudança de partido, principalmente nas eleições autárquicas, sendo casos mais próximos dos cidadãos, fazem com que estes fiquem com uma má imagem da política e dos políticos. Claro, a realidade não é monolítica, e muitas vezes discrepamos das posições do nosso partido em questões ideológicas e de princípios, mas todos nós sabemos que a esmagadora maioria das trocas partidárias, tem a ver com benesses, vinganças pessoais, e até ignorância.
O que é um bom politico? É aquele que sabe distinguir entre GOVERNAR e exercer o PODER. É o que serve o bem comum, o bem geral, e não o bem só de alguns. É aquele que tem um compromisso ideológico firme. Não se deixa levar por falsas modernidades, sabe que a justiça é de sempre, não depende de modernismos. Conheci alguns, e conheço.
Sei o chão que piso, portanto sei que a minha posição em relação à politica e aos políticos, me traz repulsa e marginalização por parte de alguns pertencentes ao nosso Concelho, e não são tão poucos como isso… Pouco me interessa, vou repetir o que já escrevi dezenas de vezes: as pessoas não são parvas, apercebem-se perfeitamente que a alguns políticos não lhes interessa o bem delas, mas sim conquistar votos para governarem, e daí tirarem belos dividendos. Felizmente também há políticos éticos, e de uma dedicação esmerada ao serviço público.
Creio na política como um serviço público, e sou contra aqueles que se servem dela em benefício próprio.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

A minha madrinha Maria dos Prazeres Garcia de Carvalho, comemora neste dia 19 de Janeiro de 2010, a bonita idade de 104 anos, na companhia dos outros residentes do Lar Nossa Senhora da Graça, da Santa Casa da Misericórdia do Sabugal. Relembro aqui, neste dia, o que exprimi a quando dos aniversários dos 102 e 103 anos, reescrevendo os respectivos textos publicados neste Blogue.

Dona Prazeres Garcia de CarvalhoParabéns Dona Prazeres! Parabéns pelos 103 anos!
A Senhora Dona Prazeres Garcia de Carvalho, benemérita da Santa Casa de Misericórdia do Sabugal, à qual doou a sua residência, sita na rua Reis Chorão desta cidade e utente do Lar Nossa Senhora da Graça do Sabugal, há largos anos, natural do Soito, viúva do Sr. Porfírio Póvoas, natural do Sabugal, onde foi comerciante, perfaz amanhã, dia 19 de Janeiro, 103 anos, sendo considerada a pessoa com mais idade no concelho, ou possivelmente do distrito.
A Dona Prazeres Garcia de Carvalho comemora esta segunda-feira, 19 de Janeiro, 103 anos de idade. Encontra-se bem de saúde, tendo-se deslocado, pelos seus próprios meios, para junto do telefone, para receber os parabéns.
O Lar Nossa Senhora da Graça, vai dedicar-lhe uma missa em acção de graças, na capela do Lar, pelas 11 horas da manhã.
A direcção da instituição, vai também promover um lanche alargado, na tarde do mesmo dia, oferecendo um bolo de aniversário com a participação de todos os utentes e funcionários.
Hoje, em que felizmente, os ditos «velhos» são cada vez mais jovens graças à redução da taxa de mortalidade no inicio de vida, ao aumento dos índices de sobrevivência às doenças típicas da velhice, melhores condições sanitárias e alimentação, qualidade de vida e bons hábitos quotidianos, conservam as funções vitais até quase ao último momento.
Superando em muito a esperança media de vida, os Lares e Residenciais de qualidade, têm uma grande quota-parte destes sucessos, mantendo através de actividades de lazer o corpo e a mente ocupados. O facto de viverem perto da família e/ou amigos, que é o caso da maior parte dos utentes das Casas de Repouso espalhadas pelo nosso concelho, contribui também para o seu bem-estar.
(18 de Janeiro de 2009)

Prazeres Garcia de Carvalho festeja 102 anos
Dona Prazeres do Soito festejou 102 primaveras em 19 de Janeiro passado na Casa de Repouso de Nossa Senhora da Graça do Sabugal. Os nossos idosos chegam mais longe «por culpa» da qualidade de vida das nossas terras.
A respeitável anciã festejou 102 anos a 19 de Janeiro na Casa de Repouso de Nossa Senhora da Graça do Sabugal. O soitense José Morgado que com ela conviveu deixa-nos o seu testemunho:
«Se hoje adoro tanto o Sabugal, à minha madrinha Prazeres o devo.
Terminei o meu 5.º ano dos Liceus no Colégio de S. José (Rocha) na Guarda, como interno nos princípios dos anos 60. Filho único e órfão de mãe desde os sete anos, nunca conhecera verdadeiro ambiente familiar.
Convenci o meu pai, António José Garcia de Carvalho (Tonho Zé Pedro) a deixar-me continuar os estudos no Externato do Sabugal, no ano em que o Dr. Diamantino ensaiou o 6.º e o 7.º anos no Colégio.
Hóspede na casa do senhor Porfírio Póvoas, comerciante sabugalense, casado em terceiras núpcias com a Dona Prazeres, cedo se tornou a minha família de adopção.
Com quase completa liberdade (sem cair na libertinagem) a contrastar com a disciplina rígida do cónego Quintalo, ainda hoje considero que foi onde me senti mais livre e com melhor qualidade de vida.
Dona Prazeres doou à Santa Casa da Misericórdia do Sabugal a sua residência de anos, na Rua Reis Chorão, e comprou um pequeno apartamento onde viveu até à sua entrada para o Lar.
Já como residente do Lar preparou meticulosamente o seu futuro e da sobrinha que com ela sempre viveu. Conseguiu, paulatinamente, transformar em meios líquidos todo o seu património imobiliário e recheio da casa, até ao ínfimo objecto, com mãos hábeis, que fariam inveja aos nossos gestores públicos, que se desfazem do património que é de todos nós por tuta-e-meia.
Muitos e longos anos madrinha, para continuares a provar que a tua longevidade se deve em parte à qualidade de vida que sempre houve e há no Sabugal, que tu elegeste para viver.»
(11 de Fevereiro de 2008)
José Morgado

Caria, no concelho de Belmonte, vai ter um parque temático sobre a Lusitânia, o que pode deitar por terra o desejo expresso do presidente da Câmara do Sabugal, António Robalo, que declarou sonhar com esse mesmo projecto para o seu concelho.

História do Sabugal«O Homem sonha e a obra nasce», escreveu António Robalo no seu programa de acção apresentado aos eleitores na última campanha autárquica. E vai daí, revelou o que lhe ia na alma: «Sonhamos e perseguimos a instalação no concelho de um Parque Temático com atractividade internacional. Já há alguns contactos desenvolvidos. Esperamos conseguir.»
Isso não era de todo novidade, uma vez que o sonho já tinha autor e fora revelado no Capeia Arraiana pelo nosso ilustre colaborador, e depois também candidato do PSD, neste caso à Assembleia Municipal, José Robalo (veja Aqui.). A ideia seria instalar um parque de diversões que atraísse gente de todo o mundo, numa espécie de Disneyland de Paris ou Isla Magica de Sevilha. Pensando em grande, como é apanágio dos políticos do Sabugal, a ideia aí estava, primeiro para colher votos e depois para analisar com tempo, para um dia porventura decidir.
Mas enquanto uns sonham, esperando que por artes mágicas a obra nasça, outros agem, e a obra aparece mais depressa.
Segundo notícia veiculada pela agência Lusa, um casal de empresários pretende criar em Caria «um parque temático sobre a Lusitânia, em que Viriato será um dos heróis em destaque». Os investidores são Rui e Vera Chumbinho que vieram de Lisboa para o interior do país, dispostos a tornar realidade esse projecto.
Cascais Mágico é o nome da empresa que está já a trabalhar na implantação do parque. Um antigo edifício da vila foi transformado em espaço de turismo rural, e as próximas etapas são a edificação de um centro hípico, já com obras em curso, e a construção do «Lusitânia Parque» num terreno com três hectares, a poucos quilómetros de Caria. O Parque Temático apostará nas diversões para os mais novos, mas também pretende garantir uma acção pedagógica, ao mostrar a história de Portugal desde os primórdios. «Queremos criar circuitos para quem nos visita: um parque temático que se baseie nos castros lusitanos ancestrais, porque era a forma de reunião e de vida em sociedade que existia na altura», explicou Rui Chumbinho à Lusa.
Uma dúvida nos fica porém: a ideia que agora está a ser colocada em prática é antiga, ou terá o casal lido o programa eleitoral do PSD do Sabugal e dali «roubado» a sugestão, ou melhor, o sonho, de António Robalo?
«Contraponto», opinião de Paulo Leitão Batista

leitaobatista@gmail.com

Em 24 Agosto de 2009 foi colocada neste Blogue uma minha crónica sobre a participação do Soito no Cortejo de Oferendas a favor do Hospital do Sabugal.

Cortejo de Oferendas - 1947 - Soito

Joao Aristides DuarteA foto que hoje apresento é diferente da apresentada no ano passado, uma vez que nesta se vê o início do desfile do Soito, com o cartaz onde está o nome da freguesia, o que não era visível na foto anterior.
São dois os homens que transportam o cartaz com o nome Soito.
Resta referir que, para além da banda a fingir, a representação do Soito incluía um «rancho» de mulheres, com uns chapéus de palha na cabeça, que desfila na parte de trás da representação da freguesia.
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

akapunkrural@gmail.com

Os irmãos da Mesa Administrativa da Santa Casa da Misericórdia do Sabugal apresentaram, em carta, a sua demissão ao Presidente da Assembleia Geral da instituição. As eleições previstas para o final do presente ano serão, assim, antecipadas, para data a indicar oportunamente.

Hospital do SabugalNa «Memória Paroquial do Sabugal, São João, 1758», ANTT., Dicionário Geográfico, Vol. 33, Doc 10 (A), P. 79, encontramos a referência que passamos a citar: «Tem Caza da Mizericordia fundada na Igreja de S. Miguel, que algum dia foy parochial desta vila, cuja instituição hé do tempo de El Rei o Senhor D. Manoel, que lhe deu o Cumpromisso, assignado pella sua Real Mão no ano de 1526; e tem renda annual commumente, 200.000 reis.» (…) «Tem Caza de Hospital, administrada pella Mizericordia…» (…)
As Misericórdias apareceram nos finais do século XV, por acção directa da Rainha Dona Leonor. Apesar da dificuldade de comunicações, ainda mal tinha passado um quarto de século, nascia, com intervenção directa do rei, uma instituição que desde sempre esteve virada para a acção social. Mas o papel das Misericórdias era mais vasto, chegando a funcionar como instituições financeiras, daí que ainda hoje existam Caixas Económicas em algumas Misericórdias.
Desde o ano de 1526 a Misericórdia do Sabugal passou por muitas dificuldades nunca chegando a desaparecer porque ficou sempre a igreja de S. Miguel, a que nós chamamos de igreja da Misericórdia, como principal testemunho.
O ano de 2010 para a Misericórdia de Sabugal vai ser um marco na história da sua evolução.
Após a morte do Provedor, Sr. Dr. José Diamantino dos Santos, e das alterações entretanto havidas, sente-se a necessidade de uma Mesa Administrativa sólida e estável para tomar decisões difíceis em benefício da instituição.
Por estas razões e antecipando as eleições do final do ano a actual Mesa apresentou a sua demissão ao Presidente da Assembleia Geral. As eleições serão marcadas e os irmãos da Misericórdia elegerão novos corpos gerentes que levarão mais longe o nome da Misericórdia do Sabugal.
Romeu Bispo
(Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Sabugal)

GALERIA DE IMAGENS – BTL 2010 – 16-1-2009
Fotos Capeia Arraiana – Clique nas imagens para ampliar

GALERIA DE IMAGENS – BTL 2010 – 16-1-2009
Fotos Capeia Arraiana – Clique nas imagens para ampliar

A Espanha celebrou em 1998 o 4.º Centenário da morte de Filipe II. Por todo o País (e também no estrangeiro) realizaram-se exposições, congressos, seminários, cerimónias públicas, etc. Na verdade, o país vizinho tinha toda a razão em homenagear condignamente a memória de um dos seus melhores monarcas, aquele que conduziu a Espanha à sua época mais gloriosa, o «Siclo del Oro». O império de Filipe II era tão vasto que nunca nele o Sol se punha: estendia-se de Barcelona a Lisboa, da Sicília à Flandres, de Ceuta ao Cabo, de Goa às Filipinas, do México ao Brasil.

Adérito Tavares - Na Raia da MemóriaE Portugal, do qual ele também foi monarca, que fez? Assobiou para o ar, distraidamente, fingindo nada ser consigo. Fez e disse bravatas nacionalistas, com as quais pensava esconjurar o papão do iberismo. Foi incapaz de lembrar Filipe II sem complexos.
Que sentido tem, nos dias de Schengen e do euro, a hipersensibilidade portuguesa face ao seu poderoso vizinho espanhol? Por que razão, sempre que falamos da invasão do mercado português por produtos espanhóis, gritamos logo «Vêm aí os Filipes»? Que explicações daria Freud para a algazarra mediática que aqui há tempos se escutou, só porque uma senhora acusou o Governo português de fazer fretes aos Espanhóis ao construir o TGV? «Aqui-del-rei, aí está o imperialismo espanhol!», gritaram os pequenos e médios nacionalistas. «Às armas, às armas, contra os castelhanos marchar, marchar!», bramiram os ultranacionalistas.
Disparates! A partilha dos poderes do Estado português começou a fazer-se no dia em que, no Mosteiro dos Jerónimos, foi assinado o Tratado de Adesão à CEE. A partir de então, o nosso destino colectivo passou a estar associado ao da Espanha e ao de mais 25 países. Essa comunidade de destinos é hoje económica, social, cultural e, no futuro, será cada vez mais, também, política. Queiram ou não os nacionalistas de todas as dimensões e os velhos do Restelo de todos os matizes, a União Europeia não volta atrás. O tempo do «orgulhosamente sós» acabou definitivamente.
A União Europeia contém dentro de si, como é óbvio, uma componente de União Ibérica. Mas a União Europeia, simultaneamente, é a nossa melhor defesa contra as tentações hegemónicas castelhanas.
Portanto, exorcisemos de vez os fantasmas iberistas e esqueçamos que «de Espanha nem bom vento nem bom casamento». Este ditado deve ter sido inventado por algum marido régio, dasapontado com o camafeu que lhe impuseram como noiva. Nós, os raianos, que contamos como amigos muitos espanhóis, nunca notámos que de lá soprassem maus ventos. Aliás, eram bem mais frios os da serra da Estrela que os da serra da Xalma. Bem fazem os autarcas da Raia em abrir estradas a ligar as aldeias dos dois lados da fronteira e em geminar povoações. Que nunca as mãos lhes doam!
«Na Raia da Memória», opinião de Adérito Tavares

ad.tavares@netcabo.pt

…ou os trilhos dos contrabandistas, se poderia intitular esta Carta Dominical.

Pinharanda Gomes - Carta DominicalOcultas veredas, porque era sinal de sabedoria e de prudência, manter em segredo os caminhos e veredas que os contrabandistas calcurreavam para chegarem a bom porto, quer dizer, ao sítio onde poderiam dar por bem concluído um trabalho que era, em todos os casos, uma séria aventura.
Com a Europa livre, o conceito de contrabando alterou-se.
Hoje em dia, é contrabando o que, comprado e vendido nos países da Comunidade e dela originários, não tenham prova de pagamento do IVA. O contrabando era isso, porque as mercadorias não pagavam as taxas alfandegárias. De modo que, não sabemos se o contrabando, por falta de pagamento do IVA, terá aumentado ou não.
Quanto ao antigo, elogiamos a iniciativa dos Fóios, que vai revelar as ocultas veredas, entre o lado de cá e os pueblos de Valverde del Fresno e de Navasfrias.
Quem tiver pedalada, bem se pode entregar a um desporto de, através de trancos e barrancos, percorrer um mínimo de umas quase três léguas, a pé.
Agora, não a salto, nem temor dos fuscos, mas livres e encantados.
«Carta Dominical», opinião de Pinharanda Gomes

pinharandagomes@gmail.com

Jorge MartinsOS ANOS DAS PRISÕES INQUISITORIAIS – Os judeus sabugalenses desde cedo começaram a ser atormentados pela Inquisição. O primeiro processo data de 1544, oito anos após a introdução do Santo Ofício em Portugal e o último de 1795, numa altura em que aqueles tribunais religiosos já estavam em declínio.

Com efeito, se a Inquisição foi autorizada pelo Papa em 1536, o primeiro auto-de-fé realizou-se em Lisboa em 1540, para apenas quatro anos depois serem suspensos (1544-1548) pela Santa Sé, assim como o confisco de bens seria suspenso entre 1546 e 1558. Compreende-se assim a não existência de prisões no Sabugal durante 16 anos (1544-1560), pois, para a Inquisição, o mais importante era a fonte de rendimento que esses confiscos constituíam. Também se percebem os 21 anos sem prisões (1675-1696), pois a própria Inquisição foi suspensa pelo Papa entre 1674 e 1681.
Provavelmente, o maior período sem prisões (1634-1660) prender-se-á com a União Ibérica (1580-1640), período em que a Inquisição portuguesa terá sofrido a influência da Inquisição espanhola em decadência, aligeirando a sua acção em Portugal e muitos cristãos-novos se instalaram em terras do império espanhol e com mais facilidade no Brasil, designadamente em consequência da invasão e administração de territórios brasileiros pela Holanda entre 1624 e 1654, facultando aos judeus o livre culto.
A última prisão de um réu do Sabugal acusado de judaísmo ocorreu em 1773, justamente o ano da lei do Marquês de Pombal que pôs fim à distinção entre cristãos-novos e cristãos-velhos. Outro fenómeno curioso foi o da constatação de que nos primeiros cem anos de actividade da Inquisição as prisões terem ocorrido à baixa média de uma em cada três anos, mas nos cem anos seguintes terem triplicado para a média de um processo por ano.

Quadro 1-A

Quadro 1-B

Quadro 1-C

Quadro 1-D

Se fragmentarmos esse longo martírio da acção inquisitorial no concelho do Sabugal (1544-1795) em períodos de 50 anos, podemos ver melhor quais foram aqueles em que se concentraram as prisões. Entre 1544 e 1600 registaram-se 22 processos; entre 1601 e 1650, apenas 14; entre 1651 e 1700 subiram para 34; entre 1701 e 1750 registou-se o maior número: 65 e entre 1751 e 1795 o menor número: 6. Em suma, as prisões foram em maior número na segunda metade do século XVII e na primeira metade do século XVIII.

Quadro 2

Dos anos em que houve mais prisões no Sabugal, destacam-se o de 1745 (13), 1703 (12), 1670 (8) e 1726 (7). A segunda metade do século XVIII, ou seja, o período final da acção inquisitorial revelou-se o mais violento para os sabugalenses, o que já se sabia para a generalidade do país. Com efeito, enquanto a inquisição espanhola estava em declínio, a inquisição portuguesa ressurgiu com mais violência após a restauração da independência portuguesa (1640).

Quadro 3

Se atentarmos nos gráficos abaixo, verificamos que o pico mais alto de processos se situa na primeira metade do século XVIII, com a esmagadora maioria de acusações de judaísmo, que acompanha a curva do total de processos, à excepção do período de 1544-1600.

Gráfico 1

Gráfico 1

Quanto à distinção entre homens e mulheres, sobretudo os acusados de judaísmo, elas foram em maioria no pior período para os judeus sabugalenses – na referida primeira metade do século XVIII –, demonstrando, uma vez mais, que por serem as mulheres as principais responsáveis pela transmissão das práticas judaicas aos filhos, estavam mais sujeitas a denúncias e consequentes prisões.

Gráfico 2

Gráfico 2

«Na Rota dos Judeus do Sabugal», opinião de Jorge Martins
martinscjorge@gmail.com

Em Janeiro de 2007, através de uma alteração da Lei das Finanças Locais, o governo «mexeu» nas transferências de verbas para as autarquias e estipulou que dos valores que já eram transferidos, uma parte seria por conta do IRS cobrado em cada município. Traduzido por miúdos, o Estado arrecada 95% e a autarquia 5%. Basicamente, pouco ou nada foi alterado, as verbas são as mesmas, em alguns casos, designadamente, nos concelhos mais pequenos, os valores até baixaram, mas a novidade foi saber-se, agora, de onde vem o dinheiro.

Mapa do IRS

António Cabanas - «Terras do Lince»Até aqui nada a opor. Porém, o mesmo diploma estipulou também que as autarquias tivessem, em cada ano, a prerrogativa de abdicar de todo ou parte dos 5% de IRS, em favor dos seus munícipes. Outra vez traduzido por miúdos, o estado fez na altura um vistaço de popularidade, ao querer dar dinheiro aos portugueses, com a vantagem de, no caso em apreço, nem sequer perder receita e ser a classe média a mais beneficiada – mais popular ainda!
O problema é que as autarquias desconfiaram de tanta popularidade, fizeram contas e, não só, não foram no engodo, como se sentiram entaladas com a «Chicoespertisse»: o estado, não dando nada da sua fatia de leão (95%), ficava bem visto, enquanto as câmaras municipais que não dessem o que a lei permitia, ficariam mal na fotografia! Um verdadeiro murro no estômago dos trezentos e oito municípios, que arcando com as críticas fáceis das respectivas oposições, fizeram, «à moda alentejana», resistência passiva. Pouco mais de meia dúzia seguiram o conselho e, neste momento, apenas cerca de um quinto abdicam desse tipo de receita, mas nenhum dos grandes municípios o faz, sendo Leiria (1%) e Aveiro (0,5%) as únicas capitais de distrito a devolver dinheiro.
Qual advogado do diabo ou das causas difíceis, sou redondamente contra este tipo de populismo: considero a medida injusta, por não ser universal, quem mais ganha é quem mais recebe e, ainda por cima, constitui uma intromissão grosseira na autonomia do poder local. Se o governo quer de facto que os cidadãos paguem menos IRS, deve reduzir a taxa, podendo fazê-lo, preferencialmente, com discriminação positiva para os mais desfavorecidos e para as zonas pobres do Interior.
Curiosamente, o António Costa, presidente da câmara, não é da mesma opinião do António Costa, ministro e co-autor da ideia, mudou de opinião quando se mudou para a câmara! Uma coisa é estar no governo e fazer brilharetes com o dinheiro dos «outros», outra é ser autarca e ter que fazer contas à vida!
Há dias a televisão noticiava que Mirandela e Vila Flor iriam juntar-se à lista dos que abdicavam do IRS em favor dos seus munícipes para, com isso, atrair população. Confesso que me senti (a)traído pela parte que diz respeito a Vila Flor, já que sendo a minha esposa oriunda deste concelho, pensei mudar-me para lá! Convinha fazer contas!
E as contas são simples:
A maioria da população do Interior (e também de Vila Flor) são reformados, uma boa parte tem um emprego precário, de ordenado mínimo, nas obras, na agricultura, em algum serviço, em alguma IPSS, em alguma pequena agro-indústria e assim por diante. Em conclusão, quase ninguém paga IRS e é por isso que, pelo IRS, pouco se acrescenta à magra receita das autarquias do Interior. Como não pagam, não irão receber.
Mas claro que há quem pague: os que ganham mais, a começar pelos presidentes de Câmara e pelos vereadores, onde me incluo, pelos médicos, pelos professores e por alguns mais, e pelos que referi no artigo da semana passada, desde que declarem. É então a estes que as autarquias que abdicam do IRS, entregam o dinheiro, sempre na lógica de dar mais a quem mais ganha.
A minha esposa, que não troca a Princesa da Cova da Beira, onde moramos, pela sua Carvalho de Egas, ficou melindrada com a Câmara do seu concelho, porque segundo diz e dou-lhe razão, o dinheiro dos impostos que vai para os que ganham mais, por certo faltará para a satisfação das necessidades públicas da maioria que nada recebe.
Curiosamente, os contribuintes beneficiados, entrevistados pelo mesmo canal de televisão, nem sequer tinham dado pelos euros que lhe foram devolvidos.
Os municípios já têm o poder e o dever de ajudar quem precisa, nomeadamente os estratos mais desfavorecidos, os idosos, os estudantes, as crianças, os deficientes, mas para isso precisam de dinheiro. O que não precisam é destas cascas de banana.
É por isso que eu sou redondamente contra o populismo bacoco, venha ele de onde vier. É que mais cedo ou mais tarde alguém tem que pagar a factura.

P.S. Tenho acompanhado com interesse, as reflexões sobre o futuro do Sabugal. Por razões que todos compreendem, peço escusa ao Capeia desse debate, que aliás nem sequer necessita dos meus fracos dotes de pensador do desenvolvimento local. Parabéns aos intervenientes, e à cordialidade e frontalidade dos seus contributos. O Sabugal merece e agradece.
«Terras do Lince», opinião de António Cabanas

kabanasa@sapo.pt

Não é meu hábito responder a quem nunca nada fez nem em Sortelha nem no resto do concelho a não ser criticar. Mas como foi aqui dito e escrito que nada tinha sido feito para ajudar as senhoras que vendem o artesanato em Sortelha entendi responder ao artigo do senhor Joaquim Tomé com o título «Falta a varinha de condão, versão 2 ou lado B».

Luís Paulo -  SortelhaNão sei quem foi o informador que levou à publicação de um artigo do senhor Joaquim Tomé sobre a falta de condições das artesãs de Sortelha. Posso garantir que enquanto Presidente da Junta de Freguesia de Sortelha sempre que nas épocas de Verão as senhoras do artesanato pediam para se fazerem sombras prontamente a Junta correspondia à solicitação.
O local para os tempos de Inverno seria muito mais fácil porque o espaço que lhes foi agora entregue já lhes estava destinado desde o meu mandato como Presidente da Junta de Freguesia de Sortelha. Durante oito anos esperámos que alguém o solicitasse. Pelos vistos até parece que só agora com a sua chegada e alguém mandatado é que as coisas aconteceram.
Mas não sou eu que lhe vou dizer se foram feitas melhorias ou não nestes oito anos pelos residentes e por quem visita Sortelha. Mas também não concordo com quem chega a Sortelha e passado pouco tempo venha opinar sem saber do que está a falar ou sem ouvir todas as partes envolvidas.
Até hoje ninguém me perguntou o que quer que seja sobre o assunto do espaço atribuído às senhoras do artesanato. Se isto tivesse sido feito não seria necessário nem o artigo do senhor Joaquim Tomé nem eu estaria agora a sentir a necessidade de dar esta resposta.
Mas como solicitei esse direito e ele me foi imediatamente concedido nunca poderia ficar sem dar esta explicação.
E vou terminar com um pensamento: «As críticas vêm sempre de quem nunca nada fez para as resolver.»
Luís Paulo
(anterior presidente da Junta de Freguesia da Aldeia Histórica de Sortelha)

Trindade Coelho nasceu no Mogadouro, distrito de Bragança, em 1861. Magistrado de profissão, iniciou a sua actividade na vila do Sabugal enquanto Delegado do Procurador Régio, em 1886. Mestre na arte de narrar, seguindo as apertadas regras que ao contista são exigidas, deixou-nos autênticas obras-primas, as mais significativas reunidas no excelente volume «Os Meus Amores», que são uma referência da literatura portuguesa.

O livro de Trindade CoelhoOs seus contos, de grande esplendor estilístico e apurado rigor narrativo, inspiram-se nas vivências populares que ele, filho do povo, tão bem conhecia. Alguns deles, mais do que contos, são poemas, ou, diríamos mesmo, odes. Odes à harmonia da Natureza e à sublimidade do amor. Poucos escritos tem a nossa literatura que emparceirem com Trindade Coelho na profundidade emocional. Descreve o amor sincero entre as pessoas, numa simbiose perfeita entre o seu afecto mútuo e o quadro natural que as envolve. Aborda os diversos quadros da vida colectiva, em que o povo simples e agreste aparece numa onda de humildade e de abnegação, que comovem.
Mas no que se refere a quadros etnográficos, o maior registo está no conto «À Lareira», precisamente no livro «Os Meus Amores», que descreve um antigo serão na aldeia. Com as cores vivas de uma espátula, Trindade Coelho pinta em tela o convívio de tempos idos, quando escasseavam as formas de passar o tempo. As mulheres fazem meia ou, munidas da roca, fiam o linho. Já os homens dedicam-se à bisca, enquanto que os mais novos se vão entretendo com simples jogos infantis ou ouvindo atentamente as conversas dos adultos. Dirigidas às crianças soltam-se catadupas de adivinhas, cabendo-lhes encontrar a solução. Também para elas vão os contos e as fábulas antigas, herdadas de tempos distantes, passadas de geração em geração, ali à roda da lareira, nos vetustos serões da província.
Antes do início do serão, houve a ceia, que as mulheres da casa cozinharam e colocaram sobre a mesa no fim do dia de trabalho. Vejamos essa descrição sublime da ceia de uma família do povo:
«- Olha que vens de frio! – ralhou de cima a Tia Maria. – Depressa, António, que vai o caldo prá mesa. É só recolher as vacas, porque a manjedoura já está feita. (…).
– deixa-os! – avisou do lume o José Lorna. – Põe tu a mesa e deixa-os lá.
Baixou a tia Maria a mesa de escano, pôs-lhe em cima a toalha de linho, muito lavada, ao mesmo tempo que a Ana, já de volta, tirava do secrinho e punha na mesa o pão centeio de sete arráteis. Abancou o José Lorna, defronte da sua grande malga castelhana e pôs-se a partir as fatias. Tinha já na mão a sua tigela, a tia Maria; em frente do velho, sobre a mesa, fumegava a outra para o António; estava em cima do murilho a do José Redondo, com o respectivo carolo em cima; e junto do louceiro, muito desembaraçadas, as duas irmãs aviavam o resto: a Teresa debulhava as batatas, e a Ana partia-as por três grandes pratos em que previamente fizera o molho.
Entretanto chegava o António: logo atrás dele o José Redondo; e a ceia começava: o caldo desapareceu e a seguir ao caldo as batatas cozidas.»
«Sabores Literários», crónica de Paulo Leitão Batista

leitaobatista@gmail.com

Antes de começar a escrever esta crónica, correspondendo a um desafio lançado pelo Zé Carlos e pelo Paulo Leitão, perguntei a alguns sabugalenses residentes na área da Grande Lisboa, as razões da fixação da sua residência neste região, e as condições necessárias ou suficientes para um regresso ao Sabugal.

José Manuel Monteiro - «Largo de Alcanizes»Não sendo significativo o número de pessoas contactadas para poder extrapolar, do ponto de vista estatístico, sobre esta matéria, penso que o meu conhecimento desta realidade, estando eu igualmente incluído nesta amostra, faz-me concluir o seguinte:
– A saída do concelho do Sabugal deu-se ou por motivos de prosseguir estudos superiores ou por motivos relacionados com emprego. Foram razões de empregos condignos e melhor remunerados que fizeram com que muitos conterrâneos nossos, nos anos 60 tivessem emigrado.
Educação e Emprego são assim as duas palavras essenciais para que as pessoas possam ficar na terra onde nasceram.
São hoje obrigatoriamente os pilares de qualquer estratégia de desenvolvimento do nosso concelho.
No âmbito da campanha eleitoral autárquica de 2009 a CDU apresentou o seu programa eleitoral que assentava em sete pontos, sendo o primeiro relacionado com a necessidade da criação de emprego.
Criar emprego pressupõe que o município defina áreas de actividades económicas privilegiadas e empregos a apoiar.
No nosso programa apontávamos essas áreas: A dinamização turística, a dinamização das potencialidades ligadas à cultura e à gastronomia, ao lazer e à população sénior eram e são segmentos por onde obrigatoriamente uma estratégia de desenvolvimento do concelho tem de passar. E avançámos com algumas dessas medidas, que aqui quero recordar:
Implementação de uma Rota dos Castelos, a reabilitação dos núcleos antigos tanto do Sabugal como das principais aldeias do concelho, o fomento do turismo rural e do turismo do lazer e saúde, a valorização da gastronomia local e a sua associação à rota dos castelos, não descorando o apoio ao comercio tradicional e o apoio a todos aqueles que pretendam instalar pequenos negócios com a criação do que chamamos «centro de partilha de recursos».
A entrada em funcionamento da Universidade da Beira Interior na Covilhã e o dinamismo que teve, e que hoje necessita de novo impulso, do Politécnico da Guarda, podem ser factores de sucesso para fixar população e contribuírem para que um número significativo de jovens do nosso concelho, não tenha necessidade de abandonar a região para continuar os seus estudos.
É por isso importante que existam protocolos entre o município e esses centros universitários, onde as empresas locais também estejam representadas ligados às questões da inovação, por exemplo, ou à possibilidade de estágios em unidades empresariais localizadas no concelho do Sabugal.
Evidentemente que a existência de boas infraestruturas, sejam elas rodoviárias ou equipamentos culturais e desportivos são um contributo para elevar o nível de vida de quem já reside no concelho. Não são porém factores de decisão para fixar residência.
Parece-me muito pouco credível que todos os que deixaram o Sabugal, voltem. Serão poucos os que regressam. Talvez alguns regressem quando se reformarem, outros nem isso. É por isso mais importante que as entidades competentes elejam como prioritário criar condições para que os que ainda residem no concelho aqui permaneçam.
Numa das crónica do João Aristides Duarte dizia não ter uma varinha de condão para poder parar a desertificação do nosso concelho. Eu também não a tenho, mas tenho uma certeza que volto aqui a reafirmar.

Qualquer estratégia de desenvolvimento do nosso concelho, passa pelo envolvimento e pela participação das suas gentes, pelos contributos individuais e ou colectivos dos que habitam no concelho, mas igualmente pelos contributos de todos os sabugalenses espalhados pelo país e pelo mundo.

«Largo de Alcanizes», opinião de José Manuel Monteiro
jose.m.monteiro@netcabo.pt

Nós fizemos a barragem que levou a que o rio Guadiana formasse uma enorme mancha de água que domina a planície, mas é Espanha que está na dianteira do aproveitamento das potencialidades turísticas que o Alqueva proporciona.

Quem for por estes dias à Bolsa de Turismo de Lisboa, na FIL, e se deslocar ao pavilhão do turismo internacional, verificará que Espanha domina em toda a linha. Metade dos pavilhões são espanhóis, com todas as regiões autonómicas representadas e com muitas cidades a marcar presença própria, mostrando as suas potencialidades turísticas.
Mas há um pavilhão que enche o olho, ao mostrar um grande mapa onde impera uma enorme mancha azul. Trata-se do pavilhão «Tierras del Gran Lago – Alqueva». Sim, fala-se da barragem do Alqueva, construída no Alentejo. O enorme mapa mostra sobretudo território português, porque é cá que a barragem foi edificada e é pelas terras portuguesas que o grande lago se estende. E os nossos vizinhos revelam grande orgulho no lago artificial que a barragem formou: Es el más grande de Europa y el segundo en tamaño del mundo, com alrededor de 250 km2 de superfície y más de 1.160 km de márgenes.
Mais acima o Guadiana também engordou, distendendo as suas margens ao longo do percurso em que marca a fronteira com Espanha. E isso foi o suficiente para que a «Diputacion» de Badajoz vislumbra-se a oportunidade de se apresentar ao mundo como um destino turístico especial. Três pequenos cais, junto a Villareal, a Cheles e a Villanueva del Fresno, são o que Espanha possui no Alqueva e são esses os pontos de partida para o aproveitamento turístico do grande lençol de água.
A «Deputacion» avançou já com um projecto estruturante para o desenvolvimento das «Terras do Grande Lago». Desportos náuticos, turismo sustentável, produtos locais, inovação, natureza, economia integrada, destinos de qualidade, arquitectura popular e gastronomia tradicional, são as valências que Espanha quer aproveitar neste novo destino turístico que Portugal lhe proporcionou.
No mesmo balcão a Junta da Extremadura disponibiliza uma brochura designada «Ruta de los Castillos». E quais são os castelos que rodeiam o grande lago, que integram esta rota que Espanha se propõe explorar turisticamente? Apenas dois são em Espanha (Coluche e Olivença) e oito estão em Portugal (Juromenha, Alandroal, Terena, Mourão, Moura, Portel, Serpa e Monsaraz). Ou seja, as jóias turísticas estão em Portugal (a água, os castelos, a gastronomia) mas é Espanha que está na dianteira tentando tirar desde já partido da nova potencialidade.
Enquanto isso em Portugal ainda se dorme, não se revelando capacidade para um capaz aproveitamento das grandes potencialidades que o maior lago da Europa nos pode proporcionar.
«Contraponto», opinião de Paulo Leitão Batista

leitaobatista@gmail.com

O concelho do Sabugal marca presença na 22.ª edição da BTL (Feira Internacional de Turismo de Lisboa) em dois espaços de referência promovidos por técnicas do município no pavilhão 2. O turismo sabugalense (restauração e alojamento) está integrado na Região de Turismo da Serra da Estrela e o complexo das Termas do Cró no stand das Termas de Portugal.

A 22.ª edição da BTL-Feira Internacional de Turismo dirigida aos profissionais do sector foi inaugurada esta quarta-feira, 13 de Janeiro, pelo Ministro da Economia, da Inovação e Desenvolvimento, José Vieira da Silva. O governante aproveitou a ocasião para relembrar o «estatuto de grande palco internacional das actividades turísticas com a presença de mais de 1000 empresas de 45 países, dez dos quais estreantes».
A maior feira de turismo nacional propõe aos visitantes profissionais e ao grande público visitar Portugal de Norte a Sul, ao longo de 3 pavilhões, oferecendo destinos e actividades de todas as regiões do País.
O concelho do Sabugal mostra-se no Pavilhão 2 no stand da Região de Turismo da Serra da Estrela (com uma enorme fotografia do castelo de Sortelha) oferecendo a boa gastronomia raiana e os alojamentos em turismo rural e unidades hoteleiras e no stand «Termal & Spa’s» das Termas de Portugal que inclui este ano a grande novidade «Centro Termal do Cró – Sabugal» dando a conhecer a oferta turística e os serviços e equipamentos envolvidos. NOs dois espaços estão presentes para promover e dar todas as informações necessárias as técnicas da autarquia sabugalense.
A vice-presidente da Câmara Municipal do Sabugal, Delfina Leal, representou a autarquia na III Conferência Internacional da BTL «Saúde e Bem-Estar – Novas Oportunidades para Portugal» promovida pela AIP-CE, a Associação de Turismo de Lisboa, o Turismo do Estoril e a Associação das Termas de Portugal. O turismo termal (Saúde e Bem-Estar) é uma das grandes apostas estratégicas da edição 2010 como destino turístico assim como a aposta continuada nos sectores da gastronómia e do turismo rural.
O congresso teve lugar no primeiro dia da maior feira do Turismo nacional e projectou para profissionais do sector a temática da «Saúde e Bem-Estar» identificada no Plano Estratégico Nacional de Turismo como um dos dez produtos turísticos em que deverá assentar a estratégia de desenvolvimento turístico de Portugal. A autarca sabugalense tomou conhecimento com as boas práticas nacionais das Estâncias Termais e das unidades hoteleiras com SPA que contribuem para a afirmação de Portugal como destino de saúde e bem-estar, bem como as experiências internacionais de operacionalização turística deste segmento.
O sector da Saúde e Bem-Estar é um dos 10 produtos definidos pelo PENT – Plano Estratégico Nacional do Turismo, com um crescimento previsto, a nível europeu para os próximos anos, que oscilará entre os 5 e os 10 por cento atingindo 6 milhões de viagens anuais.
As estâncias termais portuguesas estão a desenvolver e diversificar a sua oferta, com vista às novas necessidades e hábitos de consumo, investindo em novos equipamentos e requalificação dos recursos humanos. O perfil de clientes destes produtos turísticos aponta, por razões de saúde, para estâncias termais, tradicionalmente vocacionados para a terapia, com a dignidade e o conforto que a sua situação específica aconselha e a procura do seu destino é escolhido como um fim. Acima de tudo o que qualquer pessoa procura, além dos tratamentos das mais diversas tipologias, ou apenas de passagem, é toda uma sensação de comodidade e bem-estar aliada à descoberta da paisagem da região envolvente.
A BTL tem com estrelas a África do Sul (a nível internacional) e Lisboa (no plano nacional) e decorre na FIL, Parque das Nações, para profissionais nos dias 13, 14 e 15 de Janeiro (das 10 às 20 horas) e para profissionais e público no dia 16 (das 10 às 23 horas) e finalmente no dia 17 (das 10 às 20 horas).

Há um ano teve lugar neste espaço uma ampla discussão sobre a não-presença do Sabugal na BTL. Mais vale tarde do que nunca.
jcl

«A Estrada» é bem capaz de ser um dos filmes mais negros e sombrios deste ano, tal como já acontecia no livro em que se baseia. Não tive oportunidade de ler a obra original de Cormac McCarthy, mas pelo que já me contaram a história é realmente sombria.

Pedro Miguel Fernandes - Série BMas literatura à parte, «A Estrada» filmada pelo australiano John Hillcoat é um filme que não nos deixa confortáveis na cadeira do cinema. É a história de um homem e um rapaz, pai (Viggo Mortensen) e filho (Kodi Smit-McPhee), que atravessam os EUA em fuga não se sabe de quê.
Apenas vamos sabendo alguma coisa através das histórias que o pai conta ao rapaz, de algumas (das poucas) personagens com quem o par se cruza ou através dos sonhos do pai, que remetem para o passado da família, quando a mãe do miúdo (Charlize Theron) ainda é viva.
Pouco mais adianta saber para se entrar na estrada que os dois percorrem, sempre para sul, onde estará a suposta salvação.
A EstradaCom uma história original muito forte, John Hillcoat só tinha de seguir o livro das regras e consegue-o pois tal como já referi, quem entra nesta estrada com o pai e o filho arrisca-se a entrar num mundo muito cinzento. E o rasto de destruição que desfez os EUA está bastante bem conseguido graças à maravilhosa fotografia de Javier Aguirresarobe, que tanto nos apresenta o presente da acção em tons mais escuros, como nos mostra o passado da família em tons mais iluminados, mesmo nos tempos mais difíceis.
Outro dos pontos fortes deste «A Estrada» é o desempenho dos dois actores que formam o pai e o filho. Kodi Smit-McPhee está à altura num papel bastante difícil, pois tem de representar uma relação muito forte num ambiente hostil. E Viggo Mortensen puxa dos galões e prova uma vez mais o excelente actor que é. É possível que consiga arrancar uma nomeação para os Óscares com esta interpretação.
O que também está muito bom é a banda sonora, a cargo de dois grandes nomes: Nick Cave, que já tinha escrito o argumento do filme anterior de Hillcoat, e Warren Ellis, um compincha de longa data do cantor australiano.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

pedrompfernandes@sapo.pt

Pois é… Um dia quando acordarmos já é tarde…

Vodpod videos no longer available.

jcl

O futuro na cidade do Sabugal, despoletado neste Blogue merece, sem dúvida, a abertura de um debate sereno mas clarificador. Aqui deixo, telegraficamente, sete reflexões…

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»1.ª reflexão – A cidade do Sabugal não tem futuro, se o Concelho não tiver futuro, e o Concelho não terá futuro sem uma Cidade forte, desenvolvida e competitiva a nível regional. Isto é, o futuro da cidade do Sabugal joga-se na capacidade que tivermos de construir um território coeso que caminhe de uma forma homogénea rumo a um futuro melhor.
2.ª reflexão – Não há futuro para a cidade e para o Concelho do Sabugal na ausência de uma estratégia de desenvolvimento claramente definida, compreendida e aceite pelos sabugalenses.
3.ª reflexão – Não há futuro para a cidade e para o Concelho do Sabugal, sem entender este futuro na óptica do futuro da Região onde se insere e na capacidade de se tornar regionalmente competitivo.
4.ª reflexão – O futuro da cidade e do Concelho do Sabugal deve ainda ser entendida na sua integração em lógicas de desenvolvimento integrado com as «mancomunidads» fronteiriças espanholas, com destaque especial para as Mancomunidads de Alto Águeda e de Sierra de Gata, e com o Concelho de Penamacor, construindo uma nova centralidade regional transfronteiriça.
5.ª reflexão – O futuro da cidade do Sabugal deve passar também pela compreensão de que realidade urbana se fala. Venho defendendo que falar hoje da cidade do Sabugal, tal significa falar de um conjunto mais alargado do que os limites físicos actuais da freguesia, que abrange, pelo menos, as freguesias da Aldeia de Santo António e das Quintas de São Bartolomeu. E não falo em integrar estas freguesias no Sabugal, falo de uma nova entidade urbana que, na prática, já existe no terreno (basta pensar que uma parte do que hoje consideramos cidade do Sabugal pertence à freguesia de Aldeia de Santo António…).
6.ª reflexão – As soluções ganhadoras num Concelho ou numa Cidade não são exportáveis. Os portugueses têm muito o hábito de pensarem que «se deu além, então aqui também vai dar». Esta é uma armadilha a que devemos fugir, pois a nossa realidade é diferente da de Óbidos ou de Guimarães, ou de qualquer outra cidade dita «criativa». E a corrente das «cidades criativas» nem é uma panaceia universal, nem se aplica a todas as realidades… A criatividade está em, em cada momento, sermos capazes de definir os caminhos para uma cidade e um Concelho com futuro.
7.ª reflexão – Porque importante, uma cidade do Sabugal sem Centro histórico ocupado pelas pessoas não existe. Torna-se assim necessário definir medidas concretas que conduzam à preservação/reabilitação do Centro histórico da Cidade (e entendo aqui este Centro não só o que é limitado pelas muralhas mas igualmente todo aquele que vai entre estas e o Largo da Fonte), no entendimento de que tal só valerá a pena se for acompanhada pela criação de um espaço de qualidade habitado e vivo. E para isso o Município deve ter uma atitude pró-activa de, em conjunto com os proprietários, encontrar as formas de reabilitar o património edificado, incentivando, ao mesmo tempo, a fixação de novos moradores na zona.

ps. Para os que venham dizer que não apresentei propostas concretas, aconselho a leitura de uma parte significativa das crónicas que aqui escrevi nos últimos dois anos sobre o assunto e, porque nele me revejo, o Programa Eleitoral do Partido Socialista nas últimas eleições autárquicas.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

Naquele dia fazia um frio de gelar. Era inverno, a temperatura ao sol não subia alem de 0 graus. Os da cidade aproveitavam o fim de semana prolongado para conhecer uma das mais bonitas aldeias de Portugal, a medieval Sortelha.

Kim Tomé (Tutatux)Em busca de emoções novas chegavam pouco preparados para o frio intenso com as roupas típicas da cidade.
Debaixo de uma arcada, uma tábua com artesanato e licores, para onde os visitantes enviavam um olhar curioso.
Ao canto duas senhoras enregeladas tentam sorrir por debaixo dos agasalhos enquanto se encolhem no canto tentando abrigar-se.
Com frio, os visitantes correm apressados em busca de abrigo.
E ali num canto frio, as duas senhoras continuavam tentando vender algo que lhes garantisse o sustento para a família.
Foi assim durante mais de oito anos.
Em oito anos nunca as instituições foram capazes de apoiar estas pessoas, apesar de vários pedidos e da evidente falta de condições.
Agora finalmente as senhoras enregeladas têm um espaço digno.
Artesanato em SortelhaGraças à boa vontade da nova equipa da Junta de Freguesia de Sortelha, que ergueu uma «varinha de condão» e transformou o espaço há muitos anos devoluto, num espaço digno para mostrar e comerciar o artesanato local.
E foi como que, por magia que as pessoas se juntaram e deram uma ajuda a tornar o local mais agradável.
Agora, as Senhoras recebem os visitantes com um sorriso aberto já não escondido por detrás dos agasalhos, e os visitantes podem calma e acolhedoramente, conhecer o artesanato e as histórias sobre Sortelha, que estas senhoras contam com as faces rosadas e um sorriso aberto.
Esta «Varinha de Condão» que sem custos adicionais, apenas com Boa Vontade, Humanismo e colaboração se ergueu, bastou para acrescentar um enorme valor a Sortelha.
Em nome dos visitantes e das Senhoras que durante Oito Anos sofreram desnecessariamente as agruras dos Invernos, um grande Bem Haja a quem assim manobra a «Varinha de Condão».

p.s. Este post é óbvia, descarada e provocadoramente uma resposta ao meu amigo João Aristides pela positiva 🙂
É assim João… é assim… que se manobra a tal «Varinha de Condão». Simples, não achas? 😉

«O Bardo», opinião de Kim Tomé

kimtome@gmail.com

Os municípios de Caminha, Vila Nova de Cerveira, Valença, Monção e Melgaço pretendem criar a Confraria da Lampreia como veículo de promoção gastronómica e turística da região do Rio Minho.

Lampreia do MinhoOs cinco municípios banhados pelo Rio Minho – Caminha, Vila Nova de Cerveira, Valença, Monção e Melgaço – encetaram conversações com vista a criar durante o ano de 2010 a Confraria da Lampreia. Para os próximos meses está a ser organizadas acções conjuntas turísticas e gastronómicas para promoção do afamado ciclóstomo e que incluem um Festival de Lampreia à moda tradicional em, pelo menos, 80 restaurantes dos concelhos confrades.
O grupo de trabalho que está a preparar os estatutos da Confraria da Lampreia vai impor como regra número um que o prato de lampreia à moda do Minho deverá constar obrigatoriamente todos os fins-de-semana nas ementas dos restaurantes aderentes e seja confeccionado de acordo com a receita tradicional.
Em declarações à agência Lusa o responsável pelos serviços culturais da Câmara Municipal de Vila Nova de Cerveira, Nuno Correia, recordou que «há já largos anos que é o mês de Fevereiro é dedicado à promoção deste prato tradicional» acrescentando que «vai permitir classificar e certificar a lampreia do Minho como um produto de excelência da gastronomia portuguesa»
«A ideia partiu do município de Caminha e foi, depois, abraçada pelos restantes concelhos da margem portuguesa do Rio Minho. A Câmara de Paredes de Coura e a Adriminho (Associação de Desenvolvimento Rural Integrado do Vale do Minho) já mostraram, também, interesse em juntar-se às cinco câmaras confreiras», disse ainda o autarca minhoto.

Aproveitamos para sugerir ao executivo camarário sabugalense que quando forem mudadas as placas colocadas nas estradas que dão acesso à sede do concelho onde ainda se pode ler «Bem-vindos à vila do Sabugal» seja acrescentada a informação: «Capital do Bucho Raiano».
jcl

Há dias veio-me parar à mão a Lei da Passagem de Gado de 1564, uma interessante lei do tempo de D. Sebastião, sobre o contrabando de gado.

João ValenteA Lei da Passagem de Gado de 1564 era muito equilibrada para o tempo. Estabelecia, mecanismos eficazes de controle, fiscalização e penas dissuasoras, ao mesmo tempo que protegia o pequeno produtor e incentivava a grande criação de gado:
a) Todas as pessoas moradoras nas terras dentro de dez léguas da raia, deviam escrever, de Abril até ao dia de S. João Baptista, todo o gado, à excepção das ovelhas, num livro camarário;
b) No ano seguinte, e nas mesmas datas, descarregariam o que vendessem ou lhes morresse e acrescentariam o que adquirissem por compra, herança ou criação;
c) Os lavradores que levassem os gados a pastar dentro ou fora dessas dez léguas, tinham de se acompanhar de uma certidão ou carta-guia do seu gado. E retornando, se o vendessem sem licença seriam indiciados como passadores;
d) Os lavradores de fora destas dez léguas que viessem com o seu gado pastar nelas, deviam também escrever os seus gados na sua câmara e fazê-lo acompanhar de carta-guia sob pena de serem indiciados como passadores. Quando regressassem, deviam descarregá-lo no mesmo livro, sob pena de serem indiciados como passadores.
e) Em caso algum, era permitido vender gado dentro dessas dez léguas sem prévia licença e descarrego no livros de assentos camarários;
f) Todos os livros de assentos deviam estar disponíveis e em ordem para serem fiscalizados pelos juízes do rei ou juízes de fora, que tinham o poder de proceder contra qualquer irregularidade ou falta detectada;
g) Estavam apenas isentas destas regras de registo as pessoas que não tivessem mais de duas reses ou vinte cabeças de gado miúdo e até cinco porcos;
h) As penas eram o confisco de todo o gado e de todos os bens móveis;
i) No caso de pastores ou maiorais que colaborassem na passagem de gado ou não denunciassem os amos, eram desterrados por dois anos para África;
j) Quem denunciasse a situação recebia como recompensa 1/3 dos bens confiscados;
k) Quem pretendesse comprar gado fora do lugar onde fosse morador, tinha de levar declaração de quanto gado ia comprar e depois registá-lo no livro, sob pena de ser indiciado como passador;
l) Quem pretendesse fazer varas de porcos, devia declará-lo até ao dia 15 de Setembro de cada ano nos livros da câmara, sob pena de ser indiciado como passador;
m) A partir de Junho, não se podia trazer com as ovelhas, borregos ou carneiros, salvo sementais ou capados, sob pena de se perderem metade para o denunciante e outra metade para a câmara;
n) Quem de cem vacas tivesse por ano cinquenta crias; de mil ovelhas, duzentas e cinquenta crias; de mil cabras, quinhentas crias, beneficiava, demonstrando o facto pelo registo no livro, gozavam do privilégio de não serem presos em ferros ou cadeia pública, bem como dos mesmos privilégios dos cavaleiros e de não sofrerem penas de açoite.

Frontispício da Lei da Passagem de Gado de 1564De facto, o contrabando na fronteira terrestre era geral de Norte a Sul e praticado desde fidalgos da casa real, até ao mais humilde lavrador, a ponto de, sendo o país grande criador de gado, haver no século XVI muita falta de carne, por causa dele.
O contrabando na raia, já era antigo e as primeiras notícias remontam ao tempo de Sancho II e prosseguiu, como sabemos, até aos nossos dias, mas foi mais importante nos séculos XIV a XVI.
Era essencialmente o gado e a moeda que saíam para Castela e os panos que entravam em Portugal.
A vigilância económica sobre estes espaços de fronteira, fossem eles rios, ou pontos de passagem (portos), cabia a várias instâncias: Autoridades territoriais (Alcaides das «terras dos extremos», e fronteiros) e homens do fisco (siseiros, dizimeiros ou portageiros) ou aos homens das sacas (alcaide das sacas, escrivão das sacas, rendeiro das sacas).
Os impostos a solver pelas transacções inter-fronteiriças eram as sisas, dízimos e as portagens e este direito aduaneiro estava consagrado nos forais antigos, nas ordenações e nas decisões das cortes.
As formas de controlar este contrabando que se fazia nas terras de fronteira, designadamente de gado, foram as mais diversas: Assentamento num livro camarário do número de cabeças de gado de cada proprietário; guias de marcha emitidas pelas autoridades municipais quando o gado se deslocava, licenças de venda, penas de confisco do gado e de bens móveis e de raíz, desterro para os pastores (decisões das cortes de Lisboa, Santarém e Torres Novas).
As justiças, neste caso eram bastante rigorosas, havendo por vezes, excesso de zelo das autoridades, que muitas vezes, além de corruptas, por manobras espoliadoras, muitas vezes atropelavam as regras processuais e os direitos individuais.
Um tal Luis Gonçalves, da Reigada, quis ir comprar ovelhas de criação à Guarda, informando os juízes do lugar de que ia buscar gado, para depois lhe fazerem o assento no livro da câmara, conforme impunha a lei.
Na Guarda foi assaltado, não chegando a comprar qualquer cabeça e mesmo assim foi acusado de passar gado. Refugiando-se numa Igreja, os juízes foram buscá-lo e mantiveram-no em cativeiro um mês. Saíu porque os vigários da Guarda cominaram com as censuras eclesiásticas os juízes. Já em casa, o juiz prendeu-o e deixou-o a penar mais mês e meio no cárcere, onde gastou tudo o que tinha, até que fugiu.
Tais situações originavam sucessivas queixas ao rei, como a do povo da comarca da Beira a D. Afonso V, que acusava os oficiais das sacas de se «regerem por afeições» e não pelo cumprimento da Lei, o que levava o rei a conceder várias amnistias colectivas, como a que concedeu aos moradores de Castelo Rodrigo.
As medidas consagradas nesta célebre lei extravagante, que respondia ao fenómeno do contrabando de gado na raia, demonstra bem a dimensão que este atingiu no século XVI.
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

O repórter fotográfico Kim Tomé (Tutatux) está em Sortelha. Mais palavras para quê?…

GALERIA DE IMAGENS – SORTELHA – 10-10-2010
Fotos Joaquim Tomé – Todos os direitos reservados – Clique nas imagens para ampliar

A associação «Labirintos e Caminhos» do Carvalhal, freguesia de Badamalos, festejou em grande a sua primeira passagem de ano. A festa começou três dias antes (como seria de esperar no Carvalhal), alguns sócios acenderam o forno da aldeia e com toda a dedicação foram-no mantendo quente e limpo para o grande dia e como era previsível e claro, por necessidade, foram-no experimentando com os petiscos que alimentaram a dedicação do trabalho.

Mas a organização deste evento teve inicio um mês antes, quando se decidiu o que era preciso comprar e preparar para que nada faltasse. Como a associação por enquanto, e repito, por enquanto ainda não tem um espaço próprio, a grande festa teve lugar numa espaçosa e aquecida garagem que nos foi emprestada com muito prazer; assim sendo as instalações eram muito bem preparadas pois para além do espaço e do aquecimento pudemos ainda contar com uma casa-de-banho pública e móvel feita com empenho pelos sócios «para as mulheres» dizem eles.
O jantar teve início por volta das 20.30 horas e a festa e a comida prolongaram-se pela noite dentro. Toda a comida foi preparada pelos sócios no forno da aldeia e numa cozinha improvisada de onde saiu um delicioso caldo verde já depois das doze badaladas.
Depois do saboroso e prolongado jantar toda a gente se divertiu no baile, gente de todas as idades dançou e mostrou muita alegria. O ponto alto da noite foi sem dúvida a passagem de ano em si; embora as nossas doze badaladas tenham sido improvisadas toda a gente pôde pedir os seus desejos para o novo ano acompanhados com as tradicionais passas e um grande banho de champagne, seguidos de um colorido momento de fogo de artificio; com mais ou menos idade todos brindaram em grupo ao novo ano, foram momentos de muita alegria, abraços e sorrisos.
Sem nunca desaparecer o espírito festivo, a festa e a música continuaram, e toda a gente ao olhar em volta percebeu que entrou em 2010 da melhor maneira: rodeados de amigos e de verdadeira alegria a condizer com a decoração colorida do lugar.
O leitão, o frango, o bacalhau, as deliciosas sobremesas e outros apetitosos aperitivos estiveram disponíveis durante toda a festa, bem como a bebida que provocou muitas danças inesperadas. Quando o cansaço começou a tomar conta dos participantes, a festa foi acabando… acabando não… foi apenas uma pausa, pois como seria de esperar no Carvalhal a festa prolongou-se com o mesmo espírito para o almoço de Ano Novo; o forno, a cozinha improvisada, a música, o wc móvel e o pezinho de dança voltaram a entrar em acção.
Agradecemos a ajuda e participação de todos, a associação tão nova ainda sentiu-se muito acarinhada e apoiada. Sem os pequenos e grandes contributos dos participantes esta festa nunca teria sido possível. Toda a gente, de todas as idades ajudou, quer nos preparativos, quer no festejo e ainda na parte final de arrumação e limpeza; um muito obrigado a todos, com esta ajuda a associação terá sempre pernas e apoio para chegar mais longe.
Ficámos muito felizes e realizados quando ouvimos os parabéns da parte de todos os participantes. Fica a promessa de os próximos eventos da associação serem igualmente agradáveis e correspondestes às expectativas.
A «Labirintos e Caminhos» ainda agora começou o seu caminho e sente-se já com força e apoio pois a passagem de ano não podia ter corrido melhor! A todos um bom 2010!!!
Idalina Lopes
Sócia da Associação «Labirintos e Caminhos»

O Capeia Arraiana endereça à jovem Associação do Carvalhal votos de longa caminhada pelos labirintos do século XXI. E para o Artur, o Tony, o Alexandre e o Pedrinho aquele abraço com muita amizade.
jcl

O Comandante Territorial da Guarda da GNR, coronel José Manuel Monteiro Antunes, avisa os incautos das possíveis situações de burla, que infelizmente continuam a ser frequentes, nomeadamente nas aldeias e tendo por principal alvo os mais idosos.

GNR«As burlas continuam a ser uma forma de extorquir dinheiro aos mais incautos, apesar dos inúmeros alertas sistematicamente difundidos pelas Forças e Serviços de Segurança», afirma o coronel Antunes no comunicado que enviou à imprensa.
Avisa também que são muito diversas as formas utilizadas no cometimento destes crimes, usando todas as artimanhas para ludibriar as vítimas e conseguir os seus intuitos.
Uma das formas que ultimamente se tem registado e que parece estar a alastrar por todo o Pais consiste em os burlões procurarem uma vitima, a quem oferecem alguns serviços básicos, como afiar tesouras ou limpar brocas, apresentando no final contas exorbitantes pelo serviço prestado e exigindo o seu imediato pagamento. Para o conseguirem fazem as mais diversas ameaças.
«Na procura de debelar esta forma criminosa de actuar e com vista a prevenir a ocorrência de novos casos devem os cidadãos conhecedores de situações destas, registar sempre que possível os dados referentes a suspeitos e comunicá-los de imediato à Autoridade Policial mais próxima», conclui o comandante da GNR da Guarda.
plb

Falar da fome do mundo equivale a relatar a crónica negra do neoliberalismo e da sociedade de consumo.

António EmidioOs bens da Terra tornaram-se posse privada de macro-empresas, multinacionais e oligarquias. São elas a causa da existência no Mundo de 2.500 milhões de pessoas a viverem com menos de dois dólares diários, 1.300 milhões a viverem com menos de um dólar diário, 500 milhões de trabalhadores a ganharem o equivalente a menos de um dólar diário, 100 milhões de seres humanos a passarem fome, e cada dia morram 150.000 pessoas por causa da desnutrição.
Temos que juntar ainda os 120 milhões de crianças com carências alimentares graves, a maior parte dessas crianças morre, devido a essas carências. A nível social, quase metade da humanidade vive por debaixo do nível de miséria. Os 20 por cento mais ricos consomem 80 por cento da riqueza da Terra, e os 20 por cento mais pobres contentam-se com 1,5 por cento. Podemos afirmar que um em cada seis seres humanos passa fome. Também aqui, neste opulento Ocidente, o problema da fome está a aumentar, afecta presentemente 15 milhões de pessoas.
Porquê tudo isto, em pleno século XXI, quando existem conhecimentos e tecnologia capazes de minorar, e até erradicar, a fome? Não há vontade política. O poder político é uma derivação do económico, por conseguinte, não representa os interesses dos seus povos, mas sim o «big business» que procura o lucro rápido e abundante, não a justiça. É esse «big business» que estipula os preços dos produtos agrários a nível mundial.
Numa reunião da FAO – organismo das Nações Unidas para a agricultura e alimentação – numerosos oradores, representantes de vários países, afirmaram que as políticas agrícolas baseadas na liberalização descontrolada da agricultura, transformaram países em vias de desenvolvimento e exportadores de alimentos, em países importadores de alimentos.
Os enormes subsídios aos grandes agricultores e grandes empresas agrícolas , por parte dos Estados Unidos e da União Europeia, contribuíram para a ruína, pobreza e fome de milhões de pessoas, e de pequenos agricultores dos países subdesenvolvidos.
Alguns analistas avisam que estamos a entrar numa situação neofeudal. Todos os direitos, e todo o poder económico concentrado só em poucos, submetem à servidão a imensa maioria da humanidade.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

Dentro dos contributos para a história do Hospital do Sabugal, apresenta-se mais uma transcrição do Bloco de Recordações do Sr. Dr. Francisco Maria Manso que acaba por ser um texto descritivo da Inauguração do Hospital.

Foi obra de muita doação e muito querer principalmente do seu primeiro benemérito porque além do terreno para a construção foi dando outras valiosas contribuições, da Comissão da Misericórdia, da Câmara Municipal, do Sr. Dr. Manso que também colaborou pessoalmente e de todos aqueles que colaboraram directa ou indirectamente. Foi necessário quase uma década para se inaugurar uma obra necessária a todo o Concelho, mas fica demonstrado que a persistência acaba por vencer.

Outubro de 1934«09-10-1938
Acabo de chegar da inauguração do Hospital, ou melhor dito da sessão de abertura.
Presidiu sua Exª. Reverendíssima o Sr. Bispo auxiliar da Guarda – D. João.
Falou em primeiro lugar sua Exª. R.ª, depois o Sr. Dr. Carlos Frazão que fez um belo discurso elogiando a obra do Sr. Pe. Manuel e mostrando as vantagens do Hospital para os doentes pobres. Seguidamente li algumas palavras e referências a este livro. Falou em seguida o Sr. Cónego “Alvaro” que fez uma bela oração ligando a caridade dos hospitais à religião.
O Sr. Bispo declarou finalmente que é costume dizer-se “está encerrada a sessão”, mas que neste caso ele diria que está aberto o hospital e que ele precisa do carinho de todos.
Passou-se à sala das sessões onde a filhita do Sr. José Maria Baltazar descerrou o “retrato” do SR. Pe. Manuel Nabais Caldeira, tendo usado, nesse momento, a palavra o Sr. Dr. César Louro que elogiou calorosamente a acção do Sr. Pe. Manuel.
O Sr. “Abade Fatela” desta vila tomou a palavra e num discurso entusiasta elogiou também a bela acção do Sr. Pe. Manuel, relacionando a formação dos hospitais com a crença religiosa.
Padre Joaquim Nabais CaldeiraOs bombeiros fizeram ouvir o seu Clarim tocando a sentido e o Sr. Pe. Manuel comovidamente agradeceu pronunciando as únicas palavras, belas e inspiradas, que um homem bom de coração pode pronunciar: “Estou velho pouco mais já posso fazer, mas depois da minha morte peço-lhes que olhem por isto”. Estas palavras são um poema de bem e pronunciar mais seria tirar todo o merecimento a quem as pronunciou, pois delas nasce um infinito de pensamentos e de considerações.
Teve lugar a sessão na enfermaria da esquerda que se encontrava inteiramente repleta pela assistência, vendo-se não só as pessoas de mais representação na Vila, mas ainda muito povo principalmente raparigas que volitavam por todos os cantos para satisfazer a sua curiosidade.
As salas estavam limpas e a impressão colhida por todas pareceu boa.
Como estou de serviço este mês procurarei dar início à obra para que foi destinado, tratando o melhor que posso e sei, os doentes que ali forem internados, ainda que provisoriamente pois não se montou a cozinha e apenas fica um enfermeiro para receber algum doente e vir avisar de que é preciso ir ao Hospital. Se forem necessárias dietas ficou determinado pela “Comissão” encomendar essas dietas em qualquer das pensões, enquanto a enfermagem pelas Irmãs da Caridade se não fizer.»
Romeu Bispo
(Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Sabugal)

Tal como acontece no Sabugal, Abrantes espera, e desespera, pela concretização do projecto «Ofélia Club», que ainda não passou do papel.

Existence, SAO jornal ribatejano «Mirante», apresenta na sua edição do dia 7 de Janeiro, a notícia de que o projecto «Ofélia Club» anunciado há dois anos em Abrantes ainda não arrancou, e há muitas dúvidas quanto à sua concretização.
«A Unidade de Saúde e Bem-Estar/Complexo Médico-Social “Ofélia Club”, anunciada com pompa e circunstância pela Câmara de Abrantes no edifício Pirâmide a 30 de Setembro de 2008, corre o risco de nunca se concretizar. Trata-se de um investimento previsto de 60 milhões de euros e que iria criar 500 novos postos de trabalho, dinamizado pelo grupo “Portanice Investimentos Imobiliários Lda”, empresa do Grupo Existence», diz o jornal ribatejano.
Porém a obra, que estava prevista para arrancar em Novembro de 2008, nunca saiu do projecto de arquitectura. A licença de alvará que permitia o arranque da obra nem chegou a ser levantada dentro do prazo. «Efectivamente, o prazo expirou no início de Dezembro mas ainda não declarámos a sua caducidade», explicou ao jornal a presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Maria do Céu Albuquerque. A mesma afirma que não tem tido contactos com o promotor da obra, António Reis, que afirmou em Agosto à agência Lusa que o projecto ia avançar até ao final de 2009.
Quem não está satisfeito é o empresário Jorge Dias, a quem foi prometido um negócio de 2,5 milhões de euros com a venda dos seus terrenos para a instalação do projecto. «Foi tudo por água abaixo», declarou o construtor de Abrantes, que em protesto deixou crescer a barba até que os negócios da família voltem ao rumo certo.
O jornal «Mirante» falou com António Guilhermino Reis, presidente do grupo Existence. «Parco em palavras, desvalorizou o facto do período para levantar o alvará da obra ter caducado em Dezembro e disse que o projecto vai seguir em frente. “As coisas estão a andar. Quando houver novidades comunicaremos”, sustentou.»
No Sabugal também se espera pelo investimento do Grupo Existence, mas a situação apresenta-se igualmente insegura e há quem duvide que o projecto se concretize.
Em Outubro de 2008 o então presidente da Câmara Municipal do Sabugal, Manuel Rito, apresentou a «bomba» ao executivo municipal: o grupo francês «Existence, SA» vai investir no Sabugal, mais propriamente na freguesia da Malcata, 45 milhões de euros, e criar 300 postos de trabalho. O Projecto, designado «Desenvolvimento Médico-Social & Habitacional Ofélia Club», ocuparia uma área de 360 mil metros quadrados.
O empresário António Reis, que é natural do Sabugal e vive em França, foi pela mão do Município ao Sabugal no dia 28 de Agosto, já muito próximo das eleições autárquicas, anunciar que o projecto seria uma realidade e que até ao final ano haveria novidades. O ano passou e do Ofélia Club de Malcata não houve porém qualquer novidade.
plb

A imagem hoje apresentada não é do Cortejo de Oferendas, embora seja do mesmo ano (1947). Pelo que se pode verificar, trata-se de um desfile organizado pelo regime do Estado Novo, na actual (não sei se em 1947 teria este nome) Rua Cinco de Outubro, no Sabugal.

Desfile no Sabugal - 1947

Joao Aristides DuarteÀ frente do desfile vão aqueles que, com toda a certeza, devem ser os membros da elite sabugal, chamemos-lhe as «altas individualidades».
Também se vêem algumas crianças e pessoas do «povo» (basta reparar no traje dos dois homens do lado direito).
O desfile está a entrar no Largo, e do lado esquerdo (onde agora está instalado um Banco) pode ver-se a tasca dos Campainhas (que existiu até ao início da década de 1980).
Mais atrás, do lado esquerdo, onde existe hoje a Ourivesaria Margato, vê-se um anúncio onde está escrito «Viúva Monteiro & Irmão- Despacho Central», com dois desenhos (um dos quais é uma camioneta de carreira).
Atrás, já na Rua Cinco de Outubro, vê-se aquilo que parece ser um conjunto de soldados com armas, a desfilar. Pelo menos vislumbram-se as baionetas.
Há, também, bandeiras e pendões penduradas nas janelas de algumas casas, ao longo da rua.
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

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